Graça Amiguinho candidata coletânea de contos sobre a história de Elvas ao Orçamento Participativo

A escritora elvense Graça Amiguinho surge entre os 14 candidatos à edição deste ano do Orçamento Participativo de Elvas, com o projeto “Elvas nas Brumas do Tempo”, uma obra literária que pretende dar a conhecer a história, as figuras e o património do concelho através de contos inspirados em factos históricos e ficção.

Em entrevista, a autora explica que a ideia nasceu da vontade de valorizar a identidade local através da literatura: “Escrevo há muitos anos e senti que a história, as pessoas e o património de Elvas mereciam ser conhecidos através da literatura.”

Treze contos para contar a história de Elvas

O projeto reúne 13 contos, cada um dedicado a uma personagem ou a um tema ligado à história do concelho, permitindo ao leitor viajar por diferentes épocas, desde a Idade Média até períodos mais recentes. Inicialmente concebida como um único livro com cerca de 500 páginas, a obra acabou por ser dividida em vários volumes para facilitar a leitura e a publicação.

Entre as figuras retratadas encontram-se António Tomás Pires, António Sardinha, José da Silva Picão e Públia Hortênsia de Castro. As histórias incluem também referências ao património material e imaterial de Elvas, como o Aqueduto da Amoreira, o Castelo, o Forte da Graça, a Ponte de Ajuda, a romaria do Senhor Jesus da Piedade e tradições populares das freguesias do concelho.

Segundo Graça Amiguinho, a componente ficcional surge para tornar a leitura mais apelativa, sem perder o rigor histórico. “Procuro ter conhecimentos da realidade, mas depois floreio as histórias. A imaginação é a mãe de um escritor”, assegura.

Preservar a memória através da literatura

A autora sublinha que o principal objetivo do projeto não passa pela vitória no Orçamento Participativo, mas sim pela divulgação da história e das tradições de Elvas junto de diferentes públicos.

“O meu objetivo não é vencer este concurso. O meu objetivo é que estes contos cheguem aos leitores e os ajudem a valorizar a memória da nossa cidade”, garante.

Graça Amiguinho considera que a coleção poderá ser utilizada em escolas, centros de dia e outras instituições, aproximando crianças, jovens e idosos do património histórico e cultural do concelho. Ao longo das histórias são retratadas as aldeias do concelho, os seus habitantes, tradições, costumes e acontecimentos marcantes que fazem parte da identidade elvense.

História e ficção de mãos dadas

Ao longo da obra são abordados episódios marcantes da história local, como a construção do Aqueduto da Amoreira, as Guerras da Restauração, a Guerra das Laranjas, a perda de Olivença e a batalha das Linhas de Elvas, sempre acompanhados por narrativas ficcionadas que procuram despertar o interesse do leitor.

A escritora explica que realiza uma investigação histórica rigorosa antes de escrever cada conto, procurando garantir a fidelidade aos factos, embora recorra à imaginação para construir personagens, diálogos e enredos que tornem a leitura mais envolvente.

Um projeto de 25 mil euros

O projeto apresenta um orçamento de 25 mil euros, destinado à edição de mil exemplares da obra. Apesar de reconhecer as dificuldades do processo de votação online do Orçamento Participativo, Graça Amiguinho mostra-se satisfeita por poder apresentar a sua proposta aos elvenses.

Caso o projeto não seja o mais votado, garante que continuará a procurar alternativas para concretizar a publicação: “Acho que é uma obra que não se pode perder. É a história da nossa terra, das nossas gentes, das nossas tradições e do nosso futuro”

Uma mensagem para o futuro

Entre os contos encontra-se ainda uma narrativa dedicada à Eurocidade Elvas – Campo Maior – Badajoz, estabelecendo uma ligação entre o passado e a cooperação transfronteiriça, que a autora considera fundamental para o futuro da região.

No final da entrevista, Graça Amiguinho deixa uma mensagem aos elvenses, destacando a importância de preservar a memória coletiva: “Um povo que conhece a sua história caminha com mais segurança para o futuro. O meu convite é para que todos descubram em Elvas nas Brumas do Tempo uma janela aberta para a nossa história. Se, depois de lerem estas histórias, olharem para Elvas com um pouco mais de orgulho e curiosidade, então o meu trabalho terá valido a pena.”

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

Orçamento Participativo: “Conexão Futuro” promete facilitar a transição para a vida adulta

“Conexão Futuro”, de Lívia Rocha, é um dos 14 projetos que se encontra a votação à edição deste ano do Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Elvas: uma proposta direcionada aos alunos do 12.º ano que pretende facilitar a transição entre o ensino secundário, a universidade e o mercado de trabalho.

