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Rua 13 de Dezembro prepara Festas do Povo com união e sem “cabeças de rua”

Na Rua 13 de Dezembro, em Campo Maior, conhecida por muitos como Rua da Canada, a preparação para as Festas do Povo faz-se de uma forma pouco habitual: não existem “cabeças de rua”. As decisões são tomadas em conjunto, num ambiente de cooperação entre vizinhos, onde cada um contribui com aquilo que sabe fazer.

Ana Maria Antunes e Julieta Gaspar Pepê, duas das moradoras envolvidas na ornamentação, explicam que o espírito de entreajuda tem sido o grande motor do projeto. “Aqui há muita gente a trabalhar, muita boa vontade, mas não há cabeças de rua”, sublinham, acrescentando que, antes de iniciar os trabalhos, os moradores reuniram-se para escolher o tema, as cores e a decoração, distribuindo depois as tarefas por todos os participantes.

Falta de moradores dificulta preparação

Apesar da união, a falta de mão de obra continua a ser um dos maiores desafios. A Rua 13 de Dezembro é uma das maiores do percurso das Festas do Povo, mas conta com poucos habitantes e muitas casas desocupadas. “Há pouca juventude e as pessoas não querem colaborar. Batemos muito com a falta de moradores”, lamentam.

Voluntários e familiares reforçam a equipa

Os trabalhos arrancaram em janeiro e ganharam novo impulso há cerca de dois meses, com o apoio da comissão das festas, que encaminhou voluntários para ajudar, sobretudo na execução dos tetos da ornamentação. “A rua é muito grande e os habitantes são muito poucos”, explicam, destacando que esta é uma das tarefas mais exigentes, já que os nós têm de ficar bem apertados para resistirem ao vento durante toda a semana das festas.

A preparação contou também com a ajuda de familiares, amigos e até de um professor que envolveu crianças nos trabalhos. Julieta Gaspar destaca ainda o contributo da filha de uma das moradoras, experiente na arte de trabalhar o papel e na criação de flores, bem como de outros familiares e amigos que têm reforçado a equipa nos últimos dias.

“A nossa rua é a mais bonita de todas”

Embora rejeitem a ideia de competição, o orgulho pela rua é evidente. “Claro que sim, a nossa é a mais bonita de todas”, dizem entre sorrisos. Julieta descreve-a como “uma senhora de salto alto”, pela sua largura, comprimento e imponência, características que acreditam valorizar ainda mais a decoração preparada para esta edição das Festas do Povo.

A magia da noite da enramação

Com a chegada do dia 7, começa uma das fases mais aguardadas: a enramação. “A noite da enramação é a mais bonita. É mais trabalhosa, mas é como nascer uma criança”, descreve Julieta, comparando esse momento ao renascimento da rua.

Uma tradição que continua depois da ornamentação

Concluída a ornamentação, os moradores mantêm uma tradição muito própria: percorrem as restantes ruas da vila, cantando saias ao som das castanholas e das pandeiretas, antes da passagem da banda filarmónica e das entidades oficiais.

Depois de meses de trabalho, o objetivo é simples: desfrutar das Festas do Povo e mostrar a todos — amigos, visitantes e forasteiros — o resultado de um projeto construído “com muito amor e carinho”, onde a força da comunidade substitui a figura das tradicionais cabeças de rua.

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