Campo Maior celebra Abril com programa alargado e reforço dos laços da Eurocidade

O concelho de Campo Maior preparou-se para assinalar o 25 de Abril de 2026 com uma agenda diversificada que cruza momentos institucionais, culturais e desportivos. O programa, desenhado para envolver toda a comunidade, teve o seu ponto alto na Sessão Solene da Assembleia Municipal, marcada pela presença da juventude e pelo estreitamento de laços transfronteiriços, através da EUROBEC.

Uma madrugada de luta que moldou o Portugal de hoje

Para o Presidente da Assembleia Municipal de Campo Maior, Jorge Grifo, a preservação da memória coletiva é uma obrigação de quem detém cargos públicos. “É uma data que acho que os portugueses não se podem esquecer. Ou seja, foi um dia de luta, uma madrugada de luta, em que muito daquilo que é hoje Portugal se deve a essa mesma madrugada. Por isso é importante que nós, aqueles que temos cargos políticos e cargos institucionais, possamos preservar essa memória e fazemos da melhor maneira, ou seja, vivendo Abril, recordando Abril e, mais importante ainda, poder fazer estas sessões onde vão haver aqui algumas surpresas, onde temos também aqui muitos jovens para que eles possam perpetuar o que são as memórias de Abril e que nunca se esqueçam do patamar que estão hoje”, sublinhou.

Este ano, a Assembleia Municipal de Campo Maior inovou ao trazer a dimensão europeia para a cerimónia, convidando Graça Luna Pais, Presidente da Assembleia Municipal de Elvas, e Helena Salgado Vacariza, Concejala Delegada (vereadora com o pelouro das Relações Institucionais com Portugal e responsável da IFEBA) do Ayuntamiento de Badajoz. Jorge Grifo explicou que o objetivo foi “reforçar aqui os laços da Eurobec, da nossa Eurocidade, para que neste que possamos também aqui reforçar esses laços”. O autarca lembrou ainda que, embora muito tenha sido feito, “(o ideal de) Abril não está ainda completo em tudo o que foi os valores dessa mesma madrugada”, destacando a importância dos 50 anos do poder local democrático: “Foi nesse conceito democrático, através do voto popular e da soberania popular, que a democracia deu o seu impulso”.

“Nunca mais queremos voltar ao 24 de Abril”

O Presidente da Câmara Municipal, Luís Rosinha, reforçou a importância de projetar os valores da Revolução para o futuro, com foco especial nas crianças. “O 25 de Abril deve perdurar também durante todo o ano e não só neste dia. Esta é uma sessão solene importante, nós temos tido este hábito de vir fazendo estas sessões solenes, introduzindo também as crianças, que é muito importante trazermos as crianças até nós”, referiu o edil.

Luís Rosinha enalteceu a iniciativa de abrir a sessão solene aos parceiros da Eurocidade para “traduzir aqui aquilo que é visto de fora, olhar para o 25 de Abril fora do nosso território, mas também dentro do território da Eurobec que tanto proclamamos”. Partilhando a visão do Presidente da República, António José Seguro, o autarca campomaiorense sublinhou o dever pedagógico das gerações atuais: “Eu também não sou anterior ao 25 de Abril, já sou posterior, mas também fui incutido nestes valores da liberdade. e acho que é um exercício que nós devemos fazer, incutir nas nossas crianças para que nunca mais voltemos atrás. Eu acho que é isso mesmo que marca o dia 25 de Abril de 1974: é que nunca mais queremos voltar para o 24 de Abril de 1974”.

Durante a manhã, houve uma arruada por vários locais do concelho e no Jardim Municipal realizam-se atividades infantis , incluindo insufláveis, pinturas faciais, oficinas temáticas e jogos.

À noite, a Praça da República volta a ser palco de animação, com o Projeto de Formação do Município de Campo Maior, às 21h30, seguido do espetáculo “Milhões ao Vento de Abril”, às 22h30.

As comemorações encerram amanhã, dia 26 de abril, com iniciativas que mantêm o espírito participativo. O Jardim Municipal recebe, às 09h30, uma prova de orientação integrada nos Jogos do Alto Alentejo 2026 e o Centro Cultural, às 17h00, acolhe o I Encontro “Passos que Unem”, com a participação de escolas dos dois lados da fronteira, que se dedicam a diferentes estilos de dança, com a professora Letícia Garcia, ainda com o principal objetivo da celebração do Dia Internacional da Dança, que se assinala a 29 de abril e assim fechando um programa que combina memória, cultura e envolvimento comunitário.

Leilão de Alter Real: Um Símbolo Nacional que conquista o Mundo sob o signo da modernidade

As bancadas repletas e o som constante das licitações, tanto presenciais como digitais, marcaram esta sexta-feira, 24 de abril, o Leilão Anual da Coudelaria de Alter. O evento, que é já um marco histórico no calendário equestre, confirmou a vitalidade do Cavalo Lusitano e a sua crescente projeção internacional, atraindo investidores de todo o globo para o coração do Alentejo, a partir de Alter do Chão.

O rigor da seleção deste ano ficou espelhado na lista oficial de exemplares, onde a linhagem e a morfologia ditaram preços base ambiciosos. Na categoria de fêmeas, a lista de éguas incluiu exemplares como “Salina e Silarca, ambas com o preço base mais elevado do lote feminino, fixado em 17.500 euros, seguidas pela Sijuca a 15 mil e a Requintada a 12.500 euros. O catálogo apresentou ainda opções entre os nove e os cinco mil euros.

Já no lote dos cavalos, a competitividade foi ainda mais notória, com destaque para o histórico e a funcionalidade de cada animal. A lista de machos apresentou “o Gniqui como o exemplar com o valor base mais alto, arrancando nos 20 mil euros, acompanhado de perto pelo Solar e Salinero, ambos com base de 17.500 euros. O catálogo incluiu também o Sabido (15 mil), Soberbo e Sábio (ambos a 12.500 euros) entre os mais bem cotados, a fechar o lote de machos, estiveram dois exemplares de Puro-Sangue Árabe Ritual e o Safado, ambos com uma base de licitação de 7 mil euros.

Um Compromisso do Governo com a Excelência

João Moura

Presente no evento, o Secretário de Estado da Agricultura e Pescas, João Moura, sublinhou a importância estratégica da Coudelaria de Alter enquanto guardiã de um património vivo.

Para o governante, o sucesso do leilão é o reflexo de um trabalho intenso e de uma aposta clara do Executivo na raça Lusitana. “O cavalo Lusitano está a viver bons momentos fruto do trabalho realizado nesta Coudelaria Nacional, a mais antiga do mundo a funcionar no mesmo espaço”, afirmou João Moura.

O Secretário de Estado destacou a “versatilidade, docilidade e completude” da raça, lembrando que a genética de Alter está na génese de outras raças mundiais, como o Mangalarga Marchador no Brasil. “É um dos grandes símbolos nacionais. Este leilão é um dos expoentes máximos para levar ao mundo o que de melhor Portugal produz”, reforçou.

Símbolo vivo da identidade e da tradição portuguesa

Eduardo Oliveira e Sousa, Presidente do Conselho de Administração da Companhia das Lezírias, entidade gestora da Coudelaria de Alter Real, esclarece que “Este leilão reafirma o Cavalo Lusitano como um símbolo vivo da identidade e da tradição portuguesa, honrando o legado desta que é a mais antiga raça de sela do mundo”. O resultado deste leilão é o espelho perfeito do sentimento atual do mercado, a qualidade em detrimento da quantidade, e percebemos isso precisamente pelo número de vendas hoje registadas. As éguas foram vendidas acima dos preços base de licitação e o exemplar mais caro em leilão, o cavalo Gniqui, foi também vendido, representando assim que os clientes que procuram qualidade e performance compraram no Leilão de Alter Real.

A Missão da Coudelaria de Alter não é transacionar apenas cavalos, mas salvaguardar este valioso património genético que é o cavalo Lusitano, garantindo que a relevância social e histórica do Lusitano continua a gerar valor e prestígio para Portugal, nomeadamente através do turismo equestre”.

Internacionalização: 90% dos Licitadores são Estrangeiros

Para Francisco Beja, diretor da Coudelaria de Alter, este “dia aberto” é o culminar de um ano de rigorosa seleção. O responsável destacou a forte componente internacional que hoje define o evento: cerca de 90% dos licitadores inscritos são estrangeiros, vindos de mercados como os EUA, Brasil e Norte da Europa.

Francisco Beja

A digitalização tem sido a grande aliada, permitindo que a tradição de Alter chegue a qualquer parte do mundo em tempo real. “É o dia aberto, é o dia em que recebemos as pessoas, os players do mundo do cavalo. Recebemos os locais, recebemos os internacionais cada vez mais, portanto há muito público estrangeiro a vir ver o nosso leilão e a conhecer os nossos produtos. Os compradores são maioritariamente internacionais, ou seja, 90% dos licitadores inscritos são internacionais.”

Quanto ao impacto que este dia tem para além dos portões da Coudelaria, o diretor foi claro: “Ajuda em prol deste núcleo do norte alentejano, através da restauração, da hotelaria, enfim, porque adjacente às festas da vila, que também são muito importantes, a Feira de São Marcos, consegue-se criar aqui uma dinâmica na região superior e que ajuda na economia local, naturalmente.”

Francisco Beja concluiu lembrando que quem compra um cavalo em Alter está a levar parte da história: “A Coudelaria de Alter tem por missão a preservação do património genético, a preservação do património cultural que está adjacente a estas magníficas instalações e, ao fim e ao cabo, mais dois séculos de história e de seleção. É um produto de excelência do mundo rural.”

Impacto na Economia Local e Turismo

Para além da vertente genética e desportiva — onde o Lusitano ocupa já o 6.º lugar no ranking mundial de Dressage — o leilão é um motor económico para a região do Norte Alentejano. O evento gera uma dinâmica crucial na hotelaria e restauração, trabalhando em simbiose com as festas locais e a Feira de São Marcos.

A Coudelaria de Alter, fundada em 1748, reafirma assim a sua missão de preservação do património genético e cultural, provando que, após dois séculos de história, o cavalo de Alter continua a ser um produto de qualidade superior e um embaixador inigualável do mundo rural português.

Destaques do Catálogo (Preços de Venda e Bases)

Dia Aberto da instituição, resultou na venda de 6 cavalos, gerando uma receita total de 75 mil e 200 euros, numa clara demonstração de que o mercado internacional privilegia agora a “qualidade em detrimento da quantidade”.

ExemplarTipoObservaçãoValor / Base
GniquiCavaloVendido (Valor mais alto)20.000 €
SalinaÉguaVendida (Acima da base)17.700 €

Atletas de palmo e meio celebram a liberdade em Campo Maior no IV Encontro Infantil de Atletismo

Foi com as crianças do ensino pré-escolar a correr e a saltar que Campo Maior iniciou, na manhã desta quinta-feira, dia 24, as comemorações dos 52 anos do 25 de Abril, no Estádio Capitão César Correia.

Nesta, que foi já a quarta edição do Encontro Infantil de Atletismo, promovida pelo Campo Maior Trail Runners, em parceria com a Câmara Municipal e o Sporting Clube Campomaiorense, e com o apoio da Associação de Atletismo de Portalegre, procurou-se, uma vez mais, e através da atividade física, promover estilos de vida saudáveis junto dos mais novos.

“É juntar o melhor que nós temos na vida, que são as crianças, o nosso futuro, numa data tão importante para todos nós, numa altura em que a liberdade está tão ameaçada. Nunca é demais frisar a importância de cultivar esta forma de estar na vida, que é a democracia, o espírito de comunidade, o envolvimento de todos, mas não só nos atos democráticos que elegem os nossos representantes, mas também numa forma e num estilo de vida muito próprio, que é o vivermos em democracia e em liberdade e potenciarmos aquilo que é o nosso futuro”, começa por dizer Carlos Pepê, um dos responsáveis pela organização da iniciativa.

Defendendo que é necessário, cada vez mais, proteger as crianças, afastando-as do “mundo virtual” a que estão “presas”, Carlos Pepê diz que é através de atividades como esta que é possível mostrar aos mais novos que se “podem fazer outras coisas e que há um mundo real a acontecer cá fora”.

Com diferentes estações instaladas entre a pista de mini-trail e o relvado do Estádio Capitão César Correia, no decorrer deste Encontro de Atletismo, as crianças tiveram oportunidade de participar nas mais variadas atividades relacionadas com as três grandes vertentes do atletismo: correr, saltar e lançar.

Agradecendo ao Município de Campo Maior pela colaboração na organização do evento e ao Sporting Clube Campomaiorense por, uma vez mais, possibilitar que a iniciativa tenha tido lugar no Estádio Capitão César Correia, Carlos Pepê não tem dúvidas de que é “com esta união de esforços que se conseguem fazer coisas diferentes”.

Neste IV Encontro Infantil de Atletismo participaram as crianças do pré-escolar do Jardim de Infância “O Despertar”, da Santa Casa da Misericórdia de Campo Maior, do Centro de Talentos Alice Nabeiro e do Agrupamento de Escolas de Campo Maior. “São oito turmas, com 200 e muitos mini-atletas, aqui muitos deles a fazerem pela primeira vez estas modalidades, o que é também muito importante para nós, porque como clube de atletismo e de trail queremos potenciar experiências diferentes às crianças para que elas, de futuro, possam até escolher o atletismo”, remata Carlos Pepê.

Festas do Povo: taxa de execução dos trabalhos ronda os 60%

Campo Maior continua em contagem decrescente para o grande regresso das Festas do Povo, 11 anos depois da sua última edição.

No passado sábado, 18 de abril, os campomaiorenses, que se têm envolvido nos trabalhos, principalmente os chamados cabeças de rua, estiveram reunidos com a organização, no Museu Aberto, para, tal como explica o presidente da Associação das Festas do Povo, João Manuel Nabeiro, pode fazer um ponto de situação.

“Vamos sabendo aquilo que vai no dia a dia dos campomaiorenses, principalmente desta gente maravilhosa, que tem a função de liderar cada rua, saber as suas preocupações, adivinhar os seus anseios e comunicar à Associação das Festas o seu trabalho, o seu envolvimento nas diferentes áreas e ficarmos todos em linha, porque dentro de três escassos meses, que vão passar a correr, com a ligeireza que a gente sabe como passa ao tempo, as nossas queridas Festas do Povo aí estarão”, diz o responsável.

O objetivo é promover “umas festas maravilhosas”, sendo, para isso, necessário planear todos os pormenores. “É no planeamento que está a virtude de sabermos que o dia 8 de agosto está aí ao virar da esquina”, acrescenta João Manuel Nabeiro.

De acordo com os dados avançados no decorrer da reunião, o grau de execução dos trabalhos, por esta altura, ronda os 60%. Dizendo que é preciso continuar a apoiar os campomaiorenses nas suas necessidades, confessa que gostava que já tivessem sido alcançados os 100%.

“Temos que continuar a persistir, a ver as necessidades, porque todos nós sabemos que as necessidades são muitas em termos de braços para trabalhar”, assegura o presidente da associação, que não tem dúvidas de que desde que foi anunciada a realização das festas, os campomaiorenses “motivaram‑se e, todos os dias, a conversa da rua será sempre essa”.

Até 8 de agosto, é continuar a arregaçar as mangas e levar por diante todo o trabalho necessário. “Vamos com o coração cheio e é isso que temos que pensar, naquela frase que o meu saudoso pai dizia sempre: ‘para a frente, em todas as frentes’”, remata.

A Associação das Festas do Povo, que conta com apoios importantes provenientes da Câmara Municipal de Campo Maior, da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo e da Direção‑Geral do Turismo, prevê, para esta edição das Festas do Povo, um investimento de quase dois milhões de euros. 

GNR propõe novo modelo de trânsito com regresso a lógica da Brigada para travar aumento da sinistralidad

A Guarda Nacional Republicana (GNR) anunciou uma reorganização da Unidade Nacional de Trânsito, inspirada no modelo da antiga Brigada de Trânsito, com o objetivo de reforçar a fiscalização, a visibilidade policial e a segurança rodoviária em todo o país. A decisão surge num contexto de agravamento da sinistralidade, com 145 mortos registados até 13 de abril, mais 42 do que no mesmo período do ano passado, representando um aumento de 22%. Portugal apresenta atualmente uma das taxas mais elevadas da União Europeia, sendo o sexto pior país em mortalidade rodoviária. 

Segundo a GNR, a atual organização do trânsito evidencia limitações operacionais, resultantes da extinção da Brigada de Trânsito em 2007/2009, que levou à dispersão do comando pelos comandos territoriais. Entre os principais constrangimentos estão a dificuldade de uniformizar procedimentos, menor capacidade de mobilização de meios e um controlo nacional mais reduzido, apesar da GNR cobrir 94% do território e 98% das vias rodoviárias. A força de segurança sublinha que a sinistralidade é um fenómeno dinâmico, que não respeita fronteiras administrativas, exigindo uma resposta coordenada à escala nacional. 

O novo modelo assenta numa estrutura centralizada e orientada pelo risco, privilegiando a prevenção, a mobilidade dos meios e a tomada de decisão baseada em dados. A reorganização prevê a integração dos 23 destacamentos de trânsito na Unidade Nacional, a criação de níveis intermédios de comando (grupos de trânsito), o reforço do comando técnico especializado e a manutenção da proximidade territorial. A implementação será feita de forma faseada, garantindo a continuidade do policiamento na rede rodoviária. A GNR acredita que esta mudança permitirá uma resposta mais eficaz, coordenada e adaptada aos desafios atuais e futuros da segurança rodoviária. 

Elvas recria receção à Infanta Isabel com desfile histórico pelas ruas da cidade

A cidade de Elvas recebeu este sábado um desfile evocativo da chegada da Infanta Isabel, numa recriação histórica que percorreu algumas das principais artérias do centro urbano. A iniciativa contou com a participação de figurantes trajados a rigor, que deram vida a um cortejo simbólico, recriando o ambiente da época, onde destacou a figura da Infanta, com grupos de Elvas que recriaram a época do casamento real entre Isabel e Carlos V de Espanha.

O percurso teve início nas Portas de Olivença, seguindo em direção ao Castelo de Elvas, passando por várias ruas da cidade. Ao longo do trajeto, o desfile atraiu a atenção de residentes e visitantes, que acompanharam o cortejo e assistiram à encenação que pretendeu valorizar o património histórico e cultural local.

Elvas recua 500 anos para celebrar o casamento real de Isabel de Portugal e Carlos V

O Castelo de Elvas transformou-se, este fim de semana, no cenário de uma viagem no tempo para comemorar o quinto centenário do enlace entre a infanta Isabel de Portugal e o imperador Carlos V. As celebrações que assinalam os 500 anos de um dos momentos mais marcantes da história ibérica, com uma feira quinhentista e uma exposição temática que evoca a passagem da futura imperatriz pela cidade fronteiriça.

O vereador da Câmara Municipal de Elvas, Sérgio Ventura, destacou a importância estratégica deste evento para a valorização da identidade local: «É uma oportunidade para conhecermos um pouco da nossa história, já que foi em 1526 que tivemos este evento e agora “estamos à espera que a infanta chegue”. Acho que é bom, temos aqui também muitos jovens que vão recordar um pouco da história da nossa cidade e do nosso país». O autarca reforçou o convite à população, sublinhando que o município quis proporcionar um momento de reencontro com as raízes: «Muitas vezes nós não conhecemos a nossa história e penso que o município proporcionou esta oportunidade a todos nós, de voltarmos a recordar aqueles que fazem parte da nossa história e das nossas origens. Hoje estamos aqui no castelo a recriar a época do casamento e amanhã inclusivamente vai chegar a Infanta». Pela manhã haverá um cortejo que viaja desde as Portas de Olivença até ao Castelo de Elvas, recriando a entrada da Infanta na cidade de Elvas.

Complementando a recriação histórica, o castelo acolhe uma exposição que ficará patente durante cerca de dois meses. Margarida Ribeiro, técnica do município, explica que a mostra vai além do casamento real, oferecendo um retrato fiel da cidade no século XVI. “Fizemos uma breve exposição, queríamos mostrar à comunidade, aos nossos visitantes, um pouco daquilo que foi este casamento. A mostra aborda não apenas este enlace, mas também toda a trajetória que ela (a Infanta) fez por Portugal e a travessia do Caia, mas quisemos mostrar também aos elvenses o que era Elvas no século XVI”, refere a técnica.

A exposição destaca monumentos e mudanças urbanísticas fundamentais da época, como a construção da Praça Nova (atual Praça da República) e do Aqueduto da Amoreira. Margarida Ribeiro aponta ainda uma curiosidade arquitetónica presente no castelo: «O nosso castelo tem um apontamento muito curioso. A nossa cidade, que é conhecida mundialmente por ser um destino de património abaluartado, teve em 1510 a construção de um torreão “protobaluarte”, já preparado para uma outra tecnologia” (que veio a construir todas as muralhas abaluartadas de traça holandesa que temos hoje e que foram classificadas como Património da Humanidade pela Unesco. A mostra inclui ainda os célebres desenhos do Castelo de Elvas da autoria de Duarte de Armas, permitindo aos visitantes uma imersão total no património quinhentista da cidade.

Monforte regressa ao século XVI: cortejo, banquete real e história viva celebram união de Isabel de Portugal e Carlos V

Monforte viajou no tempo esta sexta-feira, 17 de abril, associando-se às comemorações do quinto centenário do casamento da Infanta Isabel de Portugal com Carlos V.

