A Câmara Municipal de Portalegre já aprovou o estudo prévio para a construção do futuro Pavilhão Multiusos. Em declarações à Rádio Elvas, a presidente da autarquia, Fermelinda Carvalho, classificou a obra como “urgente” para colmatar a falta de espaços na cidade capazes de acolher iniciativas de grande envergadura.
A ausência de uma infraestrutura deste género tem limitado a capacidade de atração e organização do concelho. Fermelinda Carvalho assume que esta é uma lacuna histórica que urge resolver. “O multiusos é um espaço que precisamos muito, Portalegre precisa muito, porque se nós precisarmos de organizar um grande evento não temos onde, não temos. E portanto nunca foi construída essa infraestrutura”, lamenta a autarca.
Neste momento, os serviços técnicos do município estão a avançar com as etapas seguintes. “Já aprovámos o estudo prévio, estamos neste momento a desenvolver as especialidades”, revelou a edil à Rádio Elvas, apontando já metas concretas no calendário para o arranque do processo concursal.
“Quero que [as especialidades] fiquem concluídas ao final do ano para que possa ser colocado no próximo orçamento (2027) e lançar o concurso para o ano”, concluiu a presidente da Câmara de Portalegre.
A Associação de Jovens de Elvas promove, na noite de sexta-feira para sábado, de 29 para 30 de maio, mais uma edição da já tradicional peregrinação a Vila Viçosa, num momento de fé, partilha e encontro espiritual aberto à comunidade.
Sob o lema “Caminhar na Fé. Chegar com o Coração”, os participantes partem à meia-noite do Santuário da Piedade, em Elvas, em direção ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Viçosa.
O padre Ricardo Lameira destaca que esta é já uma iniciativa habitual da comunidade paroquial. “De sexta para sábado, à meia-noite, como já é hábito, iremos fazer a nossa peregrinação a pé até ao Santuário da Senhora da Conceição. Reunimo-nos no Santuário da Piedade e daqui partiremos em peregrinação”, referiu.
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas através do site da Paróquia de Santa Luzia e Sé ou através das plataformas digitais da Associação de Jovens de Elvas. A organização aconselha os participantes a levarem, para além do terço, água e calçado confortável para a caminhada.
Entretanto, o padre Ricardo Lameira anunciou também a realização de um café-concerto solidário, marcado para o próximo dia 26 de junho, junto à Igreja de Santa Luzia, com o objetivo de angariar fundos para a recuperação do telhado da Igreja do Salvador.
“O telhado da Igreja do Salvador já não está enfermo, está mesmo moribundo. Já nem com a Santa Unção aquilo lá vai”, afirmou o pároco, recorrendo ao humor para alertar para a gravidade da situação. “Queremos ressuscitá-lo, porque senão vai estragando toda a estrutura interior e quando isso acontecer é bem pior.”
O evento contará com pulseiras no valor de cinco euros, que incluem uma bifana e uma bebida. “Depois, quem quiser pode continuar a comer e a beber desde que pague, senão não arranjamos o dinheiro para o telhado”, brincou o sacerdote.
Para Ricardo Lameira, estas iniciativas refletem também o verdadeiro sentido da vivência cristã. “O cristão não é aquele que reza, é aquele que vive o que reza e reza o que vive. Nós não somos rezadores. A oração é o sustento da vida”, concluiu.
A pouco mais de dois meses do regresso das tão aguardadas Festas do Povo, Campo Maior prepara-se para revisitar a memória daquela que foi a última edição do certame. O documentário “Os Olhos do Meu Amor”, realizado por Rui Silveira, será exibido este sábado, 30 de maio, pelas 21h30, no Centro Cultural da vila, numa sessão que promete emocionar os campomaiorenses e todos os apaixonados por esta tradição ímpar do Alentejo.
Filmado em 2015, aquando da realização da última edição das Festas do Povo, o documentário só viria a ser concluído em 2019. Apesar de já ter sido apresentada em Campo Maior uma versão preliminar, a obra final nunca chegou a ser exibida publicamente em Portugal. Para o realizador, este é o momento certo para o reencontro entre o filme e a comunidade que lhe deu vida. “O filme demorou muito tempo a ser apresentado porque nós ficámos sempre à espera de quando houvesse festas. E este ano é o momento”, explica Rui Silveira.
Mais do que um simples registo documental, “Os Olhos do Meu Amor” mergulha na alma das Festas do Povo, acompanhando durante vários meses o trabalho apaixonado de dezenas de grupos de vizinhos que dão forma às flores de papel que transformam as ruas de Campo Maior num cenário de sonho.
Ao longo da narrativa, o realizador acompanha cerca de dez grupos distintos, revelando os bastidores de uma tradição marcada pelo secretismo e pelo espírito comunitário. Uma perspetiva rara, até para os próprios habitantes da vila. “Mesmo para as pessoas de Campo Maior é uma surpresa, porque estamos habituados a fazer flores para a nossa rua, com os nossos vizinhos, e há o segredo. As pessoas nunca têm bem noção de como é que as outras ruas se organizam, e este filme mostra um pouco disso”, refere.
Com um tom intimista e profundamente humano, o documentário começa na esfera pessoal do realizador — entre memórias familiares, conversas com a avó e os primeiros encontros com os grupos de trabalho — para depois ganhar uma dimensão coletiva e universal. Aos poucos, a narrativa abandona o olhar individual e abre-se à grandiosidade comunitária das festas, culminando na explosão de cor e emoção da noite da enramação, quando Campo Maior se revela ao mundo.
Mas o filme não se limita à beleza das ruas ornamentadas. Rui Silveira quis mostrar também o outro lado da festa: o fim inevitável de uma arte efémera. O documentário acompanha o último dia das celebrações, a cerimónia de encerramento, a destruição das flores e o processo de limpeza das ruas — momentos tantas vezes esquecidos, mas que fazem parte do ciclo completo desta manifestação popular. “Para mim, a criação também é destruição. Eu queria mostrar o ciclo completo desta forma de arte efémera e popular”, sublinha o realizador.
Entre a delicadeza das flores de papel, o orgulho coletivo e a melancolia do fim, “Os Olhos do Meu Amor” apresenta-se como um retrato sensível da identidade de Campo Maior, da força da tradição e da memória afetiva de um povo que transforma arte em comunidade. Uma obra que chega agora à vila, 11 anos depois, para reacender emoções e antecipar o regresso de uma das mais emblemáticas celebrações populares do país.
Filho da terra, Rui Silveira, hoje, para além de realizador, professor universitário no Canadá, regressa a Campo Maior para apresentar o seu filme às gentes da vila. A expectativa é de uma noite de festa, mas também de muita emoção, até porque muitos dos protagonistas do documentário já partiram.
A entrevista completa a Rui Silveira para ouvir no podcast abaixo: