Elvas recua 500 anos para celebrar o casamento real de Isabel de Portugal e Carlos V

O Castelo de Elvas transformou-se, este fim de semana, no cenário de uma viagem no tempo para comemorar o quinto centenário do enlace entre a infanta Isabel de Portugal e o imperador Carlos V. As celebrações que assinalam os 500 anos de um dos momentos mais marcantes da história ibérica, com uma feira quinhentista e uma exposição temática que evoca a passagem da futura imperatriz pela cidade fronteiriça.

O vereador da Câmara Municipal de Elvas, Sérgio Ventura, destacou a importância estratégica deste evento para a valorização da identidade local: «É uma oportunidade para conhecermos um pouco da nossa história, já que foi em 1526 que tivemos este evento e agora “estamos à espera que a infanta chegue”. Acho que é bom, temos aqui também muitos jovens que vão recordar um pouco da história da nossa cidade e do nosso país». O autarca reforçou o convite à população, sublinhando que o município quis proporcionar um momento de reencontro com as raízes: «Muitas vezes nós não conhecemos a nossa história e penso que o município proporcionou esta oportunidade a todos nós, de voltarmos a recordar aqueles que fazem parte da nossa história e das nossas origens. Hoje estamos aqui no castelo a recriar a época do casamento e amanhã inclusivamente vai chegar a Infanta». Pela manhã haverá um cortejo que viaja desde as Portas de Olivença até ao Castelo de Elvas, recriando a entrada da Infanta na cidade de Elvas.

Complementando a recriação histórica, o castelo acolhe uma exposição que ficará patente durante cerca de dois meses. Margarida Ribeiro, técnica do município, explica que a mostra vai além do casamento real, oferecendo um retrato fiel da cidade no século XVI. “Fizemos uma breve exposição, queríamos mostrar à comunidade, aos nossos visitantes, um pouco daquilo que foi este casamento. A mostra aborda não apenas este enlace, mas também toda a trajetória que ela (a Infanta) fez por Portugal e a travessia do Caia, mas quisemos mostrar também aos elvenses o que era Elvas no século XVI”, refere a técnica.

A exposição destaca monumentos e mudanças urbanísticas fundamentais da época, como a construção da Praça Nova (atual Praça da República) e do Aqueduto da Amoreira. Margarida Ribeiro aponta ainda uma curiosidade arquitetónica presente no castelo: «O nosso castelo tem um apontamento muito curioso. A nossa cidade, que é conhecida mundialmente por ser um destino de património abaluartado, teve em 1510 a construção de um torreão “protobaluarte”, já preparado para uma outra tecnologia” (que veio a construir todas as muralhas abaluartadas de traça holandesa que temos hoje e que foram classificadas como Património da Humanidade pela Unesco. A mostra inclui ainda os célebres desenhos do Castelo de Elvas da autoria de Duarte de Armas, permitindo aos visitantes uma imersão total no património quinhentista da cidade.

Monforte regressa ao século XVI: cortejo, banquete real e história viva celebram união de Isabel de Portugal e Carlos V

Monforte viajou no tempo esta sexta-feira, 17 de abril, associando-se às comemorações do quinto centenário do casamento da Infanta Isabel de Portugal com Carlos V.

As comemorações arrancaram, durante a manhã, com um cortejo histórico, que uniu o museu Monforte Sacro à Praça da República, onde, e após a chegada da “Infanta”, foi feita a leitura do foral e servido um “banquete” real à população.

Eventos como este, de acordo com o presidente da Câmara de Monforte, Miguel Rasquinho, não podem passar ao lado da vila, até porque este é um concelho com “centenas de anos de história”. “Aliás, nós temos aqui uma tradição em que, há alguns anos, fizemos festas medievais e estamos hoje a reviver um pouco esse espírito. Não quero dizer que essa festa medieval seja para repetir, vamos ver, ainda estamos muito a início de mandato, mas de facto estes eventos interessam-nos bastante, dão vida à terra, marcam a nossa história, marcam a nossa identidade”, acrescenta o autarca.

Dizendo-se “orgulhoso” pelo facto de se terem associado à iniciativa “centenas de pessoas de todo o concelho e não só”, Miguel Rasquinho destaca ainda a participação no evento histórico das associações locais, das crianças das escolas e dos alunos da Universidade Sénior de Monforte.

As associações locais aproveitaram a ocasião para, com a venda de alguns produtores, conseguirem obter alguns lucros para as suas atividades. “Fizemos questão que todas as associações estivessem representadas na Praça da República, também para fazerem, obviamente, alguma venda e algum lucro, porque também é disso que elas vivem, e darmos a oportunidade para que todos participem de alguma forma nesta festa”, remata o presidente do Município de Monforte.

Monforte é um dos oito municípios portugueses que acabou por associar-se as estas comemorações, promovidas pela Academia Portuguesa da História. De acordo com a vice-presidente da instituição, Fátima Reis, estas celebrações, desenvolvidas ao longo de toda a semana, através de diferentes atividades, estão integradas naquilo que é a Rede Europeia das Rotas de Carlos V.

“É uma semana de festa para nós, Academia Portuguesa da História. Começámos em Lisboa, no Castelo de São Jorge, onde a Infanta nasceu; passámos por Torres Novas, onde foi firmado o dote de casamento. De seguida, passámos por Almeirim, onde se verificou o casamento por procuração com a Infanta e depois estamos a seguir o itinerário: Chamusca, Alter do Chão, Monforte e terminaremos em Elvas, antes da chegada a Badajoz, depois com a entrega para a comitiva espanhola”, revela a responsável.

Em declarações aos jornalistas, Fátima Reis destacou ainda a importância das recriações históricas em comemorações tão relevantes quanto esta: “É muito importante uma efeméride deste género, não só para reavivar a história, mas igualmente para articular com as próprias comunidades e vermos, como hoje estamos aqui a ver, no fundo, a vila plenamente envolvida com uma reconstituição, na certeza de que as recriações históricas são de facto essenciais para a memória e para a identidade nacional”.
“Não é só a Academia que está de parabéns, mas todas as localidades, pelo envolvimento e pela maneira tão decidida como aceitaram este nosso projeto e este nosso desafio”, diz ainda a vice-presidente da Academia Portuguesa da História.

Na Praça da República de Monforte, e depois do banquete, ainda durante a tarde desta sexta-feira, serão apresentados ao público espetáculos de teatro vicentino e danças renascentistas.

Arronches: encontro entre a tradição e a tecnologia dinamiza Convento de Nossa Senhora da Luz

O piso superior do Convento de Nossa Senhora da Luz, em Arronches, encontra-se, por estes dias, praticamente dominado no seu todo por uma exposição de grande qualidade que relaciona o património e as tradições de Arronches com a inovação proporcionada pelos meios tecnológicos, tendo a exposição denominada ‘Blasphemia: A Média-arte Digital na Reinterpretação do Património’ sido inaugurada na tarde do passado sábado, dia 11 de abril. 

Ao lado do artista, Pedro Henriques, esteve o executivo do Município de Arronches, representado pelo presidente João Crespo e pela vereadora Maria João Fernandes. O líder autárquico aproveitou para abrir esta cerimónia inaugural, explicando desde logo a todos os presentes que se encontravam perante algo completamente diferente de tudo o que já se havia feito no Convento, um espaço com dinâmica permanente e sempre disponível para acolher as obras de todos os artistas que queiram expor em Arronches, como foi o caso de Pedro Henriques, a quem agradeceu pelo interesse demonstrado e felicitou pelo fantástico trabalho desenvolvido, terminando com um agradecimento ao público presente. 

