Orçamento Participativo: “Elvas com Patas” quer melhorar o bem-estar animal e a saúde pública na cidade

“Elvas com Patas”, da autoria de Luísa Raimundo, professora da Escola Superior de Biociências de Elvas, é um dos 14 projetos submetidos à votação na edição deste ano do Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Elvas. A proposta pode ser votada até 2 de outubro e tem um orçamento previsto de dez mil euros.

A iniciativa pretende conjugar bem-estar animal, saúde animal e saúde pública, tendo como ponto de partida um problema identificado ao longo de vários anos pela comunidade académica: a presença de formas parasitárias potencialmente zoonóticas nas fezes de animais deixadas nas ruas da cidade.

“Anualmente nós recolhemos fezes dos animais nas ruas de Elvas e temos a noção de que muitas ruas estão contaminadas”, explica Luísa Raimundo. Segundo a docente, algumas destas formas parasitárias podem transmitir-se aos seres humanos, representando um risco particularmente relevante para crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas.

Fosso e Jardim das Laranjeiras como projeto-piloto

O Fosso e o Jardim das Laranjeiras são as áreas escolhidas para a implementação inicial do projeto. De acordo com Luísa Raimundo, estes espaços são frequentemente utilizados pelos tutores para passear os seus cães, concentrando uma quantidade significativa de dejetos animais.

A proposta passa pela criação de um parque para cães, permitindo que os animais possam circular e brincar em segurança, afastados do trânsito automóvel. A medida pretende também reduzir situações de risco já observadas na zona, incluindo atropelamentos de animais.

O espaço deverá ainda funcionar como ponto de informação e sensibilização dos tutores, nomeadamente para a importância da recolha dos dejetos e da desparasitação dos animais.

A professora destaca também a necessidade de reforçar a informação relativa à leishmaniose, uma doença para a qual a região apresenta condições endémicas e cuja prevenção passa, entre outras medidas, pela vacinação e proteção adequada dos animais.

Projeto prevê intervenção junto de colónias de gatos

A segunda vertente do projeto “Elvas Com Patas” está relacionada com os gatos que vivem em colónias, sobretudo nas imediações da Escola Superior de Biociências de Elvas.

A proposta prevê a criação de abrigos e estruturas de apoio, bem como a monitorização da colónia, procurando envolver voluntários e alunos da escola na alimentação e acompanhamento dos animais.

“Temos muitos alunos que estão muito sensibilizados”, asseguta Luísa Raimundo, salientando que os estudantes já desenvolvem iniciativas relacionadas com a saúde animal e procuram ajudar animais feridos encontrados nas proximidades da escola.

A intenção não é aumentar a população de gatos, mas monitorizar e controlar a colónia, em articulação com a Câmara Municipal e outras entidades.

Sensibilização como uma das principais apostas

Além das infraestruturas, o projeto aposta na formação e sensibilização. Os alunos da escola já desenvolvem, por exemplo, ações de sensibilização junto dos proprietários de animais durante o chamado “mês da desparasitação”.

Luísa Raimundo considera, contudo, que é possível tornar esse trabalho mais eficaz através de uma intervenção permanente no espaço.

A docente revela ainda que, ao longo dos anos, tem sido registada uma diminuição da percentagem de amostras contaminadas, sobretudo no Fosso e no Jardim das Laranjeiras, facto que associa também ao trabalho desenvolvido junto dos tutores.

Dez mil euros para arrancar

O projeto apresenta um orçamento de dez mil euros, verba que Luísa Raimundo considera suficiente para iniciar a iniciativa enquanto projeto-piloto, embora reconheça que poderá ser insuficiente para concretizar todas as infraestruturas idealizadas.

A proposta passa, por isso, por procurar apoios complementares junto do município, juntas de freguesia, empresas e outras entidades. A autora admite que alguns parceiros ligados à indústria farmacêutica e à alimentação animal poderão apoiar as ações de formação e sensibilização.

O objetivo é que, depois de testado no Fosso e avaliados os resultados, o projeto possa vir a ser implementado noutros locais. “Eu gostava muito que depois, se funcionasse e que tivéssemos resultados, de replicar, não só para diferentes pontos da cidade de Elvas, mas também para as freguesias”, explica.

Sem o financiamento do Orçamento Participativo, porém, a concretização do projeto ficará bastante condicionada. “Sem estes dez mil euros para avançar”, reconhece a responsável, “vai ser difícil”.

A autora aponta algumas dificuldades sentidas durante o processo de candidatura, nomeadamente relacionadas com a plataforma de votação e com a necessidade de os participantes terem residência oficial em Elvas, situação que impede a participação de estudantes da ESBE que vivem noutros concelhos.

Com “Elvas com Patas”, Luísa Raimundo pretende transformar uma preocupação identificada através do trabalho académico numa intervenção concreta no território, procurando que a proteção dos animais contribua também para uma cidade mais segura e saudável para a população.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

Pequenos pacotes, grandes coleções: Campo Maior recebe o PORTSUGAR 2026

Campo Maior vai acolher, este fim de semana, dias 12 e 13 de setembro, o PORTSUGAR® 2026, o conceituado Encontro Internacional de Colecionadores de Pacotes de Açúcar.

Organizado pelo Clube Português de Coleccionadores de Pacotes de Açúcar (CLUPAC), o evento marca o ponto alto das comemorações do 25.º aniversário do clube, transformando Campo Maior na capital do colecionismo ibérico.

O quartel-general da iniciativa ficará sediado no Pavilhão Rui Nabeiro, espaço que abrirá as portas oficialmente no sábado, dia 12, às 10h30, dando início à maratona de trocas, partilha e exposição de séries raras entre centenas de entusiastas vindos de vários pontos de Portugal e da Europa.

O programa oficial arrancará esta sexta-feira, dia 11 de setembro, proporcionando aos participantes inscritos visitas exclusivas às instalações fabris da Delta Cafés, ao Centro de Ciência do Café e à Adega Mayor.

O evento conta com uma forte componente social, incluindo um jantar comemorativo dos 25 anos do CLUPAC. Historicamente apoiado por marcas de referência e parceiros locais, este encontro serve também para dinamizar a economia, a hotelaria e o turismo da região através da fixação de colecionadores nacionais e estrangeiros durante todo o fim de semana.

PS Portalegre identifica prioridades para o Alto Alentejo e quer investimento a acontecer no terreno

A Federação Distrital de Portalegre do Partido Socialista definiu um conjunto de investimentos que considera prioritários para o Alto Alentejo e quer agora acompanhar, em cada caso, o que falta decidir, que financiamento é necessário e quais os próximos
passos para a sua concretização. A primeira prioridade está no horizonte de negociação do Orçamento de Estado para 2027, onde o PS pretende que sejam inscritos os investimentos prioritários para a região.

A posição foi definida pelo Secretariado da Federação na reunião de 7 de setembro e abrange investimentos com impacto em diferentes concelhos do distrito, nas áreas das acessibilidades, ferrovia, saúde, segurança, recursos hídricos e atividade económica.
Na ferrovia, para além da eletrificação e modernização da Linha do Leste, a Federação considera necessário avançar com a Plataforma Logística de Elvas e a estação internacional de passageiros, no quadro das ligações ferroviárias entre Portugal e Espanha.

O Empreendimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato – Barragem do Pisão mantém-se entre as prioridades, incluindo a construção da nova aldeia e das infraestruturas hidráulicas para o fornecimento de água à ETA de Póvoa e Meadas. A Federação junta à conceção do Parque de Saúde da ULS Alto Alentejo a construção da nova Escola da GNR e do Comando Territorial, em Portalegre. Defende financiamento para a ampliação do Cluster Aeronáutico de Ponte de Sor. Considera necessária a avaliação dos impactos territoriais, ambientais e económicos do Campo de Tiro em Alter do Chão. Também as ligações rodoviárias e transfronteiriças fazem parte das prioridades identificadas. O PS Portalegre defende que seja garantida a execução da Ponte Internacional sobre o rio Sever, em Nisa, dentro dos prazos associados ao financiamento, e quer ver concluídos os projetos técnicos do IC13 e do IC9, incluindo a ligação do IC13 à A23, bem como da ligação por autoestrada entre a A6 e a A23.

