Obras arrancam no Castelo de Barbacena para dar lugar a hotel de charme

As obras de requalificação do Castelo de Barbacena, no concelho de Elvas, arrancaram muito recentemente, concretizando o projeto anunciado em fevereiro de 2025 pela empresa Chaves do Areeiro, que prevê transformar o imóvel histórico num hotel de charme, com 12 quartos, num investimento estimado em cerca de quatro milhões de euros.

O arranque da empreitada marca o início de um processo de recuperação há muito aguardado para este monumento de elevado valor patrimonial, depois de o projeto ter sido aprovado pelo Ministério da Cultura e pela Câmara Municipal de Elvas.

A intervenção prevê a requalificação integral do imóvel, respeitando as condicionantes impostas pela tutela do património. No exterior, está prevista a recuperação da imagem arquitetónica do castelo, através da reprodução dos elementos que caracterizavam o edifício no passado. No interior, serão realizadas as alterações necessárias à adaptação do espaço às funções de uma unidade hoteleira, sem desvirtuar as características patrimoniais do imóvel.

De acordo com o anunciado pela empresa, a nova unidade deverá criar, pelo menos, seis postos de trabalho, com a expectativa de que estes sejam preenchidos, sobretudo, por pessoas do concelho de Elvas.

Quando o investimento foi apresentado, em fevereiro do ano passado, o CEO da Chaves do Areeiro, Paulo Luz, explicou que a entrada no setor hoteleiro surgia no âmbito de uma estratégia de investimento da empresa, que tem apostado na aquisição e recuperação de património e instalações, procurando devolver-lhes atividade e capacidade de gerar emprego.

O projeto para Barbacena prevê uma intervenção numa área de cerca de nove mil metros quadrados e inclui ainda a construção de uma piscina. A empresa admitiu também, numa fase posterior, a possibilidade de adaptar a zona dos antigos balneários para a criação de um espaço de spa.

A componente arqueológica constitui uma das condicionantes da intervenção, devido à dimensão e ao valor histórico do conjunto. A empreitada tem uma duração inicialmente estimada em cerca de dois anos, apontando o calendário previsto para a conclusão dos trabalhos para 2027, caso a obra decorra de acordo com o planeamento.

O arranque dos trabalhos representa, assim, um passo concreto na recuperação de um dos mais importantes elementos patrimoniais de Barbacena e responde à expectativa manifestada pelo presidente da Câmara Municipal de Elvas, Rondão Almeida, aquando do anúncio do investimento, de que fosse finalmente possível assistir à recuperação daquele património histórico.

Com a intervenção agora no terreno, o Castelo de Barbacena prepara-se para ganhar uma nova função, conciliando a preservação do património com a criação de uma nova oferta turística no concelho de Elvas.

A primitiva edificação do Castelo de Barbacena remonta ao reinado de D. Afonso III, entre 1248 e 1279, tendo o imóvel sido reconstruído durante o reinado de D. Manuel I, entre 1495 e 1521. O castelo foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 24 de janeiro de 1967 e, apesar do seu relevante valor histórico e arquitetónico, encontra-se em propriedade privada.

Com o início das obras, o projeto anunciado há cerca de um ano e meio deixa de estar apenas no papel e entra agora numa nova fase: a da recuperação efetiva do Castelo de Barbacena e da sua transformação numa unidade hoteleira.

Banda 1.º de Dezembro mantém aposta na formação e resiste ao declínio das filarmónicas

A Associação Cultural e Recreio Musical 1º. de Dezembro de Campo Maior conta atualmente com cerca de 22 elementos e continua a apostar na formação de novos músicos, apesar das dificuldades que afetam muitas bandas filarmónicas do país.

O presidente da associação, José Romudas, considera que, tendo em conta a realidade atual, a banda campomaiorense apresenta uma situação positiva. Para garantir a presença de músicos suficiente nos serviços, a coletividade mantém parcerias com outras bandas, permitindo uma colaboração mútua entre os diferentes agrupamentos.

“Hoje não é fácil”, reconhece José Romudas, explicando que a banda ajuda outras formações e também recebe elementos de outras bandas quando necessário. Ainda assim, sublinha, conseguir reunir entre 20 e 22 músicos “já não é mau”.

Escola de música gratuita procura captar novos talentos

A formação é uma das principais apostas da Banda 1.º de Dezembro. A escola de música conta atualmente com “oito ou nove alunos” e funciona através do trabalho dos próprios músicos da banda, sobretudo dos mais experientes, que assumem o papel de formadores.

“Passam o testemunho” e procuram transmitir aos mais jovens “a dinâmica e a vontade de ser músicos”, explica o dirigente.

Uma das características que distingue a escola é a gratuitidade. Em Campo Maior, os alunos não pagam pela aprendizagem e, quando terminam a formação e ingressam na banda, têm também acesso a um instrumento disponibilizado pela própria associação.

Para José Romudas, trata-se de uma mais-valia significativa, sobretudo quando comparada com os custos associados a outras formas de ensino musical. “Um miúdo hoje vai à escola de música, não paga nada, e quando sair músico tem um instrumento à sua espera também por conta da banda”, salienta.

O responsável lamenta, contudo, que seja cada vez mais difícil captar crianças e jovens para a música. A associação tem procurado estabelecer contactos e desenvolver atividades junto das escolas, numa tentativa de despertar nos mais novos o interesse pela aprendizagem musical.

“Da nossa banda já saíram bons profissionais”

A formação proporcionada pela banda tem também dado frutos ao longo dos anos. José Romudas destaca que vários músicos que passaram pela 1.º de Dezembro acabaram por seguir profissionalmente a carreira musical.

“Da nossa banda já saíram bons profissionais e alguns ainda estão no ativo como profissionais músicos”, refere, defendendo que aprender música continua a ser uma oportunidade importante para os jovens.

O dirigente reconhece, porém, que atualmente as crianças têm cada vez mais atividades e interesses para conciliar. Entre o desporto e outras ocupações, o tempo disponível é reduzido, tornando essencial que exista uma verdadeira paixão pela música para que um jovem permaneça ligado à banda.

“A música é uma arte muito bonita”, afirma José Romudas, que, apesar de não ser músico, mantém uma forte ligação à associação. Depois de ter estado ligado à banda durante cerca de quatro décadas, regressou há alguns anos à direção, onde procura continuar a apoiar os músicos e a coletividade.

Um setor em declínio

O futuro das bandas filarmónicas é uma das preocupações do presidente da Associação 1.º de Dezembro. José Romudas considera que “hoje a música e as bandas estão em declínio”, apontando para a existência de vilas e cidades onde já não existem formações musicais deste género.

Mesmo entre as bandas que continuam ativas, a falta de elementos é uma realidade. Há agrupamentos que, segundo o responsável, não conseguem reunir 22 músicos para assegurar um serviço.

“Dentro do mal, nós não estamos mal”, admite, destacando a capacidade da banda de Campo Maior para continuar a funcionar e assegurar as suas atuações.

A associação já foi, inclusive, contactada por outras localidades interessadas em criar ou recuperar bandas, mas José Romudas reconhece que formar e manter uma filarmónica “não é fácil”.

Escola está de férias, mas a banda continua ativa

Durante o mês de agosto, a escola de música encontra-se parada, acompanhando o período de férias. A atividade musical da associação, contudo, não está suspensa.

Com as festas e os serviços a decorrerem durante este período, a banda continua a assegurar atuações. José Romudas confirma que, a 15 de agosto, o agrupamento já tinha realizado o terceiro serviço do mês.

Assim, enquanto os alunos aguardam pelo regresso das aulas de música em setembro, os músicos da Associação Cultural e Recreio Musical 1º. de Dezembro continuam a levar o nome de Campo Maior às diferentes atuações, mantendo viva uma tradição que enfrenta, em todo o país, desafios cada vez maiores.