Esta palavra de gratidão foi repetida pelo artista, que aproveitou desde logo para agradecer igualmente ao Município, à Junta de Freguesia de Assunção e ao “historiador informal” Daniel Balbino, por todo o apoio concedido e por toda a informação disponibilizada. Pedro Henriques explicou que este é um trabalho de dois anos e que fará parte da sua tese de doutoramento, conjugando várias áreas, tais como os audiovisuais, as redes sociais, a comunicação digital, a identidade cultural, o associativismo e o património arquitetónico e imaterial. O responsável pela exposição explicou que esta foi elaborada com meios próprios, estando acompanhado nesta sessão inaugural por vários colegas que consigo colaboraram, entre eles Vítor Gomes, com um trabalho de realidade aumentada e Nelson Caldeira com um projeto de arte generativa, o Grupo das Pedrinhas de Arronches e a dupla João Paulo Miranda e Luís Figueira em dois momentos musicais, num encontro entre o tradicional e o contemporâneo. O autor admitiu então que o título da exposição é algo “provocador”, mas que foi escolhido precisamente porque a exposição “mexe com o património histórico” de Arronches, algo que pode vir a suscitar interesse sobre o mesmo nas gerações futuras. 

A mostra é composta numa primeira fase por quadros elaborados pelos alunos do Instituto Politécnico de Portalegre sobre Arronches, levando depois os visitantes para a média-arte digital onde é possível imaginar a vila num cenário de guerra e num período algures no passado, antes dos supracitados espaços de arte generativa e de realidade aumentada, antes de três projetos de videoarte, sendo dois deles sobre as tradições do concelho, no caso, as pedrinhas de Arronches e lenda da Pedra da Moura. 

A exposição pode ser visitada durante o horário de funcionamento do Convento de Nossa Senhora da Luz, de terça-feira a domingo, entre as 10H00 e as 13H00 e as 14H00 e as 18H00. 

Apresentada nova obra literária sobre Arronches, “A Terra Onde Não Chovia”

Na altura da apresentação do seu livro intitulado ‘Soutos do Alentejo – Memórias do Porto da Espada’, José António Botelheiro, que, não sendo natural do concelho, escolheu a localidade de Arronches para residir, foi desafiado a lançar uma obra dedicada à vila que o acolheu.

O repto foi aceite e, no passado domingo, dia 12 de abril, o Convento de Nossa Senhora da Luz recebeu a apresentação da obra denominada ‘Arronches – A Terra Onde Não Chovia’, fazendo-se o autor acompanhar na mesa pelo presidente do Município, João Crespo e pela vereadora Maria João Fernandes, pelo editor Fernando Mão de Ferro e pelo amigo de longa data, Daniel Balbino.

A cerimónia iniciou com uma pequena atuação de um grupo de saias de Campo Maior, que mantém amizade com autor, antes da intervenção do presidente da autarquia.

João Crespo referiu o enorme gosto do Município em apoiar a edição desta importante obra que aborda a vila de Arronches, um concelho onde a forte aposta na cultura se faz sentir, conforme se foi possível verificar ao longo do fim-de-semana.

Seguiram-se as declarações de Daniel Balbino, amigo de longa data do escritor e autor do prefácio da obra, também ele já desafiado a apresentar um projeto relacionado com a vila.

Sendo alguém conhecedor da história arronchense, facilmente conseguiu relacionar o conteúdo do livro com o passado, explicando que, ao ler a obra, foi como se estivesse a passear pelas ruas de Arronches.

Por sua vez, Fernando Mão de Ferro, em representação da editora da obra, realçou que o livro aborda momentos que, de facto, ocorreram, escritos por quem os viveu na primeira pessoa e os transcreveu agora, elaborando aquilo que, na sua opinião, se trata de um documento histórico que retrata um período difícil.

