Monforte terá novo hotel de cinco estrelas: investimento é de cerca de 16 milhões de euros

Um novo hotel de cinco estrelas vai nascer na Herdade da Fadagosa, em Monforte, num investimento estimado em cerca de 16 milhões de euros.

O projeto desta unidade hoteleira, de acordo com o presidente da Câmara de Monforte, Miguel Rasquinho, encontra-se a “marinar há cinco ou seis anos”. “Mas é um investimento que efetivamente vai avançar: já foi pedida a licença de construção, portanto, o processo está resolvido na nossa Divisão de Obras e agora, como costumo dizer, é colocar as máquinas no terreno e avançarmos com esse investimento”, acrescenta o autarca.

Prevendo-se, com esta nova unidade hoteleira, a criação de “algumas dezenas de postos de trabalho” em Monforte, Miguel Rasquinho explica ainda que este não será “um hotel qualquer”. “É um hotel com muita qualidade, de uma gama superior, ligado aos cavalos e, enfim, à vida rural e, portanto, penso que será mais um sucesso igual àqueles que já temos aqui no concelho”, remata o edil.

Este novo hotel ficará situado na entrada de Monforte, próxima do IP2, na ligação a Estremoz.

Ovibeja espera mais de 100 mil visitantes e reforça apelos ao investimento no regadio e na água

A Ovibeja voltou a afirmar-se como o maior palco agrícola do sul do país, reunindo decisores políticos, agricultores e agentes económicos numa inauguração marcada por reivindicações, anúncios de investimento e uma forte aposta no futuro do setor. A 42.ª edição decorre em Beja e mantém a tradição de ser não apenas uma feira, mas também um espaço de reflexão estratégica sobre os desafios da agricultura e do desenvolvimento regional.

O presidente da ACOS e da comissão organizadora, Rui Garrido, aproveitou a presença do ministro da Agricultura para colocar em cima da mesa várias preocupações estruturais, desde logo no campo da sanidade animal, com os impactos negativos da doença da língua azul à cabeça. “Apresentámos temas fundamentais como as necessidades do regadio, a nova PAC que terá de ser debatida com o Governo e ainda questões estratégicas como a maior utilização do aeroporto de Beja e a criação de uma ligação ferroviária”, referiu. O responsável sublinhou ainda a importância de garantir condições para aumentar a competitividade do setor agrícola no Alentejo.

Também o presidente da Câmara Municipal de Beja, Nuno Palma Ferro, destacou o peso da feira para o território: “A Ovibeja é a maior marca do concelho e uma das mais importantes de todo o Alentejo”. O autarca reforçou o papel do certame enquanto espaço de debate e afirmação regional: “É aqui que damos um espaço de reflexão, onde se chamam as atenções e se reclamam melhorias, mas também onde mostramos aquilo que fazemos bem”. Sublinhando a presença do Governo, acrescentou: “É muito importante ver o Conselho de Ministros reunido na Ovibeja (reúne amanhã, quinta feira 30 de abril). A agricultura concentra conhecimento e ambição, onde somos bons e queremos ser melhores. A Ovibeja é o nosso melhor exemplo”.

O ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, anunciou um conjunto de medidas e investimentos relevantes para o distrito de Beja e para o país. “Foram aplicados 195 milhões de euros no último período para o distrito de Beja, sendo que 42% dos apoios da PAC visam responder às normas ambientais”, revelou. O governante destacou ainda a renovação geracional: “168 jovens agricultores vão ser apoiados no distrito”. Entre outras medidas, apontou a antecipação dos pagamentos do gasóleo agrícola e a criação de apoios até 50% para prejuízos causados por intempéries, dependentes de vistorias.

