Alentejo 2030 abre candidaturas para projetos de inovação digital em territórios rurais

Já estão abertas as candidaturas ao aviso “Serviços e Recursos Digitais para Valorização de Territórios – Parcerias para a Coesão Não Urbanas”, lançado pelo Programa Regional Alentejo 2030, o prazo decorre até 31 de outubro, às seis da tarde.

O aviso disponibiliza uma verba de 130 mil e 300 euros do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), com uma taxa máxima de cofinanciamento de 85 por cento, para apoiar projetos de inovação digital nos territórios rurais do Alentejo.

O objetivo é contribuir para reforçar a atratividade, a sustentabilidade e a coesão destes territórios, através da utilização de ferramentas e soluções digitais inovadoras.

Entre as ações elegíveis estão o desenvolvimento da identidade digital dos territórios, a criação de plataformas e conteúdos digitais e a implementação de ferramentas interativas destinadas à divulgação e ao envolvimento das comunidades locais.

Das 14 estratégias territoriais aprovadas no âmbito das Parcerias para a Coesão Não Urbanas, seis integram este aviso, entre elas o Alto Alentejo em Circuito Curto, que pretende reforçar a sustentabilidade e a coeãoem meio rural.

As candidaturas podem ser apresentadas até 31 de outubro, às 18 horas, através do portal do Alentejo 2030.

Graça Amiguinho candidata coletânea de contos sobre a história de Elvas ao Orçamento Participativo

A escritora elvense Graça Amiguinho surge entre os 14 candidatos à edição deste ano do Orçamento Participativo de Elvas, com o projeto “Elvas nas Brumas do Tempo”, uma obra literária que pretende dar a conhecer a história, as figuras e o património do concelho através de contos inspirados em factos históricos e ficção.

Em entrevista, a autora explica que a ideia nasceu da vontade de valorizar a identidade local através da literatura: “Escrevo há muitos anos e senti que a história, as pessoas e o património de Elvas mereciam ser conhecidos através da literatura.”

Treze contos para contar a história de Elvas

O projeto reúne 13 contos, cada um dedicado a uma personagem ou a um tema ligado à história do concelho, permitindo ao leitor viajar por diferentes épocas, desde a Idade Média até períodos mais recentes. Inicialmente concebida como um único livro com cerca de 500 páginas, a obra acabou por ser dividida em vários volumes para facilitar a leitura e a publicação.

Entre as figuras retratadas encontram-se António Tomás Pires, António Sardinha, José da Silva Picão e Públia Hortênsia de Castro. As histórias incluem também referências ao património material e imaterial de Elvas, como o Aqueduto da Amoreira, o Castelo, o Forte da Graça, a Ponte de Ajuda, a romaria do Senhor Jesus da Piedade e tradições populares das freguesias do concelho.

Segundo Graça Amiguinho, a componente ficcional surge para tornar a leitura mais apelativa, sem perder o rigor histórico. “Procuro ter conhecimentos da realidade, mas depois floreio as histórias. A imaginação é a mãe de um escritor”, assegura.

Preservar a memória através da literatura

A autora sublinha que o principal objetivo do projeto não passa pela vitória no Orçamento Participativo, mas sim pela divulgação da história e das tradições de Elvas junto de diferentes públicos.

“O meu objetivo não é vencer este concurso. O meu objetivo é que estes contos cheguem aos leitores e os ajudem a valorizar a memória da nossa cidade”, garante.

Graça Amiguinho considera que a coleção poderá ser utilizada em escolas, centros de dia e outras instituições, aproximando crianças, jovens e idosos do património histórico e cultural do concelho. Ao longo das histórias são retratadas as aldeias do concelho, os seus habitantes, tradições, costumes e acontecimentos marcantes que fazem parte da identidade elvense.

História e ficção de mãos dadas

Ao longo da obra são abordados episódios marcantes da história local, como a construção do Aqueduto da Amoreira, as Guerras da Restauração, a Guerra das Laranjas, a perda de Olivença e a batalha das Linhas de Elvas, sempre acompanhados por narrativas ficcionadas que procuram despertar o interesse do leitor.

A escritora explica que realiza uma investigação histórica rigorosa antes de escrever cada conto, procurando garantir a fidelidade aos factos, embora recorra à imaginação para construir personagens, diálogos e enredos que tornem a leitura mais envolvente.

Um projeto de 25 mil euros

O projeto apresenta um orçamento de 25 mil euros, destinado à edição de mil exemplares da obra. Apesar de reconhecer as dificuldades do processo de votação online do Orçamento Participativo, Graça Amiguinho mostra-se satisfeita por poder apresentar a sua proposta aos elvenses.

Caso o projeto não seja o mais votado, garante que continuará a procurar alternativas para concretizar a publicação: “Acho que é uma obra que não se pode perder. É a história da nossa terra, das nossas gentes, das nossas tradições e do nosso futuro”

Uma mensagem para o futuro

Entre os contos encontra-se ainda uma narrativa dedicada à Eurocidade Elvas – Campo Maior – Badajoz, estabelecendo uma ligação entre o passado e a cooperação transfronteiriça, que a autora considera fundamental para o futuro da região.

No final da entrevista, Graça Amiguinho deixa uma mensagem aos elvenses, destacando a importância de preservar a memória coletiva: “Um povo que conhece a sua história caminha com mais segurança para o futuro. O meu convite é para que todos descubram em Elvas nas Brumas do Tempo uma janela aberta para a nossa história. Se, depois de lerem estas histórias, olharem para Elvas com um pouco mais de orgulho e curiosidade, então o meu trabalho terá valido a pena.”

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

Dispositivo de Saúde da ULS Alto Alentejo com alto empenho nas Festas do Povo de Campo Maior

A ULS Alto Alentejo esteve empenhada em assegurar que as Festas do Povo de Campo Maior decorram com elevados padrões de segurança e resposta em saúde. Para acompanhar um dos maiores eventos culturais do país, foi implementada uma estrutura de apoio que mobiliza profissionais de diversas áreas e níveis de cuidados, garantindo uma resposta integrada, articulada e permanente.

A operação inclui um oficial de ligação apoiado por uma equipa multidisciplinar, responsável pela coordenação da intervenção da ULS e pela articulação com os serviços hospitalares, cuidados de saúde primários e Conselho de Administração. Foi ainda criado um Posto Médico Avançado no Centro Comunitário de Campo Maior, equipado com recursos clínicos e humanos especializados, destinado à avaliação e estabilização de situações urgentes identificadas no recinto do evento.

Paralelamente, o Centro de Saúde de Campo Maior reforça a sua capacidade de resposta para situações não urgentes, através do empenho dos seus profissionais, assegurando uma maior proximidade aos utentes e visitantes com horários alargados de atendimento.

Esta resposta é complementada pela estreita colaboração com o INEM e pela operacionalização de meios reforçados de emergência médica ao longo do período das festividades. Num evento que acolhe milhares de visitantes, importa reconhecer o profissionalismo, a disponibilidade e o espírito de missão dos nossos médicos, enfermeiros, assistentes técnicos, assistentes operacionais e demais profissionais envolvidos.

Urgência de Obstetrícia do Hospital de Portalegre volta a encerrar: MDM exige respostas imediatas

O Núcleo de Portalegre do Movimento Democrático de Mulheres (MDM) manifesta a sua profunda preocupação face ao novo encerramento da Urgência de Obstetrícia do Hospital de Portalegre, previsto até ao próximo dia 18 de agosto, denunciando uma situação que compromete gravemente os direitos das mulheres no distrito.

A maternidade não pode fechar quando mais precisamos dela. A interrupção recorrente deste serviço essencial coloca em risco a saúde e a vida de grávidas e bebés, obrigando a deslocações longas, inseguras e muitas vezes realizadas em momentos críticos.

 Os encerramentos intermitentes das urgências obstétricas geram incerteza e angústia no momento do parto, aumentam o risco para grávidas e recém-nascidos, reforçam as desigualdades territoriais no acesso à saúde e configuram situações de violência obstétrica estrutural.  

Para o MDM, a saúde das mulheres não pode depender do código postal. O acesso a cuidados de saúde materna de qualidade deve ser garantido em todo o território nacional, em condições de proximidade, segurança e dignidade.

Perante esta situação, o Núcleo de Portalegre do MDM exige:

  • Um Serviço Nacional de Saúde público, universal e gratuito, devidamente reforçado
  • A abertura permanente (24h/dia, todos os dias) das urgências obstétricas
  • A contratação urgente de profissionais de saúde
  • O fim dos encerramentos rotativos de serviços
  • A valorização do planeamento familiar e da saúde materna como prioridade política

O MDM reafirma o seu compromisso na defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e apela à mobilização da população e das entidades responsáveis para pôr fim a esta situação inaceitável.

Nem um direito a menos. Todos os direitos para todas!

Crianças do concelho de Arronches conhecem projeto ‘Educar para Preservar’

Acompanhado pelas respetivas educadoras, o grupo de crianças que se encontram a frequentar o Programa de Apoio ao Estudo e Ocupação de Tempos Livres do Município nestas férias de verão recebeu a visita de Élia Correia, da M.C.M. Sociedade Agrícola, que apresentou o projeto ‘Educar para Preservar’, cujo objetivo é sensibilizar a comunidade para a importância das abelhas como os maiores polinizadores do planeta e para a necessidade de proteger a biodiversidade.

As crianças do Educ’arte tiveram assim a oportunidade de participar na sessão denominada ‘A Abelha vai à Escola’, devidamente adaptada à idade do grupo, num encontro dinâmico e interativo que abordou o ciclo de vida das abelhas e deu a conhecer o Modo de Produção Biológico do ‘Mel Monte Novo’, aproveitando para testar o equipamento real de apicultura e para degustar mel cristalizado e mel líquido.

Em mais uma atividade promovida pela autarquia com o objetivo de conciliar diversão e conhecimento no Programa de Apoio ao Estudo e Ocupação de Tempos Livres, esta ação de sensibilização, que também pode ser dirigida a um público adulto, visa colmatar a falta de informação sobre a a origem do mel ou o papel vital das abelhas no ecossistema.

Feira Taurina de São Mateus com duas corridas de touros em Elvas

A Feira Taurina de São Mateus 2026 vai contar com duas corridas de touros no Coliseu Comendador Rondão Almeida, em Elvas, marcadas para os dias 19 e 25 de setembro, ambas com início às 22h00.

A primeira corrida realiza-se no sábado, dia 19, e conta com os cavaleiros Luís Rouxinol, João Moura Caetano, João Ribeiro Telles, Francisco Palha, Miguel Moura e Paco Velasquez. Em praça serão lidados seis touros da ganadaria Lima Cabral.

A noite inclui ainda o Concurso de Pegas Município de Elvas,  que reúne os grupos de Forcados Amadores de Arronches, capitaneados por Luís Marques, Académicos de Elvas, sob o comando de Pedro Curião, e de Monsaraz, liderados por João Ramalho.

A segunda corrida está agendada para sexta-feira, dia 25, e assinala o centenário do nascimento de José Tello Barradas, escritor, cronista, apoderado e ilustre aficionado.

A corrida conta com os cavaleiros João Salgueiro, Rui Fernandes e Marcos Bastinhas, acompanhados pelos grupos de Forcados Amadores de Montemor e Académicos de Elvas. Serão lidados três touros da ganadaria Passanha e três de São Marcos.

Os bilhetes estarão à venda nas bilheteiras da Praça de Touros, entre os dias 16 e 18 de setembro, das 10h00 às 18h00, e nos dias dos espetáculos, das 10h00 às 22h00.

As reservas podem ser efetuadas através do número 913 081 221. Está ainda disponível um desconto de 10% na aquisição do abono para as duas corridas.

Festas do Povo 2026 encerram este domingo em Campo Maior

As Festas do Povo 2026 chegam hoje, domingo, dia 16 de agosto, ao fim, com a cerimónia de encerramento marcada para as 17 horas, no palco do Jardim Municipal de Campo Maior.

O momento contará com a participação de todos os cabeças-de-rua, que irão, de forma simbólica, queimar uma flor de cada rua. A cerimónia inclui ainda as intervenções protocolares do presidente do Município de Campo Maior, Luís Rosinha, e do presidente da Associação das Festas do Povo, João Manuel Nabeiro.

Prorrogação de Almaraz sossega e garante milhões aos municípios do entorno, para desespero dos ambientalistas

A Central Nuclear de Almaraz vai continuar a funcionar até 8 de junho de 2030, depois de o Governo espanhol ter aprovado a renovação da autorização de exploração das duas unidades da central. A decisão prolonga em cerca de três anos a atividade da instalação, cuja primeira unidade tinha o encerramento previsto para novembro de 2027 e a segunda para outubro de 2028. A autorização foi concedida depois de um parecer favorável do Conselho de Segurança Nuclear (CSN) e na sequência do pedido apresentado pelas empresas proprietárias — Iberdrola, Endesa e Naturgy.

O Governo espanhol justifica a decisão com a necessidade de reforçar a segurança do abastecimento elétrico num contexto internacional marcado pela volatilidade dos preços da energia, nomeadamente devido à guerra no Médio Oriente e à situação na Ucrânia. O Executivo garante que a prorrogação não representa custos adicionais para os consumidores nem benefícios fiscais para as empresas proprietárias e assegura que, por enquanto, não altera o calendário nacional de encerramento das restantes centrais nucleares, previsto para ficar concluído em 2035. Almaraz representa cerca de 7% do consumo de eletricidade espanhol e assegura aproximadamente 4.000 empregos diretos e indiretos na região.

A continuidade da central representa também uma importante garantia financeira para os municípios da sua área de influência. As 12 localidades situadas num raio de dez quilómetros da instalação recebem receitas através do Imposto sobre Bens Imóveis de Características Especiais (BICE), do Imposto sobre Atividades Económicas (IAE) e de verbas da Enresa, entidade responsável pela gestão dos resíduos radioativos e pelo futuro desmantelamento das instalações. No conjunto, estas receitas rondam os 15 milhões de euros anuais, sendo cerca de 12 milhões associados diretamente a impostos e contribuições locais.

Estes recursos assumem particular importância para municípios do Campo Arañuelo, onde a atividade da central tem um peso significativo na economia e no emprego. Estudos sobre o impacto socioeconómico do encerramento de Almaraz apontam para uma quebra muito expressiva das receitas municipais e para consequências no emprego e na população da zona envolvente caso a central fosse encerrada.

A prorrogação surge, contudo, num momento em que está em causa outra importante fonte de receita para a Extremadura: a chamada ecotaxa sobre as instalações elétricas, que incide sobre a atividade da central e que representa dezenas de milhões de euros anuais para os cofres da Junta da Extremadura. O acordo de Governo entre o Partido Popular e o Vox prevê a redução progressiva deste imposto em 30% por ano, com o objetivo de o eliminar durante a atual legislatura. A receita anual associada à ecotaxa de Almaraz é estimada em valores que podem atingir cerca de 82 a 90 milhões de euros, dependendo dos cálculos e dos exercícios considerados.

A situação cria, assim, um contraste para a região: a central continuará a gerar atividade económica, emprego e receitas municipais pelo menos até 2030, mas uma parte significativa da receita fiscal regional poderá desaparecer progressivamente. O acordo entre PP e Vox prevê ainda a criação de mecanismos destinados a canalizar recursos para o desenvolvimento socioeconómico, infraestruturas, emprego e habitação na área de influência da central.

A decisão de prolongar o funcionamento de Almaraz foi recebida com satisfação pela população local. Uma reportagem publicada este domingo pelo El País mostra o ambiente de alívio vivido no município de Almaraz, onde a central é considerada fundamental para a economia local. Moradores e trabalhadores defendem que os três anos adicionais são importantes para preservar emprego e atividade económica e alguns já admitem que a luta pela continuidade poderá prosseguir depois de 2030.

Mas a decisão também está a gerar contestação. A associação ambientalista Adenex anunciou que vai avançar com um recurso contencioso-administrativo contra a prorrogação, considerando a decisão grave e criticando a política energética seguida pelo Governo. Os ambientalistas defendem que a extensão da vida da central poderá travar o desenvolvimento das energias renováveis e questionam ainda a transparência relativamente a incidentes registados na instalação.

Também dentro do Governo espanhol surgiram críticas. O Sumar rejeitou a prorrogação e considera que a decisão contraria o acordo de coligação celebrado com o PSOE em 2023, defendendo que Espanha deve manter o calendário de encerramento das centrais nucleares e acelerar a aposta nas energias renováveis.

A Central Nuclear de Almaraz, situada na província de Cáceres, a pouco mais de 100 quilómetros da fronteira portuguesa, continuará assim a desempenhar um papel relevante no sistema elétrico espanhol e na economia do Campo Arañuelo durante pelo menos mais quatro anos. Para os municípios diretamente dependentes das receitas da central, a prorrogação representa uma garantia financeira imediata; para a Junta da Extremadura, permanece a incógnita sobre quanto tempo conseguirá manter uma receita fiscal que poderá chegar aos 82 milhões de euros anuais.

Campo Maior despede-se hoje das Festas do Povo 2026

As Festas do Povo de Campo Maior chegam este domingo, 16 de agosto, ao último dia de programação, encerrando uma edição que assinalou o regresso da iniciativa após 11 anos.

O programa começa às 12h00, com a atuação do Rancho Folclórico da Bela Vista de Gáfete, no Palco do Jardim Municipal.

O encerramento oficial das Festas do Povo está marcado para as 17h00, também no Palco do Jardim Municipal, colocando um ponto final numa edição particularmente aguardada, que marcou o regresso da festa às ruas floridas de Campo Maior, onze anos depois da última realização.

Ricardo Pinheiro, presidente da CCDR Alentejo: “A paixão, a união e a criatividade do povo de Campo Maior dão uma lição de dinamismo e orgulho ao mundo”

Em entrevista em direto a partir das Festas do Povo, o Presidente da CCDR Alentejo destacou o regresso do património comunitário, a memória de Rui Nabeiro e revelou projetos industriais e tecnológicos para a região.

Rádio Campo Maior (Entrevistador: António Ferreira Góis)

O regresso das emblemáticas Festas do Povo de Campo Maior, ao fim de 11 anos de interregno, foi o cenário escolhido para uma reflexão aprofundada sobre a identidade comunitária e o futuro económico da região do Alentejo. Em declarações prestadas em direto a partir do coreto do Jardim Municipal, em entrevista conduzida por António Góis para a Rádio Campo Maior, o Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, Ricardo Pinheiro, enalteceu a capacidade de mobilização popular e delineou as grandes prioridades para a atração de investimento e coesão territorial.

Homenagem ao legado comunitário e a Rui Nabeiro

Visivelmente emocionado com o regresso da celebração que junta milhares de pessoas nas ruas floridas de papel, o líder da CCDR Alentejo, Ricardo Pinheiro, fez questão de sublinhar o caráter único da população local e de prestar homenagem às figuras marcantes que ergueram a tradição. “Há mais de 100 anos que o povo de Campo Maior demonstra ao mundo que a interioridade não é um fator de limitação. A paixão, a união e a criatividade desta gente dão uma lição de dinamismo ao mundo e são a prova máxima do orgulho e da capacidade de união alentejana.

Na sua intervenção, Ricardo Pinheiro recordou com carinho a visão e o legado do Comendador Rui Nabeiro, ressaltando que “quando se investe com o coração nas pessoas e na comunidade, o retorno social e a criação de valor acontecem de forma natural”. O responsável fez ainda referência a pioneiros das festividades, enaltecendo a memória do Sr. Simão, conhecido como o “contrabandista da Rua da Costanilha” por introduzir historicamente o papel nas decorações, bem como o contributo do antigo presidente da Associação das Festas do Povo, Sr. José Celestino.

Para o responsável regional, a distinção concedida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade reflete precisamente essa espontaneidade e coesão social que atravessa gerações e afirma a vila no panorama internacional.

Critérios estratégicos para o acolhimento industrial e inovação

Para além da vertente cultural e emotiva, Ricardo Pinheiro abordou os grandes dossiês económicos e de infraestruturas que marcarão o futuro do Alentejo. No âmbito da criação de novas Áreas de Acolhimento Empresarial de grande dimensão, articuladas no Plano de Transformação e Resiliência Regional (PTRR) com o Governo, o Presidente da CCDR defendeu uma seleção rigorosa e transparente dos locais a beneficiar. “A decisão sobre a localização dos novos polos industriais deve assentar em critérios técnicos e estratégicos claros: a proximidade às redes ferroviárias, a capacidade de ligação aos cabos de dados de alto débito que ligam Sines às Américas e à Europa, bem como a garantia de abastecimento de gás natural, energia elétrica e água.”

O responsável revelou também avanços em setores emergentes de alta tecnologia e defesa, confirmando reuniões de trabalho com entidades do setor militar e empresas como a UAVision, no sentido de fixar no Alentejo a linha de produção do primeiro drone marítimo nacional, além de centros de testes e validação para sistemas não tripulados aéreos, terrestres e aquáticos.

Coesão regional e a montra de Évora 2027

Ao analisar a situação socioeconómica da região, Ricardo Pinheiro chamou a atenção para as assimetrias internas existentes na NUT II Alentejo. Enquanto a sub-região do Alentejo Litoral, impulsionada pelo complexo de Sines, apresenta índices de Produto Interno Bruto (PIB) superiores à média europeia, o Alto Alentejo e o Alentejo Central mantêm-se em patamares mais modestos, rondando os 59% e 60% do PIB europeu, respetivamente.

O Presidente da CCDR reiterou o compromisso de utilizar estrategicamente os programas de fundos comunitários, como o Alentejo 2030, para promover a coesão territorial, combater o despovoamento e fixar jovens qualificados na região interior.

A terminar, Ricardo Pinheiro assegurou que as grandes manifestações identitárias e culturais do Alentejo — com destaque para as Festas do Povo de Campo Maior e as Festas do Redondo — terão um papel de relevo na programação e na projeção internacional de Évora Capital Europeia da Cultura 2027, afirmando a identidade e o dinamismo da região perante o mundo.