Finalmente, José Botelheiro, autor da obra, elucidou que o livro foi escrito após uma pesquisa profunda sobre a alma, a fé, as origens e as paisagens de Arronches, percorrendo temas como a economia, a seca, a agricultura e o desenvolvimento local, dando ainda conhecimento de que o título foi escolhido com base numa suposta “maldição” associada à ausência de chuva em Arronches.

A tarde terminou com mais uma atuação musical, desta feita a cargo do Grupo das Pedrinhas de Arronches, antes de uma pequena sessão de autógrafos no local.

Veículo pesado com mais de 25 mil litros de vinho despista-se e capota na estrada entre Elvas e Campo Maior

Um veículo pesado de mercadorias, que seguia com uma carga de mais de 25 mil litros de vinhos, despistou-se e capotou, ao final da manhã desta segunda-feira, 13 de abril, na Estrada Nacional 373, entre Elvas e Campo Maior.

De acordo com fonte do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Alto Alentejo, do acidente não resultou qualquer ferido, sendo que o condutor do camião, um homem com cerca de 55 anos, terá apenas sido assistido no local.

O alerta para a ocorrência foi dado às 11h44. Para o local foram mobilizados 12 operacionais, entre Bombeiros, INEM e GNR, apoiados por cinco viaturas.

Elvas recria história militar do século XVIII em homenagem ao Conde de Lippe

Elvas recebe este fim-de-semana uma recriação histórica dedicada ao Conde de Schaumburg-Lippe, figura determinante na modernização das defesas da cidade. A iniciativa teve início este sábado, 11 de abril, com uma cerimónia na Praça da República e uma receção oficial no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

O evento conta com a participação do regimento alemão Graf Wilhelm der Weckbatterie, que traz figurantes trajados a rigor, e de uma comitiva oficial de Bückeburg, cidade alemã geminada com Elvas desde 2024 e terra natal do Conde que projetou o icónico Forte da Graça.

A programação prossegue amanhã domingo, dia 12, com um segundo momento alto agendado para as 11h30 no Forte da Graça, monumento que o Conde de Lippe começou a edificar em 1763. Através da recriação de episódios militares e ambientes da época, o público é convidado a mergulhar no legado estratégico de Elvas e a compreender a importância do Conde na proteção do reino português. A presença de entidades como o presidente de Bückeburg, Axel Wohlgemuth, reforça os laços de cooperação e amizade entre as duas localidades, celebrando uma história comum que moldou o património mundial da cidade.

Elvas celebra o Dia do Combatente quando passam 108 anos sobre a Batalha de La Lys

Elvas celebrou, na manhã desta sexta-feira, 10 de abril, o Dia do Combatente, quando passam 108 anos sobre a Batalha de La Lys, com a habitual cerimónia no monumento aos Combatentes, junto às Portas de São Vicente, promovida pelo Núcleo local da Liga dos Combatentes.

Na cerimónia, que contou com a tradicional deposição de flores no monumento, e em que estiveram representadas as mais diversas entidades militares e civis, prestou-se homenagem a todos quantos perderam a vida nesse episódio bélico da I Guerra Mundial.

A cerimónia terminou com a atribuição de condecorações e testemunhos de apreço aos sócios mais antigos do núcleo de Elvas, a que se seguiu um almoço-convívio.

No final da cerimónia, em declarações à Rádio ELVAS, o presidente da comissão administrativa do Núcleo de Elvas da Liga dos Combatentes, o sargento-mor José Miguêns, recordava a Batalha de La Lys como um conflito “bastante marcante”. “Não se pode considerar que a Batalha de La Lys, na Primeira Guerra Mundial de 1918, tenha deixado boas recordações, porque foi uma batalha em que houve, por assim dizer, muitos mortos do lado português. Apesar de nós não estarmos suficientemente preparados, nem equipados, sobressaiu naquelas trincheiras, naquelas condições bastante ingratas, a coragem do soldado português. Portanto, não é uma batalha que se possa dizer que se tenha que recordar pelos melhores motivos”, acrescenta.