Em entrevista à Rádio Elvas, a promotora explica que o objetivo passa por preparar os jovens para os desafios que encontram após concluírem o ensino secundário, através de um conjunto de formações práticas ao longo do ano letivo. A implementação do projeto será feita em articulação com a Escola Secundária de Elvas, cuja direção já manifestou disponibilidade para colaborar na iniciativa.

Uma resposta às dificuldades da transição

Segundo Lívia Rocha, o projeto nasceu da sua experiência profissional e académica na área da educação e dos recursos humanos. Assistente social de formação, mestre em Gestão de Recursos Humanos e atualmente doutoranda em Economia Circular na Escola Superior de Biociências de Elvas, a responsável acredita que muitos jovens chegam à universidade ou ao mercado de trabalho sem estarem preparados para as novas exigências.

“Os alunos passam muitos anos num ambiente escolar protegido e, quando fazem essa transição, enfrentam uma realidade completamente diferente. A intenção é dar-lhes ferramentas para que esse processo seja mais seguro e consciente”, explica.

Formação prática e competências para o futuro

O “Conexão Futuro” prevê sessões dedicadas ao desenvolvimento de competências pessoais e profissionais, abordando temas como inteligência emocional, gestão de conflitos, diversidade, responsabilidade social, sustentabilidade, economia circular, economia social e inovação social. A proposta inclui ainda ações de sensibilização para a prevenção da violência escolar, do bullying e do ciberbullying.

Ao contrário de um modelo de ensino tradicional, as atividades serão desenvolvidas de forma prática e participativa, recorrendo a dinâmicas de grupo, trabalhos colaborativos, vídeos, debates e outras metodologias ativas. Os próprios alunos serão envolvidos na definição de algumas das atividades, de forma a adaptar os conteúdos às suas necessidades e interesses.

Benefícios para alunos e comunidade

Além dos estudantes, Lívia Rocha considera que o projeto poderá beneficiar toda a comunidade educativa, incluindo professores, encarregados de educação e empresas, ao contribuir para a formação de jovens mais preparados para os desafios académicos e profissionais.

A candidatura apresenta um investimento de 25 mil euros, valor destinado à implementação integral da iniciativa. O orçamento contempla materiais pedagógicos, equipamentos, apoio logístico, realização das atividades práticas, registo audiovisual das sessões — mediante autorização —, bem como os recursos humanos necessários à execução do projeto.

Objetivo passa por alargar a iniciativa

Caso seja aprovado, o projeto será inicialmente desenvolvido junto de turmas do 12.º ano selecionadas pela direção da Escola Secundária de Elvas. No entanto, a promotora espera que, após a avaliação dos resultados, a iniciativa possa ser alargada a outros anos de escolaridade e, futuramente, a outras escolas.

Durante a entrevista, Lívia Rocha apelou ainda à participação dos munícipes na votação do Orçamento Participativo, defendendo que o “Conexão Futuro” representa um investimento na preparação dos jovens e no futuro da comunidade.

A votação do Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Elvas decorre até 2 de outubro.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

São Vicente e Ventosa em festa: Doya, Deixa Rolá e Avô das Batidas são cabeças de cartaz

A freguesia de São Vicente e Ventosa, no concelho de Elvas, prepara-se para receber mais uma edição das tradicionais Festas de Verão em honra de Nossa Senhora do Rosário, que decorrem entre os dias 12 e 17 de agosto.

A organização está, este ano, a cargo da Associação de Festas e Animação de São Vicente e Ventosa, que promete um programa diversificado, pensado para todas as idades.

Em entrevista à Rádio ELVAS, o presidente da associação, Rúben Ameixa, revela que a preparação das festividades começou logo após a passagem do pendão da anterior comissão de festas, a 15 de agosto do ano passado. “Em outubro ou novembro o cartaz estava praticamente fechado”, assegura.

O objetivo, segundo o responsável, foi manter o modelo de sucesso das edições organizadas pela mesma equipa, entre 2015 e 2019, oferecendo animação para diferentes públicos. O cartaz inclui bailes, concertos, animação com DJs, atividades tauromáquicas e momentos religiosos, procurando agradar tanto aos mais jovens como aos visitantes habituais.

Doya, Deixa Rolá e DJ Avô das Batidas como principais apostas

Nas duas primeiras noites – quarta e quinta-feira, dias 12 e 13 de agosto – a festa é feita com largadas de touros, na Rua Nova do Poente. Rúben Ameixa sublinha que a componente tauromáquica continua a ter grande importância em São Vicente e Ventosa, uma “das imagens de marca” da freguesia, o que justifica a abertura do programa com estas iniciativas.

