
Elvas e Campo Maior são, desde ontem, 1 de outubro, palco do VI Encontro Nacional e I Encontro Ibérico de Integração de Cuidados, uma iniciativa que reúne profissionais e entidades dos dois lados da fronteira para refletir sobre respostas integradas na área da saúde e dos cuidados.
O encontro, que é promovido anualmente pela Associação Portuguesa de Integração de Cuidados (PAFIC), decorre este ano entre Elvas e Campo Maior, por iniciativa da Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo.
A sessão de abertura realizou-se na manhã desta sexta-feira, no Auditório São Mateus, em Elvas, com as participações do presidente do Conselho de Administração da ULS do Alto Alentejo, Miguel Lopes, do presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, Luís Rosinha, do vereador da Câmara Municipal de Elvas, Hermenegildo Rodrigues, da presidente da PAFIC, Adelaide Belo, e do vice-presidente da CCDR Alentejo para a área da Saúde, Marciano Lopes.
Para Miguel Lopes, a realização do encontro no Alto Alentejo constitui uma oportunidade para colocar no centro da discussão a necessidade de desenvolver respostas integradas para a população: “O Alto Alentejo e, em concreto, Elvas e Campo Maior acolheram durante estes dois dias o VI Encontro Nacional de Integração de Cuidados, que é organizado anualmente pela Associação Portuguesa de Integração de Cuidados e foi um repto que foi lançado pela ULS do Alto Alentejo para que pudéssemos trazer esta discussão, sobre aquilo que é a integração e as respostas integradas, à nossa população”.
O responsável destacou ainda a dimensão ibérica da iniciativa, considerando que o encontro permite conhecer experiências e respostas desenvolvidas em Espanha. “Este é um espaço de reflexão onde procuramos aprender com boas experiências, neste caso, e pela primeira vez, ibéricas, sobre aquilo que são respostas que temos que desenvolver e consolidar para garantir cuidados de saúde integrados à nossa comunidade”, afirmou.
Articular todo o percurso do cidadão no sistema de saúde
A integração de cuidados, explicou ainda Miguel Lopes, passa por garantir que o cidadão encontra respostas articuladas ao longo das diferentes fases do seu percurso no sistema de saúde.
“Quando falamos de integração, falamos numa lógica em que todos nós, enquanto cidadãos, quando recorremos a algum serviço de saúde, tenhamos as respostas adequadas e que seja um percurso articulado entre médicos de família, os centros de saúde, os hospitais, as especialidades”, esclareceu.
O presidente da ULS do Alto Alentejo acrescentou a esta articulação os cuidados continuados, “quando temos que fazer convalescença”, assim como os “cuidados de longa duração”. “Também é importante quando temos necessidade de ter respostas em termos de cuidados paliativos, não só no momento final de vida, mas ao longo de todo o processo que implique a existência de dor na nossa vida”, rematou.
Elvas e Campo Maior reforçam parceria no contexto EuroBEC
Por sua vez, Hermenegildo Rodrigues, vereador na Câmara Municipal de Elvas, destacou a realização do encontro nos dois municípios como um exemplo da cooperação e proximidade entre Elvas e Campo Maior.
“Começo por realçar este significado de reforçar esta parceria, esta proximidade entre Elvas e Campo Maior. Como é do conhecimento, este simpósio iniciou-se ontem em Campo Maior e hoje continua em Elvas. Portanto, é significativo e isto vem ao encontro daquilo que é um dos grandes propósitos desta região EuroBEC”, assegurou.
O autarca associou ainda a realização deste tipo de eventos à estratégia de afirmação de Elvas enquanto cidade de congressos e destino para iniciativas de diferentes áreas: “Penso que, acima de tudo, esse é um dos grandes propósitos do atual executivo, é afirmar Elvas como uma cidade de destino, uma cidade de congressos”.
Hermenegildo Rodrigues salientou que a realização de congressos e jornadas contribui para dinamizar a cidade e para promover a circulação de conhecimento. “Há aqui um conjunto de situações que nos deve encher de orgulho, porque quer queiramos, quer não, isto traz vida, traz dinâmica, traz proximidade entre as pessoas, mas também traz aquilo que todos nós procuramos: conhecimento, quer ele seja científico ou não.”
O vereador defendeu ainda a importância destes encontros enquanto espaços de produção e partilha de conhecimento para apoiar a tomada de decisões em diferentes áreas. “Cada vez mais as decisões são tomadas num contexto de fundamentação das próprias escolhas, quer sejam ambientais, agrícolas, no âmbito da saúde”, disse aos microfones da Rádio ELVAS.
Para Hermenegildo Rodrigues, a realização do encontro demonstra que Elvas e Campo Maior estão a reforçar a capacidade de acolher iniciativas que contribuem para essa partilha de conhecimento e fundamentação.
Campo Maior destaca importância da cooperação
Já o presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, Luís Rosinha, sublinhou a importância da realização do encontro no território e, em particular, da sua componente ibérica.
“Louvar a iniciativa deste Encontro Nacional de Integração dos Cuidadores, mas também a parte ibérica, que também acho que é de louvar”, começou por dizer o autarca.
Campo Maior acolheu a primeira parte do programa, que decorreu ontem, proporcionando aos participantes momentos de reflexão, quer no Centro de Inteligência Competitiva, quer no Centro Cultural.
Para Luís Rosinha, a iniciativa constitui também uma oportunidade para discutir o papel dos diferentes parceiros locais na melhoria das respostas à população. “São iniciativas importantes para fazermos aqui alguma reflexão daquilo que são os cuidados que nós podemos prestar eventualmente aqui na nossa região, quando muitas vezes percebemos que há debilidades e de que forma é que também o encontro entre parceiros, autarquias e IPSS pode eventualmente melhorar a qualidade de vida dos nossos cidadãos”, disse ainda.
O VI Encontro Nacional de Integração de Cuidados e I Encontro Ibérico de Integração de Cuidados prolonga-se por estes dois dias, entre Campo Maior e Elvas, tendo como pano de fundo os desafios associados à distância, à multimorbilidade, à urgência, ao acompanhamento prolongado e ao papel da tecnologia na prestação de cuidados.
A iniciativa procura aproximar profissionais, instituições, autarquias e outros parceiros em torno de uma questão central: como garantir respostas de saúde e de cuidados mais articuladas e adequadas às necessidades das populações, num território marcado também pela realidade transfronteiriça.





