Já o presidente da Câmara Municipal de Elvas, Rondão Almeida, começou por agradecer ao Núcleo da Liga dos Combatentes o facto de nunca deixar, ano após ano, de prestar esta homenagem àqueles que deram a vida pela pátria contra “os alemães que, na altura, precisavam de um império maior que aquele que já tinham”.

A par das entidades, que já são presença assídua nesta cerimónia, destacou-se, desta feita, a participação dos núcleos de Portalegre e Estremoz da Liga dos Combatentes.

Em plena harmonia com a natureza, campomaiorenses cumprem tradição da romaria da Enxara

Em Campo Maior cumpre-se, mais um ano, a tradição da romaria em honra de Nossa Senhora da Enxara, onde o convívio é a palavra de ordem. Grupos de família e amigos voltaram a montar verdadeiras segundas casas no campo para ali, até segunda-feira, dia 6 de abril, desfrutarem de momentos de diversão em plena harmonia com a natureza.

No caso do grupo de Ricardo Rosinha, que desde sempre se lembra de rumar ao campo por esta altura do ano, o importante foi instalar uma “tenda grande”, para que todos se possam resguardar do calor do dia e do frio da noite. “Brincamos com os miúdos, estamos ao lume, conversamos, jogamos às cartas”, revela ainda este campomaiorense, quando questionado sobre de que forma se passam os dias junto à Ermida de Nossa Senhora da Enxara.

Já Jéssica Guerrinha, que embora seja natural de Elvas, ruma à Enxara há já cerca de quatro anos, depois de se ter casado com um campomaiorense. Para Jéssica, estes são dias “incríveis”, uma vez que permitem que se “desconecte” um pouco daquilo que é a realidade do dia-a-dia, “sem telefones e sem redes sociais”. “É aproveitar o campo, o espírito de equipa, aproveitarmos o que nos faz bem e a natureza”, acrescenta.

Relativamente ao trabalho que dá “montar e desmontar” tendas, Jéssica confessa que é a parte de que todos menos gostam, mas que acaba por valer a pena. Quanto ao futuro da romaria, não tem dúvidas: “é uma tradição que se vai manter; a minha colega já espera uma pequenina e, se Deus quiser, para o ano vai ser a nossa mais nova aquisição”.

E para que nada falte, como pão, água, fruta, entre outros bens essenciais, a quem no campo habita até segunda-feira, a loja “À do Toni”, de António Martins, volta, pelo segundo ano, a estar presente no recinto junto ao santuário. “Isto é para evitar que muita gente vá à vila, para evitar transtornos de viagens, para evitar inclusive acidentes na estrada. E estamos aqui precisamente com os mesmos preços que praticamos na nossa loja em Campo Maior, não há alteração nenhuma”, garante o proprietário.

A par dos típicos produtos de qualquer mercearia, “À do Toni” tem ainda disponíveis canecas e bonés alusivos à Romaria de Nossa Senhora da Enxara.

Este sábado, junto à Ermida de Nossa Senhora da Enxara, a partir das 21 horas, haverá garraiada com música ao vivo, promovida pela comissão de festas.

Elvas dá pontapé de saída na campanha nacional do Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância

A Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens deu início, na tarde desta quarta-feira, 1 de abril, à Campanha do Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância, em Elvas, com uma sessão de sensibilização.

Com a ação, destinada sobretudo a profissionais da área e desenvolvida em parceria com a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Elvas, no Auditório São Mateus, procurou-se partilhar estratégias e esclarecer dúvidas sobre como identificar sinais de abuso, negligência e maus-tratos em crianças.

