Qualidade e empregabilidade como “trunfos” da Universidade Politécnica de Portalegre na captação de alunos

A Universidade Politécnica de Portalegre (UPP) colocou 446 novos estudantes na primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES), registando um crescimento de 21,6% face ao ano letivo anterior. Com 643 vagas disponibilizadas, a instituição alcança uma taxa de colocação de 69,4%, o melhor resultado entre as universidades politécnicas localizadas no interior do país.

Para o reitor da UPP, Luís Loures, os resultados refletem um trabalho continuado de afirmação da instituição e conjugam vários fatores, entre os quais a alteração da designação para Universidade Politécnica de Portalegre (antes Instituto Politécnico de Portalegre) e as mudanças introduzidas no acesso ao Ensino Superior.

“Eu acho que é o resultado do trabalho continuado que temos vindo a fazer ao longo dos últimos anos”, afirma o reitor, que considera que a nova designação “acaba por ter impacto”, a par do aumento do número de estudantes em condições de concorrer ao Ensino Superior na sequência das alterações ao modelo de acesso.

Luís Loures sublinha, contudo, que o crescimento não pode ser dissociado do reconhecimento que a instituição tem vindo a conquistar. “Felizmente, o Politécnico tem vindo, ao longo dos últimos anos, a garantir, efetivamente, esse reconhecimento pela qualidade da formação que apresenta e também por aquilo que é, depois, a resposta do mercado, através da elevada empregabilidade que os nossos estudantes têm”, salienta.

Na opinião do reitor, a transformação institucional contribui também para reforçar a perceção da qualidade da UPP. “É um reconhecimento que vem associado ao mérito, à qualidade, à excelência”, afirma, defendendo que os estudantes passam agora a perceber “de uma forma mais direta e mais cabal” que a Universidade Politécnica de Portalegre pode competir com as restantes instituições nacionais “em termos de qualidade, de taxa de empregabilidade e qualidade da sua formação”.

Melhor resultado entre as instituições do interior

A taxa de colocação de 69,4% coloca a UPP no primeiro lugar entre as universidades politécnicas do interior nesta primeira fase. Luís Loures considera que os números confirmam uma trajetória de crescimento sustentado e de reforço da capacidade da instituição.

“Efetivamente é isso que os números mostram”, afirma o reitor, que defende que o desempenho é consequência de um investimento continuado no aumento da oferta formativa e da capacidade instalada, mas também nas condições proporcionadas aos estudantes. A UPP tem vindo a reforçar as residências universitárias, a oferta de cursos e a qualificação do corpo docente.

No ano letivo de 2026/2027, a instituição disponibilizará 760 camas em residências universitárias, com condições destinadas ao estudo, convívio e bem-estar. A Universidade criou ainda incentivos à excelência e à atração e fixação de talento, incluindo bolsas correspondentes ao valor da propina e apoios ao alojamento para estudantes colocados através do CNAES que tenham escolhido Portalegre como primeira opção e cumpram os critérios de mérito definidos.

Licenciatura em Desporto destaca-se em Elvas

Entre os resultados desta primeira fase, Luís Loures destaca ainda o desempenho da nova licenciatura em Desporto, lecionada na Escola Superior de Biociências de Elvas, que registou a melhor taxa de ocupação entre os cursos da escola.

A criação da formação resultou, segundo o reitor, de uma aposta orientada para as necessidades do território. “Nós fizemos essa aposta porque era uma necessidade da região e obviamente estão aí os resultados”, afirma.

Luís Loures considera que o desempenho da licenciatura confirma a estratégia da instituição de adequar a sua oferta às necessidades regionais. “Nós estamos aqui para responder àquilo que são as necessidades da região”, sublinha, apontando a alteração da designação da escola e a possibilidade de criação de nova oferta formativa como parte do caminho que a Universidade pretende continuar a percorrer.

199 vagas ainda disponíveis na segunda fase

Depois da primeira fase do CNAES, permanecem 199 vagas disponíveis para a segunda fase, distribuídas por diferentes áreas de formação das quatro escolas da Universidade. A estas colocações vão juntar-se os estudantes admitidos através de concursos especiais e do concurso para estudantes internacionais, bem como os novos estudantes de CTeSP, pós-graduações, mestrados e doutoramentos, cujos processos de ingresso ainda decorrem.

O reitor mostra-se confiante quanto à evolução da procura. “Mesmo que nós não tivéssemos nenhum candidato nas fases seguintes, o que não vai acontecer seguramente, nós já temos a quase totalidade das vagas preenchidas através dos outros regimes”, afirma.

Luís Loures explica que, em alguns cursos, a existência de vagas na segunda fase resulta sobretudo das regras de acesso, uma vez que “a maior parte” da oferta formativa da UPP “está com taxas de ocupação já de 100%”.

O responsável destaca ainda a procura registada através de outros regimes de acesso: “Eu posso dizer que há regimes onde nós já temos mais de 300 alunos à espera de ter uma vaga.”

A avaliação da capacidade de atração da instituição deve, por isso, ser feita considerando o conjunto dos diferentes mecanismos de ingresso e não apenas os resultados da primeira fase do concurso nacional. “O que interessa verdadeiramente às instituições são a sua taxa de ocupação de vagas passadas todas as fases de candidatura”, sublinha.

UPP prevê mais de mil novos estudantes pelo sétimo ano consecutivo

No conjunto dos diferentes regimes de acesso, a Universidade Politécnica de Portalegre deverá integrar mais de mil novos estudantes pelo sétimo ano consecutivo. Luís Loures estima que o número possa atingir entre 1.200 e 1.300 novos alunos no novo ano letivo.

“É efetivamente um fator muito positivo para a região”, considera o reitor, salientando que uma parte significativa dos estudantes é proveniente de fora do território.

“Mais uma vez aqui a Universidade Politécnica demonstra a sua capacidade de atrair jovens para a região e isso é algo que nos interessa a nós, mas que deve ser devidamente valorizado pelo ecossistema”, defende.

Os resultados da primeira fase do CNAES surgem assim num momento de mudança institucional para a UPP, que inicia esta nova etapa com um crescimento expressivo da procura e da colocação de estudantes. Para a instituição, os números reforçam a capacidade do ensino superior público no interior para atrair estudantes e talento, gerar conhecimento e contribuir para a coesão e o desenvolvimento do país.

Padre Ricardo Lameira: as razões para o fim da procissão de regresso dos Pendões à Sé de Elvas no São Mateus

As festas em honra do Senhor Jesus da Piedade e a tradicional Romaria de São Mateus encerram este ano com uma alteração à tradição: não haverá a habitual procissão de regresso dos pendões à antiga Sé de Elvas.

A decisão é explicada pelo reitor do Santuário do Senhor Jesus da Piedade, padre Ricardo Lameira, que considera necessário recuperar o sentido histórico desta manifestação religiosa. “O pendão não estava no Santuário o ano inteiro. O pendão só vinha para a festa. E no final, a Confraria é que o ia buscar à Câmara e ia levá-lo à Câmara. Isto é que é o sentido da procissão dos pendões”, explica.

“Se o pendão fica no Santuário, não tem sentido irmos levá-lo para depois o trazermos”, diz o sacerdote. Em alternativa, defende o regresso a uma tradição anterior, com três voltas à igreja no final da procissão, seguindo-se a celebração da Eucaristia de Ação de Graças.

A alteração surge também num contexto de reflexão sobre a própria organização das festas. Ricardo Lameira admite que existem aspetos discutíveis, mas considera que é necessário distinguir aquilo que é tradição da simples repetição de hábitos.

“Hoje é muito difícil fechar-se uma festa às cinco da tarde”, afirma, lembrando o impacto do encerramento antecipado do evento para os feirantes. O pároco questiona ainda o sentido de se realizar uma procissão de forma apressada e com um número muito reduzido de fiéis: “Era a confraria, a banda filarmónica, o padre… e, diria eu, que íamos todos porque éramos obrigados. E a correr. Isto tem algum sentido?”.

Para Ricardo Lameira, as tradições devem ser preservadas pelo seu significado. “Os hábitos e as tradições não se perdem quando nós não as deixarmos perder”, afirma, acrescentando que “as tradições só têm sentido se assentarem na tradição maior”.

O reitor do Santuário garante que a decisão não foi tomada de forma repentina. Diz ter ouvido várias pessoas ao longo dos sete anos em que está à frente do Santuário e que a decisão foi tomada “em consciência”, depois de um processo de escuta e reflexão.

O padre Ricardo Lameira apela ainda a uma reflexão conjunta sobre a organização das festas e dá como exemplo a alteração do nome do Parque da Fé para Parque da Solidariedade. Segundo explica, a mudança pretende valorizar o caráter solidário daquele espaço e evitar que lugares destinados aos comerciantes sejam ocupados pela própria Confraria.

“Tem sido necessário batalhar muito e cortar muitos hábitos”, afirma o sacerdote, defendendo que é possível avançar com mudanças sem perder a identidade das festas.

Ricardo Lameira deixa, por fim, um apelo ao diálogo e à preparação atempada das mudanças: “Se nós disséssemos as coisas com tempo, não haveria problemas porque íamos percebendo.” E, perante as alterações em curso, deixa uma mensagem de união: “Vamos para a frente de mãos dadas.”

Desta vez, as festas em honra do Senhor Jesus da Piedade e a romaria de São Mateus arrancam a 18 de setembro e terminam no dia 27. A organização das festas e da feira está a cargo da Confraria do Senhor Jesus da Piedade, com a Câmara Municipal de Elvas a promover a Expo São Mateus, com diversos espetáculos e uma mostra de atividades económicas, além de áreas destinadas à gastronomia, venda de produtos regionais e instituições.

Depois das Festas do Povo, Ensemble Milhões regressa aos palcos em Elvas

Foto: Ensemble Milhões (Instagram)

Depois de uma atuação especial nas Festas do Povo de Campo Maior, a 8 de agosto, o grupo Ensemble Milhões volta a subir ao palco, já no próximo sábado, para atuar nas Festas da Boa-Fé, em Elvas.

Com origem em Campo Maior, o projeto reúne atualmente quatro músicos: os campomaiorenses João Batuca e João Alcaravela e os elvenses Diogo Rêgo e Afonso Abrantes. O grupo poderá, contudo, vir a crescer no futuro com a integração do baterista João Carriço, que participou no espetáculo das Festas do Povo e que voltará a juntar-se à banda nas Festas da Boa-Fé.

João Batuca destaca a experiência positiva de trabalhar com o músico e admite a possibilidade de uma integração definitiva. “Nós gostámos muito de trabalhar com o João. O João teve uma participação, no nosso entender, muito positiva”, afirma, acrescentando que o baterista “também irá participar” no concerto de Elvas.

Para João Batuca, João Carriço “é um excelente músico” e um “baterista extraordinário”, cuja participação em Campo Maior fez “a diferença”.

O Ensemble Milhões dedica-se à reinvenção de temas conhecidos, com particular enfoque no repertório tradicional português, cruzando sonoridades clássicas com novas interpretações.

João Alcaravela recorda que o projeto nasceu de forma espontânea, a partir de um convite de João Batuca para juntar alguns amigos e experimentar novas sonoridades. “Começámos a fazer umas brincadeiras com o Cante Alentejano, gravámos umas coisas” e, a partir daí, foram surgindo propostas e oportunidades para atuar. “Vimos que isto resultava e que isto era um projeto que devia seguir para a frente”, recorda.

Agora, o objetivo passa por consolidar o projeto e continuar a crescer, mas sem precipitar etapas. João Batuca sublinha que a banda prefere avançar de forma segura e consistente, mantendo a identidade que considera estar na base do Ensemble Milhões. “Gostamos mais de dar um passo com segurança, mesmo que seja um passo de bebé, do que um passo de elefante mal dado”, explica.

A consistência e a segurança do projeto são, por isso, prioridades para o grupo, que pretende continuar a evoluir sem perder a dinâmica de amizade que une os quatro elementos. “Talvez o que mais o caracteriza, mais do que qualquer outro tipo de repertório que nós possamos cantar, é a amizade que temos todos uns com os outros”, afirma João Batuca.

Depois da passagem pelas Festas do Povo, o Ensemble Milhões prepara-se para levar a sua sonoridade até Elvas, num concerto integrado nas Festas da Boa-Fé, dando continuidade a um projeto musical que procura cruzar tradição, criatividade e novas abordagens à música portuguesa.

CCDR Alentejo assegura apoio a famílias afetadas pelas cheias em Alcácer do Sal

O Presidente da CCDR Alentejo, I.P., Ricardo Pinheiro, participou, em Alcácer do Sal, na assinatura do contrato interadministrativo que assegura um apoio até 900 mil euros destinado ao realojamento provisório de 17 agregados familiares da Herdade da Barrosinha, afetados pelas cheias registadas no início de 2026.

O contrato, celebrado entre a CCDR Alentejo, IP e o Município de Alcácer do Sal, permitirá financiar a aquisição dos módulos habitacionais provisórios, bem como as respetivas ligações às redes de abastecimento de água e saneamento, garantindo condições de alojamento às famílias enquanto decorre a recuperação das suas habitações.

Na sua intervenção, Ricardo Pinheiro sublinhou a importância da resposta institucional desenvolvida desde os primeiros momentos após o fenómeno climático extremo que afetou o concelho, destacando o papel da cooperação entre a Administração Central, a CCDR Alentejo, IP e o poder local.

“Respondermos e adaptarmos o território às alterações climáticas é hoje um desafio fundamental. O que aconteceu entre janeiro e fevereiro de 2026 exigiu uma enorme capacidade de resiliência e uma resposta célere das instituições”, afirmou.

O Presidente da CCDR Alentejo destacou ainda que o processo de recuperação permitiu comprovar a eficácia do novo modelo de governação territorial das CCDR, evidenciando o trabalho desenvolvido em conjunto com os municípios e com o Governo.

“Este foi um exercício onde o novo modelo funcionou bem. Houve uma forte articulação entre a CCDR, o Município, os membros do Governo e as equipas técnicas, permitindo encontrar soluções para responder às necessidades das populações”, referiu.

Ricardo Pinheiro recordou igualmente que, na sequência das intempéries, foram aprovados mais de 90 processos de apoio a habitações particulares, correspondendo a mais de 700 mil euros de investimento, e reiterou o compromisso da CCDR em continuar a acompanhar os municípios da região.

“Vamos continuar a manter uma enorme proximidade com as autarquias e com todos aqueles que têm responsabilidades na governação do território do Alentejo, garantindo que as respostas chegam às populações e contribuem para territórios mais resilientes.”

A Presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, considerou a assinatura do contrato um momento determinante para o concelho, permitindo resolver uma questão pendente desde as cheias.

“Finalmente temos o contrato interadministrativo assinado. Foi uma solução fundamental para garantir alojamento às 17 famílias desalojadas da Barrosinha e representa um passo muito importante na recuperação do concelho.”

A autarca agradeceu o acompanhamento permanente da CCDR Alentejo, do Governo e das equipas técnicas envolvidas, sublinhando que o Município continuará a trabalhar na recuperação dos equipamentos e infraestruturas afetados pelas inundações.

Presente na cerimónia, o Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, destacou a capacidade de resposta das instituições perante um dos mais severos fenómenos climáticos registados no país.

O governante salientou que já foram mobilizados mais de 20 milhões de euros em apoios para Alcácer do Sal, abrangendo famílias, empresas e infraestruturas públicas, e reforçou a necessidade de preparar os territórios para os desafios colocados pelas alterações climáticas, promovendo soluções que reforcem a sua resiliência futura.

A cerimónia decorreu na Biblioteca Municipal de Alcácer do Sal, também afetada pelas cheias, simbolizando o caminho de recuperação que continua em curso no concelho, com o apoio articulado da Administração Central, da CCDR Alentejo e do Município.

Com a assinatura deste contrato, a CCDR Alentejo reforça o seu compromisso com a coesão territorial, a proteção das populações e a construção de territórios mais preparados para enfrentar os desafios colocados pelas alterações climáticas.

Estremoz prepara Festas da Exaltação da Santa Cruz com três dias de tradição e animação

Estremoz prepara-se para receber, entre os dias 4 e 6 de setembro, mais uma edição das Festas da Cidade e da Exaltação da Santa Cruz, um dos momentos mais aguardados do calendário festivo do concelho. O Rossio Marquês de Pombal volta a ser o palco de três dias de tradição, música, convívio e animação, com entrada livre.

Organizadas pela Câmara Municipal de Estremoz e pela Paróquia de Santo André, as festividades prometem reunir estremocenses e visitantes num programa que alia as tradicionais cerimónias religiosas a momentos de entretenimento para todas as idades.

Entre os principais destaques musicais estão os concertos de Os Vouguinhas, no dia 4 de setembro, José Cid, no dia 5, e ÁTOA, no dia 6. O programa inclui ainda animação de rua, quermesse, divertimentos para crianças e o tradicional espetáculo de fogo de artifício.

A vice-presidente da Câmara Municipal de Estremoz, Sónia Caldeira, sublinha o caráter comunitário das festividades, destacando a importância de proporcionar aos estremocenses um momento de encontro e confraternização. “É uma organização conjunta entre o município de Estremoz e a Paróquia de Santo André e contamos que seja mais um momento em que os estremocenses têm motivos para se juntarem, para confraternizarem e para juntos celebrarem as nossas festas da cidade, já tão tradicionais”, afirma.

Sónia Caldeira destaca também a presença das cerimónias religiosas, organizadas pela Paróquia de Santo André, e a chegada do novo pároco, o padre Ricardo Cardoso, que assumirá funções nas paróquias de Estremoz no início de dezembro.

Para além da componente religiosa e dos espetáculos, o recinto do Rossio volta a acolher alguns dos elementos mais tradicionais destas celebrações. “As pessoas podem ir ao recinto das festas, que é no nosso Rossio, um espaço muito amplo, em que está toda a gente”, refere a autarca, destacando a oferta gastronómica, com frangos assados, pão com chouriço e bifanas, bem como a quermesse e as tradicionais barraquinhas de bolos e rifas.

Os mais novos terão também à disposição diversos divertimentos, reforçando o caráter familiar das festas.

Com entrada livre e um programa que combina tradição, religião, música e convívio, Estremoz volta assim a celebrar a sua identidade e as suas tradições no coração da cidade, convidando a população e os visitantes a participar em mais uma edição das Festas da Exaltação da Santa Cruz.

Despista-se e destrói poste de eletricidade em Campo Maior

Um homem de 37 anos despistou-se esta manhã, pelas 09h15, na Estrada da Figueira, em Campo Maior, tendo embatido contra um poste de eletricidade.

Segundo informação apurada, o condutor foi submetido ao teste de alcoolemia, tendo alegadamente acusado uma taxa de 2,70 g/l de álcool no sangue. As circunstâncias do acidente estão a ser apuradas.

Festival do Crato arranca com dia extra gratuito e aposta num cartaz para todos os públicos

A edição deste ano do Festival do Crato arranca esta terça-feira, 25 de agosto, com um dia extra de entrada gratuita, dando início a cinco dias de música, animação e tradição que se prolongam até sábado, dia 29.

O cartaz reúne nomes como Calum Scott, Sara Correia, Calema, Delfins, Bispo, Slow J e Veigh, numa programação pensada para chegar a diferentes públicos. A par dos concertos, o evento mantém o espaço de campismo e decorre em simultâneo com a tradicional Feira de Artesanato, que este ano assinala a sua 40.ª edição.

O presidente da Câmara Municipal do Crato, Joaquim Diogo, admite que as expectativas são elevadas, mas sublinha que o principal objetivo é proporcionar bons momentos a quem visita o concelho. “A expectativa é muito alta sempre, mas acima de tudo aquilo que esperamos todos é que as pessoas venham ao Crato para se divertir, para passar momentos bons”, afirma.

O autarca destaca ainda a importância do festival enquanto afirmação de um território do interior, considerando que o evento demonstra a capacidade de uma pequena comunidade para organizar uma iniciativa de grande dimensão.

A Feira de Artesanato terá também um papel de destaque nesta edição, com artesanato ao vivo, uma zona de showcooking e um palco dedicado à tradição musical, além de “algumas surpresas” destinadas a assinalar quatro décadas de história.

Cartaz aposta na diversidade

Joaquim Diogo salienta também a aposta num cartaz que considera “muito equilibrado” e “muito forte”, destacando artistas como Calum Scott, Calema, Slow J e Veigh.

Uma das novidades desta edição é a Digital Box, espaço dedicado ao universo digital e às novas gerações, que terá como protagonistas “Os Primos”, dupla conhecida pela presença no YouTube e noutras plataformas digitais.

A programação procura, assim, cruzar diferentes estilos musicais e públicos, mantendo a tradição de um festival que se tornou uma das principais referências culturais e musicais do Alto Alentejo.

Mais de 30 mil passageiros transportados na última edição

A mobilidade e a segurança são também prioridades para a organização. Segundo Joaquim Diogo, na edição anterior, quase metade dos festivaleiros optou por deixar o automóvel em casa.

O município mantém acordos com a Rede Expressos e a CP, que permitem aos portadores de bilhete para o Festival do Crato beneficiar de descontos nas viagens. A estes meios junta-se a rede de transportes do Alto Alentejo, com mais de nove circuitos a assegurar ligações a grande parte do território.

O presidente da Câmara revela que, perante um volume de vendas situado entre os 65 mil e os 70 mil bilhetes na edição anterior, a Rodoviária do Alentejo transportou mais de 30 mil passageiros durante os quatro dias do festival.

Para Joaquim Diogo, os números mostram uma mudança de hábitos por parte dos festivaleiros, tanto por razões ambientais como de segurança.

“É esse apelo que quero deixar”, afirma o autarca, incentivando o público a privilegiar os transportes públicos nas deslocações para o festival.

Segurança reforçada

A organização preparou igualmente um dispositivo de segurança que envolve a Guarda Nacional Republicana, segurança privada, paramédicos e bombeiros.

Joaquim Diogo espera que o dispositivo esteja, uma vez mais, à altura da dimensão do evento, garantindo as condições necessárias para que o público possa aproveitar o festival em segurança.

“Que as pessoas venham ao Crato para ser felizes, que é isso que nós queremos”, remata o autarca.

Com música, artesanato, gastronomia, campismo e uma programação diversificada, o Festival do Crato decorre até sábado, numa edição que assinala também os 40 anos da Feira de Artesanato e reforça a aposta do município na afirmação do concelho enquanto destino cultural e de entretenimento.

PROGRAMAÇÃO

25 de agosto | Entrada gratuita
21h30 — A Batalha do K-Pop
22h50 — Elyas
23h40 — Gipsy King by Diego Baliardo
01h30 — Pears

26 de agosto
21h30 — Bispo
23h05 — Dub Inc
00h45 — Slow J
02h25 — Zanova

27 de agosto
21h30 — Soraia Ramos
23h05 — Papillon
00h45 — Veigh
02h25 — Breyth

28 de agosto
21h30 — Sara Correia
23h05 — Delfins
00h45 — Calema
02h25 — Kura
03h55 — Ana Isabel Arroja

29 de agosto
21h30 — Buba Espinho
23h05 — Calum Scott
01h00 — Karetus
02h50 — Projeto Remember Old Times

Condutor embriagado abalroa peões e militares da GNR na Rua da Oura em Albufeira

Um homem de 35 anos foi detido esta madrugada, 25 de agosto, na Rua Francisco Sá Carneiro (zona da Oura), em Albufeira, após atropelar várias pessoas durante uma tentativa de fuga à autoridade. Pelas 03h00, o suspeito desobedeceu à ordem de paragem da Guarda Nacional Republicana (GNR), inverteu a marcha e avançou deliberadamente contra os peões e o dispositivo policial presente no local. A viatura só imobilizou após embater noutro veículo, tendo o indivíduo tentado fugir a pé antes de ser intercetado pelo Grupo de Intervenção de Ordem Pública.

Do atropelamento resultaram 12 feridos — um grave e 11 ligeiros —, entre os quais dois militares da GNR, tendo todos recebido assistência médica imediata. Submetido ao teste de alcoolemia, o condutor acusou uma Taxa de Álcool no Sangue (TAS) de 1,29 g/l, além de ter sido sujeito a exames toxicológicos. O detido vai responder pelos crimes de ofensa à integridade física qualificada, condução sob efeito de álcool e condução perigosa, estando o caso entregue ao Tribunal Judicial competente para a aplicação das medidas de coação.

Da saúde à justiça: Elvas recebe primeiro Simpósio Internacional de Enfermagem Forense   

O Núcleo de Urgência de Elvas, com o apoio da Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo, promove, no dia 6 de novembro, o I Simpósio Internacional de Enfermagem Forense, no auditório da Escola Superior de Biociências de Elvas.

A iniciativa reúne especialistas nacionais e internacionais, profissionais de saúde, investigadores, docentes e estudantes para debater os desafios atuais da Enfermagem Forense e o papel cada vez mais relevante desta área na articulação entre a saúde, a justiça e a proteção das vítimas.

Segundo a enfermeira Ana Sofia Alves, membro da comissão científica do simpósio, a Enfermagem Forense assume uma função essencial no acompanhamento das vítimas de crime, trauma e abuso, conjugando a prestação de cuidados de saúde com procedimentos de natureza forense.

“A enfermagem forense trata-se de uma especialidade que une os cuidados de saúde às ciências forenses e ao sistema judicial, tornando as coisas muito mais fáceis para a vítima”, explica.

A profissional destaca ainda o papel do enfermeiro forense na recolha e preservação de vestígios, bem como na documentação rigorosa das lesões, através de registos e documentação fotográfica, elementos que podem vir a assumir relevância em contexto judicial.

O simpósio pretende, assim, contribuir para uma maior divulgação desta área junto da população e dos profissionais, promovendo a partilha de conhecimentos e experiências entre diferentes áreas de intervenção.

A adesão à iniciativa tem superado as expectativas da organização. De acordo com Ana Sofia Alves, as inscrições presenciais encontravam-se já esgotadas antes do final de julho, tendo sido posteriormente alargada a possibilidade de participação online, que continua a registar uma forte procura.

Ao longo do encontro serão realizadas conferências, mesas-redondas e momentos de discussão científica, com a abordagem de temáticas atuais e emergentes relacionadas com a Enfermagem Forense e a sua crescente importância nos sistemas de saúde contemporâneos.

A organização espera ainda que a participação de especialistas internacionais permita aprofundar o debate sobre as ciências forenses e os desafios de uma área em expansão e desenvolvimento, reforçando a necessidade de uma intervenção articulada entre profissionais de diferentes setores.

As inscrições para participação online estão disponíveis através do site oficial do I Simpósio Internacional de Enfermagem Forense.

Fernando Fitas: “Ainda que tente evitar, o Alentejo está sempre presente naquilo que escrevo”

Campomaiorense de nascimento, jornalista de profissão e poeta por paixão, Fernando Fitas mantém uma ligação profunda a Campo Maior, apesar de viver há mais de seis décadas na margem sul do Tejo.

Do jornalismo à poesia

Fernando Fitas, nascido há 69 anos em Campo Maior, iniciou o percurso profissional no jornalismo, em 1975, tendo passado por diferentes órgãos de comunicação social, pela imprensa regional e pelas rádios locais. Esteve também ligado à fundação do jornal 24 Horas e dirigiu um quinzenário da Península de Setúbal.

Depois de cerca de cinco décadas de profissão, afastou-se do jornalismo, encontrando na poesia uma nova forma de expressão. “A poesia é diferente. Não é tão limitativa, antes pelo contrário. Permite-nos uma capacidade criadora que o jornalismo, em alguns aspetos, não permite”, explica.

26 obras

A sua produção literária conta já com 26 obras, 18 das quais de poesia, e uma dúzia de prémios conquistados em concursos literários. Fitas faz questão de participar apenas em concursos em que as obras são avaliadas sob pseudónimo, defendendo que “é para não haver possibilidades de nenhum tipo de compadrio”.

Na sua poesia estão frequentemente presentes questões sociais e, inevitavelmente, o Alentejo. “O Alentejo, ainda que eu tente evitar, acaba por estar sempre presente naquilo que escrevo”, afirma, considerando-o uma espécie de “segunda pele”.

O poeta encontra, aliás, uma imagem particular para explicar a passagem do jornalismo para a poesia: “Há duas palavras na língua portuguesa que foneticamente têm alguma semelhança e que, neste caso, se aplicam inteiramente, que é poesia e pousio.” Para Fitas, a poesia tornou-se o “pousio da linguagem jornalística”.

Campo Maior presente na obra de Fernando Fitas

Embora apenas uma das suas obras de prosa seja diretamente centrada em Campo Maior — “Cantos de Baixo”, título inspirado num dos largos emblemáticos da vila —, o escritor considera que a terra natal está presente em praticamente tudo o que escreve.

Por isso, quando questionado sobre a possibilidade de dedicar uma obra às Festas do Povo, prefere não aceitar o desafio de forma imediata. “Campo Maior, ainda que eu não refira expressamente o nome de Campo Maior, está em praticamente todos os meus livros”, explica, considerando que limitar essa presença apenas às festas poderia ser “um pouco redutor”.

A ligação, contudo, permanece evidente. Dias antes de regressar à vila, por ocasião das Festas do Povo, Fitas escreveu um texto que, embora sem mencionar Campo Maior, termina com uma referência às “mãos que tecem flores e tecem claridades”. “Está dito, é Campo Maior, só pode ser”, comenta ainda.

Aos 69 anos, Fernando Fitas continua a escrever diariamente e prepara novas obras.