Outubro é Mês da Música em Elvas com três concertos no Auditório São Mateus

Elvas volta a celebrar o Mês da Música com três concertos no Auditório São Mateus, ao longo de outubro.

A iniciativa, que este ano chega à sua 21.ª edição, arranca amanhã, quinta-feira, 1 de outubro, no Dia Mundial da Música, e apresenta propostas que atravessam diferentes linguagens e universos musicais.

“Empatia – Reflexões Sonoras” assinala Dia Mundial da Música

A programação começa esta quinta-feira, às 19h00, com o concerto “Empatia – Reflexões Sonoras”, pela Orquestra Ibérica.

Segundo Luís Zagalo, diretor artístico deste ciclo de concertos, esta 21ª edição mantém uma iniciativa que, à exceção do período da pandemia, tem marcado regularmente a programação cultural da cidade. “Este ano, a primeira proposta que trazemos é a comemoração do Dia Mundial da Música, a que nos associamos mais uma vez, com um concerto que vai estrear intitulado ‘Empatia, Reflexões Sonoras’”, explica.

O espetáculo parte de uma frase da escritora Anaïs Nin — “nós não vemos as coisas como elas são, nós vemos as coisas como nós somos” — e pretende proporcionar ao público um momento de reflexão em torno da empatia.

“Temos provas mais do que suficientes para perceber que quando nos afastamos muito dela (empatia), normalmente é escrita uma das páginas mais obscuras da própria história”, sublinha Luís Zagalo, defendendo a necessidade de “reciclar e renovar” esta dimensão humana.

“Ecos da Planície” junta Ensemble Ibérico e Luís Trigacheiro

O segundo momento deste Mês da Música acontece a 18 de outubro, domingo, às 18h30, com “Ecos da Planície”, pelo Ensemble Ibérico, que convida o cantor Luís Trigacheiro. O espetáculo conta ainda com a participação especial do Coro Juvenil da Academia de Música de Elvas.

“Ecos da Planície” foi também o título da banda sonora composta por Luís Zagalo para um filme de Carlos Crespo, remetendo para a identidade e as características particulares do Alentejo.

“É um concerto que associa por um lado a tradição e por outro lado a contemporaneidade”, destaca o diretor artístico. Para Luís Zagalo, a presença de Luís Trigacheiro permite reforçar essa ligação à região, considerando-o “porventura a voz que melhor expressa, no Portugal contemporâneo, o Alentejo”.

“Tocando Portugal II” estreia-se em Elvas

A programação encerra a 24 de outubro, sábado, às 21h30, com “Tocando Portugal II”, pelo Rumos Ensemble. O espetáculo será apresentado em estreia absoluta em Elvas e assume um formato multimédia.

O projeto dá continuidade a “Tocando Portugal”, iniciativa que levou o Rumos Ensemble a 22 países de quatro continentes, num percurso que incluiu cerca de uma centena de concertos.

De acordo com Luís Zagalo, o segundo volume tem vindo a ser preparado pelo grupo ao longo do último ano e terá em Elvas a sua primeira apresentação.

“É com imensa alegria que posso dizer que este ‘Tocando Portugal Vol. 2’, que é, na verdade, um concerto multimédia, vai ser estreado, e não apenas estreado, mas é uma estreia absoluta, em Elvas”, afirma.

Depois da apresentação na cidade, o projeto prossegue a sua digressão por várias cidades portuguesas e tem já previstos concertos internacionais, nomeadamente em Itália e na Coreia do Sul.

Bilhetes e organização

Os bilhetes para os espetáculos de 18 e 24 de outubro podem ser adquiridos através da Ticketline ou, uma hora antes do início dos concertos, no Auditório São Mateus. O concerto de amanhã tem entrada gratuita.

Organizada pela Câmara Municipal de Elvas, com direção artística de Luís Zagalo, a 21.ª edição do Mês da Música conta com o apoio do Instituto Português do Desporto e Juventude, da Direção-Geral das Artes, do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto e do Ensemble Ibérico.

Ao longo de três concertos, o ciclo propõe assim um percurso entre a reflexão sobre a empatia, a identidade musical alentejana e a valorização da música portuguesa, reforçando o Auditório São Mateus como palco de encontro entre diferentes públicos, artistas e linguagens musicais.

Campomaiorense Luís Silveirinha apresenta duas exposições de desenho em simultâneo em Alverca e Lisboa

O artista plástico campomaiorense Luís Silveirinha está a apresentar, em simultâneo, duas exposições de desenho em espaços distintos, em Alverca e Lisboa, numa mostra do seu percurso artístico e da investigação que tem desenvolvido em torno da natureza.

No Centro Cultural do Bom Sucesso, em Alverca, pode ser visitada a exposição “Tumulto”, um projeto criado especificamente para aquele espaço, a convite do próprio Centro Cultural, numa iniciativa que conta com o apoio da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.

Inaugurada no passado sábado, 26 de setembro, a exposição reúne trabalhos recentes e inéditos realizados a guache sobre papel, técnica e suporte que fazem parte do percurso habitual do artista. “Tumulto” nasceu de uma investigação sobre plantas em vias de extinção em Portugal e, em particular, da procura de uma imagem de uma planta que Luís Silveirinha encontrou durante esse processo, mas que posteriormente nunca mais conseguiu localizar.

“É um trabalho de memória”, explica o artista, que descreve os trabalhos como uma procura dessa imagem perdida. A exposição é, assim, marcada pela tentativa de reconstruir, através da memória, pequenos detalhes e fragmentos visuais daquela planta.

“É uma luta contra a morte, contra a falta de memória”, refere Luís Silveirinha, sublinhando que os trabalhos funcionam quase como “flashes” de uma recordação que vai sendo recuperada através do desenho e da pintura.

A relação com a natureza tem sido uma constante no trabalho do artista, que tem desenvolvido uma pesquisa continuada sobre plantas, as suas formas e a representação do mundo natural. Em “Tumulto”, essa investigação assume uma dimensão particularmente ligada à memória e à ausência.

A exposição pode ser visitada até 1 de novembro, com entrada gratuita, no Centro Cultural do Bom Sucesso.

Uma retrospetiva em Lisboa

Em simultâneo, Luís Silveirinha apresenta uma exposição nas instalações da Abreu Advogados, em Lisboa, integrada no projeto cultural promovido pela sociedade de advogados.

O projeto cultural da Abreu Advogados convida regularmente artistas para apresentarem o seu trabalho nas instalações da instituição. A curadoria é assegurada por Lourenço Egreja, que selecionou, para esta ocasião, um conjunto de obras de Luís Silveirinha, realizadas entre 2020 e 2025.

A exposição percorre, desta forma, diferentes momentos do trabalho desenvolvido pelo artista ao longo dos últimos cinco anos. As obras estão distribuídas pelas várias salas e gabinetes das instalações da Abreu Advogados, permitindo que o trabalho artístico faça parte do quotidiano daquele espaço, até final do ano.

A ligação à natureza volta a estar presente nesta exposição, uma vez que, segundo Luís Silveirinha, os artistas convidados para este projeto cultural têm desenvolvido trabalhos relacionados com essa temática.

A mostra em Lisboa resulta de um convite de Lourenço Egreja e pode ser visitada mediante marcação. O projeto cultural da Abreu Advogados reúne no seu percurso trabalhos de vários artistas, estando disponível no respetivo site informação sobre as exposições já realizadas (aqui). “Eu só entrarei no site quando a exposição terminar”, esclarece Luís Silveirinha.

Dois momentos de um percurso artístico

Embora distintas, as duas exposições permitem acompanhar diferentes dimensões do trabalho de Luís Silveirinha. “Tumulto” apresenta uma produção recente, concebida especificamente para um espaço e centrada na procura de uma imagem através da memória, enquanto a exposição na Abreu Advogados propõe um percurso por trabalhos realizados entre 2020 e 2025.

“Ambas as exposições têm textos muito bons e muito elucidativos do meu trabalho e daquilo que realmente, enquanto artista, eu vou fazendo”, acrescenta Luís Silveirinha.

Para o artista campomaiorense, a realização simultânea das duas exposições representa também uma oportunidade de apresentar o seu trabalho em dois espaços “interessantes”, com projetos culturais “continuados”.