Campomaiorenses voltam a rumar à Ermida da Enxara na Páscoa: “sem tradições, a vida não é nada”

Os campomaiorenses voltam a mudar-se de “armas e bagagens” para o campo, durante os próximos dias, para cumprir, um ano mais, a tradição pascal da romaria de Nossa Senhora da Enxara.

A previsão é de que a grande maioria das pessoas se comece a reunir junto à ermida a partir de quinta-feira, na véspera da Sexta-Feira Santa, para ali permanecer até segunda-feira, feriado municipal em Campo Maior, fazendo da Enxara uma verdadeira “segunda habitação”, assegura João Pedro Carrilho, da comissão de festas.

“Nesses três ou quatro dias, a Enxara é uma segunda casa. As pessoas levam fogões, levam micro-ondas, tudo o que se possa imaginar. É uma casa autêntica: desde tendas, há pessoas que têm autotendas, é uma segunda casa mudada”, confirma.

E porque sem tradições “a vida não é nada”, defende João Pedro Carrilho, é importante que os jovens possam dar continuidade à romaria, com os mais novos, até ao momento, a juntarem-se sempre à festa. “Nós tentamos puxar alguma juventude para que a tradição da Páscoa e da festa de Nossa Senhora de Enxara se mantenham por muitos e longos anos, para que as tradições não morram, porque se não se faz, acaba por morrer tudo. E é uma maneira de darmos algum ânimo e vida à Eremida”, diz ainda o responsável, que assegura que cabe aos campomaiorenses dar continuidade à festividade criada pelos seus antepassados. “Cabe-nos a nós agora mantê-la viva e tentar passar, e tentamos passar para a malta mais jovem, para se poderem divertir, para poderem coabitar na Ermida da Enxara”, remata.

De recordar que as festas em Honra de Nossa Senhora da Enxara tiveram o seu início oficial na noite do passado sábado, com a tradicional procissão entre a Igreja de Ouguela e a Ermida.

No próximo sábado, 4 de abril, haverá garraiada com música ao vivo, pelas 21 horas. No domingo de Páscoa, dia 5, às 16 horas, realiza-se a Missa da Ressurreição. Duas horas mais tarde haverá garraiada e às 22 horas baile com os Bellota Trompetera. Na Segunda-Feira de Páscoa, feriado municipal em Campo Maior, realiza-se uma Missa de Ação de Graças, pelas 16 horas, seguida de procissão, em honra de Nossa Senhora da Enxara.

João Crespo destaca maturidade do Festival Saberes e Sabores do Porco Alentejano em Arronches: “Um projeto com pernas para andar”

O presidente da Câmara Municipal de Arronches, João Crespo, fez um balanço positivo da evolução do Festival Saberes e Sabores do Porco Alentejano, na segunda edição agora em 2026, sublinhando que as mudanças implementadas nesta edição visam melhorar a experiência dos visitantes através de uma melhor organização do espaço. “Verificámos que havia necessidade de separar a zona de restauração da zona de espetáculos, para que se pudesse degustar a refeição tranquilamente e sem ruído”, explicou o autarca, que destacou ainda a introdução de uma zona de mini street food como alternativa dinâmica às refeições tradicionais.

Para João Crespo, após uma “edição zero” de aprendizagem, no ano passado, o cenário está agora consolidado: “Acho que o cenário está bem montado e que este é um projeto que tem pernas para andar, naturalmente”.

Hospital Central do Alentejo deverá abrir em 2027. Protocolo desbloqueia infraestruturas essenciais

O impasse que durante anos travou a conclusão do Hospital Central do Alentejo (HCA), em Évora, foi ultrapassado no passado dia 20 de março, com a assinatura de um protocolo entre a Câmara Municipal de Évora (CME), a Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC), a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) e a CCDR do Alentejo.

O acordo garante a construção das infraestruturas essenciais ao funcionamento da unidade, com um investimento previsto de 13,3 milhões de euros para acessos rodoviários, redes de água e saneamento e ligações elétricas. Atualmente, a obra do hospital encontra-se concluída em cerca de 80%.

A cerimónia contou com a presença da Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que sublinhou que este acordo representa um passo decisivo para ultrapassar dificuldades acumuladas ao longo do tempo e garantir o avanço das infraestruturas essenciais ao funcionamento da unidade hospitalar. A governante reconheceu que o projeto enfrentou desafios ao longo dos anos, nomeadamente devido à extinção da Administração Regional de Saúde do Alentejo, que até então tinha a responsabilidade pela obra. “É muito complicado, sobretudo para a quase extinta ARS do Alentejo, que tinha o encargo desta obra e que, pela extinção da ARS, acabou por ter ali um momento de grande incapacidade resolutiva e iam-se acumulando as decisões para tomar”, afirmou.

Ana Paula Martins explicou que até meados de 2027 toda a infraestrutura estará finalizada, seguida de um período indispensável de licenciamentos e testes técnicos, essenciais para garantir a segurança e funcionalidade da unidade. “Um hospital desta envergadura precisa de seis meses, pelo menos, de testes de instalações, mas seguramente que o hospital estará concluído e tem que estar concluído até por causa dos fundos europeus”, afirmou.

Sobre a articulação do hospital com a rede nacional, a Ministra destacou que os doentes do Alentejo já são encaminhados para hospitais da Área Metropolitana de Lisboa via rede de referenciação, e que o Hospital Central do Alentejo poderá receber pacientes de outras regiões, respeitando as redes de referência e a proximidade. “Pode aliviar vários hospitais, não só da Margem Sul, mas de toda a Área Metropolitana de Lisboa”, sublinhou.

Já o Presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho, reforçou a relevância estratégica do projeto para a cidade e para o país. “O hospital é uma estrutura fundamental não apenas para o Alentejo, mas mesmo para o país, e tendo em conta a especialização e diferenciação que este hospital terá, até para além do país, na minha perspetiva”, afirmou.

Carlos Zorrinho destacou também a importância de construir a obra de forma sólida, referindo que “costuma-se dizer que as obras começam pelos alicerces, não começam pelo telhado. Temos aqui muitos telhados sem alicerces e, portanto, é bom fazer muitos alicerces”, reforçando a necessidade de um planeamento estruturado para garantir o sucesso do projeto.

Carlos Zorrinho explicou ainda a questão financeira das acessibilidades: “Os 13,3 milhões de euros são uma estimativa e constam do protocolo, mas o valor final será apurado durante a execução. A Câmara Municipal de Évora teve em condição de o assinar, garantindo que os valores reais serão geridos corretamente. Cada componente – saneamento, estradas, estruturas elétricas, serão calculados os custos, serão feitas as empreitadas e será construído. Penso que o valor será provavelmente maior”, explicou.

Carlos Mateus Gomes, Presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central destacou o papel fundamental do protocolo agora assinado: “Este protocolo é o que faltava em todos os processos que temos estado a desenvolver. Conseguimos recuperar um protocolo que estava, não digo morto, mas com algumas dificuldades, até porque não abrangia todos os pontos necessários e que agora estão todos cobertos. Este acordo permite dotar os recursos necessários para avançar com as infraestruturas, que são as infraestruturas básicas que qualquer hospital necessita.”

O Hospital Central do Alentejo é considerado uma infraestrutura estruturante para a região, destinada a servir cerca de 150 mil habitantes do distrito de Évora e aproximadamente 440 mil pessoas em todo o Alentejo, com centros de referência nacionais e internacionais, aliviando a pressão sobre outras unidades hospitalares da região e da Área Metropolitana de Lisboa.

Tiago Antunes celebra “maior vitória da carreira” na Volta ao Alentejo/Crédito Agrícola: “Nunca entrámos em pânico”

O ciclista Tiago Antunes, vencedor da classificação geral da Volta ao Alentejo/Crédito Agrícola 2026, confirmado em Évora confessou que este triunfo era um objetivo perseguido há muito tempo, classificando-o como o momento mais alto do seu percurso profissional: “Tenho muitos bons momentos na minha carreira, mas acho que esta é sem dúvida a minha maior vitória; estou muito feliz e penso que já a merecia”.

Apesar da pressão da fuga na fase final da última etapa, em Reguengos chegaram a ter mais de dois minutos de avanço, o corredor destacou a união e a serenidade da sua formação, a Efapel, como a chave do sucesso, garantindo que a diferença de tempo não abalou a estratégia da equipa: “Tinha confiança no grupo que tinha, sabia que a minha equipa estava sempre comigo e nunca entrámos em pânico; acima de tudo, todos juntos conseguimos ver a vitória”.

Carlos Zorrinho enaltece sucesso da Volta ao Alentejo/Crédito Agrícola: “Não é apenas a pedalada de Évora, é a pedalada do Alentejo”

Carlos Zorrinho, o Presidente da Câmara Municipal de Évora, autarquia que acolheu o final da prova, manifestou grande satisfação com o entusiasmo e a dinâmica da edição deste ano, destacando que a competição é um símbolo de união regional que percorreu 25 municípios em quase 700 quilómetros.

Ao sublinhar a importância estratégica do evento, o autarca afirmou que “esta volta não é apenas a pedalada de Évora, é a pedalada do Alentejo e é isso que nós queremos reforçar ainda mais nas próximas edições”, celebrando ainda o triunfo de um ciclista nacional e o papel da prova como rampa de lançamento para novos talentos: “É uma volta que lança jovens e quem se consegue revelar aqui tem depois carreiras importantes, por isso temos todas as condições para estar satisfeitos e fazer melhor para o ano”.

Ezequiel Mosquera celebra “guião perfeito” e emoção constante na Volta ao Alentejo/Crédito Agrícola 2026

O diretor desportivo da Volta ao Alentejo/Crédito Agrícola 2026, Ezequiel Mosquera, fez um balanço extremamente positivo da competição, descrevendo o desenrolar da prova como o “guião sonhado por qualquer organizador”, marcado por uma alternância constante no comando da classificação.

Mosquera destacou que a incerteza foi o ingrediente principal até ao cair do pano, explicando que, apesar de não ter havido mudança de camisola no último dia, “houve emoção até ao último quilómetro, ganhou a fuga e houve alturas onde até se perigava a camisola amarela, porque ia um grupo muito forte na frente”. Para o responsável, a competitividade demonstrada e a luta pelas vitórias de etapa confirmaram o sucesso do modelo adotado, resultando num espetáculo que manteve o interesse vivo até ao final.

CIMAA e Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre reúnem para aprofundar parcerias

O Presidente do Conselho Intermunicipal, Joaquim Diogo, e o 1.º Secretário Executivo, Carlos Nogueiro, receberam na passada sexta-feira, 20 de março, o Diretor da Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre, Nuno Miranda, para uma reunião de reforço da parceria entre as duas instituições.

A Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA) trabalha com os parceiros de todos os setores da sociedade civil, sempre numa lógica de coesão de territorial e com o desenvolvimento do Alto Alentejo como objetivo principal, neste caso, nos setores da restauração, hotelaria e turismo.

Cândido Barbosa reforça internacionalização da Volta ao Alentejo/Crédito Agrícola “É a prova que mais margem tem de evolução”

O presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Cândido Barbosa, fez um balanço entusiasta da primeira edição da Volta ao Alentejo/Crédito Agrícola que terminou ontem em Évora, organizada pela estrutura federal, sublinhando que a aposta na transmissão televisiva e na modernização logística são vitais porque “o ciclismo cada vez está mais globalizado” e exige um garante de qualidade à altura do território.

Ao destacar o potencial da região, o dirigente afirmou que, de todos os eventos da Federação, esta prova é a que apresenta maior potencial de crescimento, explicando que as alterações técnicas propostas pelo diretor desportivo Ezequiel Mosquera foram aceites de imediato: “Quisemos voltar a tornar a prova interessante do ponto de vista internacional para que as equipas estrangeiras tenham o apetite de vir ao Alentejo, criando um produto desportivo mais equilibrado e interessante para todas as equipas”.

ALENTEJO 2030 lança aviso de 2,8 milhões de euros para ações inovadoras de combate ao desafio demográfico

Foi publicado, a 26 de março de 2026, um aviso que visa apoiar ações inovadoras para responder ao desafio demográfico na região do Alentejo, no âmbito do Instrumento Territorial Integrado (ITI) Água e Ecossistemas de Paisagem.

Com uma dotação indicativa de 2,8 milhões de euros, cofinanciados pelo FEDER a uma taxa máxima de 85%, este aviso integra o Programa Regional do Alentejo 2030 e pretende promover soluções inovadoras e integradas que contribuam para atrair, acolher e fixar população na região.

O apoio destina-se à implementação do Plano de Ação aprovado no âmbito do ITI Água e Ecossistemas de Paisagem, privilegiando intervenções nas áreas da cultura, turismo e natureza, enquanto motores de desenvolvimento territorial sustentável.

O concurso enquadra ações que visem a criação de modelos inovadores de combate ao despovoamento, a promoção da reconversão demográfica através da atração, fixação e integração de população, o fomento da inclusão social, do emprego e do acesso a
serviços nos territórios e o reforço da participação comunitária e da promoção de modelos de governança local mais inclusivos e inovadores.

Podem candidatar-se Entidades da Administração Central, Autarquias locais e Associações sem fins lucrativos.

As candidaturas decorrem até ao dia 5 de junho de 2026.

Este aviso representa uma oportunidade estratégica para dinamizar o território, reforçar a coesão social e económica e contribuir para inverter tendências de despovoamento, através de soluções inovadoras adaptadas às especificidades do Alentejo.

Mais informações em https://alentejo.portugal2030.pt/avisos/.

Dia Internacional de Zero Resíduos foca-se no combate ao desperdício alimentar

No dia 30 de março, assinala-se o Dia Internacional de Zero Resíduos, uma iniciativa das Nações Unidas que, em 2026, coloca o desperdício alimentar no centro do debate global. Estima-se que, anualmente, cerca de mil milhões de toneladas de alimentos sejam desperdiçadas em todo o mundo — o equivalente a quase um quinto de toda a comida disponível para consumo. José Janela, da Quercus, sublinha que este é um problema com repercussões profundas a nível ambiental, económico e social, exigindo uma mudança urgente de comportamentos para travar o esgotamento de recursos preciosos.

O objetivo desta data é promover a transição para uma economia mais circular e sustentável, onde a redução de resíduos seja a prioridade máxima. Segundo a Quercus, o Dia Internacional de Zero Resíduos serve como um apelo à ação para que governos, empresas e cidadãos adotem soluções que permitam aproveitar melhor os recursos existentes. Pequenos gestos quotidianos na gestão dos alimentos podem contribuir decisivamente para alcançar as metas globais de sustentabilidade, provando que a luta contra o desperdício é uma responsabilidade partilhada que beneficia o planeta e a economia.

Tudo para saber sobre o assunto com José Janela, da Quercus. O programa desta semana para ouvir, na íntegra, no podcast abaixo: