Skip to content

Agricultores de Campo Maior veem concretizado projeto de regadio do Xévora aguardado há um quarto de século

A Rede de Rega do Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora, em Campo Maior, foi inaugurada esta terça-feira, 21 de julho, numa cerimónia que contou com a presença do ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, do presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, Luís Rosinha, de vários autarcas da região e de diversas entidades ligadas ao setor agrícola.

O programa teve início no Centro Cultural de Campo Maior. Seguiu-se uma visita ao perímetro de rega do Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora, culminando com as intervenções protocolares e o descerramento da placa evocativa da inauguração.

Considerado um projeto estruturante para o concelho de Campo Maior e para o Alto Alentejo, o Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora abrange atualmente uma área beneficiada de 1.560 hectares, alimentada pela Barragem do Abrilongo. A infraestrutura inclui cerca de 44 quilómetros de condutas, 70 hidrantes, 106 bocas de rega e um sistema de distribuição de água sob pressão, energeticamente eficiente e com forte aproveitamento da gravidade.

Ministro destaca investimento na gestão da água

Na cerimónia, o ministro da Agricultura e Pescas sublinhou o caráter estratégico do investimento, enquadrando-o na política nacional para os recursos hídricos. “É estruturante, é estratégico. Não é por acaso que uma das dez prioridades do Governo é o programa ‘Água que Une’. O objetivo é investir até 2030 cerca de 5.400 milhões de euros e, posteriormente, mais 4 mil milhões. É um investimento que traz retorno económico e permite tirar partido das potencialidades dos territórios”, afirmou José Manuel Fernandes.

O governante destacou ainda que estes projetos reforçam a competitividade da agricultura, promovem a coesão territorial e contribuem para a fixação da população no interior.

“A agricultura é segurança alimentar, mas é também economia, competitividade e coesão territorial. Estes investimentos ajudam a proteger o território através da presença das pessoas e incentivam igualmente a renovação geracional”, referiu.

José Manuel Fernandes salientou ainda que estão atualmente em curso investimentos na ordem dos 600 milhões de euros em infraestruturas de água para a agricultura, considerando-os essenciais para o desenvolvimento do setor.

Projeto aguardado há um quarto de século

Também o presidente da Câmara de Campo Maior destacou a importância da conclusão de uma obra há muito aguardada pelos agricultores.

“É um investimento que fazia falta há cerca de 25 anos. No concelho já existem cerca de seis mil hectares de regadio na zona do Caia e agora iniciamos aqui mais 1.500 hectares, com a expectativa de podermos chegar aos 2.200. Para um concelho com cerca de 250 quilómetros quadrados, esta capacidade de rega é verdadeiramente importante e permitirá novos investimentos e novas formas de fazer agricultura”, afirmou Luís Rosinha.

Apesar da satisfação pela concretização da infraestrutura, o autarca recordou o longo período de espera.

“Hoje é dia de festa, mas fica a marca de um quarto de século de espera por uma infraestrutura crucial para a vida e para os investimentos destes agricultores”, acrescentou.

Emprego e competitividade no horizonte

Por sua vez, o diretor da Associação de Beneficiários do Abrilongo, Nelson Barreto, considerou que o novo perímetro de rega já está a produzir efeitos na atividade agrícola.

“Estamos a falar de um projeto que vai seguramente trazer mais emprego. Já há agricultores e empresas agrícolas a adaptar as suas explorações e a preparar novas culturas em função desta infraestrutura”, afirmou.

Nelson Barreto mostrou-se igualmente confiante na possibilidade de o perímetro de rega ser alargado para os cerca de 2.200 hectares inicialmente previstos, explicando que existem áreas confinantes que poderão vir a ser integradas futuramente.

Terceira fase do projeto já está em preparação

O responsável aproveitou ainda para defender o rápido avanço da terceira fase do projeto, nomeadamente da construção da estação elevatória.

“Há agricultores que, devido à diferença de cotas, ainda não conseguem receber água. Foi-nos transmitido que o caderno de encargos para essa estação elevatória está a ser preparado e esperamos que, dentro de cerca de dois anos, essas explorações também possam ser servidas”, disse.

A construção da rede de rega representou um investimento de cerca de 19 milhões de euros, financiado pelo PDR2020, inserindo-se num investimento global de aproximadamente 25 milhões de euros destinado à conclusão de todo o Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora.

Com a entrada em funcionamento da nova infraestrutura, passa a ser possível aproveitar plenamente a água armazenada na barragem do Abrilongo, construída em 2000, garantindo um abastecimento mais fiável aos agricultores, aumentando a competitividade das explorações agrícolas e promovendo uma utilização mais sustentável dos recursos hídricos.

Compartilhe este artigo: