A Praça da República de Elvas recebe, entre 31 de julho e 9 de agosto, o 36.º Festival Internacional de Folclore de Elvas, numa celebração da música, da dança e das tradições populares de vários países.
O festival arranca na sexta-feira, 31 de julho, com as atuações do Rancho Folclórico “As Ceifeiras”, de Alter do Chão, e do conjunto folclórico “KTF Radha Sarisha”, da Indonésia. No sábado, 1 de agosto, sobem ao palco o Rancho Folclórico Flores de Serpins e o Ballet Folklórico do Instituto Tecnológico de Celaya e Conjunto Sonlince, do México.
A programação prossegue no domingo, 2 de agosto, com o Rancho Folclórico de Elvas e o Conjunto Folclórico Nacional “Etnos”, da Macedónia do Norte. O festival regressa a 7 de agosto, com o Rancho Folclórico de Fortios e o grupo “Hei Show Tahiti”, da Polinésia Francesa.
No sábado, 8 de agosto, atuam o Rancho Folclórico do Passal de São Pedro da Cova, de Gondomar, e o Señor Perú, com a representação das tradições peruanas. O encerramento acontece no domingo, 9 de agosto, com o Rancho Folclórico do Rabaçal, de Penela, e o Ballet Municipal de Folclore Rumicani, da Argentina.
Todos os espetáculos têm início marcado para as 21h30, na Praça da República, proporcionando ao público seis noites de intercâmbio cultural e de valorização do folclore nacional e internacional.
O Executivo Municipal de Portalegre, aprovou, na sua última reunião, a adjudicação da empreitada de requalificação do Parque de Campismo de Portalegre, equipamento turístico situado na Serra de São Mamede e que se encontra encerrado desde 2007.
Integrado no complexo hoteleiro da Quinta da Saúde, o parque alberga também o Centro Interpretativo do Parque Natural da Serra de São Mamede (PNSSM).
A intervenção representa um investimento de 2.184.178,26 euros e integra a estratégia de valorização da oferta turística do concelho.
Segundo a autarquia, a obra permitirá reforçar a atratividade de Portalegre enquanto destino turístico, contribuindo simultaneamente para a dinamização da economia local.
Com esta empreitada, o Município de Portalegre pretende requalificar um equipamento há muito aguardado pela comunidade, melhorando as condições de acolhimento de residentes, visitantes e turistas e reforçando a oferta turística do concelho.
A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) promove, esta segunda-feira, dia 27 de julho, no Convento de Nossa Senhora da Luz, em Arronches, a iniciativa “O Porco: Tradição, Sabor e Futuro”, organizada em parceria com a Câmara Municipal de Arronches e a Entidade Regional de Turismo do Alentejo. O encontro integra as comemorações do Dia Nacional da Gastronomia, que assinala o reconhecimento da gastronomia portuguesa como Bem Imaterial do Património Cultural de Portugal, distinção formalizada a 26 de julho de 2020.
A iniciativa pretende afirmar a gastronomia como um ativo cultural, económico e turístico de excelência, destacando o papel dos produtos, dos territórios e dos profissionais que preservam e reinventam a cozinha portuguesa. Nesta edição, o destaque recai sobre a carne de porco, um dos ingredientes mais emblemáticos da gastronomia nacional e particularmente relevante na tradição culinária alentejana.
A sessão de abertura, marcada para as 10h00, contará com a presença do secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, de Carlos Moura, presidente da direção da AHRESP, José Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, e João Crespo, presidente da Câmara Municipal de Arronches. A moderação estará a cargo do jornalista Edgardo Pacheco.
O programa inclui duas mesas-redondas dedicadas à valorização da fileira do porco. A primeira, “Do Montado à Mesa”, reunirá Gonçalo Moreira (Laborela), Henrique Sim Sim (CCDR Alentejo), Olga Cavaleiro (investigadora) e Ricardo Pereira (Beloteiros – Carnes e Enchidos do Fumeiro Alentejano). Já a segunda, “O Porco: Tradição, Sabor e Futuro”, contará com a participação dos chefs João Pires (Restaurante O Valentim), José Júlio Vintém (Restaurante Tombalobos), Michele Marques (Restaurante Mercearia da Gadenha), do investigador Virgílio Gomes e do chef Vítor Sobral.
A coordenação gastronómica do evento está a cargo do chef Vítor Sobral, uma das figuras mais influentes da cozinha portuguesa contemporânea. Além de participar no debate, será responsável pelo almoço temático servido aos participantes e pelo momento de desmancha tradicional do porco, seguido de uma degustação de petiscos, agendado para a tarde, proporcionando um contacto direto com técnicas, saberes e práticas profundamente enraizados na cultura gastronómica nacional.
Para a AHRESP, a valorização da gastronomia portuguesa constitui uma prioridade estratégica, pelo seu contributo para a afirmação da identidade nacional, para a dinamização das economias locais e para a sustentabilidade e competitividade das empresas dos setores da restauração e do alojamento turístico.
“A gastronomia portuguesa é um dos maiores ativos culturais e turísticos do país e um elemento diferenciador da nossa oferta. Valorizar os produtos, os produtores e os profissionais que mantêm viva esta herança é também contribuir para a sustentabilidade e competitividade dos setores que a AHRESP representa. Com esta iniciativa, queremos celebrar o passado, discutir os desafios do presente e projetar o futuro da nossa gastronomia”, afirma Carlos Moura.
A realização do evento conta com o apoio de diversas entidades e marcas. A Nestlé Professional, a Sogenave e a Sumol+Compal associam-se como sponsors oficiais, enquanto o Turismo do Algarve, o Turismo do Centro de Portugal, o Turismo do Porto e Norte de Portugal, a Mapfre Seguros e a Robalo participam como patrocinadores da iniciativa.
A Rua Francisco Xara é uma das cem artérias que integram a edição de 2026 das Festas do Povo, em Campo Maior. O terceiro troço desta rua é encabeçado, mais uma vez, por Fátima Vitorino, que herdou a função das vizinhas Maria Rosa e Maria José Loreta.
Para Fátima Vitorino, a Rua Francisco Xara, vai ser a mais bonita “porque é aquela que nós trabalhámos, é a dedicação de meses.”
Esta dedicação para transformar a rua num jardim obriga a certos sacrifícios, como “não estarmos no conforto da nossa casa, o não estarmos com a nossa família e as desavenças que também existem com a família”, explicou. A cabeça de rua confessou que teve que ouvir, em casa, frases como: “Porque já vais para as flores outra vez! É só flores, é só flores!”
Mas estas desavenças familiares são compensadas “pelo espírito que foi criado de tantos meses de trabalho, de tantos meses, às vezes de riso, outras vezes já de choro”, contou.
Apesar de pouco moradores contaram com o apoio de colegas e amigos
No troço que Fátima Vitorino lidera, são “cinco ou seis pessoas, depois temos pessoas por fora que se juntaram a nós: colegas de trabalho e amigos.” A cabeça de rua explicou que estão a trabalhar desde fevereiro e que convidaram “as pessoas para nos ajudarem, pedimos para nos cortarem papel, para colar, para forrar arames, porque fazer a flor não é a parte mais complicada, a parte mais complicada é toda a preparação que a flor tem.“
Para além das flores, a rua vai contar com “34 colunas, cada coluna tem 29 flores e, depois, temos as cordas dos lados, as cordas dos meios, temos para cima de 20 mil folhas, cada folha leva dois arames cortados e forrados, ou seja, pode-se imaginar a quantidade que é”, declarou.
A força que se consegue em certas fases da vida e o querer honrar a vila foi a inspiração para esta edição
A ideia surgiu “numa fase da vida em que nós precisamos às vezes de parar para pensar de onde é que vamos buscar forças para fazer certas e determinadas coisas”, explicou Fátima Vitorino, que acrescentou que é “também honrar um bocadinho a Vila de Campo Maior e aquilo que é nosso, que é tão nosso e tão de Campo Maior!”
A escolha foi unânime e pretende mostrar “um conjunto de tudo aquilo que é representativo de Campo Maior”, contou.
A cabeça de rua declarou que, depois de tantos meses de trabalho, a semana das festas “é para viver, é para cantar, é para bailar, é para desfrutar, é para comer, beber e receber amigos, receber amizades e pessoas que venham visitar-nos.”
A campomaiorense explicou que as flores de Campo Maior são especiais “porque é a arte de um povo, o voluntariado deste povo, porque flores de papel qualquer pessoa faz, basta irmos ,hoje em dia, à internet e qualquer pessoa faz flores de papel, mas este trabalho que é feito em Campo Maior, não se consegue fazer em lado nenhum do mundo!”
As crianças do Centro de Cooperação Familiar, antiga Obra de Santa Zita, viveram na quinta-feira, 23 de julho, uma experiência diferente ao vestirem a pele de médicos e enfermeiros, durante uma visita ao novo bloco operatório do Hospital de Santa Luzia, em Elvas.
A iniciativa permitiu aos mais novos conhecerem, de forma lúdica e pedagógica, o percurso de um doente numa cirurgia, desde o momento da anestesia até à chegada à sala de recobro. Ao longo da visita, as crianças tiveram ainda oportunidade de contactar de perto com os profissionais de saúde e experimentar alguns dos equipamentos utilizados no bloco operatório.
Uma oportunidade única para abrir as portas do bloco operatório
Segundo Tiago Bagorrilha, enfermeiro do Hospital de Santa Luzia e um dos responsáveis pela atividade, a requalificação do bloco operatório criou uma oportunidade única para abrir aquele espaço à comunidade antes do arranque da atividade cirúrgica.
“O projeto surge desta oportunidade educativa proporcionada pela requalificação do bloco operatório. Se não fosse este período entre o final das obras e o início da atividade cirúrgica, seria muito difícil proporcionar uma visita destas. Aproveitámos esta janela para promover a literacia em saúde junto das crianças, ajudando a reduzir o medo e a ansiedade que muitas vezes estão associados às cirurgias”, explica o profissional.
O enfermeiro destaca que um dos principais objetivos passou por desmistificar a imagem que, não só as crianças, mas também os adultos têm do bloco operatório. “Queríamos que percebessem o que é realmente um bloco operatório, um espaço que muitas vezes é visto com algum receio. Esta foi também uma oportunidade para mostrar à comunidade um pouco desta realidade”, assegura.
Ainda antes do início da visita, para a qual as crianças se equiparam com batas, toucas e máscaras cirúrgicas, Tiago Bagorrilha e outros elementos da equipa colocaram algumas questões aos mais novos. O mesmo aconteceu no final. “O objetivo foi perceber qual era a visão das crianças antes e depois da visita e verificar que houve uma evolução. A iniciativa foi muito positiva e poderá, no futuro, ser replicada, naturalmente adaptada às exigências da atividade clínica”, explica o enfermeiro.
Bloco operatório reabre na próxima semana
A visita aconteceu poucos dias antes da reabertura do bloco operatório, após quatro meses de obras de requalificação.
“Estes quatro meses foram exigentes para toda a equipa e também para a comunidade, mas eram obras indispensáveis. Vamos reabrir com melhores condições, mais qualidade e maior capacidade de resposta para a população de Elvas. As pessoas têm de compreender que esta paragem foi necessária para garantir a segurança dos doentes”, sublinha Tiago Bagorrilha.
Segundo o enfermeiro, o regresso da atividade cirúrgica está previsto para esta segunda-feira, 27 de julho, com cirurgias programadas e resposta aos casos urgentes.
Parceria entre educação e saúde
Também a diretora do Centro de Cooperação Familiar, Angélica Galvão, considera que a iniciativa representa uma mais-valia para as crianças e para a comunidade.
“É muito importante porque nos mostra que todos estamos a trabalhar para o futuro da sociedade. Nós, enquanto comunidade educativa, ajudamos vidas a crescer, e o hospital salva vidas. Esta parceria permite desmistificar conceitos e receios, ao mesmo tempo que as crianças percebem que a cidade está a evoluir”, garante.
Aprender fazendo
A responsável destaca ainda a curiosidade demonstrada pelos mais novos durante toda a visita. “Eles começam um bocadinho tímidos, mas rapidamente ganham interesse. Poder tocar nos equipamentos e experimentar é completamente diferente de aprender apenas na sala de aula.”
Num dos momentos mais divertidos da atividade, Angélica Galvão aceitou participar na simulação de uma cirurgia, assumindo o papel de “doente”. “Entrei na brincadeira com algum receio, mas senti um enorme acolhimento por parte da equipa de enfermagem e dos médicos. Acredito que este cuidado e esta atenção não acontecem apenas nestas iniciativas, mas fazem parte do trabalho diário destes profissionais. Temos muito a agradecer a quem dedica tantas horas a cuidar dos outros”, diz ainda.
Literacia em saúde para reduzir medos
A ação da Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo juntou profissionais de saúde e comunidade educativa numa manhã dedicada à promoção da literacia em saúde, procurando transformar um espaço habitualmente associado à ansiedade num local de aprendizagem, proximidade e confiança.
Durante a tarde, o novo bloco operatório esteve de “portas abertas” para os profissionais de saúde.
O Parque de Merendas do Polidesportivo da Expectação, em Campo Maior, continua a registar uma forte adesão da população, sobretudo durante os períodos de bom tempo. A garantia é dada pelo presidente da Junta de Freguesia da Expectação, Hugo Milton, que sublinha o crescimento deste espaço de lazer e o seu impacto na comunidade.
Segundo o autarca, a elevada procura pelo Parque de Merendas levou mesmo a Junta de Freguesia a manter livre uma área situada em frente aos campos de padel, permitindo uma melhor utilização do espaço pelos visitantes.
Hugo Milton explica ainda que que a utilização do Parque de Merendas não tem qualquer custo para os utentes. Em contrapartida, é apenas solicitado que cada grupo contribua com 12 produtos alimentares não perecíveis, como latas de salsichas ou de atum. Estes bens são posteriormente entregues à Loja Social, que os distribui pelas famílias mais carenciadas de Campo Maior.
O presidente apela também ao sentido de responsabilidade de todos os utilizadores, lamentando que, por vezes, o espaço não seja deixado nas mesmas condições em que é encontrado. “Aquilo está a ser usado por mim hoje e amanhã pode estar a ser usado por outro pessoa”, recorda, defendendo que o cuidado pelos espaços públicos deve ser uma preocupação coletiva.
Relativamente ao Polidesportivo da Expectação, Hugo Milton faz ainda um balanço positivo das atividades recentemente realizadas. Entre elas destaca um evento promovido pela Casa do Benfica de Campo Maior, deixando uma palavra de reconhecimento ao seu presidente, Miguel Minas, pelo trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos.
O autarca refere igualmente o apoio prestado pela Junta à realização de uma iniciativa de ginástica, considerando que estas atividades contribuem para a dinamização do espaço e da freguesia.
Por fim, Hugo Milton enaltece o trabalho desenvolvido pelos funcionários e colaboradores da junta, afetos ao Polidesportivo da Expectação, salientando que os utilizadores deixam regularmente avaliações muito positivas sobre a manutenção das instalações. “Têm feito um trabalho excelente”, afirma, deixando uma mensagem de agradecimento e reconhecimento pelo empenho de toda a equipa.
A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Portalegre passou a contar com duas novas viaturas, reforçando a capacidade operacional da corporação na prevenção e combate aos incêndios rurais e na resposta a situações de emergência.
A aquisição dos veículos resulta de um protocolo de colaboração celebrado em junho de 2025, entre a Associação Humanitária e o Município de Portalegre, através do qual a autarquia assegurou o apoio técnico à execução da candidatura e a componente privada do financiamento, no valor de 84.696,80 euros. O investimento foi realizado no âmbito de uma candidatura apoiada pelo programa Alentejo 2030, que financiou 484 800,00 euros, acrescidos de IVA.
O apoio municipal permitiu a aquisição de um Veículo Florestal de Combate a Incêndios (VFCI) e de um Veículo Tanque Tático Florestal (VTTF), equipamentos que reforçam a capacidade de intervenção da corporação no combate aos incêndios rurais e contribuem para proteção de pessoas, bens e património.
O Município de Portalegre destaca que tem mantido um apoio contínuo aos Bombeiros Voluntários de Portalegre, reconhecendo o papel da corporação na segurança e proteção da população do concelho.
O Alandroal prepara-se para receber, entre os dias 3 e 7 de setembro, o Festival da Juventude e as Festas em Honra de Nossa Senhora da Conceição, com um cartaz musical de destaque e entrada totalmente livre. A animação do palco principal arranca no dia 3 com Carolina de Deus, seguindo-se Nena no dia 4 e os The Gift no dia 5. Na noite de dia 6, a música fica a cargo de um projeto especial que junta a Filarmónica Extravagante Uxu Kalhus à Banda Filarmónica do Centro Cultural de Alandroal, prometendo atrair milhares de visitantes à região.
Para além das cerimónias religiosas e dos concertos, o evento contará com atividades culturais e desportivas, tauromaquia tradicional e tasquinhas com gastronomia local exploradas por associações do concelho. O Festival da Juventude é organizado pela Associação Jovem Alandroalense e financiado integralmente pelo Município, reforçando a importância destas festividades para a dinamização e promoção da economia local. O programa completo será divulgado em breve pela autarquia.
O ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, defendeu, na passada terça-feira, 21 de julho, a necessidade de acelerar a concretização de grandes investimentos públicos, apontando a Barragem do Pisão como um exemplo dos prejuízos económicos e territoriais causados pelos atrasos na execução de obras estruturantes.
As declarações foram feitas em Campo Maior, à margem da inauguração da rede de rega do Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora, uma infraestrutura aguardada pelos agricultores há cerca de 25 anos.
Para o governante, os atuais processos administrativos e judiciais associados à execução de grandes projetos são demasiado morosos, comprometendo o desenvolvimento dos territórios e aumentando significativamente os custos das obras.
“Temos que acelerar investimentos. É uma eternidade para ter uma declaração de impacte ambiental, é uma eternidade para se avançar com o concurso público. Nós temos que ser mais rápidos, no interesse do território, das pessoas e dos contribuintes”, afirmou.
Barragem do Pisão utilizada como exemplo dos custos da demora
José Manuel Fernandes considerou que a Barragem do Pisão ilustra bem os efeitos das sucessivas interrupções e atrasos no processo. Embora reconheça como legítimas as decisões dos tribunais e as posições assumidas pelas associações ambientalistas, sustentou que o prolongamento da obra terá custos elevados para o país.
“No final, quando fizermos as contas, vamos ver que a barragem foi feita, que teve um custo brutal, muito superior, e foi paga pelos portugueses, além do custo de oportunidade que se perdeu porque deixámos de a ter mais cedo, o que era extremamente importante para a população”, afirmou.
O ministro voltou ainda a criticar aqueles que, na sua perspetiva, se opõem à ocupação e valorização do território, referindo que o “impressiona muito quem preferia o deserto à ocupação do território”.
Agricultores, autarcas e empresários são “autênticos heróis”
Durante a intervenção, José Manuel Fernandes destacou igualmente o papel dos agricultores, autarcas e empresários, classificando-os como “autênticos heróis” pela capacidade de resistência perante os obstáculos burocráticos.
“Eu estou ministro da Agricultura porque existem agricultores. Todos aqueles que trabalham na área da agricultura só têm esse trabalho porque existem agricultores. Nós temos a missão de apoiar a agricultura, apoiar os agricultores e os contribuintes”, afirmou, acrescentando que a burocracia e os entraves administrativos representam “um prejuízo para Portugal e para os portugueses”.
Ministro identifica o Estado como um dos principais entraves
O governante identificou o próprio Estado como um dos principais fatores de bloqueio à concretização dos investimentos, embora reconheça que parte da legislação decorre de diretivas europeias que, segundo disse, estão atualmente em processo de revisão para simplificação.
Defendeu, por isso, uma mudança de cultura na Administração Pública, sustentando que os serviços devem procurar viabilizar os processos, desde que respeitem a legislação e o interesse público, em vez de privilegiar razões para os rejeitar.
Apelo à simplificação e à aceleração dos processos
“O que nós temos que fazer é ter legislação que concilie competitividade, sustentabilidade ambiental e coesão territorial e termos processos de decisão mais rápidos. Uma declaração de impacte ambiental não pode demorar cinco anos, uma decisão judicial não pode demorar 20. Os concursos públicos também demoram uma eternidade”, afirmou.
José Manuel Fernandes concluiu defendendo reformas que permitam acelerar os procedimentos administrativos e judiciais, garantindo simultaneamente o cumprimento da legislação e a salvaguarda do interesse público.
Também presente na abertura oficial da Feira Franca de Avis, o Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, Ricardo Pinheiro, destacou a importância de acompanhar de perto a dinamização do território e os desafios dos municípios alentejanos, “é absolutamente necessário que se faça este conhecimento e esta perceção daqueles que são os problemas e as realidades locais. Devemos estar nos grandes palcos, mas devemos estar também muito próximos das pessoas e daqueles que são os problemas das pessoas.”
Ricardo Pinheiro revelou ainda os próximos passos na gestão dos fundos comunitários na região, no âmbito do Alentejo 2030 e do PRR. “O programa regional do Alentejo vai ter de entregar a reprogramação até ao dia 14 de agosto à Agência de Desenvolvimento e Coesão. É preciso enfrentar os grandes desafios que temos pela frente: por um lado, o financiamento dos projetos no PRR; por outro, garantir a execução do pacote de fundos comunitários que o Alentejo tem para cumprir — até ao final do ano de 2026, executar os 100 milhões de euros.”
Interrogado sobre a melhoria dos eixos viários e das acessibilidades rodoviárias da região, designadamente a ligação entre a A6 (Estremoz) e a A23 (Abrantes), Ricardo Pinheiro apontou para a necessidade de reflexão política regional. “A dimensão de investimento em infraestruturas rodoviárias volta a ser um ponto importante que vale a pena ser repensado. A Comissão Europeia não tem considerado uma prioridade positiva as infraestruturas rodoviárias, mas vale a pena, no âmbito do Plano Regional de Ordenamento do Território (PROT Alentejo), que algumas destas obras estruturantes estejam claramente identificadas e sejam priorizadas como prioridade política da região.”