Mãos na massa: workshop no MAEE dedicado à Encharcada de Elvas a 13 de setembro

O Museu de Arqueologia e Etnografia de Elvas (MAEE) António Tomás Pires promove, no próximo dia 13 de setembro, às 10h00, um workshop dedicado à confeção da tradicional Encharcada de Elvas.

A iniciativa pretende dar a conhecer os ingredientes, os métodos de preparação e os saberes associados a este doce regional, contribuindo para a preservação e valorização do património gastronómico do concelho.

Destinada a maiores de 16 anos, a atividade tem participação sujeita a inscrição prévia, que pode ser efetuada através do número 268 624 601 ou do endereço eletrónico mae@cm-elvas.pt.

O workshop constitui uma oportunidade para aprender a confecionar uma das especialidades da doçaria tradicional elvense, num ambiente de partilha de conhecimentos e experiências.

Universidade de Évora lidera candidatura à criação da Orquestra Regional do Alentejo  

A Universidade de Évora manifestou a intenção de liderar a candidatura à criação da Orquestra Regional do Alentejo, num processo que tem candidaturas abertas até 25 de setembro de 2026.

O projeto está atualmente numa fase de preparação da candidatura, que o vice-reitor da Universidade de Évora para a Cultura e para a Sociedade, António Sáez Delgado, considera particularmente exigente, pela necessidade de envolver municípios e outras entidades da região e de constituir uma associação que será a promotora da iniciativa. “É, sem dúvida, um momento muito importante na vida cultural e social da região”, afirma o responsável, explicando que a universidade está neste momento “submersa nessa fase de profundo trabalho”.

Para a Universidade de Évora, avançar com esta candidatura representa também a concretização de uma ambição com vários anos. Segundo António Sáez Delgado, a criação da Orquestra Regional do Alentejo é um sonho da universidade há oito anos, período durante o qual foram dados passos para tornar possível o projeto.

A instituição considera reunir condições para assumir a candidatura, nomeadamente através da sua Escola de Artes e da formação musical que disponibiliza. “Nós temos uma Escola de Artes muito ativa, com estudos de música nos três níveis de ensino, da licenciatura, do mestrado e do doutoramento”, explica o vice-reitor, considerando que esse percurso confere à universidade “toda a solidez intelectual” necessária para desenvolver o projeto.

Ainda assim, António Sáez Delgado sublinha que a candidatura é apresentada com humildade, mas também com confiança no percurso realizado. “Avançamos com uma candidatura, com toda a humildade, com um candidato a qualquer concurso, como é natural, mas também com a ambição e com a convicção da nossa trajetória, do nosso percurso.”

A intenção da Universidade de Évora é, contudo, que a futura orquestra tenha uma dimensão verdadeiramente regional. O objetivo não é criar uma estrutura centrada apenas na cidade de Évora, mas envolver todo o território alentejano. “Sobretudo queremos que seja um projeto do Alentejo, pelo Alentejo, para o Alentejo e com o Alentejo.”

Nesse sentido, o vice-reitor deixa um convite aos municípios e às entidades da região para se associarem à candidatura. “Não queremos de nada que seja uma orquestra de Évora, queremos que seja uma orquestra de todo o Alentejo.”

Uma oportunidade para a região

A dimensão regional do projeto foi também destacada através das sessões de divulgação promovidas pela Direção-Geral das Artes e pela CCDR, que passaram recentemente pelo Alentejo Litoral, Alentejo Sul e Alentejo Norte.

Para António Sáez Delgado, uma orquestra regional profissional poderá ter um impacto que ultrapassa a própria atividade artística, contribuindo para a afirmação da região e para a criação de novas dinâmicas culturais e económicas. “Uma orquestra regional é uma plataforma de primeiríssimo nível, quer na divulgação do Alentejo dentro e fora de portas, como também é um elemento de criação de tecido cultural e económico para a região”.

O projeto prevê uma orquestra profissional, composta por músicos profissionais. De acordo com o vice-reitor, a estrutura poderá representar a criação de cerca de 35 a 40 postos de trabalho ligados à orquestra, com profissionais que deverão estabelecer-se na região. “Deverão vir para o Alentejo, deverão estabelecer-se no Alentejo e promover assim a criação desse tecido social, cultural, económico, que é uma grande oportunidade para a nossa região”, afirma.

É precisamente esta dimensão que, segundo António Sáez Delgado, justifica o envolvimento da Universidade de Évora na liderança da candidatura. “Daí a universidade estar a encabeçar esta candidatura”.

Com o prazo de apresentação de candidaturas a decorrer até 25 de setembro, a Universidade de Évora encontra-se agora concentrada na preparação de uma proposta que pretende reunir municípios e diferentes entidades do território em torno de um projeto comum para o Alentejo.