No plano estrutural, o ministro referiu novas respostas para o setor: “Vamos avançar com um mecanismo europeu de resseguros agrícolas, porque os seguros ainda não têm escala em Portugal”. Anunciou também que o Conselho de Ministros irá deliberar sobre uma das prioridades do Governo no âmbito do programa “Água que Une”, prevendo a criação de “400 charcas e albufeiras para retenção de água”. Na sanidade animal, destacou o reforço de verbas: “Duplicámos o apoio para 12 milhões de euros anuais e há um investimento urgente nesta área, nomeadamente no acesso a vacinas a preços comportáveis”. Sobre a Política Agrícola Comum, deixou um aviso: “Isto é uma maratona. A PAC tem de continuar a ser comum e não pode perder financiamento, apesar do excesso de regulação e das especificidades regionais”.

Já a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, destacou a Ovibeja como reflexo do país: “Aqui, em Beja, está presente todo o Alentejo e todo o nosso país”. A governante reforçou a articulação com a Agricultura, sobretudo na gestão da água: “Para este Governo não há setores isolados, trabalhamos em conjunto, especialmente nesta área”. Referiu investimentos de 586 milhões de euros em sistemas de abastecimento no Alentejo, abrangendo concelhos como Odemira, Alvito, Cuba e Vidigueira.

Entre os projetos estruturantes, destacou a barragem do Pisão: “É um projeto com grande impacto para o Alto Alentejo, tão importante como foi o Alqueva no seu tempo”. Referiu ainda o avanço da dessalinizadora de Sines, explicando que “vai permitir libertar água de Alqueva para a agricultura”. No âmbito do programa “Água que Une”, sublinhou a prioridade na racionalização do uso da água. Na vertente ambiental, destacou o sucesso da reintrodução do lince-ibérico: “Deixou de ser uma espécie em vias de extinção graças a um projeto exemplar com Espanha”, anunciando ainda a assinatura de um protocolo para mais dez anos de apoio.

A inauguração da Ovibeja confirmou, assim, o peso do certame como plataforma política, económica e social, onde se cruzam decisões estratégicas e ambições para o futuro do mundo rural português.

Eleições em Santa Eulália: a aguardar resposta de Rondão há mais de um mês, Picado prevê avançar para a CNE

A quarta e última reunião para tentativa de formação do executivo da Junta de Freguesia de Santa Eulália realizou-se a 6 de março. Uma vez mais, e sem se chegar a um consenso entre os eleitos das diferentes forças políticas, ficou claro que não havia alternativa senão avançar para novas eleições.

Nesse sentido, José Picado, presidente da Junta de Freguesia de Santa Eulália eleito pelo CHEGA, fez chegar um ofício ao presidente da Câmara Municipal de Elvas, Rondão Almeida, com vista à marcação dessas eleições intercalares mas, até ao momento, não obteve qualquer resposta, segundo revela em declarações à Rádio ELVAS.

“Mandei-lhe o ofício e o relatório fundamentado, em carta registada, com aviso de receção, e foi rececionado na Câmara no dia 11 de março. Mas parece que aqui, nesta Câmara, não há prazos para responder a nada…”, começa por dizer José Picado, que lembra que a junta de Santa Eulália continua num verdadeiro “impasse”.

“Eu já pedi várias vezes que se considere esta impossibilidade de constituição da junta, que se considere impossível a nível político. Com este impasse, estamos cada vez mais apertados a nível de ação. A ação é simplesmente a nível administrativo, o que torna muito, muito difícil gerir uma freguesia”, adianta.

No caso de Rondão Almeida não responder entretanto ao ofício, convocando eleições, José Picado garante que irá entrar por “outras vias”, sendo uma delas “ir diretamente à Comissão Nacional de Eleições” (CNE). “Tenho intenção de o fazer, e quando digo que tenho intenção de o fazer, o senhor presidente da Câmara sabe perfeitamente que o faço”, assegura.

Para José Picado, a não marcação de eleições, por parte do presidente da Câmara Municipal, tem apenas em vista “dificultar ao máximo” o trabalho da junta de freguesia. “Nós não conseguimos andar para a frente com a junta de freguesia e penso que o objetivo é precisamente esse: dificultar ao máximo a ação, de forma a tentarem manipular a população, para tentarem demonstrar que é a junta de freguesia que não consegue fazer as coisas, quando a junta de freguesia não pode, porque são eles que estão a barrar as coisas legalmente”, garante.

Por outro lado, Picado defende que o Movimento Cívico por Elvas e o PS estão a “tentar ganhar tempo para ouvir a população”, tal como fizeram “naquele célebre comício (sobre a variante), disfarçado de auscultação” da população, sem apresentar nenhum estudo político-económico, financeiro ou demográfico; não apresentaram nada”. “A única coisa que fizeram foi apresentarem-se ali a gritar ao povo e o objetivo deles era auscultarem a população. E é isso que eles continuam a fazer: é auscultar e saber até onde podem ir”, diz ainda.

Revelando que, na atual situação, a junta de freguesia não pode, por exemplo, comprar uma máquina de química, mas pode saldar dívidas deixadas pelo executivo anterior, José Picado diz ainda que, dentro das limitações impostas, sente que tem feito “muito trabalho” em prol da população.

A entrevista completa a José Picado para ouvir no podcast abaixo:

Apesar dos “desafios” que enfrenta atualmente, a dança continua a ser “refúgio e terapia” para muitos

Celebra-se hoje, 29 de abril, o Dia Internacional da Dança, data instituída pelo Comité Internacional da Dança da UNESCO no ano de 1982. Neste dia celebra-se esta arte e procura-se mostrar a sua universalidade, além das barreiras políticas, étnicas e culturais.

De acordo com Letícia Garcia, professora de dança em Campo Maior, que lembra que a dança pode ser “um refúgio” ou até “uma terapia” para muitos, esta é uma arte que, atualmente, enfrenta “muitos desafios, até mesmo com a questão da juventude”. “Temos hoje os meninos muito mais parados, sedentários e agarrados aos telemóveis e isso também se tem notado um pouco ao longo destes anos: a diminuição de alunos de faixas etárias mais jovens”, assegura. Por outro lado, a professora defende que a dança é para todos sem exceção, independentemente da idade, desde que exista “essa vontade”.

Em Campo Maior, Letícia Garcia é a responsável pelo Projeto de Formação de Dança Oriental do Município, com aulas apenas destinadas ao sexo feminino, no Centro Cultural, às quintas e sextas-feiras, entre as 18 e as 20 horas.

A professora, que implementou também recentemente na vila aulas de Dança Oriental para mães e filhas, permitindo que “usufruam de uma aula divertida, que cria momentos de partilha entre elas”, revela que aceita novas alunas ao longo de todo o ano. “Eu normalmente permito a entrada de alunas ao longo do ano. Tento, de certa forma, ir enquadrando quando a aluna entra na turma, fazendo um acompanhamento mais próximo”, remata Letícia Garcia.

De recordar que, de forma a assinalar este Dia Internacional da Dança, o Centro Cultural de Campo Maior acolheu, no passado domingo, 26 de abril, o I Encontro “Passos que Unem”, com a participação de grupos e escolas dos mais variados estilos de dança da região.

Câmara de Elvas vai investir mais de um milhão na recuperação do Paiol de Santa Bárbara

A Câmara de Elvas vai investir mais de um milhão de euros na recuperação do Paiol de Santa Bárbara. O investimento a ser feito naquele que é o maior dos paióis de Elvas foi aprovado na reunião do executivo da passada quarta-feira, 22 de abril.

De acordo com o presidente da Câmara, Rondão Almeida, a recuperação do património castrense, que viria a contribuir para a classificação de Elvas como Património da Humanidade, tem vindo, desde 1994, a ser uma das “grandes preocupações” do município. “Não foi por acaso que este tipo de trabalho resultou em que, em 2012, a própria UNESCO nos classificasse como Património da Humanidade. Mas ainda há muito, mas muito, para fazer, principalmente nos panos de muralhas seiscentistas, e agora chegou a altura de iniciarmos esta grande obra”, adianta.

Há “mais de 80 anos desativado”, o Paiol de Santa Bárbara, diz o autarca, “está numa fase de degradação”. “Ninguém olhou para ele, mas nós aprovámos mais de um milhão de euros para recuperar este grande elemento, para que o possamos juntar a todo o outro trabalho que tem vindo a ser feito”, acrescenta Rondão Almeida.

Respondendo aos mais críticos, que dizem que o município “pouco ou nada faz” no que toca à manutenção do património, o presidente da Câmara de Elvas garante que o município “não tem feito outra coisa” e recorda o trabalho levado a cabo ao longo de mais de 30 anos, com as obras levadas a cabo nos fortins, Forte de Santa Luzia e da Graça e na zona dos Quartéis.

Com a intervenção prevista para o Paiol de Santa Bárbara, a Câmara Municipal procura dar mais um passo na recuperação do património da cidade que, “ao fim e ao cabo, representa a memória e o trabalho de quem o fez”. “Por isso, nós hoje em dia sentimos a responsabilidade de o manter para dizer aos nossos descendentes que vão ter a obrigação de continuar a dar-lhe vida”, remata Rondão Almeida.

De recordar que o Paiol de Santa Bárbara, construído perto do Castelo durante a Guerra da Restauração, foi espaço de armazenamento de material de guerra até 1915.

Município de Campo Maior reforça qualificações dos seus trabalhadores através de protocolo com a CCDR Alentejo

O Município de Campo Maior assinou, na semana passada, um protocolo de parceria com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, para que possa vir reforçar as qualificações e competências dos seus trabalhadores, através do Centro Qualifica da Administração Pública.

A formação inicia-se já amanhã, dia 29 de abril, com os técnicos de Ação Educativa, explica o presidente da Câmara, Luís Rosinha, que adianta que a autarquia vinha a preparar este protocolo com a CCDR há já algum tempo. “Nós vamos iniciar esta formação pelos técnicos da Ação Educativa, onde tivemos muita gente interessada do ponto de vista das escolas. Acreditamos nós, e acreditam também os funcionários, que mais dia, menos dia, será uma função obrigatória e até do ponto de vista da carreira será interessante para eles obter um nível 4 de qualificação”, diz o autarca.

“Vamos iniciar já no próximo dia 29 essa mesma formação. Tivemos uma reunião preparatória e, na passada segunda-feira (dia 20 de abril), conjuntamente com o senhor presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional, assinámos aqui nos Paços do Concelho esse mesmo protocolo”, remata Rosinha.

Em regime presencial e online, esta formação destinada a trabalhadores com vínculo à Câmara Municipal de Campo Maior e detentores do 9.º e 12.º ano de escolaridade, permitirá a obtenção de novas qualificações numa área com elevada relevância social e educativa.

I Encontro “Passos que Unem” juntou dança e cultura dos dois lados da fronteira no Centro Cultural de Campo Maior

O Centro Cultural de Campo Maior recebeu na tarde de domingo, 26 de abril, a primeira edição do encontro “Passos que Unem”, uma iniciativa promovida pelo Município de Campo Maior, através do Projeto de Formação de Dança Oriental.

O espetáculo, promovido no âmbito do Dia Internacional da Dança, celebrado a 29 de abril, reuniu várias escolas e grupos de dança da região, de ambos os lados da fronteira, proporcionando ao público uma tarde marcada pela diversidade artística e cultural. Em palco estiveram representados estilos como dança oriental, kizomba, ballet clássico, dança contemporânea e flamenco.

Além das alunas do Curso de Dança Oriental do Município de Campo Maior, participaram também os alunos dos projetos de Ballet Clássico e Música, bem como grupos convidados como o EsPasso de Dança, de Portalegre, o grupo Naadirahs, de Elvas, Las Lunas e a Escola Puro Flamenco, de Badajoz, e ainda a dupla de kizomba Yoel e Aris.

Ao longo da tarde, os diferentes grupos apresentaram coreografias que refletiram não só a identidade de cada estilo, mas também o espírito de partilha e colaboração que marcou este primeiro encontro

Integrado no programa comemorativo dos 52 anos do 25 de Abril em Campo Maior, o “Passos que Unem” encerrou as celebrações com uma iniciativa que reforçou a importância da arte como elo de ligação entre culturas, gerações e territórios.

Número de crianças e jovens em perigo tem vindo a aumentar: sinalizações podem ser só a “ponta do iceberg”

A campanha do “Laço Azul”, promovida no âmbito do Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância, é assinalada ao longo deste mês de abril em todo o país, para alertar a comunidade para a importância da proteção das crianças, promovendo a sensibilização para os seus direitos e para a prevenção de situações de violência ou negligência.

A prevenção dos maus-tratos na infância é uma responsabilidade de todos: profissionais de saúde, famílias e comunidade. A verdade é que, de acordo com a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ), os casos de violência e maus-tratos de crianças e jovens têm vindo a aumentar consistentemente desde 2020, indicando uma maior deteção de situações de risco. Em 2024, as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) receberam quase 60 mil comunicações de perigo. Há dez anos, não chegavam às 40 mil.

Dizendo que os números são “inegáveis” e que os casos de maus-tratos ocorrem, “sobretudo, nas famílias”, a psicopedagoga Fátima Duarte, da Equipa Técnica Operativa da CNPDPCJ, garante que são cada vez mais as crianças e jovens a serem vítimas de maus-tratos, de acordo com os dados disponibilizados. “Mas essa é só a ponta do iceberg, porque há muitas crianças e jovens a serem vítimas que nós não sabemos, porque ainda não foram sinalizados”, garante.

Muitas das crianças que são vítimas de maus-tratos acabam por ter o seu comportamento “condicionado”, pelo que a especialista apela à atenção de todos para se conseguir identificar determinados comportamentos, marcas físicas ou até “determinadas relações que as crianças estabelecem umas com as outras, ou com adultos, que não são normais, e que podem ser indicadores de que estão a ser vítimas”. “Quem não sabe, pode entender isso como sendo malcriadas ou agressivas, mas há muitas crianças que são vítimas de maus-tratos e, como não conseguem lidar internamente com isso, porque isso vai deixar marcas, o seu comportamento fica condicionado”, acrescenta.

Por outro lado, a psicopedagoga garante que sinalizar uma criança ou jovem à CPCJ não é sinónimo de “arranjar problemas”: “quando sinalizamos significa que estamos preocupados com aquela criança, com aquele jovem e que o queremos proteger”. “Não é contra a família, mas é a favor da criança. Porque quando há um conflito de interesses, nós temos que colocar as crianças num plano superior”, assegura.

Fátima Duarte defende ainda que quanto mais tempo a criança ou jovem, que é vítima de maus-tratos pela própria família, continuar a viver naquele ambiente, “mais vai normalizar a violência como algo habitual”. De vítima a agressor é apenas um passo: “muitos daqueles jovens, rapazes e raparigas, que foram vítimas de maus-tratos, agora reagem de forma violenta, porque internalizaram nos seus modelos”.

Todas as crianças merecem crescer em segurança, com amor, respeito e proteção, sendo que a prevenção começa em cada pessoa. O apelo desta campanha de abril, Mês de Prevenção dos Maus-Tratos na Infância, é claro: se suspeitar de uma situação de risco, não ignore. Comunique às autoridades.

Energia, Clima e Segurança: O desafio da dependência dos combustíveis fósseis

No programa “Ambiente em FM”, José Janela abordou a interconexão entre a crise energética, as alterações climáticas e a segurança global, com base em análises recentes da ONU e do jornal Le Monde. O debate sublinhou que a atual dependência de combustíveis fósseis, como o petróleo e o gás, não é apenas o motor da crise climática, mas também um foco de instabilidade económica e política. Esta vulnerabilidade demonstra que a transição energética é, agora mais do que nunca, uma questão de sobrevivência ambiental e de equilíbrio internacional.

De acordo com as Nações Unidas, a insistência neste modelo energético está a comprometer a segurança nacional e a soberania de vários países, com especial impacto na Europa. A dependência de importações de energia fóssil deixa as nações expostas à volatilidade de preços e a crises geopolíticas imprevistas. A principal mensagem do programa destaca que o clima e a segurança são faces da mesma moeda, reforçando a urgência de uma transição para fontes renováveis que garanta, simultaneamente, a proteção do planeta e a autonomia estratégica dos estados.

Tudo para saber sobre o assunto com José Janela, da Quercus. O programa desta semana para ouvir, na íntegra, no podcast abaixo:

ArtJazz Festival de Elvas volta a afirmar o jazz nacional e internacional em três noites de concertos

O ArtJazz Festival de Elvas está de regresso ao Auditório São Mateus, de 30 de abril a 2 de maio. O evento, já na sua 11.ª edição, apresenta grandes novidades, com nomes consagrados, mas também uma jovem promessa do panorama jazzístico nacional e internacional.

O festival, que teve a sua primeira edição em 2013, tal como recorda o diretor artístico do evento, Jorge Goes, conheceu algumas interrupções “devido à Covid, mas também a situações de governabilidade da Câmara Municipal, que cortou e passou o festival para um formato bienal”. “Agora voltámos, graças a Deus, ao festival anual, o que faz muita falta, porque a cultura é uma das bases principais da humanidade e não se pode cortar”, acrescenta.

O festival arranca “com chave de ouro”, a 30 de abril, com “um grande nome do panorama artístico português”: Rão Kyao. “É dos artistas mais internacionais que temos em Portugal. Começou pelo saxofone, mas depois dedicou-se às flautas de bambu”, recorda Jorge Goes.

Com 40 anos de carreira, Rão Kyao apresenta-se no ArtJazz Festival em quarteto, afirmando uma ligação ao jazz que atravessa todo o seu percurso artístico: desde “Malpertuis”, obra fundadora do jazz em Portugal, até às múltiplas expressões contemporâneas da sua música. O jazz surge, assim, como território permanente da sua linguagem. Na flauta, amplia uma escrita musical marcada pela elegância, liberdade e escuta atenta, num concerto vivido plenamente no presente.

Acompanham Rão Kyao neste espetáculo Renato Silva Júnior no piano, Ruca Rebordão na percussão e André Sousa Machado na bateria.

Rão Kyao

Segue-se, no dia 1 de maio, um concerto do músico e compositor André Pizarro Pepe, uma das maiores promessas do contrabaixo em Portugal. Neste espetáculo, onde dará a conhecer o seu mais recente disco original, “Sons Rupestres”, o artista não fará apenas do contrabaixo um instrumento convencional, explorando-o também como instrumento de percussão.

Originalmente concebido como um diálogo minimalista entre contrabaixo e guitarra, este concerto propõe uma viagem por sonoridades orgânicas e telúricas, onde o silêncio e a textura têm tanto peso quanto a melodia.

Ao lado do contrabaixo de André Pizarro Pepe, a guitarra acústica de Francisco Neves assegura o suporte harmónico-melódico e a cumplicidade estética que define a génese de “Sons Rupestres”. Para este concerto em Elvas, o duo expande o seu universo sonoro com a participação de um convidado especial: o saxofonista Desidério Lázaro.

André Pizarro Pepe

Caberá, no dia 2 de maio, ao multifacetado e premiado guitarrista espanhol Javier Alcántara, acompanhado pela sua Short Stories Band, em formato de sexteto, encerrar esta 11.ª edição do ArtJazz Festival.

Dando conta de que, para além de guitarrista, Javier Alcántara é “também compositor, produtor e musicoterapeuta”, o diretor artístico adianta que o espetáculo promete ser bastante interativo: “vai ser um espetáculo muito interativo em palco, com dois teclados e uma verdadeira conversa musical entre todos os músicos”.

Neste espetáculo, Javier Alcántara será acompanhado por Narci González no saxofone tenor, Pablo Romero no piano e teclados, Pedro Calero nos teclados e samplers, Enrique Tejado no contrabaixo e Pepín Muñoz na bateria.

Javier Alcántara

Os três espetáculos têm início às 21h30. Os bilhetes, com um custo de cinco euros, podem ser adquiridos na Ticketline ou meia hora antes dos concertos, no Auditório São Mateus.

A entrevista completa a Jorge Goes sobre este 11º ArtJazz Festival de Elvas para ouvir no podcast abaixo: