Condutor embriagado abalroa peões e militares da GNR na Rua da Oura em Albufeira

Um homem de 35 anos foi detido esta madrugada, 25 de agosto, na Rua Francisco Sá Carneiro (zona da Oura), em Albufeira, após atropelar várias pessoas durante uma tentativa de fuga à autoridade. Pelas 03h00, o suspeito desobedeceu à ordem de paragem da Guarda Nacional Republicana (GNR), inverteu a marcha e avançou deliberadamente contra os peões e o dispositivo policial presente no local. A viatura só imobilizou após embater noutro veículo, tendo o indivíduo tentado fugir a pé antes de ser intercetado pelo Grupo de Intervenção de Ordem Pública.

Do atropelamento resultaram 12 feridos — um grave e 11 ligeiros —, entre os quais dois militares da GNR, tendo todos recebido assistência médica imediata. Submetido ao teste de alcoolemia, o condutor acusou uma Taxa de Álcool no Sangue (TAS) de 1,29 g/l, além de ter sido sujeito a exames toxicológicos. O detido vai responder pelos crimes de ofensa à integridade física qualificada, condução sob efeito de álcool e condução perigosa, estando o caso entregue ao Tribunal Judicial competente para a aplicação das medidas de coação.

Da saúde à justiça: Elvas recebe primeiro Simpósio Internacional de Enfermagem Forense   

O Núcleo de Urgência de Elvas, com o apoio da Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo, promove, no dia 6 de novembro, o I Simpósio Internacional de Enfermagem Forense, no auditório da Escola Superior de Biociências de Elvas.

A iniciativa reúne especialistas nacionais e internacionais, profissionais de saúde, investigadores, docentes e estudantes para debater os desafios atuais da Enfermagem Forense e o papel cada vez mais relevante desta área na articulação entre a saúde, a justiça e a proteção das vítimas.

Segundo a enfermeira Ana Sofia Alves, membro da comissão científica do simpósio, a Enfermagem Forense assume uma função essencial no acompanhamento das vítimas de crime, trauma e abuso, conjugando a prestação de cuidados de saúde com procedimentos de natureza forense.

“A enfermagem forense trata-se de uma especialidade que une os cuidados de saúde às ciências forenses e ao sistema judicial, tornando as coisas muito mais fáceis para a vítima”, explica.

A profissional destaca ainda o papel do enfermeiro forense na recolha e preservação de vestígios, bem como na documentação rigorosa das lesões, através de registos e documentação fotográfica, elementos que podem vir a assumir relevância em contexto judicial.

O simpósio pretende, assim, contribuir para uma maior divulgação desta área junto da população e dos profissionais, promovendo a partilha de conhecimentos e experiências entre diferentes áreas de intervenção.

A adesão à iniciativa tem superado as expectativas da organização. De acordo com Ana Sofia Alves, as inscrições presenciais encontravam-se já esgotadas antes do final de julho, tendo sido posteriormente alargada a possibilidade de participação online, que continua a registar uma forte procura.

Ao longo do encontro serão realizadas conferências, mesas-redondas e momentos de discussão científica, com a abordagem de temáticas atuais e emergentes relacionadas com a Enfermagem Forense e a sua crescente importância nos sistemas de saúde contemporâneos.

A organização espera ainda que a participação de especialistas internacionais permita aprofundar o debate sobre as ciências forenses e os desafios de uma área em expansão e desenvolvimento, reforçando a necessidade de uma intervenção articulada entre profissionais de diferentes setores.

As inscrições para participação online estão disponíveis através do site oficial do I Simpósio Internacional de Enfermagem Forense.

Fernando Fitas: “Ainda que tente evitar, o Alentejo está sempre presente naquilo que escrevo”

Campomaiorense de nascimento, jornalista de profissão e poeta por paixão, Fernando Fitas mantém uma ligação profunda a Campo Maior, apesar de viver há mais de seis décadas na margem sul do Tejo.

Do jornalismo à poesia

Fernando Fitas, nascido há 69 anos em Campo Maior, iniciou o percurso profissional no jornalismo, em 1975, tendo passado por diferentes órgãos de comunicação social, pela imprensa regional e pelas rádios locais. Esteve também ligado à fundação do jornal 24 Horas e dirigiu um quinzenário da Península de Setúbal.

Depois de cerca de cinco décadas de profissão, afastou-se do jornalismo, encontrando na poesia uma nova forma de expressão. “A poesia é diferente. Não é tão limitativa, antes pelo contrário. Permite-nos uma capacidade criadora que o jornalismo, em alguns aspetos, não permite”, explica.

26 obras

A sua produção literária conta já com 26 obras, 18 das quais de poesia, e uma dúzia de prémios conquistados em concursos literários. Fitas faz questão de participar apenas em concursos em que as obras são avaliadas sob pseudónimo, defendendo que “é para não haver possibilidades de nenhum tipo de compadrio”.

Na sua poesia estão frequentemente presentes questões sociais e, inevitavelmente, o Alentejo. “O Alentejo, ainda que eu tente evitar, acaba por estar sempre presente naquilo que escrevo”, afirma, considerando-o uma espécie de “segunda pele”.

O poeta encontra, aliás, uma imagem particular para explicar a passagem do jornalismo para a poesia: “Há duas palavras na língua portuguesa que foneticamente têm alguma semelhança e que, neste caso, se aplicam inteiramente, que é poesia e pousio.” Para Fitas, a poesia tornou-se o “pousio da linguagem jornalística”.

Campo Maior presente na obra de Fernando Fitas

Embora apenas uma das suas obras de prosa seja diretamente centrada em Campo Maior — “Cantos de Baixo”, título inspirado num dos largos emblemáticos da vila —, o escritor considera que a terra natal está presente em praticamente tudo o que escreve.

Por isso, quando questionado sobre a possibilidade de dedicar uma obra às Festas do Povo, prefere não aceitar o desafio de forma imediata. “Campo Maior, ainda que eu não refira expressamente o nome de Campo Maior, está em praticamente todos os meus livros”, explica, considerando que limitar essa presença apenas às festas poderia ser “um pouco redutor”.

A ligação, contudo, permanece evidente. Dias antes de regressar à vila, por ocasião das Festas do Povo, Fitas escreveu um texto que, embora sem mencionar Campo Maior, termina com uma referência às “mãos que tecem flores e tecem claridades”. “Está dito, é Campo Maior, só pode ser”, comenta ainda.

Aos 69 anos, Fernando Fitas continua a escrever diariamente e prepara novas obras.