O espetáculo “Conta-me…”, um concerto teatral com Raquel Guerra, sobe ao palco do Auditório São Mateus, em Elvas, este sábado, 17 de janeiro, pelas 21h30, celebrando as memórias, vivências e tradições locais.
“Conta-me…” é uma criação sensível e emocional que narra o regresso de uma personagem à sua terra natal após anos de ausência. À medida que percorre os lugares que marcaram a sua infância, memórias profundas são reavivadas: o primeiro beijo, as conversas à lareira com os avós, os sons das festas populares, os sabores das iguarias tradicionais…
O espetáculo, organizado pela Associação 7350 organiza, com o apoio da Câmara Municipal de Elvas, combina músicas do cancioneiro popular com grandes sucessos pop dos anos 80 e 90, criando um diálogo entre o passado e o presente, entre a identidade pessoal e a memória coletiva. Mais do que uma simples representação, “Conta-me” é uma homenagem vibrante às raízes e à herança cultural elvense.
As entradas são gratuitas mas sujeitas a reserva antecipada de bilhetes no Posto de Turismo da Praça da República.
A Academia Sénior da CURPI de Campo Maior tem vindo, ao longo dos anos, a revelar-se uma segunda casa para as dezenas de idosas que, durante a semana, ocupam ali os seus dias, entre as mais diversas aulas, muitas partilhas, conversas e boa disposição.
Cristina d’Almeida (na imagem), que chegou há pouco mais de ano e meio a Campo Maior, é a responsável, neste ano letivo, pelas aulas de customização e teatro. Defendendo que o país inteiro merecia instituições com a CURPI, a professora garante que, na Academia Sénior, encontrou verdadeiras artistas. “Não há ninguém com quem eu me tenha cruzado aqui na CURPI que não seja artista. E fazem as coisas com muito prazer, muito bem-feitas, com muita atenção”, garante.
A professora, que diz que passar a colaborar com a CURPI foi “o melhor” que lhe aconteceu desde que chegou a Campo Maior, confessa adorar “aquilo que a CURPI representa”. “Elas falam muito dos anos todos, das pessoas que aqui vêm, das experiências que têm vivido aqui e isto é uma coisa assim imperdível. O país inteiro merecia CURPIs espalhadas por todo o lado”, comenta.
Por outro lado, Cristina d’Almeida diz que as alunas não só aprendem, como ensinam. “Estas pessoas têm muita experiência, são pessoas que já têm anos e anos de experiência de tudo o que fizeram. E essa troca e essa partilha são muito boas”, assegura.
Quando questionada sobre o papel que a CURPI e a Academia Sénior desempenham, naquilo que é o combate à solidão dos mais velhos, a professora acaba pior compara Campo Maior à sua terra natal. “Eu venho de um sítio, uma vila muito conhecida em Portugal, muito boa, que está sempre nas notícias, mas em que não ligam nenhuma às pessoas. E aqui é exatamente o contrário”, garante,
Para além das duas aulas lecionadas por Cristina d’Almeida, a Academia Sénior da CURPI de Campo Maior conta, neste ano letivo, com costura, aula da flor, castanholas, “Conta-me como Era”, pintura a óleo, “Roda da Conversa”, cidadania, yoga e meditação, artes decorativas e coro.
A CCDR Alentejo, I.P. deu início ao pagamento das compensações financeiras destinadas aos agricultores que sofreram prejuízos significativos na sequência dos incêndios que atingiram a região do Alentejo nos meses de julho e agosto de 2025.
Estes apoios, enquadrados no Decreto-Lei n.º 98-A/2025, materializam o compromisso do Estado com a proteção da atividade agrícola, a salvaguarda do rendimento dos produtores e a coesão territorial, assegurando uma resposta pública responsável, eficaz e orientada para o interesse geral.
Numa primeira fase, foram já apoiados 88 agricultores, correspondendo a um montante global de 541.674,08 euros. Os restantes processos encontram-se em fase de acompanhamento prioritário, estando garantida a continuidade dos pagamentos até à conclusão integral do apoio às explorações afetadas.
De acordo com o vice-presidente da Agricultura da CCDR Alentejo, Roberto Grilo: “Perante situações excecionais, o Estado tem o dever de agir com rapidez, rigor e sentido de justiça. Estes pagamentos demonstram que o Estado cumpre no território, protege quem produz e responde às necessidades concretas das populações. A agricultura é um pilar estratégico da região e continuará a merecer uma atuação pública firme e responsável.”
A CCDR Alentejo, I.P. sublinha ainda o papel fundamental dos municípios, cuja colaboração foi determinante na identificação dos prejuízos e na operacionalização do processo, refletindo uma atuação articulada entre a administração central, regional e local.
Esta intervenção insere-se numa visão de governação de proximidade, reforçando a confiança dos cidadãos nas instituições públicas e afirmando o Alentejo como um território resiliente, produtivo e preparado para enfrentar os desafios das alterações climáticas.
