“É a nossa rua do coração”: a dedicação que faz florescer a Rua da Soalheira nas Festas do Povo

A Rua da Soalheira está a ultimar os preparativos para mais uma edição das Festas do Povo de Campo Maior, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações e mobiliza dezenas de voluntários. À frente da organização está Liseta Saragoça, cabeça de rua, que, com a ajuda de Mariana Ginga, coordenou meses de trabalho para transformar a histórica artéria num dos pontos altos da festa.

Um trabalho que começou em janeiro

Os preparativos arrancaram no início do ano, com reuniões entre os moradores para definir o tema, distribuir tarefas e reunir voluntários. Cerca de 20 pessoas envolveram-se no projeto, numa fase em que a rua ainda não dispunha de um espaço comum para trabalhar.

Nessa altura, Liseta Saragoça percorria diariamente as casas dos participantes para entregar o papel, explicar como cada elemento deveria ser executado e, no final da semana, recolher o trabalho realizado. Só mais tarde o grupo conseguiu um local onde passou a reunir-se todas as noites para os tradicionais serões de preparação.

Aprender a arte das flores de papel

Um dos principais desafios foi ensinar a técnica das flores de papel a quem nunca a tinha praticado. Essa missão ficou a cargo de Mariana Ginga, colaboradora do Museu Aberto de Campo Maior, que partilhou o conhecimento adquirido ao longo dos anos.

A própria Liseta reconhece que, apesar de ter crescido no ambiente das Festas do Povo e de viver numa das ruas mais antigas da vila, nunca tinha aprendido todos os pormenores desta arte.

Mariana destaca a evolução dos participantes ao longo do processo. “A primeira flor podia não sair perfeita, mas à segunda já estava melhor e, à terceira, já eram verdadeiras artistas”, recorda, satisfeita com o resultado alcançado.

Um projeto em constante transformação

Embora existisse um plano inicial para a decoração, o projeto foi sendo ajustado à medida que o trabalho avançava. Novas ideias surgiram, recorreram-se a materiais recicláveis e vários elementos foram alterados para enriquecer o resultado final.

Segundo Liseta Saragoça, a decoração nunca fica totalmente definida desde o início. “Há sempre coisas que mudam. Vai ficando cada vez melhor”, resume.

O orgulho de uma rua com história

Para Mariana Ginga, esta edição das Festas do Povo terá um significado especial. É a primeira vez que a Rua da Soalheira apresenta um projeto desta dimensão e a expectativa é grande.

“Nunca ninguém viu uma decoração assim na Rua da Soalheira. Todas as ruas vão estar bonitas, mas a nossa é a nossa”, afirma, lembrando que nasceu e cresceu entre a Soalheira e os Quartéis do Tronco.

Também Liseta destaca o valor histórico da rua, considerada uma das mais antigas de Campo Maior. Ao longo das décadas, diz, foi sempre reconhecida pela criatividade e dedicação dos seus moradores, mantendo uma tradição que continua a ser transmitida de geração em geração.

Embora já não vivam na Rua da Soalheira, ambas regressam sempre que chegam as festas. “É a nossa rua do coração”, afirmam.

A tradição da noite de montagem

A montagem da decoração começa na noite de 7 de setembro, repetindo um ritual antigo que continua a reunir moradores e voluntários.

Ao final do dia, todos se juntam para iniciar a decoração da rua, num trabalho que se prolonga durante toda a noite e apenas termina quando tudo está concluído.

Um convite aos visitantes

Concluída a montagem, chega o momento de desfrutar das Festas do Povo, conviver, reencontrar amigos e familiares e receber os milhares de visitantes que passam por Campo Maior.

O convite é deixado pelas duas responsáveis: visitar a Rua da Soalheira e descobrir o trabalho desenvolvido ao longo de vários meses. “Temos a certeza de que quem nos visitar vai gostar. Todas as ruas estarão bonitas, mas, para nós, a nossa será sempre a mais bonita”, rematam.

IPO de Lisboa na vanguarda da cirurgia robótica

O IPO Lisboa iniciou este ano o seu programa de cirurgia robótica, contando agora com dois robôs capazes de intervir em todas as áreas cirúrgicas do Instituto e dar resposta a doentes complexos.

O segundo equipamento, também financiado pelo PRR, chegou no final de junho e encontra-se atualmente em fase de integração, prevendo-se o início da sua atividade cirúrgica em setembro. Esta semana, o Conselho de Administração deslocou-se às duas salas operatórias para reunir com a equipa, acompanhar os progressos e conhecer as perspetivas futuras deste projeto.