Cágados de Portugal: como os podemos proteger? No “Ambiente em FM” a Quercus explica

O programa Ambiente em FM desta semana dá a conhecer o primeiro Guia de Campo dos Cágados de Portugal, uma nova ferramenta destinada a ajudar a população a identificar estes répteis de água doce. Descubra a importância de proteger as espécies nativas e saiba quais são as principais ameaças que estes animais enfrentam no nosso território.

Portugal acolhe onze espécies de tartarugas de água doce, mas apenas duas são autóctones: o cágado-de-carapaça-estriada e o cágado-mediterrânico. A introdução de espécies exóticas por ação humana representa um dos maiores perigos para estes animais, uma vez que o surgimento de populações invasoras gera uma competição direta por alimento e abrigo, empurrando os cágados nativos para o declínio. Somam-se a este cenário adverso outros riscos graves como a poluição, o atropelamento e a destruição contínua das zonas húmidas. O agravamento das alterações climáticas, acompanhado por períodos prolongados de seca e temperaturas elevadas, ameaça reduzir ainda mais os ecossistemas aquáticos fundamentais para a sobrevivência e reprodução destas espécies

Tudo para saber sobre o assunto com José Janela, da Quercus. O programa desta semana para ouvir, na íntegra, no podcast abaixo:

19,4 valores de média no acesso ao Ensino Superior. E agora? Afonso Pires conta como escolheu o futuro

Afonso Pires, de Elvas, concluiu o ensino secundário com uma média de 19,4 valores, um resultado que lhe abriu as portas para qualquer opção no ensino superior.

Antigo aluno da Escola Secundária de D. Sancho II, o jovem elvense vai agora prosseguir os estudos na capital, onde ingressou na licenciatura em Matemática Aplicada à Economia e à Gestão, no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) da Universidade de Lisboa. A escolha surge depois de ponderar várias áreas, entre elas Engenharia Aeroespacial e Medicina, num processo de decisão que, confessa, não foi fácil.

Em entrevista à Rádio ELVAS, Afonso admite que, quando entrou no ensino secundário, nunca imaginou alcançar uma classificação final tão elevada. “Nunca pensei de início, quando cheguei ao secundário, que iria acabar com esta média”, confessa. O resultado foi fruto, segundo explica, de muito trabalho e de uma estratégia de estudo organizada, mas também da capacidade de encontrar um equilíbrio entre a escola e a vida pessoal.

“Procurei sempre trabalhar bastante, estudar, embora sempre tentando estudar de maneira minuciosa, estudar aquilo que é preciso e saber também gerir o tempo livre”, afirma.

Para Afonso, estudar muitas horas não é, por si só, garantia de bons resultados. O jovem considera fundamental manter uma vida equilibrada, com espaço para convívio e outras atividades. “Não podemos limitar-nos a estudar porque isso prejudica-nos. É preciso que mantenhamos uma vida social e outras atividades para conseguirmos ter mais energia para estudar e conseguir melhores resultados”, defende.

Uma evolução ao longo do secundário

Embora já fosse um bom aluno no terceiro ciclo, Afonso reconhece que a entrada no secundário representou uma mudança significativa. O novo ritmo de trabalho e a importância das classificações na construção da média trouxeram inicialmente algumas dúvidas.

Ainda assim, o percurso foi de crescimento contínuo. As notas foram melhorando do 10.º para o 11.º ano e, posteriormente, para o 12.º ano, até atingir os 19,4 valores finais. O jovem rejeita, por isso, a existência de uma “fórmula mágica” para alcançar bons resultados.

“Cada um de nós tem que se adaptar àquilo que melhor resulta para cada um. Não há um método universal que resulte para toda a gente”, considera.

A pressão para manter as classificações, essa sim, acabou por fazer parte do percurso. Mas Afonso garante que nunca sentiu uma exigência especial por parte dos pais. “A pressão que depois eventualmente senti é a pressão de manter as notas”, explica.

Entre Matemática, Letras e muitas dúvidas

Com uma média de 19,4 valores, Afonso tinha praticamente todas as portas abertas. A escolha do curso acabou, porém, por não ser fácil.

O jovem elvense sempre revelou interesse por áreas distintas, tanto pelos números como pelas letras, o que tornou a decisão ainda mais complexa.

Entre as possibilidades esteve a Engenharia Aeroespacial, área pela qual sente interesse, e até Medicina, uma opção frequentemente associada aos alunos com médias muito elevadas.

No entanto, acabou por concluir que a área da Saúde não correspondia tanto à sua vocação e teve também algumas reservas quanto à possibilidade de seguir Engenharia Aeroespacial.

A escolha recaiu no curso de Matemática Aplicada à Economia e à Gestão, sobretudo pela sua versatilidade. “Escolhi este curso pelo facto de ter uma grande versatilidade de saídas e ter realmente várias hipóteses que posso vir a seguir no futuro”, explica.

Consultoria, análise de risco, economia, gestão e até áreas relacionadas com a matemática e investigação estão entre as possibilidades profissionais que o curso poderá proporcionar.

“O importante é seguirmos o nosso sonho”

Afonso deixa também uma mensagem para outros jovens que, perante uma média elevada, possam sentir-se pressionados a escolher um determinado curso superior. Na sua perspetiva, ter boas notas não deve significar seguir obrigatoriamente Medicina, Engenharia ou outra área tradicionalmente associada ao sucesso escolar.

“O que é importante é seguirmos o nosso sonho, a nossa vocação, aquilo que achamos que é melhor para nós”, sublinha.

O próprio é exemplo dessa indecisão. Apesar do excelente desempenho escolar, admite que chegou ao final do secundário sem ter uma profissão ou área perfeitamente definida. Quando era criança chegou a imaginar-se ator, mas nunca teve uma ideia concreta sobre aquilo que queria fazer no futuro.

Afonso considera que esta dificuldade é natural, tendo em conta a idade dos jovens quando são chamados a tomar uma das primeiras grandes decisões sobre o seu futuro.

Uma nova etapa em Lisboa

A entrada no ensino superior representa agora uma mudança significativa. Afonso já esteve em Lisboa, onde teve os primeiros contactos com a nova realidade académica durante a semana de receção.

A primeira impressão foi positiva e o jovem mostra-se confiante para enfrentar a nova etapa, embora reconheça o inevitável nervosismo perante uma mudança tão importante. “É uma mudança muito grande nas nossas vidas”, afirma.

Quanto ao futuro depois da licenciatura, todas as hipóteses continuam em aberto. Ficar em Portugal, procurar uma oportunidade no estrangeiro, permanecer em Lisboa ou regressar ao Alentejo são possibilidades que Afonso ainda não exclui.

Por enquanto, prefere seguir uma etapa de cada vez. A licenciatura será apenas o primeiro passo, podendo depois optar por diferentes mestrados e áreas de especialização.

Sem fórmulas mágicas, sem uma profissão previamente definida e sem medo de admitir dúvidas, Afonso Pires inicia assim uma nova etapa com uma certeza: há muitas portas abertas e tempo para descobrir qual delas quer atravessar.

Município de Campo Maior volta a atribuir cem bolsas de estudo a estudantes do ensino superior

As candidaturas às Bolsas de Estudo do Município de Campo Maior para o ano letivo 2026/2027 abrem no próximo dia 15 de setembro, com o Município a reforçar o apoio aos jovens do concelho que frequentam o ensino superior.

A Câmara Municipal de Campo Maior aprovou a atribuição de cem bolsas de estudo, sendo que cada bolsa terá um valor de 750 euros, o que corresponde a 75 euros ao longo de dez meses.

O presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, Luís Rosinha, destaca a importância desta medida para os jovens e para as famílias do concelho. “Vamos abrir à mesma cem bolsas de estudo, à semelhança dos últimos dois anos letivos, num valor que ascenderá mais ou menos a 750 euros por bolsa”, afirma o autarca, acrescentando que o Município decidiu, uma vez mais, contemplar “todas as vertentes universitárias, desde CTeSP a licenciaturas e mestrados”.

Luís Rosinha deixa ainda um apelo aos estudantes para que apresentem as suas candidaturas. “Concorram, que o município terá todo o gosto de ajudar os jovens campomaiorenses, numa medida que cobre praticamente aquilo que são os valores das propinas universitárias”, sublinha.

O presidente da Câmara admite, por outro lado, que o Município gostaria de ir além das cem bolsas previstas, caso o número de candidaturas o justifique. “Gostávamos muito de até ultrapassar o valor das cem bolsas atribuídas”, refere, garantindo que a autarquia aguarda “as candidaturas de todos”.

Para Luís Rosinha, este apoio representa uma forma concreta de acompanhar os jovens do concelho na passagem para o ensino superior, para além de um importante auxílio às famílias. “É com muito orgulho que o Município de Campo Maior apoia os seus jovens da transição para o ensino superior numa medida que é muito ativa, que é muito boa para as famílias, porque é um apoio muito digno”, conclui.

Das cem bolsas disponíveis, 50 serão destinadas a estudantes de Licenciatura e Mestrado, enquanto as restantes 50 serão atribuídas a alunos que frequentem Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP) e Cursos de Especialização Tecnológica (CET).

As candidaturas podem ser apresentadas no Balcão de Inclusão do Município de Campo Maior, entre 15 de setembro e 2 de novembro.