Arkus convida a descobrir Elvas à noite através de visitas guiadas

A Associação Juvenil Arkus está a promover visitas guiadas noturnas ao centro histórico de Elvas, desafiando visitantes e residentes a conhecer o “coração” da cidade sob uma perspetiva diferente. A iniciativa surgiu na sequência das visitas diurnas já realizadas pela associação e da perceção de que existia interesse em conhecer o património elvense durante a noite.

Melanie Carona (na imagem), membro da Arkus, explica que a ideia nasceu também das condições favoráveis que o Alentejo oferece durante as noites. “A nossa cidade é muito bonita à noite e então surgiu a ideia: porque não fazer visitas à noite?”, conta.

Embora os monumentos estejam encerrados durante esse período, a visita centra-se no património que pode ser observado a partir do exterior. A iluminação noturna dos monumentos assume, neste contexto, um papel de destaque, permitindo descobrir detalhes que podem passar despercebidos durante o dia.

“Acabamos por ver Elvas de outra maneira, de outra forma e ver pormenores que se calhar à luz do dia não têm tanta beleza”, sublinha Melanie Carona.

As visitas são atualmente conduzidas por José Martins, conhecido na cidade como “o guia de Elvas”. Durante o percurso, o guia dá a conhecer diferentes pontos de interesse e chama a atenção para elementos arquitetónicos, como brasões e outros pormenores do património local.

A iniciativa pretende proporcionar uma experiência diferente de descoberta da cidade, conciliando história, património e ambiente noturno. A Arkus convida, por isso, quem visita ou vive em Elvas a experimentar esta nova forma de conhecer o património elvense.

Pagamento livre e reservas por contacto com a Arkus

As visitas seguem o mesmo modelo das restantes iniciativas da associação, sendo que o pagamento é totalmente livre. Cada participante contribui com o valor que entender, sendo essa contribuição uma forma de apoiar o trabalho da Arkus. Ainda assim, a associação garante que a participação não está condicionada ao pagamento.

“As pessoas dão o que querem, é uma ajuda para a associação, mas lá está, se não quiserem dar também está tudo bem. Nós fazemos a visita com todo o gosto”, diz ainda Melanie Carona.

As visitas devem ser previamente marcadas através das redes sociais da Arkus ou do contacto telefónico disponibilizado pela associação: 969 514 374.

Com o convite “Descubra a história. Sinta a magia.”, a Arkus pretende assim levar residentes e turistas a olhar para Elvas de uma forma diferente, valorizando a beleza do património iluminado e as histórias e lendas que fazem parte da identidade da cidade.

António Maria Ramos transformou as memórias da casa da avó na obra vencedora do Prémio Literário Hugo Santos

“As Coisas Também Fazem Testamento”, da autoria de António Maria Ramos, é a obra vencedora da quinta edição do Prémio Literário Hugo Santos, iniciativa promovida, desde 2022, pelo Município de Campo Maior, em homenagem ao autor campomaiorense falecido em novembro de 2018.

Nesta obra de poesia, e sob o pseudónimo Aurélio Vagar, António Maria Ramos convida o leitor a entrar em casa da sua avó Arcanja, em Aguiar, no concelho de Viana do Alentejo, onde passou grande parte da infância.

António Maria Ramos vence este prémio na primeira vez que escreve uma obra de poesia, depois de já ter vencido, também este ano, um outro concurso literário: o 15º Prémio Aldónio Gomes da Universidade de Aveiro, com a obra “A Sintaxe do Silêncio”.

“No meu mundo literário, se assim lhe posso chamar, é o segundo prémio que acabo por vencer e, curiosamente, ambos neste ano, apesar de já escrever desde que me conheço por alguém”, começa por dizer o autor, confessando que esta vitória acaba por ser “especial”, dado que foi a primeira vez que “mergulhou” numa “obra deste género”.

Apesar de considerar que não se trata de uma obra de grande complexidade, em “As Coisas Também Fazem Testamento” António Maria Ramos faz um retrato “não absoluto, mas quase” da casa da sua avó, que faleceu há cinco anos. Encontrando a casa “totalmente intacta”, tal e qual como a avó a deixou quando partiu, ali António deparou-se, ao ir passando de divisão em divisão, com “pormenores” que marcaram a sua infância e que viriam a servir de inspiração à sua escrita.

Com uma componente emocional “muito importante” para o autor, este livro, que sente que escreveu sobretudo com o coração, faz parte de um portefólio grande de trabalhos que já tem e que inclui obras dos mais diversos géneros literários, como romances e thrillers.  

“Eu tentei colocar em palavras o que as coisas significam para mim”, explica o escritor, que confessa que, do seu ponto de vista, todos os objetos da sua avó continuam “vivos”, por se encontrarem exatamente no mesmo local em que os deixou.

A submissão de “As Coisas Também Fazem Testamento” ao prémio da Câmara de Campo Maior, revela ainda António Maria Ramos, aconteceu depois do “empurrão” dado por um colega, Manuel Saiote, que há muito se dedica à poesia. “Foi graças a ele e ao incentivo dele que acabei por me exprimir num género diferente, no qual eu não estaria de todo confortável, nem posso dizer que é o meu género predileto de escrita”, confessa.

Contrariamente ao que aconteceu sempre até então, e porque a sua relação com a poesia se tornou tão “peculiar”, a única pessoa que leu “As Coisas Também Fazem Testamento” antes da sua submissão ao concurso foi Manuel Saiote. Todas as outras obras que já escreveu, conta ainda o autor, foram sempre lidas, em primeiro lugar, pela sua esposa e, logo depois, pela sua irmã.

Com a conquista do Prémio Literário Hugo Santos, o autor verá a sua obra publicada em livro e receberá ainda 1.500 euros. Não escondendo a sua satisfação, António Maria Ramos diz-se muito grato, sobretudo, pela forma como é atribuído este prémio. “Este tipo de prémio, que primeiro lê e depois pergunta quem, permite que vários escritores acabem por ter uma oportunidade que, se calhar de uma outra forma, não teriam, porque o mercado tem um funcionamento muito restrito e seletivo. Desta forma, todos acabamos por ter uma oportunidade. Ao concorrer através de um pseudónimo, permite-nos ter alguém que nos leia, premiando ou não premiando, mas sabendo que aquilo que escrevemos, aquilo que queremos passar, acaba por ser lido por alguém”, assegura.

Natural de Évora, e gestor de profissão, liderando diariamente largas centenas de pessoas, António Maria Ramos gosta de dizer que a gestão o ensinou a ler as pessoas, enquanto a escrita lhe deu o poder de lhes reescrever o destino.

GNR deteve mais de 8 mil condutores alcoolizados desde o início do ano

A GNR deteve 8.438 condutores por condução sob o efeito do álcool entre 1 de janeiro e 31 de julho de 2026, o equivalente a cerca de 280 detenções por semana. No mesmo período, foram registados 8.856 crimes de condução em estado de embriaguez.

Em Portugal, conduzir com uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 1,20 g/l constitui crime rodoviário. Os dados da GNR mostram ainda que a maioria das detenções envolve condutores entre os 31 e os 64 anos, com destaque para a faixa dos 51 aos 64 anos, que contabilizou 2.450 detenções.

O risco aumenta sobretudo aos fins de semana, com maior incidência durante a madrugada, entre a meia-noite e as 6 horas. A GNR alerta para os perigos da condução sob o efeito do álcool e apela a que quem consome bebidas alcoólicas recorra a transportes alternativos ou escolha antecipadamente um condutor que não beba.