A partir de sexta-feira, dia 14, inicia-se a programação musical, com baile animado por David Melão, seguido do concerto da dupla Doya, já “muito solicitada”, que mistura flamenco com sonoridades mais atuais. A noite termina com atuações dos DJs Miguel Morais e Boss Dici.

O feriado de 15 de agosto, sábado, dia dedicado a Nossa Senhora do Rosário, será o ponto alto das festividades. O programa inclui, a partir das 9 horas, o tradicional Peditório da Colcha, acompanhado pela Banda 1.º de Dezembro de Campo Maior, missa solene e procissão. Após as celebrações religiosas realiza-se a cerimónia de entrega do pendão, momento simbólico que assinala a passagem da organização das festas para uma futura comissão – caso exista -, tendo em conta o regulamento em vigor.

Durante a tarde realiza-se uma garraiada popular e, à noite, sobem ao palco Helena Brita e Victor Noruegas, seguindo-se a atuação da “banda do momento”, que animou os bairros de Lisboa por ocasião da celebração dos Santos Populares: Deixa Rolá. Pela madrugada fora a animação estará a cargo do DJ Avô das Batidas, que passou por um dos palcos da última edição do Rock in Rio, e Genzi.

No domingo, dia 16, haverá, durante a tarde, na Praça de Touros, nova tourada à vara larga. À noite, o recinto dos espetáculos recebe uma demonstração de zumba pela Gota d’Arte e a atuação da banda Pack 7, que abrange um vasto leque de estilos musicais, terminando a noite ao som do DJ Cuba.

As festas encerram na segunda-feira, dia 17, com uma largada de touros ao final da tarde, baile com Jorge Gomes, concerto da banda Os Contramão e atuação do DJ Manja.

Street food, restaurante, artesanato e atividades para os mais novos

O recinto das festas volta a instalar-se no Bairro Engenheiro António Gonçalves, onde, além dos espetáculos, no polidesportivo, o público encontrará, junto ao jardim, uma zona de street food, restaurante, mostra de artesanato, quermesse, insufláveis e outras diversões para crianças.

As entradas no recinto dos espetáculos são pagas. Na sexta e no sábado o bilhete custa três euros, enquanto no domingo e na segunda-feira a entrada terá o valor de dois euros.

Investimento superior a 25 mil euros

Para concretizar um investimento que “ronda os 25 a 30 mil euros”, a associação promoveu ao longo do ano diversas iniciativas de angariação de fundos, como o tradicional Baile da Pinha, o jantar de celebração do Dia da Mulher, a Romaria de Nossa Senhora da Ventosa, um arraial de Santos Populares e rifas, contando igualmente com o apoio da Câmara Municipal de Elvas, da Junta de Freguesia de São Vicente e Ventosa e de patrocinadores.

Apesar do entusiasmo, Rúben Ameixa alerta para as crescentes dificuldades enfrentadas pelas comissões de festas, apontando o aumento da burocracia e dos custos com licenças, seguros e restantes exigências legais como um dos principais desafios à continuidade deste tipo de eventos.

Ainda assim, as expectativas da organização são positivas. A venda antecipada de pulseiras esgotou e o presidente da associação acredita que as festas poderão beneficiar da dinâmica criada por outros eventos, como as Festas do Povo de Campo Maior, que decorrem na região durante o mesmo período.

Questionado ainda sobre a hipótese de não surgir uma nova comissão que queira organizar as festas de verão de São Vicente em 2027, Rúben Ameixa garante: “Sem festas não ficamos”.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

Orçamento Participativo: “Proxim(Idades) Maiores” quer levar telereabilitação aos lares da Terrugem e Santa Eulália

O projeto “Proxim(Idades) Maiores”, um dos 14 candidatos ao Orçamento Participativo do Município de Elvas, pretende promover um envelhecimento mais ativo e saudável através da utilização de tecnologia ao serviço da reabilitação.

A iniciativa foi apresentada pela enfermeira Ana Abrantes, em representação de uma equipa de quatro enfermeiros especialistas em Enfermagem de Reabilitação da Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo.

Em entrevista à Rádio ELVAS, Ana Abrantes explica que o projeto nasceu da preocupação com o envelhecimento da população e com a necessidade de preservar a autonomia e a independência dos idosos durante o maior tempo possível. “Vivemos numa sociedade cada vez mais envelhecida e Elvas tem uma elevada taxa de população idosa. O nosso objetivo é mostrar que envelhecer não significa perder autonomia”, afirma.

Além de Ana Abrantes e do enfermeiro Rui Cambóias, ambos a exercer funções na Ortopedia do Hospital de Santa Luzia, em Elvas, a equipa integra ainda as enfermeiras Inês Galega e Marta Rodrigues, que trabalham na área da Medicina.

A proposta será implementada, caso obtenha financiamento, no Lar da Terrugem e no Lar de Santa Eulália, instituições que já manifestaram disponibilidade para acolher o projeto.

“Proxim(Idades) Maiores” assenta num sistema de telereabilitação, recorrendo a equipamentos simples, como tablets, para complementar os cuidados prestados aos idosos. Segundo Ana Abrantes, a tecnologia não substituirá a intervenção dos profissionais, mas permitirá criar programas personalizados de reabilitação física e cognitiva, sempre com o acompanhamento das animadoras socioculturais e dos colaboradores das instituições. “O objetivo é integrar também os idosos na evolução tecnológica da sociedade, utilizando ferramentas simples e acessíveis”, explica.

Entre as atividades previstas encontram-se sessões de estimulação cognitiva e experiências virtuais, como visitas a locais emblemáticos do mundo, permitindo aos residentes conhecer espaços que nunca tiveram oportunidade de visitar. A iniciativa pretende ainda estimular a socialização e combater o isolamento entre os idosos.

A equipa acredita que o projeto poderá contribuir para melhorar a mobilidade, o equilíbrio e reduzir o risco de quedas, uma das principais causas de internamento entre a população mais idosa.

Outra das vertentes passa pelo treino das atividades de vida diária, incentivando os idosos a realizarem, sempre que possível, as suas tarefas de forma autónoma. “Muitas vezes, por ser mais rápido, os profissionais acabam por substituir os idosos nessas atividades. Quanto mais tempo conseguirem manter essas capacidades, maior será a sua independência”, refere.

Embora o projeto dependa da votação no Orçamento Participativo para aquisição do equipamento necessário, num investimento de cerca de mil euros, os enfermeiros garantem que a intervenção será realizada de forma voluntária, fora do horário de trabalho. “O projeto não terá qualquer custo para as instituições. Nós iremos desenvolvê-lo no nosso tempo livre”, adianta Ana Abrantes, acrescentando que a equipa pretende avançar com a iniciativa mesmo que não venha a obter financiamento.

Além da intervenção junto dos idosos, “Proxim(Idades) Maiores” contempla também uma componente de investigação, em parceria com a Universidade de Évora. A equipa pretende desenvolver um estudo sobre a aplicação da telereabilitação em idosos institucionalizados, área que considera ainda pouco explorada em Portugal.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

Orçamento Participativo: Jorge Moita quer transformar Elvas num polo de design, arte e inovação social

O designer elvense Jorge Moita é um dos candidatos à edição deste ano do Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Elvas, com o projeto “KKIDS_CELL ELVAS – Centro de Arquivo Vivo, Design e Produção Cultural Contemporânea”, uma proposta que pretende afirmar a cidade como um polo de criação artística, inovação social e sustentabilidade.

Em entrevista à Rádio Elvas, Jorge Moita explicou que o objetivo passa por criar uma plataforma capaz de dinamizar projetos de design contemporâneo, promovendo a economia circular, a produção cultural e a participação da comunidade.

“O KKIDS_CELL quer responder a problemas reais das comunidades através do design, sempre com foco na economia circular e na inovação social”, afirma o designer, sublinhando a intenção de trazer para Elvas experiências que tem vindo a desenvolver em diferentes pontos do país, em parceria com universidades, instituições culturais e entidades públicas.

Entre as iniciativas previstas estão a criação de um núcleo expositivo permanente dedicado ao arquivo do seu trabalho enquanto designer (Krv Kurva Design), a realização de residências artísticas, workshops, ações de formação e programas educativos intergeracionais, envolvendo crianças, jovens e seniores.

Jorge Moita destaca ainda o potencial de Elvas para acolher este tipo de projetos, referindo o estatuto de Património Mundial da UNESCO, os equipamentos culturais existentes e a localização estratégica da cidade na fronteira. Na sua perspetiva, estes fatores criam condições para atrair artistas e criadores nacionais e internacionais.

O candidato acredita também que o projeto poderá estabelecer ligações com outras estruturas culturais do concelho, como o Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE), contribuindo para reforçar a programação artística do território, sobretudo num contexto em que o Alentejo se prepara para receber Évora Capital Europeia da Cultura 2027.

Durante a entrevista, Jorge Moita recorda igualmente o projeto SUSTENTAALE, desenvolvido em Elvas, que reuniu alunos da Academia de Dança de Elvas, a Universidade Sénior e o Hospital de Santa Luzia na criação de figurinos produzidos a partir de materiais reutilizados do bloco operatório. Apesar de não ter vencido a anterior edição do Orçamento Participativo, o projeto acabou por ser implementado, servindo de inspiração para a nova candidatura.

