Mantendo a tendência de crescimento dos últimos anos, a Universidade de Évora preencheu 92% das vagas na primeira fase do concurso nacional de acesso, com a colocação de mais de 1200 novos alunos. Para estes estudantes, contudo, a dificuldade em conseguir alojamento na cidade é uma realidade, situação que há muito já vem sendo verificada pelo estabelecimento de ensino superior alentejano, que tem procurado encontrar soluções.
Segundo a reitora, a própria associação académica, perante a situação, tem manifestado o seu desagrado com a abertura, a cada ano que passa, de mais vagas para os cursos ministrados na universidade, sendo que Ana Costa Freitas não esconde que este é “um problema real”. “Temos cada vez mais alunos na Universidade de Évora, o que é muito bom, mas por outro lado, devíamos ir crescendo cada vez mais, porque faz falta, não só pela Universidade e pelo papel que ela tem, quer no Alentejo, quer na cidade de Évora, é também pelo país, porque um sistema universitário forte é importante para o país no seu conjunto”, comenta.
Em julho de 2018, revela Ana Costa Freitas, a Universidade de Évora procurou concessionar um terreno, junto às piscinas da cidade, para a construção de uma residência que daria resposta a 325 alunos. Contudo, lamenta a reitora, a Câmara Municipal levou muito tempo até aprovar o projeto, sendo que, passados mais de três anos, a licença para a obra ainda não foi emitida. “A empresa (responsável pela obra) só entregou os projetos de especialidades em julho deste ano e agora tem muito tempo para pequenas correções, que a Câmara está sempre a pedir”, adianta. Este, garante, “foi um atraso muito grande”: “tínhamos suposto que, em 2019, se tudo corresse bem, já teríamos mais 325 camas, mas não tínhamos”.
A reitora revela ainda que a Universidade de Évora está desde março à espera para poder fazer pequenas obras na “Messe de Sargentos”, que virá, através de contrato de aluguer à Câmara Municipal, possibilitar mais cerca de 40 camas para estudantes. “Nós é que iríamos suportar os encargos e estamos desde março à espera que alguém, que eu não sei quem é, transite o processo todo para podermos fazer as pequenas obras que são precisas, que não são muitas”, explica, assegurando que “há uma série de burocracias associadas a isto tudo que são um bocado estranhas”. A esperança é que, dentro de um ano, “estes casos sejam desbloqueados”.
A Universidade quis ainda, através de um contrato com a Fundiestamo, empresa instrumental do Grupo Parpública, transformar uma antiga cantina nas Alcaçarias e a antiga Fábrica dos Leões em residências para estudantes, mas o projeto, por não ser rentável, acabou por não passar do papel. “Os silos dos Leões não podiam ser desafetados do edifício, porque a Câmara não autorizou, uma vez que eles não tinham ligação direta à via pública e sem os silos deixava de ser rentável e a Fundiestamo não estava interessada”, explica.
Há agora oportunidade da Universidade de Évora candidatar estes dois edifícios a um concurso do Governo destinado a residências de estudantes. “Penso que teremos algumas hipóteses de ver este assunto resolvido”, diz Ana Costa Freitas, lembrando que a cidade, a crescer, não dá resposta, não só ao alojamento para estudantes, como para muitos investigadores que têm chegado, e que estão para chegar, a Évora.
Ana Costa Freitas espera ainda que as medidas de impulso jovem e adulto e o aviso para as residências possam dar algum fôlego à Universidade de Évora, embora garanta que o Ensino Superior tem sido “muito castigado”, sendo que o financiamento atual está ao nível daquele que era praticado há mais de 25 anos
Com mais de 1.200 novos alunos, o novo ano letivo na Universidade de Évora arrancou com cerca de 80 vagas em camas.


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