O IPO Lisboa já era uma referência em cirurgia laparoscópica de elevado desempenho. Com a introdução destes equipamentos passa a ser possível proporcionar maior precisão e capacidade de manobra aos cirurgiões. No futuro, espera-se ainda contribuir para uma maior capacidade para cirurgias diferenciadas, aliando a experiência das nossas equipas aos novos recursos tecnológicos.

Este programa representa um importante salto tecnológico, que exige formação contínua e adaptação das equipas, de forma a assegurar elevados padrões de qualidade, segurança e eficiência.

Alunos de Arronches premiados no programa Eco-Escolas

O Agrupamento de Escolas de Arronches participou com grande sucesso no programa Eco-Escolas, promovido pela Associação Bandeira Azul de Ambiente e Educação com o objetivo de encorajar ações e reconhecer o trabalho de qualidade desenvolvido pela escola, no âmbito da Educação Ambiental para a Sustentabilidade.

Na iniciativa ‘O Mar Começa Aqui’, os alunos deveriam pintar uma sarjeta, com o objetivo de sensibilizar a população e, sobretudo, a comunidade escolar, para as consequências nos ecossistemas terrestres e marinhos da incorreta deposição de resíduos. No Concurso Nacional, o Agrupamento de Escolas de Arronches obteve um excelente terceiro lugar.

Já na iniciativa que privilegiou o estudo e a valorização da biodiversidade local, a turma do 7.º A desenvolveu um projeto com o qual criou um caderno de campo intitulado ‘O Olival e o Montado de Sobro e Azinho’, o qual valeu ao Agrupamento de Escolas de Arronches a atribuição da bandeira azul, a qual será formalmente oferecida no mês de setembro.

Festas do Povo obrigam a alterações na circulação e no estacionamento em Campo Maior

O Município de Campo Maior informa que, a partir de 7 de agosto, entram em vigor as alterações à circulação e ao estacionamento no concelho, no âmbito da realização das Festas do Povo 2026.

A autarquia apela à colaboração da população, solicitando que os veículos sejam retirados antecipadamente das zonas abrangidas pelas restrições de estacionamento e do perímetro onde decorrerão as festividades.

O Município recomenda ainda que os moradores identifiquem previamente os parques de estacionamento destinados a residentes, de forma a evitar constrangimentos quando as limitações ao trânsito entrarem em vigor.

Segundo a Câmara Municipal, estas medidas são necessárias para garantir a implementação das condições de segurança, a preparação dos espaços das festas e o normal desenrolar de um dos principais eventos do concelho.

As alterações à Postura Municipal de Trânsito do Concelho de Campo Maior podem ser consultadas no despacho do presidente da câmara, datado de 24 de julho de 2026.

De carreira de tiro a canil: Município de Elvas prepara novo espaço para acolher animais

O presidente da Câmara Municipal de Elvas, Rondão Almeida, visitou esta semana a antiga carreira de tiro de Elvas, localizada a cerca de quatro quilómetros da cidade, espaço onde a autarquia pretende instalar o futuro canil municipal.

A deslocação ao local marcou o arranque do processo, que passa, numa primeira fase, pela avaliação do estado da propriedade, pertencente ao Município, e pelo levantamento arquitetónico das infraestruturas existentes.

“O objetivo é fazer um grande projeto para nascer um espaço arquitetónico indicado para receber os nossos cãezinhos e também os gatos que muitas das vezes são abandonados”, afirmou o autarca, sublinhando que a intenção é transferir para aquele espaço o futuro canil municipal.

Segundo Rondão Almeida, concluída a análise das condições do terreno, será lançado o concurso para a elaboração do projeto de arquitetura, documento que definirá as características do novo equipamento.

O presidente da Câmara adiantou ainda que a intenção da autarquia é concretizar a obra durante o atual mandato, dotando o concelho de uma infraestrutura moderna e adequada ao acolhimento de animais de companhia, nomeadamente cães e gatos abandonados.

Com a construção do novo canil municipal, o Município pretende reforçar a capacidade de resposta nesta área e melhorar as condições de acolhimento e bem-estar animal no concelho.

Uma vida entre flores de papel: Catarina Parrão Pires volta a ser cabeça de rua nas Festas do Povo

Há décadas que Catarina Parrão Pires faz parte da história das Festas do Povo de Campo Maior. Este ano assume, novamente, a responsabilidade de cabeça de rua, desta vez do segundo troço da Rua de Badajoz, onde garante que o empenho de todos fará desta a rua “a mais bonita”.

Uma vida ligada às Festas do Povo

Natural de Campo Maior, Catarina cresceu com as festas e já foi cabeça de rua em diferentes locais da vila, como o Largo do Barata e a Rua Aldeia do Pastor.

As memórias acumulam-se ao longo dos anos, incluindo episódios que demonstram o espírito de união que caracteriza esta tradição. Recorda uma edição em que, depois de a rua estar praticamente concluída, a chuva destruiu grande parte do trabalho.

“Tivemos de nos pôr todos de mãos à obra durante toda a noite. Já não havia papel nem material, mas conseguimos arranjar tudo outra vez”, lembra.

Catarina mudou-se temporariamente para acompanhar os preparativos

Apesar de este ano a rua não ser a da sua residência, Catarina mudou-se temporariamente para a casa do filho para acompanhar de perto todos os preparativos. “Quando chegam as festas venho para aqui. Na minha rua não há festas, por isso fico onde elas acontecem”, conta.

Os trabalhos começaram em fevereiro e envolveram meses de dedicação por parte dos moradores. Sem revelar o tema escolhido, por ser ainda segredo, garante apenas que “tem coisas muito bonitas” e elogia o contributo de todos os participantes. “Cada uma fez coisinhas bonitas à sua maneira.”

Aceitou o desafio apesar das dificuldades

Inicialmente, Catarina não pretendia assumir a responsabilidade de cabeça de rua devido a alguns problemas de saúde. No entanto, acabou por aceitar o desafio após participar numa reunião com os restantes moradores.

“Disse que ajudava no que pudesse, mas não podia tomar conta da rua. Vim à reunião, fiquei e cá estou.”

Uma noite inteira sem dormir

A poucos dias da tradicional noite da enramação, todos os detalhes estão praticamente concluídos. O plano para o dia 7 já está definido: durante a manhã organizam-se os últimos preparativos e, ao final da tarde, começa a montagem dos arcos e do teto de flores.

Depois, ninguém pensa em descansar. “Na noite da enramação não se dorme. É toda a noite. Até de manhã.”

O ritmo mudou, mas a paixão mantém-se

A experiência ensinou-lhe que o ritmo já não é o mesmo de outros tempos, mas a vontade de viver a festa mantém-se intacta. Recorda que, em edições passadas, passava as noites a percorrer as ruas, assistindo aos ranchos, aos bailes e ao ambiente único que enchia Campo Maior.

“Antes não dormia durante a semana das festas. Agora já vou para a cama um bocadinho, mas continuo a gostar tanto disto como sempre”.

Uma paixão partilhada que continua presente

A vida também mudou. Catarina fala com emoção da ausência do marido, que partilhava consigo esta paixão pelas festas, mas acredita que ele continua, de alguma forma, a acompanhá-la.

“Ele sabia o quanto eu gostava disto. Está lá em cima a ver e está contente.”

“Venham a Campo Maior”

No final, deixa um convite a quem ainda não conhece as Festas do Povo: “Venham a Campo Maior. Há cá umas festas muito bonitas. Vale a pena vir.”

Festas de Verão de Vila Boim

Arrancaram ontem, 31 de julho, as Festas de Verão de Vila Boim, em honra de Nossa Senhora dos Remédios e São João Batista, que decorrem até à próxima segunda-feira, 3 de agosto, prometendo quatro dias de animação, música e tradição.

O certame conta com um programa diversificado, distribuído por dois palcos, que alia os espetáculos musicais às tradicionais garraiadas, romarias, bailes e outras iniciativas pensadas para todas as idades.

Depois da noite de abertura, que contou com as atuações de Os Relíquia e DJ Gama, a festa continua este sábado com Luís Fialho e DJ Brat.

No domingo, sobem ao palco Zé Pedro Sousa, XP Covers e DJ S-Silva, enquanto o último dia das festividades, na segunda-feira, fica marcado pelas atuações de Xumbo Torto, com um convidado surpresa, Mónica Sintra e DJ Rastilho.

As Festas de Verão de Vila Boim são uma das celebrações mais aguardadas da freguesia, reunindo população e visitantes em torno da música, da gastronomia e das tradições locais, numa iniciativa que volta a afirmar-se como um dos pontos altos do verão no concelho de Elvas.

IPP promove debate sobre adaptação às alterações climáticas, na Madeira e nos Açores

O Politécnico de Portalegre promove dois eventos, que terão lugar em setembro, em cooperação com entidades das regiões autónomas, nomeadamente as Universidades da Madeira e dos Açores.

“A governação climática nos territórios insulares” é o tema a abordar, a 17 de setembro, no Funchal, neste evento do Pacto Europeu para o Clima, que conta com o apoio da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira e reunirá o meio académico, os decisores políticos e a sociedade civil, para discutirem a governação, a cooperação e a ação climática nos territórios insulares e na Macaronésia.

A 23 de setembro, no Centro Interpretativo de Angra do Heroísmo, estará em discussão a “Resiliência climática e governação dos oceanos nos territórios insulares do Atlântico”; o  segundo ato da iniciativa internacional “From Local Action to Global Impact”, com o qual se pretende destacar o papel dos territórios insulares do Atlântico como espaços estratégicos para a experimentação de soluções inovadoras no domínio da resiliência climática, da governação sustentável e do desenvolvimento territorial.

O evento reunirá decisores políticos, investigadores, embaixadores do pacto climático, autoridades públicas, organizações da sociedade civil e outros stakeholders, promovendo também o debate em torno de respostas práticas aos desafios das alterações climáticas nas regiões insulares.

A participação do Politécnico de Portalegre na organização destas ações é assegurada através do VALORIZA – Centro de Investigação para a Valorização de Recursos Endógenos.

No futuro, está prevista a realização de eventos noutras regiões atlânticas, no âmbito desta Atlantic Climate Governance Series.

Autarquia de Arronches concluiu trabalhos de gestão de combustíveis

A Câmara Municipal de Arronches concluiu as operações de silvicultura preventiva e a manutenção de faixas de gestão de combustível programadas para o corrente ano, um trabalho que abrangeu a totalidade da rede viária da área do concelho sob a sua responsabilidade, nomeadamente, estradas e caminhos municipais.

Esta ação desenrolou-se nas três freguesias do concelho, Assunção, Esperança e Mosteiros, sendo executada pelos serviços operacionais do Município e pela equipa de sapadores florestais da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo afeta ao referido território.

Sob a gestão e orientação técnica do coordenador do Gabinete Florestal e Proteção Civil da autarquia, Nelson Velez e acompanhada pelo presidente do Município de Arronches, João Crespo, esta intervenção cumpriu todas normas técnicas e regulamentares aplicáveis, assumindo um papel fundamental na mitigação do risco de ignição e propagação de incêndios rurais, bem como no incremento dos índices de segurança e visibilidade rodoviária de todos os utilizadores das vias.

Turismo do Alentejo avança com estratégia integrada para valorizar cozinha regional e prepara evento internacional

A Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo vai lançar, ainda este ano, o processo de criação de uma estratégia integrada para a gastronomia alentejana e prepara, para 2027, um grande evento internacional, que José Manuel Santos espera que possa afirmar-se como “um dos melhores eventos gastronómicos do mundo”.

Segundo o presidente da ERT do Alentejo e Ribatejo, o certame deverá realizar-se em Évora, entre setembro e outubro do próximo ano, reforçando a projeção internacional da região através da gastronomia.

De acordo com José Manuel Santos, o novo plano estratégico pretende abordar a gastronomia de forma “articulada” e “integrada”, identificando não apenas os pontos fortes, mas também os desafios que o setor enfrenta.

“O objetivo é enfrentar os problemas e as dificuldades, porque não é só o lado bom. Há questões que têm de ser resolvidas para manter a gastronomia alentejana como um produto identitário, de tradição, que continua a diferenciar-nos”, afirma.

O responsável recorda o reconhecimento internacional alcançado pelo Alentejo, apontando a classificação atribuída pelo TasteAtlas, que colocou a região entre as melhores do mundo em termos gastronómicos. Na sua perspetiva, este reconhecimento resulta sobretudo da autenticidade da cozinha tradicional, dos produtos locais e dos restaurantes que preservam as receitas e os sabores característicos da região.

Apesar da crescente inovação e da cozinha contemporânea desenvolvida por vários chefs alentejanos, José Manuel Santos defende que a dimensão tradicional da gastronomia “tem de ser preservada e, em alguns casos, recuperada”, por representar uma componente essencial da identidade cultural e territorial do Alentejo.

A estratégia, que terá um horizonte de três anos, será liderada pela ERT do Alentejo e Ribatejo e envolverá diversas entidades parceiras, entre as quais a CCDR Alentejo, as Comunidades Intermunicipais e a AHRESP. O trabalho pretende analisar toda a cadeia de valor da gastronomia, “desde a produção até à mesa”, identificando constrangimentos e definindo soluções para reforçar a competitividade do setor.

José Manuel Santos sublinha que, nos últimos anos, a ERT tem apostado na realização de eventos gastronómicos que contribuíram para aumentar a notoriedade da região, promover o trabalho dos chefs e aproximá-los do público. Considera, contudo, que chegou o momento de dar “o passo em frente”, através de uma visão mais abrangente sobre a gastronomia enquanto ativo estratégico para o desenvolvimento turístico.

“O turismo é, provavelmente, o setor que mais beneficia da qualidade da nossa gastronomia e, por isso, tem de dar o seu contributo para a sua valorização”, conclui.