D. Francisco Senra Coelho recorda Papa Bento XVI como o “colaborador da verdade”

O Papa emérito Bento XVI morreu este sábado, 31 de dezembro, aos 95 anos. Num longo texto, enviado às redações, o arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, recorda-o como o “colaborador da verdade”.

O texto do arcebispo para ler na íntegra:

“1 – Todo o Povo de Deus que peregrina por terras alentejanas e ribatejanas, neste extenso território que constitui a Arquidiocese de Évora, bem como muitos homens, mulheres e jovens que não se identificam como Cristãos Católicos, mas são pessoas íntegras e de boa vontade, unimo-nos neste último dia do ano 2022 para louvar a Deus pelo dom da vida, da vocação e do ministério concedido ao saudoso Papa Bento XVI, falecido hoje pelas 9.35 horas locais, para viver o encontro com o Bom Pastor, que como a Pedro o chamou e ordenou: “Vem e segue-me, farei de ti pescador de homens” (Mt. 4, 18-22), a fim de receber a coroa da glória, ele que soube servir como Homem Justo a causa da tolerância e da Paz e soube sempre apresentar Cristo como alicerce e coroa da humanização, junto dos mais pobres e dos sem voz.

Hoje, Sábado, Memória do Papa da Liberdade da Igreja, S. Silvestre I, último dia do ano 2022, como pastor fiel, Bento regressou da grande contenda à Casa do Pai. Paz à sua alma! Honra e Glória ao Vencedor da morte e Senhor da Vida e dos Vivos! Aleluia!

2 – Joseph Aloísius Ratzinger foi eleito sucessor de Pedro na Cátedra de Roma a 19 de Abril de 2005, contava 78 anos e escolheu como nome Bento, XVI, na sequência do Papa que acompanhou a primeira Guerra Mundial e sob cujo pontificado aconteceram as Aparições de Fátima, Bento XV. A fumaça branca saiu da chaminé da Capela Sistina quando eram 17.40 horas locais.

No dia 24 de Abril tomou posse da Diocese de Roma, a sede onde Pedro deu o testemunho supremo do martírio, afirmando-se discípulo de Cristo, seu Senhor, dia 28 de Fevereiro de 2013. Como Papa, manteve o lema do seu episcopado: “Colaborador da Verdade”.

3 – Ordenado Presbítero conjuntamente com seu irmão George, a 29 de Junho de 1951, pelo Cardeal Faulhaber, Arcebispo de Munique, em 1952 iniciou a sua actividade docente na Escola Superior de Filosofia e Teologia de Frisinga. Aí, leccionou Teologia Dogmática e Fundamental. Em 1953, defendeu como tese doutoral o argumento “Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de S. Agostinho”. A fim de obter habilitação para docência em cátedra, apresentou a dissertação “A Teologia da História em São Boaventura”. A partir de 1969, passou a ser Professor Catedrático de Teologia Dogmática e História do Dogma na Universidade de Ratisbona. No II Concílio Ecuménico do Vaticano, foi “peritus” do Cardeal  de Colónia, Josef Frings. Perante algumas situações difíceis no diálogo teológico pós-conciliar, no ano de 1972, Joseph Ratzinger fundou a revista “Communio”, conjuntamente com Urs von Baltasar (1905-1988) e Henri de Lubac (1896-1992).

A 25 de Março de 1977, o Papa S. Paulo VI nomeou o autor da obra “Introdução ao Cristianismo”, Arcebispo de Munique e Frisinga, elevando-o a cardeal no consistório do mesmo ano, reunido a 27 de Junho. Em 1981, o Papa S. João Paulo II escolhe o Arcebispo Ratzinger para Prefeito do Dicastério da Doutrina da Fé. A 19 de Abril de 2005, é eleito sucessor de S. João Paulo II, sendo o 265º Papa da História da Igreja. Desde 2016, com a morte com a morte do Cardeal Paulo Evaristo Arns, era o último cardeal vivo criado pelo Papa Paulo VI.

4 – Nesta hora de luto iluminado pela Esperança Cristã, sentimos e agradecemos o valor da estabilidade que a serenidade deste Pastor nos oferecia a todos. Era uma companhia tão silenciosa quanto presente, uma espécie de reserva moral testada e confirmada pela preciosidade da sua sabedoria.

Perito em Humanidade, iluminava as mentes e os corações com racionalidade da Fé e com a proximidade da ternura de Deus aos vazios humanos. Profundamente conhecedor do Ocidente e da Europa doentes, encetou o diálogo Fé – Cultura através das promissoras e inacabadas iniciativas “Átrio dos Gentios”. Fica para sempre registado o seu abraço ao saudoso gigante do cinema Manuel de Oliveira no contexto do seu encontro com a Cultura realizado em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, quando da sua visita pastoral a Portugal em 2010, por ocasião da celebração dos dez anos da canonização dos Pastorinhos Francisco e Jacinta Mário, talvez a visita pastoral que mais marcou o seu pontificado.

As inesquecíveis celebrações litúrgicas vividas em Lisboa, Fátima e Porto, fizeram o encanto do nosso povo, que percebeu quão diferente era o homem Bento XVI, ao vivo, daquele que lhe pintavam os fabricantes de opinião pública. A visita de Bento XVI a Portugal foi uma festa e um gratificante encontro de muitos “afastados” com a Igreja. Afinal os verdadeiros sábios são os únicos a saberem falar dos grandes temas complexos e exigentes da vida com linguagem acessível e compreensível a todos.

Papa de Fátima, não só quando como cardeal Prefeito do Dicastério da Doutrina da Fé interpretou o Terceiro Segredo de Fátima, mas como quando, no Santuário de Fátima, com a revelação do Terceiro Segredo, nos afirmou que a mensagem de Fátima e o segredo continuavam actuais, em aberto e a ajudar a iluminar os novos tempos.

Apreciador de Mozart e seu intérprete ao piano, dizia que não o apreciava e executava apenas por motivos artísticos, mas sobretudo antropológicos: “A música de Mozart encerra todo o drama humano.” Foi esse Papa que ele tocou e compreendeu muitas vezes, iluminando-o com a Luz do Evangelho. Foi desse drama que saiu vencedor, quando com toda a Liberdade Interior a 28 de Fevereiro de 2013, perante o reconhecimento das suas limitações humanas abdicou do exercício do ministério petrino ao renunciar à Diocese de Roma.

5 – Unidos ao nosso amado Papa Francisco, acompanhemos com compromisso o seu magistério sobre os seus ensinamentos sobre a vida e obra do Papa Teólogo, bem como os seus apelos e convites à oração pessoal e comunitária por Bento XVI. Que as Paróquias incluam em todas as celebrações Eucarísticas ou da Palavra uma prece pelo eterno descanso do Papa Emérito e que no dia das suas Exéquias Fúnebres, nas Paróquias onde for possível seja oferecida a Celebração da Eucaristia em sua intenção.

6 – Nas comunidades onde é tradicional, no dia e na hora do início das suas exéquias, podem ser dobrados pelo Papa Bento XVI, os sinos “em memória de Defuntos”.

Évora, 31 de Dezembro de 2022

+ Francisco José, Arcebispo de Évora”

GNR regista quatro mortos e 11 feridos graves durante Operação Ano Novo

Imagem: GNR de Évora

No decorrer da Operação Ano Novo, a GNR registou 555 acidentes em todo o país, dos quais resultaram quatro vítimas mortais, 11 feridos graves e 106 feridos leves, entre quinta-feira, 29 de dezembro, e as 7h30 deste domingo, dia 1 de janeiro.

Em comunicado enviado às redações, a Guarda explica que duas das vítimas mortais derivam de uma colisão entre um veículo ligeiro de passageiros e um motociclo, na EN 374, em Bucelas, Lisboa, na sexta-feira. Também na sexta-feira uma outra colisão entre dois veículos ligeiros de passageiros, na EN 398, em Moncarapacho, Faro, resultou num morto. A quarta vítima mortal resultou de um despiste de um veículo ligeiro de passageiros, na A28, na Póvoa de Varzim, na manhã de ontem.

A GNR fiscalizou 23.360 condutores, dos quais, 193 conduziam com excesso de álcool e, destes, 101 foram detidos por conduzirem com uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 1,2 g/l. Foram ainda detidas 65 pessoas por conduzirem sem habilitação legal.

Das 5 427 contraordenações rodoviárias detetadas, a GNR destaca 1530 por excesso de velocidade, 357 por falta de inspeção periódica obrigatória; 172 por falta ou incorreta utilização do cinto de segurança e/ou sistema de retenção para crianças;  96 por uso indevido do telemóvel no exercício da condução; e 138 por falta de seguro de responsabilidade civil obrigatório.

Durante a operação, que decorre até amanhã, 2 de janeiro, a GNR irá continuar a priorizar a fiscalização às seguintes infrações: condução sob a influência do álcool e de substâncias psicotrópicas; excesso de velocidade; falta de inspeção periódica obrigatória; manobras perigosas; incorreta execução de manobras de ultrapassagem, de mudança de direção e de cedência de passagem; e utilização indevida do telemóvel.

Arcebispo de Évora lembra 2022 como o ano de regresso da guerra à Europa

2022 foi um ano de muito sofrimento, marcado, sobretudo, pelo regresso da guerra à Europa. O Arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, na esperança que 2023 seja um ano melhor, lembra, entre outros, que temos vindo a assistir à deterioração das condições económicas básicas, em consequência da guerra, e às mortes de crianças e populações indefesas, também, devido ao frio e à fome.

“Percebendo nós o grito da Terra e dos pobres, através da pandemia de SARS-CoV-2, da trágica guerra na Ucrânia, com cruéis desumanidades e previsto agravamento do sofrimento com mortes de crianças e populações indefesas, inclusivamente pelo frio e pela fome; sentindo-se por toda a Casa Comum a deterioração das condições económicas básicas, derivadas deste e de outros conflitos que agudizam o empobrecimento e a miséria dos mais frágeis e sem voz do nosso planeta; constatando-se a constante agudização das condições climatéricas com graves e irreversíveis riscos de danos para todo o planeta, nomeadamente ao nível do desaparecimento de espécies criadas por Deus na beleza da biodiversidade; sofrendo o nosso País o revés golpe do retrocesso civilizacional que significa a pretensa aprovação da eutanásia e da morte assistida; experimentando nós a desertificação populacional do mais extenso território diocesano de Portugal, com a perca de 14.282 pessoas no distrito de Évora e de 23.239 habitantes no território da Arquidiocese, constituído por 24 concelhos centro alentejanos, alto alentejanos e ribatejanos”, diz o Arcebispo.

“Porque tudo começa no coração de cada homem, de cada mulher e de cada jovem urge partilhar a luz de Cristo com todos os Irmãos, eis a nossa missão! Seja-me permitido lembrar os nossos queridos irmãos idosos, dos quais 44.511 foram sinalizados como sobreviventes à solidão ou ao isolamento. Fixemo-nos no nosso distrito de Évora onde 2924 idosos aguardam gestos de procura, de encontro e de presença, compromisso, promoção humana, ternura, carinho e os diversos apoios necessários às suas idades. Sinais dos tempos a pedir-nos que ultrapassemos as barreiras do egoísmo individualista e nos encontremos com a raiz desta solenidade em que Deus se faz homem para que os homens sejam filhos de Deus e irmãos entre si”, remata.

Paulo Moreiras espera que as entidades externas olhem para os Bombeiros “de outra forma”

Chegou o novo ano e com ele novos desafios para instituições, autarquias e para a população em geral. 

O maior desejo para o comandante dos Bombeiros de Campo Maior, Paulo Moreiras, é que, neste novo ano, “as entidades externas” às corporações, como poder local, populações e coletividades, olhem para os soldados da paz de uma outra forma, “não reconhecendo o seu valor apenas quando têm necessidade dos seus serviços e do seu socorro”.

Paulo Moreiras lembra ainda que as associações humanitárias de bombeiros voluntários e os seus quadros ativos estão “disponíveis e presentes 365 dias por ano, na maior parte das vezes, à distância de um único telefonema”.

Não prevendo tempos fáceis, “quer pelas carências de voluntariado, quer pelas indisponibilidades das próprias pessoas”, Paulo Moreiras diz ainda que o maior desafio será de “manter o espírito de humildade e reconhecimento”.

PSP alerta: “se beber, não conduza”

A PSP, que tem em marcha, até segunda-feira, 2 de janeiro, a operação “Polícia Sempre Presente, Festas em Segurança” vai estar, nesta noite de passagem de ano, muito atenta à condução sob efeito do álcool.

O chefe José Moreira, do Núcleo de Imprensa e Relações Públicas da PSP de Portalegre, apela à população para que se divirta, mas que, “se beber, não conduza”.

“Têm os transportes públicos, têm amigos que não bebem, portanto, divirtam-se e bebam com moderação, para, desta forma, evitarmos os números trágicos que, todos os anos, nos afetam”, diz ainda José Moreira.

GNR atenta a comportamentos de risco nas estradas na passagem de ano

A GNR está nas estradas, com a Operação Ano Novo, até dia 2 de janeiro, durante a qual procura intensificar o patrulhamento rodoviário nas vias de maior tráfego, de forma a garantir que as deslocações durante a época festiva decorrem em segurança, por todo o país.

Esperando-se sempre um aumento significativo do tráfego rodoviário, nesta altura do ano, segundo o comandante do Destacamento de Trânsito de Portalegre da GNR, capitão Diogo Vicente, com esta operação tenta-se, acima de tudo, “combater a sinistralidade rodoviária e regularizar o trânsito, apoiando os cidadãos na própria via”.

