Municípios de norte a sul do país debatem cibersegurança em fórum nacional em Elvas

O Centro de Negócios Transfronteiriço de Elvas acolhe esta terça-feira, 13 de outubro, a terceira edição do Fórum de Cibersegurança da Administração Local (FCSAL), uma iniciativa promovida pelo Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), em cooperação com a Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA) e o Município de Elvas.

O encontro pretende reforçar a ciber-resiliência da Administração Local, através da cooperação entre municípios, comunidades intermunicipais e outras entidades, num contexto marcado pelo aumento e pela crescente sofisticação das ameaças informáticas.

Lino Santos defende mais cooperação entre municípios para reforçar a cibersegurança

Em declarações à Rádio ELVAS, Lino Santos, coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança, destacou que o fórum tem como principais objetivos a partilha de conhecimento, o apoio mútuo e a criação de relações de confiança entre as organizações participantes.

“Estamos num contexto muito interessante em que temos um novo regime jurídico da cibersegurança”, afirmou, referindo que a nova legislação estabelece um conjunto de obrigações para os municípios e para as comunidades intermunicipais.

O responsável considera que o encontro constitui uma oportunidade para dialogar com as autarquias e encontrar soluções que permitam aumentar a maturidade em matéria de cibersegurança de forma eficaz. Para isso, defende o reforço da partilha de experiências entre os técnicos e os próprios executivos municipais.

Apesar de se tratar de uma iniciativa de âmbito nacional, Lino Santos sublinhou também a importância de descentralizar o evento e levá-lo ao interior do país. “Tentamos sempre percorrer o país e descentralizar estas iniciativas”, explicou, mostrando-se satisfeito com a realização desta edição no Alto Alentejo.

CIMAA quer reforçar investimento e trabalho em rede

Para Joaquim Diogo, presidente da CIMAA, a escolha do Alto Alentejo e de Elvas para receber o fórum representa “uma oportunidade e também um orgulho”, permitindo dar a conhecer o trabalho desenvolvido na região e partilhar experiências sobre ameaças que afetam diariamente as entidades públicas.

O responsável alertou para a diversidade dos riscos associados à cibersegurança, que vão muito além do roubo de dados ou das tentativas de phishing. Como exemplo, referiu uma notícia divulgada na manhã desta terça-feira sobre a manipulação remota da temperatura dos equipamentos de refrigeração de uma grande cadeia de supermercados.

“É também tudo o que anda à volta desta dinâmica”, salientou, defendendo uma abordagem abrangente à proteção dos sistemas tecnológicos, informáticos e de comunicação.

Joaquim Diogo reconheceu que a região ainda tem caminho a percorrer, considerando essencial um planeamento sólido, com objetivos concretos, e uma maior capacidade de trabalho conjunto entre as autarquias.

“O que eu acho é que nós estamos numa fase, neste momento, de definição da nossa estratégia e implementação inicial da nossa estratégia”, explicou, referindo que o plano da CIMAA começou a ser implementado no final de 2025 e já apresenta alguns resultados práticos em 2026.

O presidente da comunidade intermunicipal considera que a proteção dos sistemas depende de três fatores fundamentais: equipamentos e sistemas mais seguros, recursos humanos mais bem preparados e capacidade de cooperação perante ameaças reais.

“Eu acho que ainda existe uma falta de consciência de muitas entidades relativamente aos pontos que nós temos que atacar”, alertou, acrescentando que os próximos tempos deverão trazer investimento na qualificação dos recursos humanos e no software e hardware utilizados pelos municípios.

Questionado sobre se o Alto Alentejo pode ser considerado uma região segura do ponto de vista da cibersegurança, Joaquim Diogo foi cauteloso, sublinhando que as ameaças estão em constante evolução e que a capacidade de adaptação de quem ataca pode acompanhar a das entidades que procuram defender-se.

Por isso, defendeu a necessidade de sistemas de cópias de segurança, tecnologia capaz de detetar novas ameaças e formação para que cada trabalhador saiba como agir no dia a dia e perante um incidente.

Vice-presidente da Câmara Municipal de Elvas destaca importância da sensibilização e da formação

Também Nuno Mocinha, vice-presidente da Câmara Municipal de Elvas, salientou a atualidade do tema e a importância de sensibilizar a Administração Local para os desafios da proteção do espaço digital.

O autarca manifestou satisfação pelo facto de Elvas ter sido escolhida para acolher a iniciativa, considerando que o fórum, com a participação de “mais de 300 pessoas”, em representação de “mais de 150 municípios”, deve contribuir para aumentar a consciência das entidades públicas sobre a necessidade de investir em cibersegurança.

“Aquilo que esperamos é que ele sirva também para consciencializar a administração local de que esta é uma área que requer investimento e requer atenção”, afirmou à Rádio ELVAS.

Nuno Mocinha destacou ainda a importância de esclarecer dúvidas e formar os técnicos que trabalham nesta área, numa altura em que as ameaças são cada vez mais complexas e a legislação se torna mais exigente.

Programa inclui sessões para eleitos e técnicos

A agenda desta terceira edição do Fórum de Cibersegurança da Administração Local contempla ações de sensibilização dirigidas aos executivos municipais e sessões técnicas destinadas aos profissionais responsáveis pela cibersegurança e pela segurança da informação nas autarquias.

A iniciativa pretende facilitar a criação de canais de comunicação entre as entidades participantes, promovendo a partilha de conhecimento e uma resposta mais rápida e coordenada aos incidentes.

O encontro realiza-se num momento de reforço das exigências legais em matéria de cibersegurança, através do novo Regime Jurídico da Cibersegurança, que torna ainda mais relevante a capacitação dos municípios e das comunidades intermunicipais.