A obra de reabilitação do Cine-Teatro de Elvas prossegue a bom ritmo, tendo como finalidade a modernização e requalificação desta importante infraestrutura cultural.
Num investimento superior a dois milhões de euros, a obra consiste na intervenção ao nível da cobertura, espaços interiores, como os camarins, promovendo a melhoria do conforto tanto para os espectadores como para todos os agentes da área da cultura, instalações sanitárias, entre outros.
Para além disso, inclui a renovação dos acabamentos dos diferentes espaços do edifício, dos elementos da envolvente exterior do edifício através da execução de uma parede em gesso cartonado com isolamento, alteração das cadeiras da plateia, renovação do sistema de AVAC e respetivo equipamento, entre outras alterações pontuais.
Com um prazo de execução de cerca de 18 meses, a empreitada inclui ainda a renovação de todo o equipamento audiovisual e mobiliário.
O vice-presidente do Município de Campo Maior, Paulo Pinheiro, esteve presente nas comemorações do 367.º Aniversário da Batalha das Linhas de Elvas.
O momento teve lugar na Praça da República da cidade vizinha, onde decorreram várias cerimónias militares, com o objetivo de recordar esta batalha, que foi uma das mais importantes da Guerra da Restauração.
Ainda que a organização das Festas do Povo de Campo Maior espere a visita de meio milhão de pessoas à vila, entre os dias 8 e 16 de agosto, o presidente da Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo acredita que o certame receberá mais público que na sua última edição, realizada em 2015.
Atualmente, garante José Manuel Santos, “há mais pessoas a viajar para Portugal, há mais pessoas a viajar para o Alentejo e estamos muito mais abertos ao mercado de Espanha do que estávamos há 11 anos”.
Por outro lado, o presidente da ERT do Alentejo e Ribatejo assegura que as Festas do Povo, no ano em que se realizam, são “o maior cartaz turístico do Alentejo” e dos “maiores de Portugal” e que, por isso, “não se podem realizar todos os anos”. “Nós agora falamos sempre em turismo transformador, turismo regenerador, turismo com as populações e dificilmente encontramos em Portugal um evento que tenha esta ligação tão forte às comunidades e ao povo. É um evento que brota da força, da consciência, do carinho, da autenticidade de Campo Maior. É um evento que nasce das pessoas. E eu creio que hoje, no turismo, há uma maior sensibilidade do público para este tipo de dimensões do turismo”, acrescenta.
Realizando-se em época alta, o evento vai acabar por colocar “ainda mais pressão” sobre a hotelaria, a restauração e o alojamento. Dizendo que este é um evento que vai “extravasar os limites do Alentejo”, José Manuel Santos não tem dúvidas de que, de alguma forma, as Festas do Povo vão chegar a Évora, Portalegre, a Espanha e, “provavelmente”, a Lisboa.
E uma vez que se pretende que este venha a ser um evento ibérico, será apresentado em Madrid, na FITUR, “uma das grandes feiras de turismo da Europa”, que arranca já no próximo dia 21 de janeiro. “Nós vamos ter, no stand do Turismo de Portugal, um vídeo a promover as Festas do Povo de Campo Maior e, na nossa área, no nosso stand do Alentejo, vamos ter em destaque as Festas do Povo. Vamos ter também uma apresentação, no dia 24, com a Associação das Festas do Povo, para a imprensa e para o público de Espanha”, revela ainda o responsável.
De recordar que a contagem decrescente para o arranque das Festas do Povo começou no passado domingo, com uma cerimónia que teve lugar no Centro Cultural da vila (ver aqui).
A Praça da República de Elvas foi, ao final da manhã desta quarta-feira, 14 de janeiro, o palco do momento alto das comemorações dos 367 anos da Batalha das Linhas de Elvas.
A cerimónia iniciou-se com a intervenção do vice-presidente da Câmara Municipal de Elvas, Nuno Mocinha, que para além da homenagem feita aos heróis de 14 de janeiro 1659, destacou as batalhas de hoje e do futuro para o concelho. Habitação, saúde, criação de emprego e educação foram os principais vetores enunciados por Nuno Mocinha, em representação do presidente da Câmara, comendador José Rondão Almeida, ausente por motivo de doença
Seguiu-se a incorporação das forças militares e militarizadas na parada da Praça da República. Dela fizeram parte a Banda Sinfónica do Exército, Regimento de Cavalaria nº 3 de Estremoz, Corpo de Intervenção da Polícia de Segurança Pública, Guarda Nacional Republicana a pé e a cavalo, Bombeiros Voluntários de Elvas e a estrutura local da Cruz Vermelha Portuguesa.
O contingente, que desfilou depois pela Rua da Cadeia, contou ainda com viaturas militares do Regime de Cavalaria de Estremoz e veículos pertencentes ao espólio do Museu Militar de Elvas.
A última parte da cerimónia foi preenchida com as intervenções das autoridades militares, a cargo do diretor do Museu Militar, Coronel Nuno Duarte, e do diretor de História e Cultura do Exército, Major-General António Cavaleiro. O primeiro fez uma evocação histórica dos antecedentes e consequências da Batalha das Linhas de Elvas e o segundo deixou a garantia de reforço da importância do Museu Militar no contexto nacional.
Seguiu-se, já na Rua da Cadeia, o habitual desfile das forças em parada.
A habitação é uma das prioridades da Câmara Municipal de Alandroal para este mandato, até porque, de acordo com o presidente, João Grilo, o concelho está a ficar “sem lotes de natureza municipal disponíveis para venda”.
Na procura de alternativas, o autarca adianta que o município tem vindo a trabalhar em alguns loteamentos: para uns o município “já tem os terrenos”, para outros “está a adquiri-los”. “Depois temos que conseguir desenvolver as infraestruturas para que possamos colocá-los à venda”, acrescenta.
Por esta altura, a Câmara Municipal de Alandroal está também “a ultimar projetos do Primeiro Direito”, para que possa iniciar o processo de oferta de habitação para as famílias mais carenciadas. Neste caso, João Grilo conta que estes projetos venham a ser financiados pelo Alentejo 2030.
“Sentimos que há uma procura muito grande de habitação no concelho, que a reabilitação nas aldeias tem sido bastante importante para diminuir o número de casas devolutas e aumentar a ocupação. Mas precisamos também de soluções de nova habitação, um pouco por todo o concelho, daí os loteamentos que estamos a estudar estejam previstos para Casas Novas, Pias, Aldeia da Venda, Hortinhas e Juromenha”, adianta o presidente da Câmara de Alandroal.
João Grilo avança ainda que a autarquia está a estudar “aumentar a possibilidade de construção em baixa densidade, naturalmente, respeitando as características do território e de acordo com a procura”. Falando numa “experiência interessante”, o autarca revela que o município, em tempos, decidiu transformar lotes pequenos, que se encontravam à venda há mais de 15 anos, fundindo-os dois a dois, passando de seis para três lotes. “Duplicaram as áreas e foram vendidos em pouquíssimos meses”, lembra.
“A procura que temos no nosso território vai de encontro a habitações que tenham um logradouro amplo, que tenham, de facto, possibilidade de viver na natureza. Ninguém vem para o Alandroal para viver em prédios ou para viver como já se vive nas grandes cidades. Portanto, aqui a procura é outra e nós temos que encontrar soluções para dar essa resposta alternativa”, remata.
Elvas celebra esta quarta-feira, 14 de janeiro, um dos momentos mais emblemáticos da sua história: a Batalha das Linhas de Elvas, travada há precisamente 367 anos e que garantiu a liberdade e a soberania de Portugal.
Dando conta que o feito de 1659 só é comemorado, desde o primeiro momento, em Elvas, o historiador elvense e cronista oficial da cidade, Rui Jesuíno, lembra que esta foi a principal batalha da Guerra da Restauração. “Mesmo só sendo feriado municipal, como é óbvio, a partir do século XX, não houve um ano em que, em Elvas, não houvesse comemorações, desde religiosas a outras”, assegura.
“Esta batalha advém de algo que correu mal: a tentativa de conquista falhada de Badajoz, pensada por João Mendes de Vasconcelos. Há depois uma fuga de todos aqueles que estavam em Badajoz para Elvas e um exército castelhano que vem socorrer Badajoz e que acaba por cercar a cidade de Elvas”, recorda o historiador.
A cidade esteve cercada desde outubro de 1658 até 14 de janeiro de 1659, “até que depois veio o exército de socorro português, vindo de Lisboa, e especialmente depois ali de Estremoz e Vila Viçosa, formado por muitos alentejanos, que veio socorrer a cidade”, avança Rui Jesuíno
Abertas as linhas, é travada a batalha no dia 14, “que só terminou na manhã de dia 15”. É precisamente no dia 15 que acaba por falecer “o grande herói da batalha”, André de Albuquerque Riba-Fria, “num ataque a um fortim que existia onde está hoje o Forte da Graça”.
A verdade é que travar o exército castelhano, em Elvas, era essencial para que não pudesse chegar a Lisboa. “Como diziam muitos reis castelhanos, ao longo da história, para conquistar Portugal era necessário conquistar Elvas, porque de Elvas a Lisboa era um passeio. E, se pensarmos bem, assim era, porque não há nenhum acidente orográfico, não há nenhuma serra, nem nenhum grande rio até ao Tejo. Portanto, era aqui que era necessário travar o exército castelhano e assim se fez, felizmente, no dia 14 de janeiro de 1659, e ainda bem que mais um ano estamos a festejar esta grande vitória”, remata Rui Jesuíno.