
O Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE) inaugura este sábado, 31 de outubro, pelas 15 horas, duas novas exposições que estabelecem uma ligação entre a arte contemporânea, a história da cidade e a identidade do território alentejano.
As mostras são as últimas propostas expositivas deste ano, que antecedem a programação comemorativa do 20.º aniversário do museu.
Segundo a curadora Ana Cristina Cachola (na imagem), os dois novos projetos expositivos distinguem-se pelas suas abordagens artísticas, mas complementam-se na forma como convidam os visitantes a refletir sobre a memória, os materiais, o trabalho feminino e o cuidado.
No primeiro piso do MACE é apresentada a exposição “Entre Guerras – Pedras, Paus e Foices”, de Marta Castelo e Cláudia Guerreiro, com curadoria de Ana Cristina Cachola e Patrícia Craveiro Lopes. Já no segundo piso, o público poderá apreciar a exposição “O Museu Pessoal”, do artista Pedro Gomes, com curadoria de João Silvério.
Sobre as novas propostas, Ana Cristina Cachola sublinha a importância da relação entre as exposições, a cidade e o próprio edifício que acolhe o museu, considerando que essa ligação poderá proporcionar aos visitantes um exercício de identificação com o território e com as suas memórias.
Pedras, Paus e Foices evoca o trabalho feminino e as tradições rurais
A exposição “Entre Guerras – Pedras, Paus e Foices” parte de ferramentas rurais e domésticas tradicionalmente utilizadas por mulheres no Alentejo e no Algarve.
Através de uma “abordagem especulativa” sobre esses objetos, as artistas Marta Castelo e Cláudia Guerreiro exploram as possibilidades de transformação das suas formas e funções, mantendo como referência o trabalho feminino e a sua presença nos espaços domésticos e rurais.
Ana Cristina Cachola destaca igualmente a relação da exposição com Elvas, através dos materiais e das técnicas associados à construção e ao artesanato, como a terra, o barro, a cerâmica e o cobre.
A mostra propõe, assim, um diálogo entre as formas contemporâneas de criação artística e os materiais e práticas que continuam presentes no quotidiano e nas tradições locais.
A memória do antigo hospital de Elvas inspira exposição de Pedro Gomes
A exposição de Pedro Gomes estabelece uma relação com a história do edifício onde funciona o MACE, anteriormente utilizado como hospital.
A proposta aborda questões relacionadas com a doença mental, a cura, o tratamento e o cuidado, convidando a uma reflexão sobre as necessidades humanas e a forma como as pessoas cuidam de si próprias e dos outros.
Ana Cristina Cachola esclarece que esta abordagem “não é literal, mas antes reflexiva”, procurando criar um espaço de pensamento em torno de temas que continuam a marcar a sociedade contemporânea.
A memória do edifício assume, neste contexto, particular importância. A curadora recorda a sua própria experiência de infância naquele espaço, quando esteve internada, e considera que a história do antigo hospital poderá despertar memórias e sentimentos de reconhecimento junto de outros visitantes.
Exposições patentes até 17 de janeiro
As duas exposições poderão ser visitadas até 17 de janeiro de 2027. Além da visita livre, o museu disponibiliza visitas guiadas, mediante pedido, e prevê a realização de diversas atividades através dos seus serviços de mediação.
Ana Cristina Cachola deixa o convite à população, em particular aos elvenses, para participarem na inauguração deste sábado, às 15 horas, e conhecerem as novas propostas artísticas do MACE.














