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Cooperativa de Habitação Popular de Campo Maior assinala 50 anos de atividade

A Cooperativa de Habitação Económica Popular de Campo Maior, C.R.L. assinalou esta segunda-feira, 31 de agosto, o seu 50.º aniversário, numa sessão comemorativa realizada no Centro Cultural de Campo Maior. Constituída formalmente a 31 de agosto de 1976, num período em que Portugal, após a Revolução, procurava respostas solidárias para a escassez de habitação digna, a cooperativa nasceu da iniciativa de um grupo de cidadãos do concelho. O arranque efetivo da construção deu-se em 1979, com o apoio técnico do Gabinete de Apoio Técnico (GAT) de Elvas na elaboração dos projetos de infraestruturas.

Em 1980 foi aprovado o projeto final, que previa a conclusão de 212 moradias inseridas num plano global desenhado para acolher cerca de 350 habitações em banda. A cooperativa manteve depois o seu trabalho em prol da comunidade, construindo mais 225 fogos entre 1988 e 2006, com financiamentos do Estado, da Caixa Geral de Depósitos e de fundos próprios.

Ao longo destas cinco décadas, o Bairro da Cooperativa consolidou-se como uma área residencial de referência em Campo Maior. As moradias em banda, concebidas com respeito pelas linhas simples e pela escala da arquitetura tradicional alentejana, permitiram fixar famílias no concelho e proporcionar habitação estável a custos controlados.

A sessão comemorativa incluiu um historial da cooperativa, uma mensagem de continuidade para que as novas gerações possam continuar a aceder a lar e habitação, um registo fotográfico do parque habitacional ao longo dos 50 anos, e com vários depoimentos e temas de reflexão sobre o cooperativismo. Foi prestada homenagem ao Comendador Rui Nabeiro. O fundador do Grupo Nabeiro – Delta Cafés que era o presidente da Câmara Municipal de Campo Maior à data da constituição da cooperativa e revelou-se o grande impulsionador da sua criação.

A efeméride ficou marcada pelas reflexões sobre o impacto histórico da instituição no concelho, bem como pelos desafios atuais que o setor habitacional enfrenta a nível nacional.

Em representação da família, João Manuel Nabeiro recordou o legado e o impacto humano e social da instituição, sublinhando que a celebração dos 50 anos condensa “muita coisa que aconteceu” ao longo das décadas. O empresário felicitou os cooperantes e destacou a dedicação de Manuel Pedro Saragoça na condução dos destinos da cooperativa. “A necessidade de habitação é fixar as pessoas no território e, obviamente, Campo Maior tem essas mesmas necessidades nos dias de hoje, como têm todas as vilas e cidades do nosso país. Ter uma habitação digna para o conforto pessoal diário e de toda a família é uma necessidade completamente básica. Por isso, celebrar 50 anos da vida desta cooperativa, com um trabalho enorme realizado em Campo Maior, agrada-me de sobremaneira”, afirmou, visivelmente emocionado com a homenagem prestada ao seu pai.

Por seu lado, Manuel Pedro Saragoça, dirigente da Cooperativa de Habitação Popular de Campo Maior, fez um balanço altamente positivo do caminho percorrido desde meados da década de 70. “Para Campo Maior isto foi extremamente importante. Quem conheceu no ano de 74, 75 e 76 o que era Campo Maior em termos do parque habitacional, percebe que a cooperativa veio resolver, e de que maneira, todo um problema da habitação. Além disso, ajudou a que os jovens se fixassem na terra, a que fosse criado emprego e a que toda a zona económica se desenvolvesse, precisamente porque contou com habitação para os seus trabalhadores”, sublinhou.

Manuel Pedro Saragoça destacou ainda que a visão inicial permitiu a cedência de terrenos para diversos equipamentos sociais e educativos fundamentais para a vila, como a escola secundária, o Centro Cultural, o Centro de Saúde e um infantário. Apesar de a atividade de construção estar atualmente parada, a cooperativa mantém-se ativa e dispõe de um terreno de 23 mil metros quadrados pronto a ser infraestruturado.

Para retoma da construção a custos controlados, o responsável apela a uma mudança nas políticas de apoio estatal: “É apenas necessária uma alteração na política a nível nacional. Enquanto o nosso Governo não apostar mais nas cooperativas e em possibilitar melhores financiamentos, as cooperativas não vão conseguir construir. O preço da habitação está extremamente elevado, as infraestruturas e os créditos também. É necessário haver um apoio estatal para reduzir estes custos e suprir uma dificuldade enorme, que é a falta de habitação para os jovens.”

Também presente na cerimónia, o presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, Luís Rosinha, expressou o orgulho do concelho no percurso da instituição, salientando as centenas de habitações erguidas ao longo de meio século. “Foram 50 anos em que esta cooperativa participou de uma solução para o nosso concelho, ajudando muitos campomaiorenses que não conseguiriam de outra forma ter a sua própria habitação”, referiu o autarca.

Luís Rosinha manifestou a expectativa de que o tema da habitação, central na agenda nacional, traga medidas direcionadas para o setor cooperativo, assegurando que o município está pronto para apoiar novos projetos. “Aguardamos com muito impasse que haja aqui uma medida eventualmente dirigida à cooperativa de habitação, onde a Câmara também tem tentado acompanhar conjuntamente com a direção, para que possamos continuar a construir mais habitação no âmbito cooperativo. A cooperativa a chegar aqui aos 50 anos não vai ficar por aqui, ainda vão surgir mais projetos”, concluiu o presidente do município.

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