ALERtejo regressa a Elvas com quatro dias de programação dedicados à literatura no feminino

O encontro literário ALERtejo regressa a Elvas, de 22 a 25 de outubro, para a sua terceira edição, com uma programação alargada a quatro dias, mais autores e novas atividades, incluindo iniciativas em diferentes escolas do concelho e uma Feira do Livro.

O encontro literário, coorganizado pelo Coletivo Artístico 7350 e pela Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo, dedica este ano a sua programação ao feminino, dando destaque à mulher enquanto autora e protagonista da criação literária.

Elizabete Agostinho, uma das responsáveis pela organização do ALERtejo, considera que o evento dá este ano um passo importante no seu crescimento, quer ao nível da duração, quer da diversidade da programação. “Acho que fizemos um salto na escala do evento este ano”, afirma a diretora artística, explicando que, depois das duas primeiras edições, existia a vontade de levar o projeto “ao nível seguinte”, reforçando a riqueza e a diversidade das propostas apresentadas ao público.

Nesse sentido, a colaboração com a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo permitiu alargar a iniciativa e consolidar a sua dimensão. “Estamos bastante orgulhosos da programação que conseguimos ter nesta terceira edição do ALERtejo”, sublinha.

ALERtejo vai às escolas para aproximar os mais novos da leitura

Uma das novidades desta edição é o alargamento da programação de três para quatro dias, com os dois primeiros dedicados também a atividades dirigidas à comunidade escolar. A organização pretende, assim, aproximar os mais jovens da literatura e incentivar hábitos de leitura numa fase da vida em que muitos leitores se afastam dos livros.

“Aquilo que motivou o ALERtejo na sua génese foi a nossa vontade de criar cultura e de valorizar a literatura local e não só, valorizar a literatura local e nacional para a população local e nacional”, explica Elizabete Agostinho.

A responsável destaca a importância de chegar aos públicos mais jovens, sobretudo na pré-adolescência e na adolescência, idades em que, considera, se verifica frequentemente um afastamento da leitura.

Para responder a esse desafio, o programa inclui a presença da escritora Maria Inês Almeida em várias escolas do concelho de Elvas. “Quisemos precisamente trazer a Elvas uma autora que fala, que escreve para essas faixas etárias”, refere, acrescentando que a iniciativa pretende “criar leitores que possam vir depois às próximas edições do ALERtejo”.

A diretora artística do evento deixa também o desejo de que a aproximação seja recíproca: “Desta vez, o ALERtejo vai à escola, mas também queremos muito que os alunos dessas escolas possam vir ao ALERtejo”.

Literatura nacional e identidade local lado a lado

A Casa da Cultura de Elvas acolhe a Feira do Livro, enquanto este e outros espaços da cidade, incluindo o Hotel Vila Galé Collection Elvas, recebem apresentações de livros, conversas e encontros com escritores.

A programação reúne nomes da literatura nacional e autores ligados à região, numa aposta que pretende valorizar a cultura local sem deixar de proporcionar ao público o contacto com escritores de projeção nacional.

“Queremos muito que seja um evento aglutinador, que valorize a literatura, sem nunca esquecer a sua identidade”, afirma Elizabete Agostinho.

A organização procura, por isso, promover o encontro entre diferentes escalas culturais, trazendo a Elvas autores reconhecidos nacionalmente e mantendo, em simultâneo, a presença de escritores locais e de figuras que contribuem para a dinâmica cultural do concelho.

“Também queremos que quem vem ao ALERtejo e eventualmente não seja de Elvas tenha a oportunidade de descobrir e conhecer melhor a cultura local, a história, a base histórica daquilo que se escreve no Alentejo”, acrescenta.

Poesia, percursos literários e encontros com autores

Entre os destaques do programa estão um recital de poesia com Pedro Lamares, uma rota literária dedicada a António Sardinha e um jantar poético dedicado às poetisas da Raia.

Para Elizabete Agostinho, estas propostas permitem explorar a literatura para além da leitura individual, aproximando-a de diferentes espaços, experiências e públicos. “A melhor forma de vivenciar a poesia é ouvindo”, considera, destacando a capacidade de Pedro Lamares para transmitir a emoção dos poemas.

O jantar poético inclui uma homenagem às poetisas da raia, com autores de Elvas a dizerem poesia, seguindo-se o recital de Pedro Lamares, numa iniciativa que pretende ultrapassar as fronteiras geográficas e culturais da região.

Já a rota literária, conduzida por Cíntia Romba, procura levar os participantes para o espaço público, mostrando como a palavra escrita pode ganhar vida em diferentes ambientes.

O programa inclui ainda conversas com Inês Meneses e Tozé Brito, apresentações de livros e tertúlias, proporcionando diferentes formas de contacto com a criação literária.

Uma edição dedicada à mulher enquanto autora

A terceira edição do ALERtejo tem como tema central o “mundo” feminino, uma escolha que nasceu, em parte, da reflexão sobre figuras femininas da literatura alentejana, como Florbela Espanca, e da vontade de dar maior visibilidade às mulheres enquanto criadoras literárias.

“Muitas vezes olhamos para cartazes literários e continuamos a ter mais homens do que mulheres”, observa Elizabete Agostinho, salientando que existem atualmente muitas escritoras a destacar-se na literatura contemporânea.

A organização decidiu, por isso, colocar a mulher no centro da programação, não apenas enquanto tema ou personagem literária, mas sobretudo enquanto autora, voz e protagonista da criação cultural.

“Este cartaz não é feminista, é feminino”, garante a responsável, defendendo que a valorização da mulher não tem de assentar numa oposição entre o feminino e o masculino. “A mulher pode ter o seu lugar e deve ter o seu lugar e merece ter o seu lugar sem haver necessariamente esta luta entre o feminino e o masculino”.

Esta perspetiva reflete-se em vários momentos do programa, desde as conversas com autoras até à presença de homens a interpretarem poesia escrita por mulheres, numa lógica de complementaridade e partilha.

Entre os momentos de maior significado está a apresentação do livro “Beatriz, Uma Melodia Interrompida”, de Paula Lebre, escritora elvense que presta homenagem à filha, vítima de violência de género. A programação inclui ainda as apresentações de “Sótão”, de Madalena Sá Fernandes, e “Sou uma Multidão Minúscula”, de Susana Amaro Velho.

O encerramento do encontro fica a cargo da escritora Dulce Maria Cardoso, uma das vozes de referência da literatura portuguesa contemporânea.

Depois de duas edições que reforçaram a ligação à comunidade local e transfronteiriça, o ALERtejo pretende afirmar-se como um dos encontros literários de referência do interior do país, consolidando Elvas e a raia alentejana como espaços de encontro entre autores, leitores e amantes da literatura, de ambos os lados do Guadiana.

Conheça o programa completo:

Junta de Freguesia da Expectação quer ser um apoio para quem enfrenta o cancro

A Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Expectação, em Campo Maior, pretende reforçar o apoio de proximidade às pessoas que enfrentam uma doença oncológica e aos seus familiares, através da escuta, do acompanhamento e da identificação de necessidades que possam ser colmatadas com o apoio da autarquia ou de outras entidades.

Sobre o trabalho já desenvolvido em articulação com a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), Hugo Milton, presidente da Junta de Freguesia, explica que esta é uma área à qual pretende dar especial atenção, procurando contribuir para que os doentes e as suas famílias não se sintam sozinhos durante um período particularmente delicado das suas vidas.

O autarca sublinha a importância da proximidade e do contacto humano, defendendo que “uma conversa, um diálogo ou um simples telefonema” podem fazer a diferença para quem atravessa uma fase difícil. Destaca ainda o valor da partilha de experiências com pessoas que já passaram pela doença e conseguiram superá-la.

Hugo Milton revela que já estabeleceu contacto com Cristina Bruno, a coordenadora do Grupo de Apoio de Portalegre da LPCC, para abordar esta questão e perceber de que forma poderá ser prestado apoio a quem dele necessita.

Apesar de admitir que algumas pessoas ainda se mostram retraídas na procura de ajuda, Hugo Milton deixa um apelo direto à população para que se dirija à Junta de Freguesia, partilhe as suas dificuldades e procure um espaço de diálogo.

“Quero que sintam que Campo Maior tem um espaço onde possam ir”, afirma, garantindo que a Junta está disponível para ouvir os cidadãos e procurar soluções para os problemas apresentados.

O apoio poderá passar pela identificação de necessidades materiais específicas, como suplementos alimentares, lenços, turbantes ou outros artigos de que os doentes possam necessitar durante os tratamentos. Segundo o responsável, a intenção é perceber cada situação e encontrar formas de ajudar, dentro das possibilidades existentes.

Quando as necessidades ultrapassarem a capacidade de resposta da junta, está também prevista a possibilidade de encaminhar os casos para a LPCC, nomeadamente para estruturas e grupos de apoio especializados, cujos técnicos poderão assegurar um acompanhamento mais adequado.

“Às vezes, as pessoas podem sentir-se sozinhas, mas não estão, nós estamos lá”, remata Hugo Milton, reforçando a mensagem de disponibilidade da Junta de Freguesia para apoiar quem atravessa uma doença oncológica.

GNR contabiliza 78 casos de bullying e ciberbullying em contexto escolar em 2026

A Guarda Nacional Republicana (GNR) registou, em 2026, 78 ocorrências criminais em contexto escolar associadas a práticas de bullying e ciberbullying, segundo dados divulgados esta terça-feira, 20 de outubro, no âmbito do Dia Mundial de Combate ao Bullying.