Segundo o designer, o KKIDS_CELL pretende funcionar como um espaço de colaboração entre associações, artistas e coletivos locais, promovendo a cocriação e o desenvolvimento de projetos com identidade própria para o concelho.

A candidatura apresenta um investimento de 25 mil euros, valor máximo previsto no regulamento do Orçamento Participativo, destinado à fase inicial de implementação da iniciativa. Jorge Moita considera que este financiamento representa “o pontapé de saída” para um projeto cuja continuidade dependerá do envolvimento do Município e de futuros parceiros.

No final da entrevista, o candidato apela à participação dos elvenses no processo de votação, incentivando a população a conhecer todas as propostas a concurso e a exercer o seu direito de voto, considerando o Orçamento Participativo uma importante ferramenta de cidadania ativa e de construção coletiva do futuro do concelho.

A entrevista completa a Jorge Moite para ouvir no podcast abaixo:

Elvas recebe chegada da Volta a Portugal: Município reforça aposta na promoção da cidade através do desporto

Elvas volta a integrar o percurso da Volta a Portugal em Bicicleta, acolhendo no próximo sábado, dia 8 de agosto, a chegada da terceira etapa da 87ª edição da prova rainha do ciclismo nacional, que liga Beja à cidade Património da Humanidade.

Para Hermenegildo Rodrigues, vereador com o pelouro do Desporto, o regresso da competição representa uma oportunidade única para promover Elvas a nível nacional e internacional.

Em entrevista à Rádio Elvas, o autarca explicou que o processo para trazer novamente a prova à cidade começou há mais de um ano, na sequência da mudança na organização da Volta a Portugal. Hermenegildo Rodrigues revelou que estabeleceu contactos com o atual diretor da prova, Cândido Barbosa, logo após a sua entrada na organização, mantendo desde então conversações que culminaram na confirmação da chegada da etapa a Elvas.

Segundo o vereador, a escolha da cidade resulta de um trabalho de proximidade entre o município e a organização, mas também das características do Alentejo para a prática do ciclismo. “O Alentejo é uma região de excelência para o ciclismo”, afirmou, considerando que a crescente aposta da Volta em percorrer todo o território nacional favoreceu a inclusão de Elvas no percurso.

Preparação envolve meses de trabalho

A organização da chegada da prova mobilizou, durante vários meses, técnicos da Câmara Municipal e da organização da prova, com especial atenção ao desenho do percurso e às condições de segurança. Hermenegildo Rodrigues explicou que houve um trabalho detalhado na definição dos acessos, circulação e localização da meta, procurando minimizar riscos numa chegada que deverá ser decidida ao sprint.

O pelotão entrará no concelho pela zona da Terrugem, passando por Vila Boim e seguindo pela Estrada Nacional 4 até à cidade. Junto à rotunda das Piscinas Municipais, os ciclistas circularão no sentido contrário ao trânsito habitual, solução encontrada para evitar uma curva considerada perigosa antes da reta final.

A meta ficará instalada no final do viaduto sobre o Jardim das Laranjeiras, enquanto as cerimónias protocolares, incluindo o pódio e o controlo antidoping, decorrerão na Praça 25 de Abril.

Impacto turístico e económico

Para o vereador, a realização da etapa representa muito mais do que um evento desportivo. Hermenegildo Rodrigues destacou que a Volta a Portugal será transmitida para cerca de 60 países através da Eurosport, em mais de 20 línguas, proporcionando uma exposição internacional de grande dimensão para o património da cidade.

“O desporto é também promoção turística”, sublinhou, defendendo que o investimento realizado pelo município tem um retorno muito superior ao seu custo, não apenas no próprio dia da prova, mas também através das futuras visitas de pessoas que conhecem Elvas pelas transmissões televisivas.

O autarca recordou ainda a projeção alcançada em 2022 com a chegada junto ao Aqueduto da Amoreira, cujas imagens tiveram ampla divulgação nas redes sociais e meios de comunicação.

Sonho passa pelo Forte da Graça

Hermenegildo Rodrigues revelou ainda que mantém o objetivo de levar, no futuro, uma etapa ou uma cronoescalada da Volta a Portugal ao Forte da Graça.

O vereador considera que uma chegada ao monumento proporcionaria uma imagem “única” da cidade, capaz de reforçar ainda mais a promoção internacional de Elvas. Apesar das dificuldades técnicas que o percurso representa para os ciclistas, garante que continuará a apresentar essa proposta à organização da prova.

Fim de semana de grande movimento

A chegada da Volta coincide com o arranque das Festas do Povo, em Campo Maior, situação que deverá provocar uma elevada afluência de visitantes à região.

Segundo Hermenegildo Rodrigues, a ocupação hoteleira em Elvas está praticamente esgotada, obrigando muitas equipas a procurar alojamento noutros concelhos e até em Badajoz. O autarca considera que esta realidade demonstra o impacto económico dos grandes eventos e reforça a importância da cooperação transfronteiriça entre Elvas, Campo Maior e Badajoz.

Apelo à compreensão da população

Reconhecendo que a prova implicará condicionamentos de trânsito durante algumas horas, o vereador apelou à compreensão dos elvenses.

“Se queremos dar um passo em frente, temos de aceitar pequenas limitações”, afirmou, pedindo aos residentes que apoiem os ciclistas e contribuam para criar um ambiente de festa ao longo do percurso.

A chegada da terceira etapa está prevista para cerca das 17h15, podendo sofrer pequenas alterações em função do desenrolar da corrida.

Ao todo, a Volta a Portugal contará com a participação de 17 equipas, incluindo formações internacionais de elevado nível competitivo, entre elas três equipas WorldTour, reforçando o prestígio da etapa que termina em Elvas.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

GNR mobiliza dispositivo especial para garantir segurança nas Festas do Povo de Campo Maior

Onze anos depois, as Festas do Povo de Campo Maior regressam para transformar a vila num dos maiores palcos de celebração do país. Entre 8 e 16 de agosto, são esperados milhares de visitantes vindos de norte a sul de Portugal e também do estrangeiro. Para responder à dimensão do evento, a Guarda Nacional Republicana (GNR) preparou um dispositivo de segurança de grande escala, que começa a ser implementado já no dia 7 de agosto, com a tradicional enramação das ruas.

Em entrevista, o comandante do Destacamento Territorial de Elvas da GNR, capitão Francisco Carvalho, revela que estarão envolvidos mais de dois mil militares ao longo dos dez dias da operação, provenientes de várias unidades do país e apoiados por diferentes especialidades da força de segurança.

“Estamos perante um evento de grande dimensão, não apenas pela duração, mas também pela extensão do recinto, que abrange praticamente toda a vila de Campo Maior. Isso exige um dispositivo muito robusto e diversificado”, explica.

Além dos militares do Comando Territorial de Portalegre, a operação contará com reforços da Investigação Criminal, Trânsito, Intervenção e equipas especializadas na operação de drones. Também estarão presentes elementos da Guardia Civil espanhola e da Gendarmerie francesa, tendo em conta o elevado número de visitantes esperados provenientes de Espanha e de França.

Trânsito e tecnologia ao serviço da segurança

Uma das principais preocupações da GNR será garantir a fluidez do trânsito e assegurar corredores de emergência para os meios de socorro. Para isso, haverá militares destacados nos principais acessos à vila e será utilizada tecnologia de vigilância aérea através de drones, capazes de monitorizar em permanência o estado das vias e dos parques de estacionamento.

A informação recolhida permitirá encaminhar os condutores para percursos alternativos e parques disponíveis, contando ainda com o apoio da associação VOST Portugal, que colaborará na atualização de aplicações de navegação como o Waze.

“Queremos minimizar os constrangimentos para quem visita as festas, mas também para os residentes e para quem necessita de circular na região”, sublinha o capitão.

Vigilância reforçada nas ruas ornamentadas

As ruas decoradas, principal atração das Festas do Povo, terão um policiamento reforçado através de patrulhas apeadas, militares à civil e do sistema de videovigilância instalado na vila.

O objetivo passa por prevenir sobretudo furtos por carteiristas, um dos crimes mais frequentes em eventos com grandes concentrações de pessoas.

“Tentamos mitigar o risco através da conjugação de vários meios, desde patrulhas às câmaras de videovigilância e aos militares dissimulados”, explica Francisco Carvalho.

Apelo à responsabilidade

Face à elevada afluência esperada, a GNR deixa também um apelo à responsabilidade dos visitantes, sobretudo no consumo de álcool.

“As pessoas devem divertir-se, mas fazê-lo com segurança. Quem for conduzir deve evitar ingerir bebidas alcoólicas. O contributo para a segurança não depende apenas da GNR, depende de todos”, afirma o comandante.

Preparação começou há vários meses

O planeamento da operação envolve, desde o início do ano, uma estreita articulação entre a GNR, Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Bombeiros, Câmara Municipal de Campo Maior e Associação das Festas do Povo.

Durante o evento funcionará um posto de comando conjunto, com reuniões e briefings diários entre todas as entidades envolvidas, garantindo uma resposta coordenada a qualquer ocorrência.

Com um dispositivo reforçado, tecnologia de apoio e cooperação internacional, a GNR pretende assegurar que o regresso das Festas do Povo, onze anos depois da última edição, decorra em segurança e corresponda às elevadas expectativas dos milhares de visitantes esperados em Campo Maior.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

Vila Boim entra em contagem decrescente para quatro dias de festa com Mónica Sintra, Luís Fialho e várias novidades

De 31 de julho a 3 de agosto, Vila Boim recebe mais uma edição das tradicionais Festas de Verão em honra de Nossa Senhora dos Remédios e de São João Batista. Organizadas pela Associação Aboim Jovem, as festividades prometem quatro dias de animação, com um programa que conjuga música, tauromaquia, atividades desportivas, celebrações religiosas e momentos de convívio para todas as idades.

Em entrevista à Rádio ELVAS, o presidente da Associação Aboim Jovem, Carlos Leitão, revelou que a preparação do evento começou ainda no final do ano passado, apesar de algumas dificuldades internas que marcaram o arranque da organização.

“Começamos normalmente em dezembro. Este ano tivemos alguns percalços com a saída de membros da associação, mas, com muito empenho, conseguimos ultrapassar todas as dificuldades e preparar umas festas à altura daquilo que a população merece”, afirmou.

Carlos Leitão reconheceu que organizar as festas representa um desafio cada vez maior, devido ao aumento dos custos e à limitação dos apoios financeiros. “Qualquer festa hoje em dia tem um custo muito elevado. Trabalhamos durante muitos meses para proporcionar quatro dias de animação e, muitas vezes, as críticas acabam por ser mais do que os elogios. Só quem organiza tem verdadeira noção do trabalho que isto exige”, referiu.

O cartaz deste ano aposta numa combinação entre artistas consagrados e talentos alentejanos. Luís Fialho e Mónica Sintra são os principais cabeças de cartaz, sendo que o presidente da associação destacou a importância de valorizar artistas da região.

“Somos alentejanos e temos orgulho nisso. O Luís Fialho representa essa aposta na nossa terra. Já a Mónica Sintra é um nome consagrado da música portuguesa e será um dos grandes momentos das festas”, explicou.

Ao longo dos quatro dias, o programa inclui ainda bailes, DJs, concertos, garraiadas, largadas, a tradicional procissão, atividades desportivas, atuações de grupos locais e momentos de animação distribuídos entre o Jardim e o Ringue de Vila Boim.

Entre as novidades desta edição destaca-se a valorização do coreto do jardim, que passará a funcionar como palco para atuações durante os períodos de jantar, concentrando a animação no centro das festas, e uma largada acompanhada por um DJ, uma estreia na organização da Associação Aboim Jovem.

“Queremos concentrar mais as festas no jardim e no ringue. Aproveitámos também o coreto, que há muito não era utilizado, para lhe dar uma nova vida durante estes dias”, explicou Carlos Leitão.

Outro dos destaques será a continuidade da Milha de Vila Boim, organizada em parceria com a IALBAX, depois do sucesso alcançado na primeira edição, no ano passado.

No final da entrevista, Carlos Leitão aproveitou para agradecer o apoio recebido da Câmara Municipal de Elvas, da Junta de Freguesia de Vila Boim, dos patrocinadores, comerciantes locais, voluntários e membros da associação, sublinhando que sem esse contributo seria impossível concretizar o evento.

“São muitos meses de trabalho, muita burocracia e muitas horas dedicadas a estas festas. O nosso objetivo é simples: proporcionar quatro dias de diversão, receber bem quem nos visita e terminar com a sensação de missão cumprida.”

Questionado sobre a continuidade da Associação Aboim Jovem na organização das festas nos próximos anos, o presidente admitiu que este poderá ser um momento de mudança. “São cinco anos a organizar as festas. Precisamos de descansar e dar oportunidade a outras pessoas. Se ninguém avançar, a situação terá de ser debatida, porque o mais importante é que Vila Boim nunca deixe de ter as suas festas de verão”, remata.

As Festas de Verão de Vila Boim decorrem entre 31 de julho e 3 de agosto, prometendo voltar a afirmar-se como um dos principais eventos do verão no concelho de Elvas, reunindo população e visitantes em quatro dias dedicados à tradição, ao convívio e à animação.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

Fogaças, garraiada e bailes animam as festas de Varche a partir de sexta-feira

Varche, no concelho de Elvas, volta a viver um dos momentos mais aguardados do ano com a realização das tradicionais Festas em Honra de Nossa Senhora da Encarnação, que decorrem entre sexta e segunda-feira, de 17 a 20 de julho. Organizado pela Sociedade Recreativa de São Brás de Varche, o evento promete quatro dias de animação, música, convívio e celebrações religiosas.