Durante estes dias, a Guarda está particularmente atenta aos comportamentos de risco nas estradas, como excesso de velocidade, manobras perigosas, utilização indevida do telemóvel, correta utilização do cinto de segurança e dos sistemas de retenção para crianças.

O capitão Diogo Vicente apresenta ainda alguns conselhos importantes às pessoas que, por estes dias, fazem longas viagens: “fazer um planeamento cuidado das viagens, evitando períodos de maior tráfego se possível; descansar antes de sair de viagem; parar de, pelo menos, duas em duas horas ou sempre que sintas necessidade; adequar a velocidade às condições meteorológicas, ao estado da estrada e ao trânsito; evitar manobras perigosas ou que possam resultar em embaraços no trânsito; e adotar uma condução atenta, cautelosa e defensiva”.

Campo de ténis e parque desportivo da Expectação vão sofrer obras em 2023

Com a chegada de 2023, a Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Expectação, em Campo Maior, vai querer avançar, desde logo, com duas obras.

Segundo o presidente da Junta de Freguesia, Hugo Milton, será neste novo ano que vai “tentar colocar em prática os detalhes delineados” no que diz respeito ao parque polidesportivo e ao campo de ténis da freguesia.

“Vamos mudar o pavimento do campo de ténis e remodelar todo aquele parque desportivo, onde as crianças têm muitas atrações e passam muitas tardes”, explica Hugo Milton.

Casa do Benfica de Campo Maior solidária com vítimas das cheias

Imagem: Joaquim Folgado/Campomaiornews

A Casa do Benfica de Campo Maior fez ontem, 30 de dezembro, a entrega de um primeiro voucher a uma das famílias afetadas pelas cheias do passado dia 13, que poderá ser trocado por eletrodomésticos no comércio local da vila.

As famílias a serem ajudadas, com esta iniciativa, que volta a colocar em destaque a vertente de responsabilidade social da Casa do Benfica de Campo Maior, foram identificadas pela Câmara Municipal.

Por esta altura do ano, a Casa do Benfica campomaiorense procura apoiar sempre os mais necessitados, seja uma pessoa, família ou instituição. Dez vez, e depois da catástrofe que assolou a vila, dirigentes e sócios da coletividade promoveram uma campanha de angariação de fundos para ajudar aqueles que mais sofreram com as inundações com equipamentos de primeira necessidade.

Novas regras para fumar em espaços fechados em 2023

A partir de amanhã, 1 de janeiro, só será permitido fumar em restaurantes, bares e discotecas que tenham uma área “igual ou superior a 100 metros quadrados e um pé direito mínimo de três metros”, segundo a portaria 152/2022, dos ministérios da Economia e Mar e da Saúde, publicada a 2 de junho.

Com esta portaria, que impõe requisitos muito mais exigentes de ventilação para as salas de fumo, com condições e custos elevados para os proprietários dos estabelecimentos, os espaços destinados a fumadores “podem ser constituídos até um máximo de 20% da área destinada aos clientes”.

Estas áreas específicas para os fumadores devem ser sinalizadas, sendo eu na porta deve constar informação sobre a lotação máxima. Para além disso, devem incluir dísticos, “em letra bem visível” com “proibida a entrada a menores de 18 anos” e “a qualidade do ar no interior pode prejudicar a saúde dos seus utilizadores”.

Miguel Tavares: início de 2023 será de recuperação dos danos causados pelas cheias

Perante a catástrofe que assolou este final de ano a vila de Campo Maior, o presidente da Junta de Freguesia de São João Baptista, Miguel Tavares, assegura que seria “injusto” a Junta não se focar, para já, e no início deste novo ano, naquilo que será a recuperação dos danos causados pelas cheias.

“Após esta catástrofe, tivemos a Assembleia da Junta de Freguesia, tudo no sentido de aprovação dos documentos previsionais do orçamento de 2023, e em ambas as bancadas dos partidos que têm assento política na assembleia imperou sempre a preocupação em como vamos poder ajudar, reconstruir, devolver a dignidade às pessoas e os seus bens”, garante Miguel Tavares. Apesar de sentir que a Junta de Freguesia fica um pouco “castrada”, mantêm-se todas as atividades previstas, mas o foco principal “vai ser a retoma desta situação”.

“Mais para a frente, talvez no segundo trimestre, haja forma de pensar em fazer outro tipo de atividades, mas agora, foi de tal forma devastador, que seria injusto, da nossa parte, focarmo-nos noutras coisas e não nesta questão mais essencial”, remata.