Com a realização deste fórum no Alto Alentejo, o CNCS, a CIMAA e o Município de Elvas procuram contribuir para uma Administração Local mais preparada para prevenir, detetar e responder às ameaças digitais.

Cante Alentejano vai “ecoar” no Forte da Graça com a estreia de três obras inéditas

O Forte da Graça, em Elvas, recebe no próximo sábado, dia 17 de outubro, às 11h00, a iniciativa “O Cante Alentejano Ecoa no Forte da Graça”, promovida pela Associação Cultural Pública de Hortênsia de Castro de Elvas. O evento assinala a estreia pública das três obras vencedoras do primeiro Concurso Internacional de Composição Musical de Elvas.

Segundo o presidente da associação e maestro do Coral, Vasco Almeida, esta primeira edição do concurso musical, lançada há cerca de um ano, procurou estimular a criação musical contemporânea a partir da tradição alentejana. As obras foram avaliadas de forma anónima por um júri, sem conhecimento da identidade ou proveniência dos compositores.

O primeiro prémio foi atribuído a João Pedro Pinto Oliveira, pela obra “Hino ao Forte de Nossa Senhora da Graça”. O segundo prémio distinguiu Rodrigo Manuel Vieira Cardoso, com “Munimen”, enquanto o terceiro prémio foi entregue a Afonso Fontão da Costa, pela composição “Nossa Senhora da Graça”.

As três obras apresentam características distintas. A primeira é escrita para coro tradicional a quatro vozes, a segunda inclui vibrafone e a terceira prevê a participação de um quarteto. Por se tratarem de obras inéditas e de composição contemporânea, a preparação da apresentação das obras exigiu um trabalho específico por parte do Coral.

“O Cante Alentejano Ecoa no Forte da Graça” pretende, contudo, ser mais do que um concerto convencional. A organização preparou um percurso musical pelo interior do monumento, durante o qual serão interpretadas também quatro modas alentejanas conhecidas do público: “Se Fores ao Alentejo”, “Ó Rama, Ó que Linda Rama”, “Gotinha de Água” e “Fui Colher uma Romã”.

A iniciativa começa na entrada principal do Forte da Graça, com uma contextualização do concurso e do próprio Canto Alentejano, seguindo depois por diferentes espaços do monumento até à Casa do Governador.

O programa contará ainda com a participação do escritor Rodrigo Fialho, do cantautor António Brinquedo e do Grupo Coral Infantil de Elvas, procurando juntar diferentes gerações e expressões artísticas em torno do património musical alentejano.

No final do percurso haverá ainda uma degustação de produtos da região, pensada como forma de complementar uma manhã dedicada à música, à tradição e ao património.

O Forte da Graça assume, assim, um papel central na iniciativa, não apenas como cenário, mas como parte integrante da experiência musical. A organização pretende explorar as características acústicas e arquitetónicas do monumento, proporcionando ao público uma forma diferente de o visitar.

A entrada é gratuita e o convite é dirigido a toda a população.

A entrevista a Vasco Almeida para ouvir no podcast abaixo:

Campo Maior: Casa-Museu celebra Santa Beatriz da Silva com exposição

A Casa-Museu Santa Beatriz da Silva, em Campo Maior, acolhe desde o passado dia 3 de outubro a exposição “Devoção a Santa Beatriz da Silva em Campo Maior”, uma iniciativa que dá a conhecer a ligação da comunidade campomaiorense àquela que é considerada a primeira santa portuguesa.

A exposição está patente num ano particularmente simbólico para a memória de Santa Beatriz da Silva, uma vez que, em 2026, se assinalam os 50 anos da sua canonização e o centenário da sua beatificação. A iniciativa integra-se na missão da Casa-Museu de preservar e divulgar a vida, a obra e a espiritualidade da santa, natural de Campo Maior e fundadora da Ordem da Imaculada Conceição.

O espaço museológico assinalou, a 1 de setembro, o seu 13.º aniversário. Inaugurada em 2013, a Casa-Museu tem vindo a afirmar-se como um local de referência para o conhecimento da história de Santa Beatriz da Silva, assumindo igualmente um papel na preservação da cultura e da identidade do concelho.

O presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, Luís Rosinha, destaca a importância deste equipamento para a comunidade e para os visitantes que procuram conhecer melhor a história da santa.

“Foi há 13 anos que a Casa-Museu foi inaugurada, uma casa que muito nos diz, a todos nós campomaiorenses, por tratar-se da nossa Santa campomaiorense, a primeira Santa portuguesa, e é um sítio muito visitado, muito procurado”, afirma o autarca.

Luís Rosinha sublinha ainda o significado particular de 2026, ano em que se assinalam duas datas marcantes no percurso religioso de Santa Beatriz da Silva, considerando que a Casa-Museu continua a ser fundamental para valorizar a ligação histórica da santa a Campo Maior.

“É um museu que continua de portas abertas, à espera das visitas, para que todos possam conhecer melhor a primeira Santa portuguesa e a Santa que mais honra os campomaiorenses”, conclui.

A exposição “Devoção a Santa Beatriz da Silva em Campo Maior” constitui, assim, uma oportunidade para aprofundar o conhecimento sobre a expressão da devoção à santa no concelho e sobre a forma como a sua memória continua presente na identidade local.

A Casa-Museu Santa Beatriz da Silva está localizada na Rua de Santa Beatriz da Silva, em Campo Maior, e pode ser visitada de terça-feira a domingo, entre as 10h00 e as 13h00 e as 14h00 e as 17h00. A entrada é gratuita.