As comemorações arrancaram, durante a manhã, com um cortejo histórico, que uniu o museu Monforte Sacro à Praça da República, onde, e após a chegada da “Infanta”, foi feita a leitura do foral e servido um “banquete” real à população.

Eventos como este, de acordo com o presidente da Câmara de Monforte, Miguel Rasquinho, não podem passar ao lado da vila, até porque este é um concelho com “centenas de anos de história”. “Aliás, nós temos aqui uma tradição em que, há alguns anos, fizemos festas medievais e estamos hoje a reviver um pouco esse espírito. Não quero dizer que essa festa medieval seja para repetir, vamos ver, ainda estamos muito a início de mandato, mas de facto estes eventos interessam-nos bastante, dão vida à terra, marcam a nossa história, marcam a nossa identidade”, acrescenta o autarca.

Dizendo-se “orgulhoso” pelo facto de se terem associado à iniciativa “centenas de pessoas de todo o concelho e não só”, Miguel Rasquinho destaca ainda a participação no evento histórico das associações locais, das crianças das escolas e dos alunos da Universidade Sénior de Monforte.

As associações locais aproveitaram a ocasião para, com a venda de alguns produtores, conseguirem obter alguns lucros para as suas atividades. “Fizemos questão que todas as associações estivessem representadas na Praça da República, também para fazerem, obviamente, alguma venda e algum lucro, porque também é disso que elas vivem, e darmos a oportunidade para que todos participem de alguma forma nesta festa”, remata o presidente do Município de Monforte.

Monforte é um dos oito municípios portugueses que acabou por associar-se as estas comemorações, promovidas pela Academia Portuguesa da História. De acordo com a vice-presidente da instituição, Fátima Reis, estas celebrações, desenvolvidas ao longo de toda a semana, através de diferentes atividades, estão integradas naquilo que é a Rede Europeia das Rotas de Carlos V.

“É uma semana de festa para nós, Academia Portuguesa da História. Começámos em Lisboa, no Castelo de São Jorge, onde a Infanta nasceu; passámos por Torres Novas, onde foi firmado o dote de casamento. De seguida, passámos por Almeirim, onde se verificou o casamento por procuração com a Infanta e depois estamos a seguir o itinerário: Chamusca, Alter do Chão, Monforte e terminaremos em Elvas, antes da chegada a Badajoz, depois com a entrega para a comitiva espanhola”, revela a responsável.

Em declarações aos jornalistas, Fátima Reis destacou ainda a importância das recriações históricas em comemorações tão relevantes quanto esta: “É muito importante uma efeméride deste género, não só para reavivar a história, mas igualmente para articular com as próprias comunidades e vermos, como hoje estamos aqui a ver, no fundo, a vila plenamente envolvida com uma reconstituição, na certeza de que as recriações históricas são de facto essenciais para a memória e para a identidade nacional”.
“Não é só a Academia que está de parabéns, mas todas as localidades, pelo envolvimento e pela maneira tão decidida como aceitaram este nosso projeto e este nosso desafio”, diz ainda a vice-presidente da Academia Portuguesa da História.

Na Praça da República de Monforte, e depois do banquete, ainda durante a tarde desta sexta-feira, serão apresentados ao público espetáculos de teatro vicentino e danças renascentistas.

Arronches: encontro entre a tradição e a tecnologia dinamiza Convento de Nossa Senhora da Luz

O piso superior do Convento de Nossa Senhora da Luz, em Arronches, encontra-se, por estes dias, praticamente dominado no seu todo por uma exposição de grande qualidade que relaciona o património e as tradições de Arronches com a inovação proporcionada pelos meios tecnológicos, tendo a exposição denominada ‘Blasphemia: A Média-arte Digital na Reinterpretação do Património’ sido inaugurada na tarde do passado sábado, dia 11 de abril. 

Ao lado do artista, Pedro Henriques, esteve o executivo do Município de Arronches, representado pelo presidente João Crespo e pela vereadora Maria João Fernandes. O líder autárquico aproveitou para abrir esta cerimónia inaugural, explicando desde logo a todos os presentes que se encontravam perante algo completamente diferente de tudo o que já se havia feito no Convento, um espaço com dinâmica permanente e sempre disponível para acolher as obras de todos os artistas que queiram expor em Arronches, como foi o caso de Pedro Henriques, a quem agradeceu pelo interesse demonstrado e felicitou pelo fantástico trabalho desenvolvido, terminando com um agradecimento ao público presente. 

Esta palavra de gratidão foi repetida pelo artista, que aproveitou desde logo para agradecer igualmente ao Município, à Junta de Freguesia de Assunção e ao “historiador informal” Daniel Balbino, por todo o apoio concedido e por toda a informação disponibilizada. Pedro Henriques explicou que este é um trabalho de dois anos e que fará parte da sua tese de doutoramento, conjugando várias áreas, tais como os audiovisuais, as redes sociais, a comunicação digital, a identidade cultural, o associativismo e o património arquitetónico e imaterial. O responsável pela exposição explicou que esta foi elaborada com meios próprios, estando acompanhado nesta sessão inaugural por vários colegas que consigo colaboraram, entre eles Vítor Gomes, com um trabalho de realidade aumentada e Nelson Caldeira com um projeto de arte generativa, o Grupo das Pedrinhas de Arronches e a dupla João Paulo Miranda e Luís Figueira em dois momentos musicais, num encontro entre o tradicional e o contemporâneo. O autor admitiu então que o título da exposição é algo “provocador”, mas que foi escolhido precisamente porque a exposição “mexe com o património histórico” de Arronches, algo que pode vir a suscitar interesse sobre o mesmo nas gerações futuras. 

A mostra é composta numa primeira fase por quadros elaborados pelos alunos do Instituto Politécnico de Portalegre sobre Arronches, levando depois os visitantes para a média-arte digital onde é possível imaginar a vila num cenário de guerra e num período algures no passado, antes dos supracitados espaços de arte generativa e de realidade aumentada, antes de três projetos de videoarte, sendo dois deles sobre as tradições do concelho, no caso, as pedrinhas de Arronches e lenda da Pedra da Moura. 

A exposição pode ser visitada durante o horário de funcionamento do Convento de Nossa Senhora da Luz, de terça-feira a domingo, entre as 10H00 e as 13H00 e as 14H00 e as 18H00. 

Apresentada nova obra literária sobre Arronches, “A Terra Onde Não Chovia”

Na altura da apresentação do seu livro intitulado ‘Soutos do Alentejo – Memórias do Porto da Espada’, José António Botelheiro, que, não sendo natural do concelho, escolheu a localidade de Arronches para residir, foi desafiado a lançar uma obra dedicada à vila que o acolheu.

O repto foi aceite e, no passado domingo, dia 12 de abril, o Convento de Nossa Senhora da Luz recebeu a apresentação da obra denominada ‘Arronches – A Terra Onde Não Chovia’, fazendo-se o autor acompanhar na mesa pelo presidente do Município, João Crespo e pela vereadora Maria João Fernandes, pelo editor Fernando Mão de Ferro e pelo amigo de longa data, Daniel Balbino.

A cerimónia iniciou com uma pequena atuação de um grupo de saias de Campo Maior, que mantém amizade com autor, antes da intervenção do presidente da autarquia.

João Crespo referiu o enorme gosto do Município em apoiar a edição desta importante obra que aborda a vila de Arronches, um concelho onde a forte aposta na cultura se faz sentir, conforme se foi possível verificar ao longo do fim-de-semana.

Seguiram-se as declarações de Daniel Balbino, amigo de longa data do escritor e autor do prefácio da obra, também ele já desafiado a apresentar um projeto relacionado com a vila.

Sendo alguém conhecedor da história arronchense, facilmente conseguiu relacionar o conteúdo do livro com o passado, explicando que, ao ler a obra, foi como se estivesse a passear pelas ruas de Arronches.

Por sua vez, Fernando Mão de Ferro, em representação da editora da obra, realçou que o livro aborda momentos que, de facto, ocorreram, escritos por quem os viveu na primeira pessoa e os transcreveu agora, elaborando aquilo que, na sua opinião, se trata de um documento histórico que retrata um período difícil.

Finalmente, José Botelheiro, autor da obra, elucidou que o livro foi escrito após uma pesquisa profunda sobre a alma, a fé, as origens e as paisagens de Arronches, percorrendo temas como a economia, a seca, a agricultura e o desenvolvimento local, dando ainda conhecimento de que o título foi escolhido com base numa suposta “maldição” associada à ausência de chuva em Arronches.

A tarde terminou com mais uma atuação musical, desta feita a cargo do Grupo das Pedrinhas de Arronches, antes de uma pequena sessão de autógrafos no local.