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GNR aperta o cerco ao furto em automóveis: detenções disparam 160% apesar de quebra global no crime

A Guarda Nacional Republicana (GNR) intensificou a sua resposta operacional ao fenómeno de furtos no interior de veículos, registando um aumento expressivo de 160% no número de detenções ao longo do último ano. O balanço estatístico oficial revela que as autoridades efetuaram 68 detenções, um acréscimo significativo face às 26 registadas no período homólogo. Em paralelo, a atividade proativa da Guarda levou à identificação de 1523 suspeitos, mais 142 do que no ciclo anterior. No Alentejo, Portalegre e Évora registam números baixo e uma pequena diminuição, já Beja verifica uma efetiva redução de 20% de 103 para 82 ocorrências

Esta resposta policial surge em contracorrente com a tendência geral da criminalidade associada a este ilícito. No cômputo geral, verificou-se uma diminuição de 7,6% no número de crimes reportados. A GNR contabilizou um total de 5667 ocorrências, o que representa menos 470 crimes face aos dados registados no ano transato.

Porto lidera perdas e Faro regista descida acentuada

A análise geográfica dos dados demonstra que este tipo de crime ocorre prioritariamente em zonas de maior densidade populacional e junto à orla costeira. Os autores concentram a sua atuação em parques de estacionamento de praias, centros comerciais, palácios e museus, aproveitando a forte afluência de turismo sazonal.

A nível distrital, o Porto posiciona-se no topo da tabela criminal com 1440 crimes registados, fixando-se como o distrito com a maior subida homóloga do país. Seguem-se Setúbal, com 722 ocorrências, e Lisboa, com 691. Em sentido inverso, o distrito de Faro apresentou uma trajetória de descida acentuada, recuando de 900 crimes para 629.

O panorama completo das ocorrências por distrito evidencia assimetrias regionais acentuadas entre os dois períodos em análise:

Em 2025, a GNR registou um total de 5 667 crimes, menos 470 do que em 2024, sendo os distritos com maior volume de ocorrências:

·         Porto: 1 440 crimes (distrito com maior subida homóloga);

·         Setúbal: 722 crimes;

·         Lisboa: 691 crimes;

·         Faro: 629 crimes.

Distritos20242025
Açores11
Aveiro547573
Beja10382
Braga559522
Bragança2214
Castelo Branco4239
Coimbra202129
Évora5652
Faro900629
Guarda3528
Leiria274230
Lisboa761691
Madeira02
Portalegre2725
Porto11381440
Santarém166146
Setúbal915722
Viana do Castelo225178
Vila Real7656
Viseu88108
Total61375667

Meteorologia e lazer ditam os picos de criminalidade

Os dados estatísticos confirmam que a evolução mensal deste crime acompanha os períodos de lazer e férias. O período compreendido entre a segunda quinzena de junho e o mês de setembro concentra o maior volume de criminalidade associada à época estival. Contudo, os picos de ocorrências oscilam consoante o calendário festivo e as condições climatéricas.

Anteriormente, verificaram-se picos invulgares em épocas como o Carnaval e, muito em particular, durante o mês de outubro, que registou 576 crimes num período marcado por temperaturas excecionalmente elevadas a nível europeu e global, segundo dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

No período mais recente, os meses de janeiro e dezembro destacaram-se devido às festividades de Natal e Ano Novo. Já o mês de maio, considerado o segundo mais quente de que há registo em Portugal Continental pelo IPMA, impulsionou uma antecipação da época balnear e das atividades ao ar livre, traduzindo-se num aumento imediato dos registos criminais.

Prevenção e comportamento dos condutores são determinantes

A GNR reforça que muitos destes furtos ocorrem por pura oportunidade, potenciados pelo esquecimento de bens visíveis a partir do exterior. Com a aproximação da época de maior calor, as autoridades aconselham os condutores a trancar sempre as viaturas e a verificar janelas, vidros ou tetos de abrir, mesmo durante ausências curtas.

Caso seja necessário guardar objetos na bagageira, o procedimento deve ser efetuado antes de chegar ao local de estacionamento, de forma a evitar a exposição dos bens perante potenciais assaltantes. A escolha de locais iluminados, movimentados ou com sistemas de vigilância ativa é igualmente recomendada, assim como a ativação de alarmes e ferramentas digitais de localização em equipamentos eletrónicos.

Em caso de arrombamento, a GNR aconselha que os lesados a não devem tocar ou contaminar o veículo, de modo a preservar os vestígios para a investigação criminal. A situação deve ser comunicada de imediato às forças de segurança, acompanhada de descrições detalhadas e, idealmente, registos fotográficos dos bens furtados para salvaguardar uma eventual recuperação.

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