Defendendo que a prevenção das situações de maus-tratos compete a toda a comunidade, a presidente da Comissão Nacional, Ana Isabel Valente, começa por dizer que essa responsabilidade não se pode resumir apenas a este mês de abril: “tem de ser o ano inteiro”. “A prevenção das situações de maus-tratos compete a todos, porque proteger crianças compete também, para além das famílias, que são os primeiros protetores, aos educadores, aos médicos, aos enfermeiros, compete a toda a gente que lida com elas”, assegura a responsável, dando conta que é necessário estar atento aos sinais dos mais novos. “Tem de se verificar se estão felizes, verificar se há alterações, para os podermos proteger melhor”, explica.

O número de casos, denunciados e acompanhados pelas CPCJ, a nível nacional, continua a ser “muito elevado”; ainda assim, “nem todas as situações são situações de perigo para as crianças”. “As pessoas estão mais alertadas e isso também nos dá aqui algum conforto, porque quer dizer que todas as ações que temos levado a efeito e que continuamos a efetivar têm algum acolhimento na comunidade. As pessoas estão mais alertadas e, muitas vezes, na dúvida, sinalizam. O que é bom”, assegura Ana Isabel Valente.

Explicando ainda que a escolha de Elvas para este pontapé de saída na Campanha do Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância tem muito a ver com o trabalho desenvolvido pela CPCJ local, Ana Isabel Valente garante, desde logo, que todo o país, incluindo o interior, conta para a Comissão Nacional. “A CPCJ de Elvas é uma CPCJ muitíssimo empenhada e foi com o maior prazer que aqui viemos dar o pontapé de saída para este mês e falar sobretudo para educadores, sobre prevenção. É sempre pela prevenção que temos de começar”, remata.

Já a presidente da CPCJ de Elvas, Raquel Guerra, que explica que esta foi, acima de tudo, “uma tarde de reflexão”, destaca que foi na cidade que se deu o mote para que se promovam, em todo o país, as mais diversas atividades neste âmbito da prevenção dos maus-tratos na infância.

O objetivo da sessão foi chamar a atenção de todos os profissionais presentes para a necessidade de se formar, de modo “colaborativo e concertado”, uma “rede protetiva de maus-tratos na infância”: “não digo para quebrar estes ciclos, porque infelizmente sabemos que isto se passa dentro de portas fechadas e às vezes é difícil entrarmos, mas cabe-nos a nós, enquanto cidadãos, estarmos atentos, estarmos informados e sabermos como temos que agir e onde agir para podermos ser apoio e rede das crianças e olhar para elas, não deixá-las ser invisíveis dentro de um círculo tóxico e de maus-tratos”, diz Raquel Guerra.

Dando conta de que a CPCJ de Elvas é aquela que, em todo o Alto Alentejo, tem o maior volume de processos em mãos, Raquel Guerra garante que foi com “orgulho” que a equipa recebeu o convite para ser a anfitriã desta abertura nacional da campanha: “ficámos também contentes por perceber que a Comissão Nacional está atenta àquilo que são os projetos de prevenção da CPCJ de Elvas e que também, baseado nisso, nos contacta para que sejamos nós, então, a CPCJ de eleição”.

A ação de sensibilização, subordinada ao tema “Sinais de maus-tratos – Conhecer para melhor agir” e que foi dinamizada por Fátima Duarte, técnica superior da Comissão Nacional, teve início logo após a sessão de abertura que contou com os discursos de Ana Isabel Valente e Raquel Guerra.

Em Elvas, este Mês de Prevenção dos Maus-Tratos na Infância ficará ainda marcado pela realização de uma caminhada e pela tradicional construção do Laço Azul Humano.

Volta ao Alentejo no Crato, em fotos

O ciclista russo Artem Nych venceu o contrarrelógio da terceira etapa, disputado no Crato, confirmando o seu bom momento na Volta ao Alentejo.

Apesar do triunfo na etapa, a liderança da geral não ficou nas mãos do russo, mas sim com Rafael Reis, também da Anicolor, segundo na etapa com mais quatro segundos, a assumir a camisola amarela, beneficiando da regularidade e do desempenho global na prova.