
A Rua 1.º de Maio, em Campo Maior, prepara-se para voltar a ser um dos cartões de visita das Festas do Povo. Com três troços trabalhados em conjunto, um pequeno grupo de moradores tem dedicado, desde o final de janeiro, centenas de horas à construção de um projeto que promete encher de cor a entrada da vila.
À frente da organização está Isélia Militão, que assumiu a responsabilidade de forma inesperada. A inscrição da rua foi inicialmente feita por João Manuel Grazina e por Lisete, mas ambos tiveram de abandonar o projeto por motivos de saúde. “Acabei por ficar eu à frente. Não tive escolha”, conta, fazendo questão de sublinhar que o trabalho nunca foi individual: “Temos ido fazendo tudo em conjunto”.
Um pequeno grupo para um grande desafio
Ao longo de vários meses, cerca de sete pessoas participaram regularmente na preparação das flores de papel e dos restantes elementos decorativos. Enquanto algumas trabalhavam nos serões organizados na rua, outras davam o seu contributo a partir de casa, cortando e colando materiais.
“Desde o final de janeiro começámos por fazer os serões. Uns faziam aqui, outros trabalhavam em casa. Depois juntávamos tudo na montagem”, explica Isélia.
A escassez de voluntários foi o maior obstáculo. Com uma rua extensa, muitas casas desabitadas e uma população envelhecida, o grupo viu-se obrigado a multiplicar esforços. “Foi muito complicado este ano. Chegámos a fazer dois serões por dia, um à tarde e outro à noite”, revela.
Apesar das dificuldades, a reta final é vivida com entusiasmo e algum alívio. “Estamos a começar a ficar felizes, porque andávamos um bocadinho stressadas. Agora queremos ver o projeto montado na rua. Achamos que vai ficar muito bonito”.
Um projeto pensado em conjunto
A escolha do tema nasceu do diálogo entre todas as participantes. Cada uma apresentou ideias até que se chegou a um consenso. O mesmo aconteceu com as flores e as cores. Inicialmente, a intenção era utilizar apenas uma tonalidade, mas uma sugestão enviada através do grupo acabou por mudar o rumo da decoração.
“Vimos que talvez uma só cor não ficasse tão bem. Juntámos três cores e estamos muito satisfeitas. Achamos que vai ficar uma rua muito colorida”.
O orgulho de mostrar a “rua mais bonita”
Para Isélia e para as restantes voluntárias, há uma certeza que não muda: “A nossa rua é sempre mais linda que as outras. É o nosso projeto, o nosso trabalho e muitas horas de dedicação”.
A longa noite da montagem
A noite de 7 de setembro será, como manda a tradição, o momento mais intenso. A montagem começará ainda durante a tarde, prolongando-se pela madrugada dentro. Entre arcos, flores, mesas na rua, refeições partilhadas e o som das pandeiretas, o objetivo é deixar tudo pronto ao nascer do dia.
“Vamos montar, comer, beber, tocar a pandeireta e ficar aqui até às sete ou sete e meia da manhã, para aquilo que for preciso”, afirma.
A união que permanece para além das festas
Depois da inauguração, o espírito de comunidade continuará bem vivo. Entre jantares na rua e convívios diários, as voluntárias querem aproveitar cada momento das festas, conscientes de que, quando tudo terminar, vão sentir falta da rotina que as uniu durante tantos meses. “Quando isto acabar, vamos estranhar-nos umas às outras. Vamos ter saudades disto.”
No final, fica o convite a todos os visitantes e, naturalmente, com um toque de orgulho bem campomaiorense. “Venham a Campo Maior e comecem pela nossa rua. É logo à entrada. Quando virem a nossa, já não vão gostar tanto das outras. Venham desfrutar das Festas do Povo, porque como as de Campo Maior não há outras”, rematam.















