O Secretário-Geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, visita o distrito de Portalegre nos dias 26 e 27 de agosto, no âmbito da iniciativa “Rota pelo Interior e Cooperação Transfronteiriça”.
A deslocação inclui passagens pelo Festival/Feira de Artesanato e Gastronomia do Crato, uma reunião na Câmara Municipal de Nisa para acompanhar o projeto da Ponte Internacional sobre o Rio Sever, uma visita à fábrica Queijos Santiago e uma viagem de comboio na Linha do Leste, entre Portalegre e Elvas.
A iniciativa pretende reforçar a proximidade do PS aos territórios do Interior, através do contacto direto com autarquias, empresas, instituições e populações, bem como acompanhar projetos considerados relevantes para a coesão territorial e para a cooperação transfronteiriça.
Programa arranca no Crato
A visita começa no dia 26 de agosto, no Crato. Pelas 20h00, José Luís Carneiro participa num jantar com militantes e simpatizantes do Partido Socialista, integrado no Festival/Feira de Artesanato e Gastronomia do Crato.
No dia seguinte, 27 de agosto, a agenda prossegue em Nisa, Portalegre e Elvas.
Às 09h00, o dirigente socialista desloca-se à Câmara Municipal de Nisa para acompanhar os desenvolvimentos do projeto da Ponte Internacional sobre o Rio Sever, em Montalvão. A infraestrutura está prevista como uma ligação estratégica entre Portugal e a Extremadura espanhola, através de Cedillo.
Contacto com o setor agroalimentar
Pelas 11h30, José Luís Carneiro visita a fábrica da Queijos Santiago, localizada na Zona Industrial de Portalegre. O encontro terá como objetivo o contacto com o setor produtivo e agroalimentar e a auscultação dos desafios enfrentados pelas empresas do distrito.
A visita termina com uma viagem de comboio na Linha do Leste. Às 15h15, o Secretário-Geral do PS embarca numa composição entre as estações de Portalegre e Elvas, numa ação destinada a sublinhar a importância da mobilidade ferroviária e do transporte público no Interior.
Aproximar decisões políticas dos territórios
A “Rota pelo Interior e Cooperação Transfronteiriça” pretende percorrer diferentes territórios do Interior, promovendo o diálogo com autarquias, empresas, associações, instituições de ensino superior, centros de investigação, organizações da sociedade civil, decisores públicos e cidadãos.
Segundo o PS, o objetivo passa por conhecer diretamente os principais desafios e oportunidades de cada território e, a partir dessa realidade, contribuir para a definição de políticas públicas mais eficazes e ajustadas às especificidades locais.
No distrito de Portalegre, a agenda coloca em destaque três áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento regional: a cooperação transfronteiriça, a atividade económica e agroalimentar e a mobilidade ferroviária.
A habitação continua a ser uma das prioridades da Câmara Municipal de Arraiolos, que está a avançar com novos projetos de loteamento para aumentar a oferta de terrenos destinados à construção de habitação a preços acessíveis.
O presidente da Câmara Municipal de Arraiolos, Jorge Macau, afirmou que o município tem mantido uma política de disponibilização de lotes em todas as localidades do concelho a valores muito inferiores aos praticados no mercado. “A política que temos praticado ao longo de todos estes anos é aquela que queremos muito seguir, que é disponibilizar lotes em todas as localidades do concelho a preços muito acessíveis. Estamos a falar de 25 a 30 euros por metro quadrado”, destacou.
O autarca explicou que o município está também a recuperar lotes anteriormente atribuídos que não foram utilizados dentro dos prazos definidos, de forma a colocá-los novamente à disposição da população. “Procuramos reverter os lotes que tivessem sido atribuídos ao longo destes anos e que as pessoas não tenham respeitado os prazos estipulados no regulamento. Procuramos dar uma resposta em tempo útil”, referiu.
Neste momento, decorrem trabalhos de terraplanagem para a criação de mais 14 lotes, enquanto está em preparação um novo loteamento de maior dimensão. “Já estamos a trabalhar num projeto muito amplo e queremos, dentro de um ano e meio a dois anos, começar as obras de um loteamento com cerca de 100 lotes”, revelou Jorge Macau.
O presidente da autarquia considera que a escassez de habitação é um problema nacional e não exclusivo de Arraiolos. “Reconheço as dificuldades, mas se formos para os concelhos vizinhos acontece exatamente o mesmo. E se sairmos do distrito de Évora, a realidade é igual. De facto, a habitação é um problema transversal em todo o país”, concluiu.
A Câmara Municipal de Montemor-o-Novo está a desenvolver e a preparar um conjunto de investimentos em infraestruturas essenciais do concelho, com especial enfoque nas redes de água, saneamento e tratamento de águas residuais. As intervenções, apesar de muitas vezes não terem grande visibilidade para a população, assumem uma importância estratégica para a qualidade ambiental e para a melhoria dos serviços públicos.
O presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, Carlos Pinto de Sá, destaca a aposta do município na renovação das infraestruturas do ciclo urbano da água, nomeadamente através da reabilitação de quatro Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR). “Gostaria de começar por referir um tipo de obra que não tem praticamente visibilidade, mas que é de grande importância. Estou a falar do ciclo urbano da água e, portanto, das redes de abastecimento de água e de saneamento”, afirmou o autarca.
As intervenções previstas abrangem as ETAR de Lavre, Cabrela, Foros de Vale de Figueira e São Geraldo, equipamentos que, segundo Carlos Pinto de Sá, atingiram o final do seu ciclo de vida e necessitam agora de uma reabilitação. “São ETAR’s que tiveram o seu ciclo de vida e que agora precisam ser reabilitadas”, explicou.
O presidente da Câmara sublinha que a melhoria destas estruturas terá um impacto direto na proteção ambiental do território, garantindo melhores condições no tratamento das águas residuais. “É um trabalho que é de grande importância, porque permite também melhorar o ambiente”, referiu, acrescentando que, embora as ETAR’s estejam atualmente em funcionamento, “não estão a funcionar nas melhores condições”.
A preparação destas obras encontra-se já em desenvolvimento, com o estudo técnico concluído e a passagem para a fase dos projetos de execução. O investimento previsto ultrapassa um milhão de euros, estando a autarquia a apontar para o avanço das obras no próximo ano.
Paralelamente, o município tem acompanhado outros investimentos estruturantes da responsabilidade das Águas Públicas do Alentejo, entidade com intervenção em algumas das principais infraestruturas de água e saneamento do concelho.
Carlos Pinto de Sá destaca, entre outros projetos, a ligação da rede de saneamento da Zona Industrial da Adua à nova ETAR, uma intervenção que permitirá encaminhar os efluentes daquela área para tratamento adequado. “O primeiro tem a ver com a ligação da rede de saneamento da Zona Industrial da Adua à nova ETAR, que passa por trás do castelo, recolhe também os efluentes em toda aquela zona e leva para tratamento na nova ETAR”, explicou.
O autarca considera este um investimento fundamental para o concelho, defendendo que a intervenção deve avançar sem novos atrasos. “É um investimento também de grande importância, que tem tardado e não pode continuar a ser adiado”, afirmou.
Outro dos projetos destacados passa pela criação de uma nova rede de abastecimento de água a partir dos Minutos, com o objetivo de reforçar o abastecimento da cidade e permitir novas ligações de reforço a outras zonas do concelho.
Segundo Carlos Pinto de Sá, esta intervenção permitirá também melhorar o serviço público de abastecimento de água em diferentes áreas, através da criação de novas redes.
Entretanto, já avançou no Escoural uma nova rede de saneamento, que incluirá também uma nova ETAR, num investimento superior a três milhões de euros assegurado pelas Águas Públicas do Alentejo.
Para o presidente da Câmara Municipal, estes investimentos representam uma aposta na modernização das infraestruturas básicas do concelho, garantindo melhores condições de funcionamento das redes de água e saneamento e contribuindo para um território mais sustentável.
A renovação destas estruturas integra, assim, uma estratégia de longo prazo para Montemor-o-Novo, com o município a procurar assegurar respostas mais eficientes nas áreas do ambiente, abastecimento público e tratamento de águas residuais.
O Aqueduto da Amoreira, em Elvas, continua na corrida para ser consagrado como uma das Novas 7 Maravilhas de Portugal e vai voltar a estar em destaque na televisão no próximo dia 29 de agosto, durante a final regional do Alentejo e Ribatejo do concurso.
A sessão, com transmissão em direto na TVI, será uma nova oportunidade para apresentar ao país a história e a importância de um dos maiores símbolos de Elvas. A representar o monumento estará José Manuel Martins, antigo guia do Forte de Santa Luzia e estudioso autodidata da história da cidade.
Três minutos para contar mais de 500 anos de história
Em entrevista à Rádio ELVAS, José Manuel Martins sublinha que o principal desafio será conseguir condensar séculos de história em apenas três minutos de televisão. “Lá só temos três minutos e não dá para quase nada”, explica, defendendo que, apesar do pouco tempo disponível, é fundamental dar a conhecer aos portugueses “o que é que se passou durante os 93 anos da construção” do Aqueduto da Amoreira.
Uma resposta à falta de água em Elvas
A história do monumento remonta ao século XVI, durante o reinado de D. Manuel I, numa altura em que Elvas enfrentava um grave problema de abastecimento de água. Segundo José Manuel Martins, a cidade possuía inúmeros palacetes equipados com poços e cisternas, mas a nascente subterrânea que abastecia a população acabou por secar. “Elvas ficou sem água. Então o rei D. Manuel teve que resolver o problema”, recorda.
A solução passou pela captação de água a cerca de 15 quilómetros da cidade, nomeadamente na zona da Serra do Bispo, perto de Vila Fernando, e por outras nascentes. A água era depois conduzida até Elvas através de uma gigantesca estrutura que viria a marcar para sempre a paisagem da cidade.
Um projeto que obrigou a elevar o aqueduto
O projeto não foi, contudo, simples. O aqueduto inicialmente construído tinha cerca de 25 metros de altura, mas a água não conseguia chegar aos pontos de abastecimento pretendidos.
“Tiveram que subir o aqueduto mais seis metros, que hoje é a altura que tem, 31 metros, para a água chegar à Fonte de São Lourenço e à Fonte das Viúvas”, explica o estudioso.
A construção obrigou também à criação de mecanismos extraordinários de financiamento. Entre eles esteve o chamado “real de água”, um imposto aplicado sobre determinados produtos de consumo.
93 anos de construção e uma chegada celebrada pela população
O processo foi longo e atravessou diferentes reinados e períodos políticos. Durante o período dos Filipes, a construção chegou a estar parada, mas acabaria por ser retomada, uma vez que o abastecimento de água era essencial para a cidade.
A obra foi finalmente concluída em 1622, momento que, segundo José Manuel Martins, foi vivido com grande entusiasmo pela população. “Foi a primeira vez que correu água dentro da cidade. Houve bailaricos e toque de charamelas”, conta, referindo-se às celebrações associadas à chegada da água à Fonte da Misericórdia.
O aqueduto que também transformou Elvas
O Aqueduto acabaria por ter também um papel importante na própria transformação urbanística de Elvas. A estrutura chegou a prolongar-se para dentro da cidade e ainda hoje existem vestígios dessa antiga construção.
José Manuel Martins recorda, por exemplo, que a atual Fonte da Misericórdia não corresponde ao local original onde a água chegou à cidade. “A fonte onde iniciou foi no Lar da Misericórdia, onde está hoje a estátua do rei D. Manuel I”, revela.
Uma obra ligada à defesa da cidade
O aqueduto está ainda ligado à construção de importantes estruturas defensivas da cidade. Com a evolução da artilharia, tornou-se necessário criar uma passagem que permitisse a entrada dos grandes canhões em Elvas sem destruir as muralhas.
“O viaduto foi feito para os canhões poderem entrar dentro da cidade”, explica José Manuel Martins, recordando que as dimensões dos canhões não permitiam que estes fizessem as curvas junto às portas da cidade.
A intervenção acabaria por alterar parte do próprio aqueduto e da rede de abastecimento, incluindo a construção de uma impressionante estrutura subterrânea. “É uma autêntica igreja debaixo do chão. É linda”, descreve o guia, referindo-se à grande estrutura subterrânea de canalização e proteção da água.
O aqueduto sobreviveu à Guerra da Restauração
A história do Aqueduto da Amoreira cruza-se ainda com os conflitos militares que marcaram Elvas. Durante a Guerra da Restauração, chegou a existir a possibilidade de o monumento ser destruído, mas a necessidade de garantir o abastecimento de água acabou por prevalecer.
“Na altura da Batalha das Linhas de Elvas, os espanhóis ainda pensaram em destruir o aqueduto, mas tiveram bom senso, pensaram duas vezes”, conta José Manuel Martins.
Apesar disso, houve danos provocados na parte superior do monumento, com os canais de água a serem deliberadamente destruídos. “A água, em vez de correr para a cidade, corria para o chão. Mas o monumento ficou erguido. Esta ganhámos nós”, afirma, associando a resistência do aqueduto à própria história militar de Elvas.
“A chave do reino” e o orgulho em ser elvense
Para José Manuel Martins, a história do monumento não pode ser dissociada da importância estratégica da cidade, conhecida como a “chave do reino”.
“Tenho muito orgulho em ser elvense e português”, afirma, sublinhando a importância de preservar e transmitir às novas gerações o conhecimento sobre o património local.
Essa ligação à história de Elvas acompanha José Manuel Martins desde jovem. O estudioso conta que nunca perdeu o interesse pelos livros de história e que a passagem pela Câmara Municipal acabou por aprofundar ainda mais essa paixão.
Uma vida dedicada à história e ao património
Mesmo depois de ter terminado a atividade profissional na Câmara Municipal, José Manuel Martins continua ligado à divulgação do património da cidade, através das visitas guiadas.
“Temos que gostar do que estamos a fazer, senão não vale a pena”, afirma.
Agora, o desafio é outro: levar essa paixão pelo património elvense à televisão e convencer os portugueses a votar no Aqueduto da Amoreira.
Aqueduto enfrenta forte concorrência
José Manuel Martins reconhece a importância da Barragem do Alqueva, o outro candidato na categoria “Grandes Obras” nesta fase do concurso, mas considera que a antiguidade e o reconhecimento internacional do monumento elvense são argumentos fortes. “O Alqueva é uma coisa recente. É uma grande obra, não há dúvida nenhuma. Mas o nosso aqueduto tem mais de 500 anos”, recorda.
O guia turístico recorda ainda que Elvas possui um reconhecimento internacional de enorme importância: a classificação como Património Mundial da UNESCO, atribuída em 2012. “Temos o selo da UNESCO”, destaca, lembrando o processo que levou à classificação da cidade e das suas fortificações.
A distinção, considera, teve também impacto direto no turismo e na notoriedade de Elvas. “As visitas aqui em Elvas triplicaram”, recorda José Manuel Martins, que durante os anos em que trabalhou na Câmara acompanhou de perto a evolução do número de visitantes aos monumentos da cidade.
Um apelo aos elvenses para votar
É com esse património, essa história e esse orgulho elvense que o Aqueduto da Amoreira vai agora enfrentar mais uma etapa na corrida às Sete Novas Maravilhas de Portugal.
José Manuel Martins deixa um apelo direto aos conterrâneos: “Espero que os nossos conterrâneos e amigos votem todos no Aqueduto da Amoreira”. E reforça: “É uma insignificância, não custa nada”.
O objetivo é conseguir mobilizar os elvenses dentro e fora do concelho e mostrar, uma vez mais, a força de um monumento que, há mais de cinco séculos, faz parte da identidade da cidade. “Nós nunca perdemos a esperança. Nós vamos e tentamos ver o que é que podemos fazer de melhor”, conclui José Manuel Martins.
Final regional realiza-se em Santarém
A final regional do Alentejo e Ribatejo realiza-se no dia 29 de agosto, no Jardim das Portas do Sol, em Santarém, com transmissão em direto na TVI, a partir das 15 horas. Elvas estará representada pelo Aqueduto da Amoreira e pela voz de quem há décadas se dedica a estudar, preservar e contar a história da cidade.
A banda Cat, Phill and The Blues Dogs, liderada pela voz da campomaiorense Catarina Pereira, depois da estreia em Campo Maior, em julho, voltou à vila para um concerto muito especial, no decorrer das Festas do Povo.
O concerto no evento maior de Campo Maior levou público ao Jardim Municipal e, apesar de alguma “estranheza inicial” perante um projeto ainda recente e pouco conhecido entre os campomaiorenses, a reação foi crescendo ao longo da atuação. Para Catarina Pereira, conquistar quem estava a assistir era uma parte essencial do desafio.
“O papel do músico não é só fazer boa música, mas também tentar conquistar e captar o público que está a ver”, explica a vocalista, que confessa ter ficado satisfeita com a receção. No dia seguinte ao concerto, chegou mesmo a ouvir de algumas senhoras mais velhas que tinham “adorado” a atuação.
A presença em Campo Maior marcou a segunda atuação da banda na terra natal de Catarina durante este verão, depois da participação no Festival Raya. O projeto, que nasceu há cerca de um ano, junta músicos brasileiros e a jovem cantora e compositora campomaiorense, numa mistura que Catarina considera especial.
Um projeto para continuar a crescer
Com apenas 21 anos, Catarina Pereira assume este projeto como uma aposta séria no blues, género musical que diz adorar. Apesar de não saber ainda onde a banda a poderá levar, a cantora tem uma ambição clara: continuar a fazer música, cantar, compor e mostrar aquilo que sabe fazer melhor.
“Espero que isto me leve longe, que mostre aquilo que consigo fazer e aquilo que faço de melhor, que é cantar e compor”, afirma.
Os restantes elementos da banda encontram-se atualmente radicados em Coimbra, cidade onde Catarina estuda e onde também decorrem os ensaios. A distância entre Coimbra e Campo Maior não impediu, contudo, que o projeto tivesse já duas passagens pelo concelho neste verão.
Questionada sobre os grandes palcos onde gostaria de atuar, Catarina não hesita: “São todos.” Seja um grande festival ou um palco mais pequeno, a prioridade é continuar a levar a música ao público. “Desde que nos queiram ouvir, qualquer palco serve”, resume.
Entre o blues, a composição e a vontade de chegar cada vez mais longe, Cat, Phill and The Blues Dogs começa a afirmar-se como um projeto a acompanhar. E, depois de duas passagens por Campo Maior neste verão, Catarina deixa a porta aberta para novos palcos — em Portugal ou além-fronteiras — com a mesma disponibilidade: tocar onde houver quem queira ouvir.