O presidente da coletividade, Bruno Belchior, em entrevista à Rádio ELVAS, destaca, desde logo, o esforço da associação para voltar a organizar as festividades, sublinhando as dificuldades financeiras e burocráticas inerentes à preparação do evento.

“Voltamos mais um ano a fazer nós as festas de Varche. É muito trabalho, muita disponibilidade da nossa parte e muita burocracia até conseguirmos lá chegar. Estamos também a fazer um esforço enorme para conseguirmos realizar a garraiada”, afirma.

Apesar das limitações, Bruno Belchior considera que foi possível apresentar um programa equilibrado, dentro das possibilidades da associação. “Tentamos inovar, mas não é fácil por causa da questão financeira. Não temos a disponibilidade que gostaríamos de ter, mas conseguimos lá chegar, que é o mais importante”, refere.

O responsável explica ainda que a Sociedade Recreativa de São Brás de Varche é praticamente uma associação autossustentável, sendo as festas fundamentais para o equilíbrio financeiro da coletividade ao longo do ano. “Tudo isto requer muita gestão financeira nossa e as festas vêm dar-nos esse equilíbrio para o ano inteiro”, acrescenta.

O programa das festas volta a manter uma das apostas dos últimos anos: iniciar e terminar as festividades com as tradicionais cerimónias religiosas. “Foi uma aposta ganha e por isso continuamos a manter esta tradição”, salienta Bruno Belchior.

No sábado, o recinto abre ao almoço, estando prevista uma tarde preenchida com a tradicional garraiada, cuja realização continua dependente das condições climatéricas. “Não sabemos se será às 18 horas ou um pouco mais tarde. Se estiver muito calor é praticamente impossível”, explica o presidente da coletividade. O dia inclui ainda um torneio de futebol de veteranos, que este ano contará apenas com duas equipas, devido à dificuldade em reunir participantes. À noite, a animação musical prolonga-se até às 5 horas da manhã, com uma aposta num grupo de fora do concelho de Elvas. “É um esforço financeiro maior, mas quisemos apostar um bocadinho fora do concelho”, justifica.

O domingo será marcado por um ambiente mais tranquilo, tendo como principal destaque o tradicional leilão das fogaças, uma das mais antigas tradições da freguesia. “É sempre um dos momentos de maior agitação da nossa festa e enquanto houver fogaças para leiloar não vamos retirar esta tradição do programa. Poucas ou muitas que apareçam são sempre bem-vindas e só temos a agradecer às pessoas que as oferecem. É também uma importante fonte de receita para as festas”, destaca Bruno Belchior. O domingo contará ainda com um baile, pensado para proporcionar um ambiente mais calmo, tendo em conta que a segunda-feira é dia de trabalho para muitos dos visitantes e voluntários.

O presidente da associação deixa ainda uma palavra de agradecimento a todos aqueles que contribuem para o sucesso das festividades, nomeadamente através da adesão ao restaurante instalado durante os festejos. “As nossas festas vivem muito do restaurante que montamos e da adesão das pessoas. Só temos a agradecer a todos os que nos visitam e nos ajudam a manter viva esta tradição”, conclui.

A animação musical do evento vai estar a cargo, na sexta-feira de Jorge Gomes, no sábado de Duo Lunar e, no domingo de AR Musical.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

Barragem do Pisão: Tribunal mantém suspensão ambiental do projeto

O Tribunal Central Administrativo Sul rejeitou o recurso apresentado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), mantendo a suspensão provisória da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) da Barragem do Pisão, no Alto Alentejo. Esta decisão judicial determina que todos os trabalhos associados ao projeto continuem congelados até que a justiça tome uma decisão definitiva sobre a sua legalidade.

No programa Ambiente em FM, José Janela da Quercus diz-nos que para a associação ambientalista Quercus, a medida representa uma vitória crucial na aplicação do princípio da precaução, evitando danos potencialmente irreversíveis nos ecossistemas locais enquanto o processo principal decorre nos tribunais.

As principais preocupações dos ambientalistas centram-se na destruição de habitats e na perda de biodiversidade, com especial alerta para o abate iminente de quase 50 mil azinheiras, que formam uma das maiores áreas de azinhal contínuo de Portugal e funcionam como barreira contra as alterações climáticas.

A Quercus contesta a real necessidade da nova infraestrutura, defendendo que as três barragens já existentes na região são suficientes para abastecer a população local — que se encontra em declínio — e exige uma avaliação transparente e rigorosa das reais carências hídricas do distrito.

Tudo para saber sobre o assunto com José Janela, da Quercus. O programa desta semana para ouvir, na íntegra, no podcast abaixo: