O oleiro e artesão elvense Luís Pedras, que tem dedicado a sua vida à produção das roncas, desde as mais tradicionais às mais contemporâneas, quer ver este instrumento musical tipicamente usado por altura do natal, em Elvas, no cante ao menino, ser classificado enquanto Património Imaterial.
A sua esperança reside no novo executivo da Câmara Municipal de Elvas, sendo que caso a ronca não possa ser elevada a património local ou nacional, espera que possa vir a ser, pelo menos, certificada.
“Eu venho a falar nisto há anos e anos, mas a ver se agora, com as mudanças no elenco governativo da nossa câmara, talvez se consiga, de uma vez por todas, tentar certificar o produto ou então torná-lo património imaterial local”, começa por dizer. “Já não digo nacional, mas pelo menos regional. Começamos por baixo e vamos subindo e quem sabe se consiga atingir outros voos”, acrescenta.
O oleiro não tem dúvidas que o processo de classificação das suas roncas “tem pernas para andar”. A ronca, acrescenta, tem “tudo o que é necessário para se fazer essa classificação”.
Apesar de outros artesãos elvenses se dedicarem à produção de roncas, Luís Pedras garante que muitas não passam de “imitações”. “A mim não me preocupa, porque o sol nasce para todos e cada um faz o que quer, até com latas”, comenta.
A história das roncas de Elvas, revela ainda Luís Pedras, está exaustivamente retratada num livro de Ernesto Veiga de Oliveira, que o oleiro foi encontrar no Museu Nacional de Etnologia. “Sempre houve esta tradição, nós temos a rua dos oleiros e havia grande produção que abastecia muitas localidades. Eram roncas que eram feitas pelos oleiros de Elvas e isto foi um dos fatores que me levou a desenvolver este projeto”, conta.
Questionada sobre esta intenção de Luís Pedras, de elevar, com a ajuda da Câmara Municipal, as roncas de Elvas a Património Imaterial, a vice-presidente do município, Anabela Cartas, garante que a autarquia está “muito interessada na preservação das roncas de Elvas e que elas sejam conhecidas por serem isso mesmo, as roncas de Elvas”. A Câmara de Elvas irá fazer “tudo o que for possível” para que as roncas sejam certificadas como mais “um produto de alta qualidade” de Elvas, que, diz Anabela Cartas, “convém deixar aos nossos vindouros”.
As roncas, lembra a autarca, não são exclusivas de Elvas, embora seja única a forma como estas são utilizadas, na cidade, por altura de natal. Para além disso, não há roncas, em qualquer outro sítio, como as de Luís Pedras.


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