A pensar no futuro, Câmara Municipal de Elvas aposta no alargamento da zona industrial

O presidente da Câmara Municipal de Elvas, Rondão Almeida, defende o alargamento da zona industrial da cidade como uma forma de preparar o território para a eventual instalação de grandes empresas que necessitem de áreas superiores às atualmente disponíveis.

O autarca reconhece que ainda existem lotes por ocupar na zona industrial antiga, incluindo terrenos com cerca de seis mil metros quadrados, onde está provisoriamente instalado o estaleiro municipal, além de outros espaços com diferentes dimensões.

Apesar da existência de lotes disponíveis, Rondão Almeida considera que o alargamento deve avançar numa perspetiva de preparação para futuras oportunidades de investimento.

“É um investimento, como se costuma dizer, para estarmos preparados no caso de algum dia surgir alguma grande empresa, de grandes dimensões, que necessite de um lote não de cinco mil metros quadrados, mas talvez de cinco hectares”, afirma.

A estratégia passa, assim, por dotar Elvas de condições para acolher projetos empresariais que exijam áreas significativamente maiores, mesmo que a procura por esse tipo de terrenos não se verifique de imediato.

Falta de mão de obra em vários setores

Em declarações à Rádio ELVAS, o presidente da Câmara abordou também a realidade do mercado de trabalho no concelho, sublinhando que a falta de emprego não afeta todas as áreas profissionais da mesma forma.

Segundo Rondão Almeida, Elvas enfrenta carências de trabalhadores em diversos setores. “Há falta de mão de obra. Elvas não tem pedreiros, não tem carpinteiros, não tem soldadores, não tem pintores, não tem eletricistas”, referiu, acrescentando que também existe falta de pessoal para a restauração, a hotelaria e os contact centers.

Para o autarca, esta realidade contrasta com as dificuldades sentidas por trabalhadores com qualificações superiores, sobretudo por aqueles que concluem cursos universitários e não encontram oportunidades profissionais compatíveis com a sua formação.

Rondão Almeida considera que este problema ultrapassa a realidade de Elvas e afeta todo o interior do país, relacionando-o com a falta de projetos estruturantes e científicos capazes de criar emprego qualificado.

Autarca pede medidas para valorizar o interior

Na perspetiva do presidente da Câmara de Elvas, a fixação de população e a criação de oportunidades de emprego qualificado no interior exigem uma estratégia nacional que vá além da atuação dos municípios.

Rondão Almeida defende que parte dos serviços da administração central atualmente concentrados em Lisboa seja transferida para territórios do interior, incluindo direções-gerais e direções de serviços, criando oportunidades para profissionais com qualificações nas áreas administrativa e técnica.

O autarca apela ainda à criação de zonas de localização prioritária, com incentivos destinados a atrair grandes empresas para o interior do país.

“Não criem só esses incentivos para que elas se fixem sempre no litoral”, afirmou, defendendo uma distribuição territorial mais equilibrada do investimento e das oportunidades de emprego.

Alunas de Campo Maior aprendem e partilham experiências na Chéquia

Entre os dias 12 e 16 de outubro, cinco alunas do Agrupamento de Escolas de Campo Maior (AECM), quatro do 10.º ano e uma do 11.º ano, acompanhadas por duas professoras, participaram na III Mobilidade Internacional de Aprendizagem, Ensino e Formação (LTTA) do projeto Erasmus+ Connected Minds, United Actions: Digital and Peer Collaboration for Inclusion and Sustainability, realizada em Slavičín, na Chéquia.

A mobilidade, subordinada ao tema “Patterns and Innovations Across Disciplines”, reuniu alunos e professores de seis países parceiros – Portugal, Espanha, Roménia, Chéquia, Hungria e Turquia –, proporcionando uma semana de partilha de experiências, aprendizagem colaborativa e descoberta de práticas inovadoras, com especial enfoque na sustentabilidade, na inclusão e nas tecnologias digitais.

O programa teve início com uma receção oficial na Câmara Municipal de Slavičín, seguida de uma sessão de boas-vindas na escola anfitriã, que incluiu uma atuação do coro escolar. Os participantes tiveram oportunidade de conhecer as instalações da escola e de apresentar os respetivos países, cidades e estabelecimentos de ensino, promovendo o intercâmbio cultural e o desenvolvimento de competências de comunicação em língua inglesa. O primeiro dia incluiu ainda uma visita guiada à cidade, dinamizada pelos alunos checos, e uma visita à Cirkula, um espaço dedicado à reutilização de bens e à transformação de madeira para produção de combustível destinado ao aquecimento das casas. O dia terminou com uma visita à cidade termal de Luhačovice, conhecida pelas suas nascentes de água mineral.

No segundo dia, os participantes deslocaram-se a Zlín, onde visitaram estúdios de cinema e participaram num workshop dedicado à utilização de ferramentas audiovisuais. Durante esta atividade, os alunos exploraram técnicas de produção audiovisual e desenvolveram trabalhos práticos, articulando criatividade, comunicação e competências digitais. O programa incluiu também visitas ao histórico Edifício 21 e à mini incubadora empresarial TIC Zlín, proporcionando aos professores um contacto com iniciativas ligadas ao desenvolvimento tecnológico e à inovação.

O terceiro dia começou com a celebração dos Erasmus Days, destacando os valores da cooperação europeia, da diversidade cultural e das oportunidades proporcionadas pelo programa Erasmus+. Seguiram-se visitas à quinta de ervas aromáticas Květomluva e à tanoaria Fryzelka, em Vlachovice, onde os participantes conheceram práticas de produção local e atividades tradicionais. Durante a tarde, a visita à ecoaldeia de Hostětín permitiu aprofundar conhecimentos sobre sustentabilidade ambiental e soluções desenvolvidas ao nível das comunidades locais, através da realização de um jogo que terminou com a degustação da Cidra produzida no local.

No quarto dia, a visita ao Kovozoo, em Staré Město, proporcionou uma experiência particularmente original, através da observação de esculturas de animais construídas a partir de materiais metálicos reutilizados. Este espaço constituiu um exemplo da articulação entre arte, criatividade e economia circular, demonstrando como os resíduos podem adquirir novas funções e valor. O dia terminou com uma festa de despedida, que reuniu os participantes dos diferentes países num ambiente de convívio e celebração da diversidade cultural.

O último dia foi dedicado à exploração e partilha de recursos digitais, através de um workshop que incluiu apresentações, desafios individuais com recurso às tecnologias e a construção de uma base de dados de ferramentas digitais. Paralelamente, os professores participaram em momentos de reflexão e articulação sobre o desenvolvimento do projeto e as atividades futuras. A mobilidade terminou com apresentações dos alunos e uma sessão de balanço final, na qual foram partilhadas experiências e aprendizagens.

Ao longo desta semana, as alunas do AECM tiveram oportunidade de trabalhar e conviver com jovens de diferentes nacionalidades, desenvolver competências linguísticas, digitais, sociais e interculturais, reforçar a autonomia e o espírito de equipa e aprofundar a consciência sobre a importância da sustentabilidade e da cidadania europeia.

Esta mobilidade constituiu mais uma etapa na concretização dos objetivos do projeto Erasmus+ “Connected Minds, United Actions”, reforçando a cooperação entre as escolas parceiras e demonstrando o valor da aprendizagem internacional na formação de jovens mais participativos, conscientes e preparados para os desafios de uma sociedade global, digital e sustentável.