“Muitos destes projetos são conhecidos e discutidos há vários anos. Não precisamos de voltar a explicar ao Alto Alentejo que são importantes. Precisamos de perceber o que falta fazer para que avancem e de exigir decisões onde elas ainda são necessárias. É esse
trabalho que queremos fazer, projeto a projeto”, afirmam os membros do Secretariado da Federação, presidido por Tiago Teotónio Pereira. A Federação Distrital irá desenvolver contactos políticos e institucionais sobre estas prioridades, procurando acompanhar o ponto de situação de cada investimento e defender, junto das entidades responsáveis, as decisões necessárias ao seu avanço.

Município de Elvas formaliza aquisição da Sociedade Recreativa da Terrugem

A Câmara Municipal de Elvas, a Junta de Freguesia da Terrugem e a Sociedade Recreativa da Terrugem promovem, esta quinta-feira, 10 de setembro, a cerimónia de assinatura da escritura pública de aquisição, pelo Município de Elvas, do edifício sede da Sociedade Recreativa da Terrugem.

A cerimónia está marcada para as 18h30 e terá lugar no edifício da Sociedade Recreativa da Terrugem, contando com a presença das entidades envolvidas e estando aberta à participação de toda a população.

A aquisição representa um momento de particular significado para a freguesia, uma vez que o edifício integra a história da Terrugem e está ligado à atividade da Sociedade Recreativa há mais de um século.

Ao longo dos seus mais de cem anos de existência, a Sociedade Recreativa da Terrugem tem tido naquele espaço um importante ponto de encontro e de convívio, assumindo também um papel relevante na dinamização da comunidade local.

A assinatura da escritura constitui, assim, um momento simbólico e de especial importância para a população da Terrugem, ao formalizar a aquisição do imóvel pelo Município de Elvas.

No final da cerimónia haverá um pequeno lanche-convívio, oferecido pela Associação, aberto a todos os presentes.

Marvão Rock Fest: 20 anos depois, o rock regressa à Portagem com dois dias de música junto ao Rio Sever

A Portagem, no concelho de Marvão, prepara-se para receber, na sexta-feira e sábado, dias 11 e 12 de setembro, a primeira edição, organizada pela Associação Timbre d’Alvorada, do Marvão Rock Fest.

Frederico Borges, da Timbre d’Alvorada, explica que a realização do festival resulta de um sonho antigo e da convicção de que a Portagem reúne condições únicas para acolher um evento desta natureza. “Este é um sonho do miúdo que via festivais pela caixinha mágica há uns bons anos e sempre viu o potencial que a Portagem tinha para receber um festival com esta dinâmica. Neste momento as peças conjugaram-se todas e vamos lançar esta primeira edição”, afirma.

Apesar de esta ser a primeira edição organizada pela Associação Timbre d’Alvorada, Frederico Borges recorda que o nome Marvão Rock Fest já esteve associado a um festival realizado na Portagem em 2006. “Esta é a primeira edição, salvaguardando que já existiu há 20 anos, em 2006, um festival aqui com o mesmo nome, que, entretanto, deixou de existir e nós estamos a pegar no nome, sendo que nós estamos a organizá-lo pela primeira vez”, explica.

O responsável destaca ainda as características naturais da Portagem como um dos atrativos do festival, que terá lugar junto ao Rio Sever e à piscina fluvial. “Teremos aqui um campismo para acolher quem quer acampar. Isto fica junto à Portagem. Para quem não conhece, tem uma piscina fluvial espetacular, com uma água cristalina e uma vista espetacular também para o Castelo de Marvão”, refere.

Rock como aposta e ligação transfronteiriça

A organização assume uma aposta clara no rock, num momento em que o género tem perdido espaço em alguns festivais de música. “Nos festivais de hoje em dia, o rock está quase em desuso, mas não iremos por aí. Vamos apostar neste festival porque toda aqui a região está muito ligada ao rock”, sublinha o responsável.

Outra das apostas da organização passa pela dimensão transfronteiriça do evento, aproveitando a proximidade de Marvão com a Extremadura espanhola. “Isso foi sempre um ponto que deixámos assente em cima da mesa: que o festival fosse um festival transfronteiriço”, explica o responsável.

Nesse âmbito, o cartaz inclui a banda espanhola Bolsa de Moscas, de Badajoz, juntando-se a projetos provenientes de diferentes pontos de Portugal.

“Depois do panorama nacional temos bandas que já estão a rodar festivais, como Cortada, Sunflowers e temos a estreia de um novo projeto, Lovedust, com elementos veteranos de outros projetos, que vem do underground de Coimbra”, acrescenta.

Dois dias com 11 projetos musicais

O programa arranca na sexta-feira, dia 11 de setembro, com atuações de Lovedust, Ritmos Cholulteka, Birdzzie, Eustáquio Sound Máchine e Broken James. No sábado, dia 12, sobem ao palco Sunflowers, Bolsa de Moscas, Cortada, Klaus Und Hans, Carolina Zerbes e Abaltroz.

A organização espera recuperar também a memória associada à edição de 2006, que, segundo Frederico Borges, continua presente entre antigos participantes.

“É a primeira vez que nós organizamos o festival, sendo que pelo que nós temos recepcionado de informações, toda a gente está expectante da volta deste festival, porque na altura veio Wraygunn, veio Fonzi, vieram bandas que na altura estavam a começar e toda a gente adorou e acampou e há muitas memórias ligadas a este evento”, recorda.

Campismo gratuito e música junto à água

O festival pretende tirar partido da localização junto ao Rio Sever, permitindo aos visitantes acompanhar os concertos durante a tarde com acesso à zona balnear.

Segundo a organização, o campismo será selvagem e não necessita de reserva prévia, estando disponível desde as 9h00 de quarta-feira, dia 10 de setembro, até às 12h00 de domingo, dia 13.

Os detentores de pulseira terão ainda acesso aos balneários da Piscina Municipal de Portagem, à esplanada e a pontos de corrente elétrica gratuitos. A organização apela, contudo, ao civismo e ao respeito pelos espaços públicos.

Além da música, a entrada do festival contará durante os dois dias com artesanato, gastronomia e bebidas regionais.

A localização estratégica de Marvão, junto à fronteira com Espanha, é também apresentada pela organização como uma oportunidade para aproximar públicos e artistas dos dois lados da Península Ibérica.

Bilhetes a partir de oito euros

Os bilhetes podem ser adquiridos à porta do recinto. O passe para os dois dias tem um custo de 12 euros, enquanto o bilhete diário custa oito euros.

A organização disponibiliza também bilhetes através da See Tickets e informações atualizadas sobre horários e aquisição de entradas na página de Instagram do Marvão Rock Fest.

Joaquim Amante propõe atribuição do nome de José Manuel Rebolo Ferreira a sala da Casa António Sardinha

Joaquim Amante, em nome do anterior executivo da Junta de Freguesia de Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso, que liderou entre 2021 e 2025, apresentou ao presidente da Câmara Municipal de Elvas, José Rondão Almeida, uma proposta para a atribuição do nome de José Manuel Rebolo Ferreira a uma sala da recentemente requalificada Casa António Sardinha, na Quinta do Bispo.

A proposta pretende homenagear a memória de José Manuel Rebolo Ferreira, recentemente falecido, reconhecendo o seu percurso de várias décadas ao serviço da comunidade elvense, quer através da atividade autárquica, quer através da participação no movimento associativo local.

Segundo Joaquim Amante, a atribuição do nome a uma das salas da Casa António Sardinha surge também no seguimento de uma das propostas apresentadas durante a campanha eleitoral para a Junta de Freguesia. “Na nossa campanha eleitoral, quando nos apresentámos como candidatos à Junta de Freguesia de Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso, tínhamos idealizado levar uma extensão da Junta de Freguesia para aquele espaço e o Espaço Cidadão ou a Loja do Cidadão, o que conseguíssemos implementar”, explica à Rádio ELVAS. A proposta agora apresentada ao Município, e tendo em conta a implementação de um Espaço Cidadão naquele edifício, passa por aproveitar esse espaço para perpetuar o nome de José Manuel Rebolo Ferreira, que, para Joaquim Amante, era “uma pessoa emblemática na cidade” e merece “ter um espaço físico com o seu nome”.

José Manuel Ferreira foi presidente da Junta de Freguesia de Assunção durante vários anos, entre 1997 e 2013, tendo desempenhado também outras funções: foi tesoureiro no mandato de 2013 a 2017 e secretário entre 2021 e 2025.

O seu percurso ficou ainda marcado por ter sido membro do Movimento Cívico por Elvas e pelo envolvimento no movimento associativo da cidade, nomeadamente nos órgãos sociais de várias coletividades, entre as quais o Clube de Futebol “Os Elvenses”.

No documento enviado ao presidente da Câmara, Joaquim Amante destaca, para além do percurso institucional, a dimensão humana de José Manuel Ferreira, sublinhando o seu “extraordinário humanismo”, a humildade e a disponibilidade permanente para ajudar os outros.

“Ele tinha um coração enorme, estava sempre disponível para ajudar tudo e todos. Acho que é uma pessoa que merece, que é digna desta homenagem”, afirma Joaquim Amante.

Joaquim Amante acredita que proposta será aceite

Questionado sobre a possibilidade de a Câmara Municipal aceitar a proposta, Joaquim Amante mostrou-se confiante. “Na primeira abordagem que tivemos, acho que sim, acho que não vai haver inconveniente algum. Tudo indica que sim, não recebi nenhuma informação em contrário”, assegura.

O mentor da proposta considera ainda que existe uma relação de proximidade entre o presidente da Câmara e José Manuel Ferreira que poderá favorecer a aceitação da homenagem. “O presidente tem muito conhecimento com o José Manuel, que ele sempre acompanhou as campanhas políticas, tanto pelo PS como pelo Movimento (Cívico por Elvas). É uma pessoa que tinha muito carinho pelo José Manuel Ferreira e acho que faz todo o sentido e que ele aceita, de certeza, de bom grado”, acrescenta.

Para Joaquim Amante, a iniciativa pretende sobretudo manter viva a memória de uma personalidade que marcou a vida da freguesia e do concelho. “É mesmo esse o intuito”, afirma, defendendo que a homenagem permitirá imortalizar o nome de alguém que fez muito pela população da freguesia de Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso.

Da investigação histórica à inteligência artificial: assim nasceu o projeto musical “Muralhas da Raia”

A história de Campo Maior e da Raia ganha uma nova forma de ser contada através da música. “Muralhas da Raia”, projeto musical criado por Francisco José Trindade, recorre às novas tecnologias e à inteligência artificial para transformar episódios históricos, memórias e lendas da região em canções.

O projeto nasceu, segundo o autor, de uma “singela homenagem” à música, à história e à cultura locais. Embora inicialmente tivesse sido pensado para a literatura, nomeadamente para a criação de um livro, a evolução das ferramentas digitais permitiu-lhe encontrar na música um veículo mais acessível para transmitir a mensagem.

“Partindo de uma ideia de assumir o papel do letrista, não o letrista profissional, mas apenas o iniciante”, explica Francisco José Trindade, o objetivo passou por utilizar as ferramentas atualmente disponíveis para concretizar uma ideia que tinha vindo a desenvolver ao longo do tempo.

O resultado é um conjunto de dez temas que percorrem diferentes momentos da história da região, com particular incidência em Campo Maior (incluindo Ouguela), mas também noutros pontos da Raia, como Elvas.

Da investigação histórica para a música

Por detrás das letras está um trabalho de investigação desenvolvido ao longo dos anos. Francisco José Trindade recorreu a fontes online, bibliografia especializada, textos históricos e informação disponibilizada por instituições, mas também a visitas aos próprios locais históricos. As muralhas, castelos e fortificações da região assumem, por isso, um papel central no processo criativo.

“Muito mais importante do que apenas ler em livros, é vivermos e experienciarmos no local”, afirma, defendendo que o contacto direto com as pedras, as construções e a paisagem ajuda a imaginar as vivências de quem habitou aqueles espaços em épocas passadas.

A partir dessas pesquisas e experiências, o autor foi reunindo apontamentos e trabalhando as palavras com o objetivo de condensar episódios históricos em canções de apenas alguns minutos.

“Por trás de cada canção há uma mensagem que se pretende passar, há uma história que se pretende contar”, sublinha.

História contada ao ritmo dos novos tempos

A opção pela música está também relacionada com a necessidade de encontrar novas formas de chegar ao público, sobretudo às gerações mais jovens.

Francisco José Trindade considera que a sociedade atual é marcada pela rapidez e pela enorme quantidade de conteúdos disponíveis, sobretudo nas plataformas digitais. Nesse contexto, defende que os projetos culturais precisam de encontrar formas diferentes de captar a atenção.

“Temos que arranjar forma de transmitir a mensagem que queremos, mas tendo em conta sempre que o público tem pouco tempo para nos dispensar”, explica.

É nesse cenário que surge a utilização da inteligência artificial como ferramenta de criação e como forma de democratizar o acesso à produção musical.

Para o autor, as novas tecnologias permitem que alguém sem formação profissional na área possa desenvolver um projeto, partindo de uma ideia e de conhecimentos básicos de composição e escrita.

“Franky da Raia”, uma personagem para contar a história

O projeto não é, contudo, apresentado em nome de Francisco José Trindade. O autor optou pelo pseudónimo “Franky da Raia”, criando uma espécie de personagem para assumir a vertente musical e histórica do projeto.

A escolha resulta, em parte, do nome “Frank”, pelo qual era conhecido em experiências anteriores no mundo digital, ao qual acrescentou “da Raia”, numa referência direta à região e à identidade que pretende valorizar.

“Não é o Francisco que tem os seus determinados gostos, que tem as suas determinadas convicções”, explica. “Uma terceira pessoa foi aqui criada neste mundo digital para que nesse próprio mundo consiga contar que existiu esta terra, existiram estas ações, para contar aqui essa história.”

Dez canções para contar uma história

O projeto começou por contemplar dez temas, mas a composição inicial acabou por sofrer alterações. Um dos temas (“Nasce o Povoado”) foi dividido em dois, levando a que a primeira fase do lançamento ficasse composta por nove canções.

A estratégia passou por disponibilizar os temas de forma faseada, um por dia, a partir de 1 de setembro, procurando criar continuidade e expectativa junto do público.

Entre as histórias abordadas encontra-se a de Ouguela e a queda do seu castelo perante as forças castelhanas. É precisamente este episódio que dá origem ao tema mais sombrio do projeto.

Para Francisco José Trindade, contar a história significa também abordar os momentos de derrota e sofrimento, e não apenas as vitórias. “Nem sempre de vitórias se fazem as guerras. Há muitas batalhas que ganhamos, mas também, infelizmente, há outras que perdemos”, afirma, dedicando a canção a todos aqueles que lutaram e contribuíram para a construção da nação.

“As muralhas não morrem”

Para evitar que o projeto terminasse com esse tom de tristeza, o autor decidiu acrescentar uma décima canção: “As Muralhas Não Morrem”. O tema funciona como um recap dos nove anteriores, recuperando elementos das diferentes histórias e concentrando a principal mensagem do projeto: a importância de preservar a memória e o património histórico.

Para Francisco José Trindade, as muralhas não devem ser vistas apenas como “umas pedras que estão ali empilhadas”. São parte da cultura, da história e da identidade coletiva.

O autor reconhece o trabalho desenvolvido na recuperação das fortificações e na criação de centros interpretativos, mas considera que também é necessário manter viva a memória através de iniciativas culturais que consigam chegar às novas gerações.

“É importante que na memória do povo haja quem também dê o seu pequeno contributo, levante a sua voz e, com a ajuda das ferramentas que tem ao seu dispor, consiga manter acesa a chama da cultura”, defende.

“Muralhas da Raia” assume-se, assim, como uma experiência que cruza história, música e tecnologia, procurando aproximar o passado do presente e levar episódios da história de Campo Maior e da região raiana a um público habituado a consumir cultura de formas cada vez mais rápidas e digitais.

Mais do que um álbum, que o autor prevê que venha a ter uma versão em inglês num futuro breve, o projeto pretende ser uma forma contemporânea de preservar e transmitir memória: lembrar de onde veio a região, o que viveu e como essas histórias continuam a fazer parte da identidade de quem hoje habita a Raia.

Os temas de Franky Da Raya estão disponíveis no YouTube e no Spotify.

Município de Arronches adere à rede de Refúgios Climáticos

O Turismo de Portugal, no âmbito da Agenda para a Ação Climática no Turismo 2030, encontra-se a desenvolver a Rede de Refúgios Climáticos ‘Stay Cool’, um projeto que visa a disponibilização de um conjunto de espaços preparados para responder a episódios de calor extremo, com o objetivo de proteger a população, em particular, as pessoas mais vulneráveis.

O Município de Arronches aderiu desde logo à iniciativa, tendo já preparadas as infraestruturas que oferecem conforto e proteção, sobretudo, durante os períodos de tempo quente que se fazem sentir no verão, beneficiando os utilizadores de uma zona de descanso com um ambiente termicamente controlado e com água potável, entre outras comodidades que contribuirão para controlar a temperatura corporal e minimizar os efeitos do calor na saúde.

No concelho de Arronches, os espaços disponibilizados para o efeito estão distribuídos pelas três freguesias e já se encontram devidamente identificados com o selo identificativo ‘Stay Cool’, sendo os mesmos a Sala de Centro de Convívio da Terceira Idade da Junta de Freguesia de Assunção, o Centro de Convívio para a Terceira Idade da Junta de Freguesia de Esperança e o Pavilhão Multiusos de Mosteiros.

Plataforma “Comércio com História” apresentada aos Municípios do Alto Alentejo

A Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA) organizou uma sessão de apresentação da plataforma “Comércio com História”, que decorreu na passada quinta-feira, 3 de setembro, com a presença de autarcas e técnicos dos Municípios do Alto Alentejo.

O Inventário Nacional “Comércio com História” é uma plataforma que identifica, reconhece e protege os estabelecimentos comerciais tradicionais de interesse histórico, cultural ou social local.

Nesta sessão, os representantes da Direção-Geral da Economia apresentaram esta medida nacional de promoção e preservação do comércio tradicional português, os benefícios de integração quer para os proprietários dos estabelecimentos, quer para os municípios, e ainda o processo de reconhecimento dos estabelecimentos que reúnam as caraterísticas “Comércio com História”.

Nuno Mocinha assume presidência da EuroBEC

Elvas assumiu esta segunda-feira, 7 de setembro, a presidência da Eurocidade Badajoz-Elvas-Campo Maior (EuroBEC), num ato que reuniu os representantes dos três municípios que integram esta estrutura de cooperação transfronteiriça.

A transferência da presidência decorre do Protocolo de Cooperação da EuroBEC, que estabelece uma presidência rotativa, por períodos de um ano, entre os municípios de Badajoz, Elvas e Campo Maior. Com esta mudança, a presidência passa a ser assumida pelo presidente da Câmara Municipal de Elvas.

No âmbito das competências delegadas e do acompanhamento dos assuntos relacionados com a EuroBEC, José Rondão Almeida delegou no vice-presidente da Câmara Municipal de Elvas, Nuno Mocinha, a representação do Município nesta estrutura, assumindo este as funções de presidente da Eurocidade.

A nova composição mantém a representação dos três municípios, com o alcalde de Badajoz, Ignacio Gragera, e o presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, Luís Rosinha, a assumirem as respetivas vice-presidências.

A ocasião serviu igualmente para abordar diversos assuntos de interesse comum para Elvas, Badajoz e Campo Maior, bem como para analisar linhas de trabalho conjunto e iniciativas que permitam continuar a reforçar a cooperação entre os três territórios.

A presidência agora assumida por Elvas pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido no âmbito da EuroBEC, aprofundando a cooperação transfronteiriça e promovendo uma atuação concertada em áreas estratégicas para os três municípios e para as populações dos dois lados da fronteira.

A EuroBEC constitui uma plataforma privilegiada para o desenvolvimento de projetos conjuntos e para o reforço das relações históricas, económicas, sociais, culturais e institucionais entre Elvas, Badajoz e Campo Maior, contribuindo para afirmar este território transfronteiriço como um espaço comum de oportunidades e desenvolvimento.