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Festas do Povo: uma promessa, 50 voluntários e meses de trabalho para enramar parte da Rua Dr. Tello da Gama

A poucos dias do arranque das Festas do Povo de Campo Maior, que decorrem de 8 a 16 de agosto, o entusiasmo cresce entre os habitantes que, há vários meses, trabalham na preparação das emblemáticas ruas enramadas.

No quarto troço da Rua Doutor Tello da Gama, Diodina Gaita regressa ao papel de cabeça de rua, função que já desempenhou em 2015, enquanto Ana Cachapa assume o desafio pela primeira vez, no terceiro troço da mesma artéria da vila.

Promessa feita e cumprida

Para Diodina, o regresso à liderança da rua nasce do cumprimento de uma promessa feita a São João, padroeiro da vila. “Se uma determinada situação fosse resolvida, prometi que faria festas na minha rua”, explica, acrescentando que a oportunidade surgiu e decidiu avançar.

Apesar da natural vontade de ver a sua rua distinguida como a mais bonita de todas, as duas responsáveis acreditam que este ano será difícil apontar uma favorita. “Acho que em todas as ruas todos dizemos que a nossa vai ser a mais bonita, porque é um orgulho terminar um projeto e ver o desafio concretizado”, refere Diodina. “Depois de tantos anos sem festas, as pessoas quiseram mostrar aquilo que Campo Maior vale. Vai ser muito difícil escolher apenas uma, porque todas vão ficar muito bonitas”, acrescenta.

Trabalho de preparação iniciou-se em novembro

O trabalho começou ainda em novembro, com a mobilização dos vizinhos. O convite foi feito de forma original: um pequeno cartão entregue porta a porta, convidando todos para uma reunião. A partir daí iniciou-se um longo processo de organização, escolha do tema e planeamento dos trabalhos.

Segundo Ana Cachapa, antes mesmo de começar a produção das flores, existe um grande esforço de preparação. “Há um processo antes que também é trabalho. Estas coisas não se fazem só porque sim, fazem-se porque se vivem e se sentem”, afirma.

A escolha do tema para o terceiro e quatro troços da Rua Doutor Tello da Gama foi feita de forma participada. Três propostas, com diferentes níveis de dificuldade e combinações de cores, foram apresentadas aos moradores e a decisão foi tomada por votação. “Foi tudo escolhido democraticamente”, explica.

Cerca de 50 voluntários envolvidos nos trabalhos

Desde janeiro, a produção das flores passou a fazer parte da rotina diária dos voluntários, obrigando muitos a adaptar horários e a abdicar de momentos da vida pessoal. “Se não consigo fazer à noite, faço à hora do almoço ou de manhã ao fim de semana. Acabamos por abdicar um bocadinho da nossa vida pessoal em prol da festa”, reconhece Ana.

Ao longo dos meses, cerca de meia centena de pessoas participou nas diferentes fases do projeto. Algumas integraram os trabalhos iniciais, outras juntaram-se mais tarde, num esforço coletivo que continua até aos últimos preparativos. Entre os elementos decorativos, permanecem algumas surpresas guardadas para a noite da enramação, embora as responsáveis destaquem o cuidado colocado na entrada da rua, marcada por um trabalho ornamental minucioso com flores de pequenas dimensões.

A experiência dos mais velhos

A preparação da festa conta também com o conhecimento transmitido pelas gerações mais experientes. Diodina sublinha que os antigos continuam a desempenhar um papel essencial na organização: “Há sempre alguém mais velho que nos alerta para aquilo que faz falta, para os detalhes da montagem ou para aspetos que não nos podemos esquecer. É uma organização conjunta e aprendemos muito com quem já viveu muitas festas.”

Concluída a noite da enramação, haverá espaço para celebrar o trabalho realizado. O plano passa por reunir os participantes da rua, brindar com um licor, partilhar um bolo e percorrer as restantes ruas enfeitadas de Campo Maior antes do início oficial das festividades.

Durante a semana das Festas do Povo, o descanso ficará para segundo plano. “Dormimos de dia, saímos à noite, dormimos de manhã, saímos à tarde. Não há plano”, resume Ana, antecipando os dias intensos que esperam todos os envolvidos.

As duas cabeças de rua deixam ainda um convite a quem visite Campo Maior entre 8 e 16 de agosto. Garantem que, à semelhança do espírito das Festas do Povo, todos serão recebidos de braços abertos. “Venham à nossa rua. Haverá sempre um licor, um bolo e uma cadeira para descansar. Mas, acima de tudo, venham conhecer os 99 troços enramados que fazem destas festas um dos maiores símbolos da identidade e da hospitalidade de Campo Maior”.

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