Do total de ocorrências identificadas, 72 estavam relacionadas com bullying e seis com ciberbullying. Os distritos de Setúbal, com dez registos, Porto, com nove, Castelo Branco e Lisboa, ambos com oito, e Santarém, com sete, concentraram o maior número de casos de bullying.

Relativamente ao ciberbullying, foram registadas duas ocorrências nos distritos de Braga e Setúbal e uma nos distritos do Porto e de Santarém.

A GNR esclarece que estes fenómenos não estão tipificados de forma autónoma na legislação penal portuguesa. Os números apresentados correspondem, por isso, a ocorrências criminais registadas em ambiente escolar que, pela análise do respetivo modo de atuação, foram associadas a dinâmicas de bullying ou ciberbullying.

No total, a Guarda contabilizou 1.657 crimes em ambiente escolar, em 2026, na sua área de responsabilidade.

Mais de 67 mil crianças e jovens abrangidos por ações de sensibilização

No âmbito da prevenção da violência em contexto escolar, a GNR realizou 1.845 ações de sensibilização durante o ano letivo de 2025/2026, dirigidas a 67.117 crianças e jovens, maioritariamente em estabelecimentos de ensino.

De acordo com a instituição, estes números representam um aumento superior a 23% face ao ano letivo anterior, abrangendo estabelecimentos de ensino públicos e privados situados na área de responsabilidade da Guarda.

As iniciativas integram ações de sensibilização e campanhas sobre violência, cidadania, inclusão, não discriminação, Direitos Humanos, direitos da criança e utilização segura da internet.

A GNR sublinha que o bullying consiste na prática intencional e repetida de violência física ou psicológica, exercida por uma ou mais pessoas numa relação desigual de poder, provocando sofrimento à vítima. Com a utilização das novas tecnologias e das redes sociais, estas condutas podem assumir também uma dimensão virtual, através do ciberbullying.

Embora o bullying não constitua, por si só, um tipo de crime autónomo, os comportamentos associados podem enquadrar-se em crimes como ofensas à integridade física, injúrias, ameaças e coação.

Alterações de comportamento podem ser sinais de alerta

A Guarda alerta para a importância de pais, professores e outros cuidadores estarem atentos a sinais que podem indicar que uma criança ou jovem está a ser vítima de bullying.

Entre os indicadores a considerar estão alterações de humor, abatimento físico ou psicológico, ansiedade, irritabilidade, queixas físicas recorrentes, dores de cabeça ou de estômago, perturbações do sono e aparecimento de nódoas negras, bem como outras mudanças de comportamento.

A instituição destaca ainda a importância da saúde mental, defendendo o desenvolvimento da empatia, da capacidade de gerir emoções e da resiliência perante dificuldades. A presença da família e dos amigos, o acompanhamento da comunidade escolar e o apoio de professores, psicólogos e profissionais de saúde são considerados fundamentais para o bem-estar dos jovens.

A GNR apela também à criação de ambientes em que as crianças e os jovens se sintam seguros para partilhar as suas experiências e procurar ajuda, sem receio de serem julgados.

GNR deixa recomendações a vítimas, testemunhas e pais

Perante situações de bullying, a Guarda aconselha as vítimas e testemunhas a denunciarem os comportamentos a um adulto de confiança, a promoverem o respeito e a inclusão e a evitarem situações de confronto com o agressor. Recomenda ainda que as vítimas procurem permanecer acompanhadas e em locais frequentados por outras pessoas.

Nos casos de ciberbullying, a GNR aconselha a guardar provas, nomeadamente mensagens e conteúdos ofensivos, a não responder diretamente ao agressor e a procurar ajuda junto dos pais, professores ou de outro adulto de confiança. As testemunhas são igualmente aconselhadas a não partilhar os conteúdos ofensivos e a apoiar a vítima na procura de ajuda.

Aos encarregados de educação, a Guarda recomenda um acompanhamento próximo da rotina escolar e digital dos filhos, com atenção a possíveis sinais de vitimização ou de comportamentos agressivos. Perante suspeitas de bullying, ciberbullying, ameaças ou outras situações de risco, aconselha a comunicação imediata às autoridades e a preservação das provas existentes.

A GNR reforça que a segurança em meio escolar continua a ser uma prioridade estratégica e garante que continuará a desenvolver ações de prevenção, deteção e combate à violência através das Secções de Prevenção Criminal e Policiamento Comunitário. A instituição dispõe ainda de militares com formação especializada para acompanhar vítimas e encaminhá-las para entidades competentes.

A mensagem deixada pela Guarda, neste Dia Mundial de Combate ao Bullying, é a de que a prevenção depende do envolvimento de toda a comunidade, apelando à denúncia de situações de violência e à construção de escolas mais seguras, inclusivas e respeitadoras.

Em caso de emergência, deve ser contactado o número europeu 112. A GNR recomenda que situações suspeitas de bullying ou ciberbullying sejam comunicadas às autoridades, com preservação de todas as provas disponíveis.