Advogado do GNR de Portalegre que disparou questiona “como pôde o militar dispensado da arma de serviço ter sido escalado para um serviço armado”

No dia 26 de Junho de 2026 um militar da GNR efetuou disparos no Centro de Formação da Guarda Nacional Republicana após a cerimónia de graduação do curso de guardas, com o Ministro da Administração Interna Luís Neves no local.

Recebemos agora um comunicado do advogado do militar em causa com a várias questões que reproduzimos agora e para os quais esperamos a devida resposta da GNR.

“A verdadeira questão não são apenas os disparos. A verdadeira questão é saber por que razão um militar da GNR do Centro de Formação de Portalegre da Guarda Nacional Republicana (CFP), oficialmente dispensado do uso e porte de arma pela própria GNR (impedido de usar arma), por problemas psicológicos e psiquiátricos, foi em 26 de Junho de 2026, pela mesma GNR, escalado para um serviço armado de segurança, no CFP, e foi-lhe entregue uma arma, pistola Glock, de calibre 9 mm.

O presente comunicado é emitido na sequência da divulgação nacional dos acontecimentos ocorridos em 26 de Junho de 2026 no Centro de Formação da Escola da Guarda, em Portalegre, em que um militar da GNR, disparou tiros com a arma de serviço, por se entender que a opinião pública não dispõe ainda de todos os elementos relevantes para a compreensão integral dos factos, sendo necessário esclarecer factos essenciais que foram omitidos e que resultam da própria documentação oficial da GNR.
Na sequência de proposta de dispensa de uso de arma por parte de psiquiatra, que acompanha o militar em causa, em 04 de Novembro de 2025 o Comandante do Centro de Formação de Portalegre da GNR, Coronel Pedro Filipe Saragoça Ribeiro, emitiu
despacho no sentido de o militar ser submetido à Junta de Saúde Superior da GNR (JSS), para apreciação dessa proposta de dispensa de arma. Nesse sentido, em 23 de Março de 2026, o militar em causa foi presente a essa JSS, a qual emitiu parecer no sentido de dispensa de uso e porte de arma.

Por despacho de 26 de Março de 2026 o Comandante do CARI – Comando de Administração de Recursos Internos da GNR homologou o referido parecer da Junta Superior de Saúde da GNR, despacho este publicado na Ordem de Serviço no 62 de 31 de
Março de 2026 da Escola da Guarda; pelo que esse despacho é, obrigatoriamente, do conhecimento dos Oficiais Superiores do Centro de Formação de Portalegre da GNR, que, como é óbvio, abrange o Comandante e o 2.o Comandante. Acresce que o militar em causa foi notificado pelo 2.o Comandante do Centro de Formação de Portalegre da GNR, Tenente Coronel Hélio José da Silva Miranda do referido despacho de dispensa de uso e porte de arma.
Perante esta realidade factual e documental, a pergunta que o País tem o direito de ver respondida é inevitável: como foi possível que um militar oficialmente dispensado do uso e porte de arma, por motivos psicológicos e psiquiátricos, pela GNR, fosse,
apenas três meses depois, pela mesma GNR escalado para um serviço armado e recebesse uma arma de serviço ?


Mais, na data em causa, antes da ocorrência dos disparos existiu contacto directo e pessoal entre o Comandante do Centro de Formação da GNR de Portalegre, Coronel Pedro Filipe Saragoça Ribeiro, e o militar em causa, quando este já se encontrava armado, circunstância que deverá ser integralmente esclarecida pela investigação, uma vez que este Comandante tinha conhecimento que o militar não podia usar arma e nada disse e nada fez neste sentido.

A investigação não pode limitar-se ao momento em que os disparos ocorreram. Tem igualmente de apurar todas as decisões administrativas e hierárquicas do Centro de Formação de Portalegre da Guarda Nacional Republicana (CFP), que permitiram
que um militar da GNR oficialmente dispensado do uso e porte de arma, por problemas psicológicos e psiquiátricos, fosse colocado num serviço armado e recebesse uma arma de serviço.
Os documentos oficiais demonstram que o Centro de Formação de Portalegre da Guarda Nacional Republicana (CFP) não cumpriu o Parecer da Junta Superior de Saúde (JSS) da GNR e nem cumpriu o despacho de 26 de Março de 2026 do Comandante do CARI –
Comando de Administração de Recursos Internos da GNR, o qual homologou o referido parecer da JSS. Essas questões merecem um esclarecimento completo, transparente e independente. Por isso, considera-se indispensável que o Ministro da Administração Interna, o Comandante Geral da Guarda Nacional Republicana e a Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) promovam o integral apuramento das decisões administrativas e hierárquicas que antecederam os acontecimentos, tomando as medidas jurídicas respectivas, identificando, com total transparência, todas as eventuais responsabilidades do Centro de Formação de Portalegre da Guarda Nacional Republicana (CFP) que a investigação venha a revelar.
A confiança dos cidadãos nas instituições não se protege ocultando questões incómodas. Protege-se apurando toda a verdade.
Quando um Parecer da Junta Superior de Saúde da GNR e um despacho do Comandante do CARI da GNR determinam que um militar está dispensado do uso e porte de arma e, apesar disso, esse militar é posteriormente escalado para um serviço armado e recebe uma arma de serviço, a questão deixa de ser exclusivamente individual. Passa a ser uma questão de responsabilidade institucional, cujo integral esclarecimento é indispensável para preservar a confiança dos cidadãos nas instituições e no Estado
de Direito.
Se os factos documentalmente apurados vierem a confirmar que um Parecer da Junta Superior de Saúde da GNR e um despacho do Comandante do CARI não foram tidos em conta na organização do serviço por parte do Centro de Formação de Portalegre da Guarda Nacional Republicana, então os disparos deixarão de representar apenas um episódio individual e passarão também a suscitar uma questão de eventual responsabilidade institucional (do Centro de Formação de Portalegre da Guarda Nacional Republicana), que não pode ser ignorada.

Quando uma instituição (Guarda Nacional Republicana), ao seu mais alto nível, determina oficialmente, por despacho, que um militar da Guarda não pode usar arma, por problemas psicológicos e psiquiátricos, e, posteriormente, esse mesmo militar é colocado em funções armadas (por uma Sub-Unidade da própria GNR – o Centro de Formação de Portalegre da Guarda Nacional Republicana), a investigação não pode terminar na actuação individual do militar em causa. Tem de abranger toda a cadeia hierárquica de decisão do Centro de Formação de Portalegre da Guarda Nacional Republicana, que antecedeu os acontecimentos.
As armas de serviço não aparecem nas mãos dos militares por acaso. São atribuídas na sequência de decisões humanas e administrativas que também têm de ser escrutinadas. Numa instituição hierarquizada, como é a GNR, a atribuição de uma arma
de serviço nunca é um acto espontâneo. É sempre consequência de uma decisão administrativa cuja conformidade importa apurar.
Os disparos de 26 de Junho de 2026 começaram realmente quando foi premido o gatilho ou começaram antes quando o Centro de Formação de Portalegre da Guarda Nacional Republicana entregou a um militar uma arma, que este não podia ter, por
motivos psicológicos e psiquiátricos ?
Os disparos de 26 de Junho de 2026 não podem apagar a pergunta essencial que continua por responder: como foi possível que um militar da GNR oficialmente dispensado, por motivos psicológicos e psiquiátricos, por um despacho de um Oficial
Superior da GNR, com a patente de General, do uso e porte de arma tivesse sido colocado em funções armadas e recebido uma arma de serviço pelo Centro de Formação de Portalegre da Guarda Nacional Republicana ?
Essa pergunta não é apenas do militar envolvido.
É uma pergunta que toda a sociedade portuguesa tem o direito de ver respondida.

(comunicado elaborado com autorização da Ordem dos Advogados – texto escrito segundo a antiga ortografia)

Alter do Chão, 3 de Agosto de 2026

Mário Martins de Campos
Advogado
Advogado do militar da GNR dos factos ocorridos a 26 de Junho de 2026 no Centro
de Formação de Portalegre da Guarda Nacional Republicana”

Arronches substitui passagens hidráulicas na freguesia de Esperança

A Câmara Municipal de Arronches deu início a uma empreitada para a substituição de várias passagens hidráulicas na freguesia de Esperança, uma intervenção que pretende garantir melhores condições de segurança nas travessias de linhas de água do concelho.

Os trabalhos já decorrem no caminho rural do Brazio, na travessia sobre o Ribeiro de Ouguela, e vão estender-se ao afluente do Ribeiro de Manguens, junto à Ponte das Hortas de Cima, ao próprio Ribeiro de Manguens, nas imediações do Monte de Manguens, e ao afluente da Albufeira do Abrilongo, na zona de regolfo da barragem.

Segundo a autarquia, a intervenção surge na sequência da degradação destas infraestruturas, provocada pelo desgaste do tempo e pelas intempéries registadas nos últimos invernos, que inviabilizaram a sua reparação em condições de segurança.

A empreitada foi adjudicada à empresa Senpapor – Construções e Obras Públicas, Lda., pelo valor de 132.878,28 euros, acrescido de IVA.

A casa onde nasceu Rui Nabeiro abre as portas ao público nas Festas do Povo de Campo Maior

Em contagem decrescente para ver Campo Maior florescer, há uma porta que se abre, pela primeira vez, a todos. Nas Festas do Povo de Campo Maior 2026, todos os visitantes terão a oportunidade de entrar na casa onde nasceu o fundador da Delta Cafés, Rui Nabeiro, na Travessa da Praça, nº 6 – a mesma rua que este ano é decorada pela Associação Coração Delta, precisamente em sua
homenagem.

Esta iniciativa marca o início de uma celebração do legado do Comendador Rui Nabeiro promovida pelo Grupo Nabeiro, que se prolonga pelas ruas da vila e pelas histórias que ajudam a contar o seu percurso, incluindo as quatro ruas enramadas: a Travessa da Praça, do Coração Delta; a Rua Vasco Sardinha, da Delta Cafés, um tributo dos colaboradores do Grupo Nabeiro à vila de Campo Maior; a Rua Afonso Costa, dos Cafés Camelo; e a Rua da Misericórdia, da Adega Mayor.

Na casa onde nasceu Rui Nabeiro, na Travessa da Praça n.º 6, teve início a história de quem sempre sonhou e acreditou que, mesmo com pouco, se consegue fazer muito, porque “se todos quiséssemos, o mundo seria extraordinário”. A mesma rua acolhe ainda
uma das decorações mais simbólicas desta edição das Festas do Povo criada pela Associação Coração Delta e dedicada a Rui e Alice Nabeiro.

Inspirada numa memória da família, a intervenção recria o jardim de flores que Alice Nabeiro cuidava e que Rui Nabeiro tanto admirava. Foi também nesse jardim que nasceu a sua história de amor. Dessa recordação nasce agora, através de um gesto coletivo, um jardim aberto a todos.

O jardim invertido convida cada visitante a contemplar e a descobrir-se nos reflexos espalhados ao longo do percurso. Ao longo da rua, cada elemento conta uma parte da história. Do empreendedor visionário ao homem de família, do líder ao amigo, do campomaiorense ao cidadão que acreditava na comunidade. É uma celebração da vida e do legado de Rui Nabeiro, construída exatamente no lugar onde tudo começou.

Espaço Delta House na Praça da Liberdade com espetáculo de drones by Delta Cafés

A celebração prolonga-se na Praça Multimodal, apelidada de “Praça da Liberdade”, com a Delta House, um espaço de encontro, descoberta e partilha. Aberta ao público durante os nove dias de festa, reúne as diferentes marcas do portfólio do Grupo Nabeiro, como a Delta Cafés, Delta Q, Adega Mayor, GO CHILL, Unboring Snacks, SWEE e Alardo, através de experiências, ativações e surpresas pensadas para celebrar o espírito único de Campo Maior.

A experiência inclui também um bar com toda a oferta de cafés do Grupo Nabeiro e um Wine Bar Adega Mayor, onde os visitantes poderão desfrutar, este ano, da edição limitada do Vinho Oficial Festas do Povo de Campo Maior 2026, num ambiente de convívio e de festa.

Ao longo da programação, o palco Delta House reúne ainda concertos, atuações de DJs e muitos outros momentos de animação, para diferentes gerações.

Ao cair da noite, o céu de Campo Maior será também palco de momentos especiais com um espetáculo de drones by Delta Cafés, nos dias 8, 9, 14 e 15 de agosto, às 22h45. Uma experiência que se junta à roda-gigante, oferecendo novas perspetivas sobre uma das festas mais emblemáticas de Portugal.

O Grupo Nabeiro–Delta Cafés associa-se assim a mais uma edição das Festas do Povo de Campo Maior, que decorrem entre 8 e 16 de agosto, e reforça a sua ligação profunda à terra que viu nascer o fundador da Delta Cafés, Rui Nabeiro.

Recorde-se que esta é a primeira edição das Festas do Povo de Campo Maior desde a sua classificação como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, em 2021. Ao longo de nove dias, mais de uma centena de ruas decoradas por mais de quatro mil voluntários darão vida a uma tradição que reflete os mesmos valores de comunidade, entreajuda e dedicação que marcaram o percurso de Rui Nabeiro e continuam hoje presentes na identidade de Campo Maior.

Juromenha convida a olhar para as estrelas a partir da sua Fortaleza

A Fortaleza de Juromenha, no concelho de Alandroal, vai receber, no dia 14 de agosto, a iniciativa “À Luz das Estrelas”, uma nova observação de estrelas que convida o público a descobrir o céu noturno a partir deste monumento histórico.

A sessão tem início marcado para as 21h30 e é promovida pelo Município de Alandroal, com o apoio da ALBIREO – Associação de Temáticas da Natureza e Astronomia.

A participação é gratuita, mas sujeita a inscrição obrigatória, estando a atividade limitada a um máximo de 50 participantes.

As inscrições podem ser realizadas junto do Posto de Turismo de Alandroal, através do telefone 268 440 045 ou do endereço de email turismo.alandroal@cm-alandroal.pt.

A iniciativa pretende proporcionar uma noite dedicada à astronomia, aproveitando as condições da Fortaleza de Juromenha e o céu noturno do concelho de Alandroal para uma experiência de observação e contacto com a natureza e o património local.

Festas da Terrugem regressam com fortes tradições taurinas e animação musical

As tradicionais Festas da Terrugem estão de volta, prometendo juntar a população e visitantes em redor de uma programação diversificada que alia a vertente taurina, a animação musical e os jogos tradicionais. Em entrevista de apresentação dos festejos, Filipe Pé-Curto e Carolina Pernas, membros da comissão organizadora, detalharam as novidades e os destaques do programa deste ano.

Uma das principais inovações reside nas garraiadas e no incentivo aos participantes mais destemidos através do anúncio prévio de prémios mínimos para quem se aventurar na arena. Sobre esta medida, Filipe Pé-Curto explicou que a intenção é dinamizar a praça e valorizar a coragem dos participantes: “Este ano temos a novidade que decidimos, nas garraiadas, informar o público dos prémios mínimos que vamos ter por pegas para os mais corajosos, porque a festa faz-se deles, que vão lá para baixo e que têm a força e a coragem de ir para lá. Por exemplo, na segunda-feira temos o prémio máximo — ou seja, o prémio mínimo — de 1.000 euros. É um bom prémio.”

Filipe Pé-Curto salientou ainda que o investimento em prémios serve como atrativo para manter viva a tradição e o espetáculo. “O desafio é grande, depende da coragem das pessoas. Anos atrás, se calhar, para mim era mais ou menos, mas agora já é muito. Mas isso já depende, mas acho que é um chamariz, porque nós também temos que prezar muito pelas pessoas que nos visitam e para aquelas que são corajosas. Os artistas são as pessoas que nos visitam e vão lá para baixo. A nossa ideia é essa. Temos também a bezerra para as crianças e, na segunda-feira, vai ser sorteado um bezerro e um potro”, adianta.

A comissão de festas enfrentou igualmente percalços na preparação do espaço da praça, tendo a organização e a comunidade local unido esforços para assegurar a realização dos eventos no local emblemático de sempre. Filipe Pé-Curto destacou a mobilização popular: “quando, na altura em que nós, comissão de festas, tínhamos tudo tratado, tudo alinhado, e era para iniciarmos os preparativos, tivemos esse percalço. Decidimos, por nossa vontade, alinhar e fazer com que fosse possível. Temos a praça de volta e os nossos eventos lá realizados. Foi uma coisa totalmente imprevista. Tivemos cerca de 50 a 70 pessoas voluntárias ali a trabalhar dia e noite”, acrescenta.

No âmbito musical e do entretenimento, Carolina Pernas apresentou a estrutura do programa, que se divide entre a animação na zona de refeições e os espetáculos principais no palco central. “Começamos na sexta-feira com a garraiada pelas 21h30. Depois vamos ter o palco popular, junto da zona de refeições, onde vamos ter as Roncas de Elvas, A Voz Amiga e as Alentejanices. É gratuito, portanto podem e devem ir jantar para acompanhar estas atuações”, revela.

Carolina Pernas destacou ainda os grandes momentos musicais do fim de semana e a continuidade das tradições lúdicas da localidade: “Temos os nossos espetáculos, sendo que o cabeça de cartaz no sábado é o Vira Milho e no domingo temos os Baila Maria, que também acho que são assim os que chamam mais a atenção no nosso programa. Vamos ter o tradicional jogo do bicho e também a quermesse, claro.”

Carolina Pernas esclareceu como funcionam as entradas no recinto do ringue e os valores envolvidos: “o palco popular vai ser um espaço gratuito, portanto vai ser a primeira atuação da noite, e a partir das 23 horas vai ser no recinto do ringue, como habitual, e aí sim vai ter um valor diário pago. Ou então podem sempre adquirir a nossa pulseira geral, que já está à venda neste momento e que dão entrada para os espaços dos espetáculos e também para as garraiadas. O valor da pulseira são 23 euros”, esclarece.

As festividades decorrem entre sexta e segunda-feira, de 7 a 10 de agosto, esperando-se uma forte afluência de público para acompanhar as garraiadas, os concertos e o convívio comunitário.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

Rua Direita une esforços para surpreender visitantes com decoração inédita nas Festas do Povo

A Rua Direita volta a ser um dos pontos de destaque das Festas do Povo, em Campo Maior, graças ao empenho dos moradores dos dois troços, que este ano decidiram unir esforços para criar uma decoração diferente de todas as anteriores. À frente da iniciativa estão Maria José Grãos-Duros, responsável pelo primeiro troço, e Pedro Cupido, cabeça de rua do segundo.

Enquanto Maria José já desempenha esta função há vários anos, Pedro estreia-se no cargo, depois de ter sido incentivado por outros moradores a assumir a responsabilidade quando ninguém se disponibilizou para liderar o segundo troço.

“Fui empurrado pela Ana Cachapa e pela Babel. Ninguém queria ser cabeça de rua e disseram-me que não podia deixar o troço sem enramar”, recorda Pedro Cupido.

A união como resposta à falta de voluntários

A falta de voluntários levou os dois responsáveis a juntarem os troços, uma decisão que permitiu ultrapassar as dificuldades provocadas pela escassez de pessoas a trabalhar diariamente. Apesar de haver moradores que preparavam materiais em casa, eram apenas três ou quatro pessoas que marcavam presença de forma regular nos trabalhos de montagem.

Durante meses, o grupo dedicou largas horas à preparação das flores e restantes elementos decorativos. À medida que a data das festas se aproximava, o ritmo intensificou-se, com jornadas que começavam ao final da tarde e se prolongavam até à uma da manhã, repetindo-se diariamente.

Noites sem dormir até ver a rua pronta

O esforço, admitem, foi acompanhado por momentos de grande ansiedade. Maria José confessa que passou várias noites sem dormir, receando não conseguir concluir a decoração a tempo.

“Pensava sempre se íamos conseguir acabar a rua antes de tudo começar. Tive muitas noites sem dormir e andava sempre com a tensão alta”, revela.

Uma decoração inédita e cheia de surpresas
A decoração deste ano promete marcar a diferença. A ideia partiu de Pedro Cupido, que realizou uma extensa pesquisa antes de definir o conceito e as cores, procurando criar algo nunca antes visto na Rua Direita. O dourado será um dos elementos predominantes, numa aposta que pretende romper com as opções habituais.

Maria José depositou total confiança nas escolhas do colega. “Disse sempre que o que ele fizesse, para mim estava bem”, afirma.

O orgulho de quem nunca deixou a Rua Direita

Natural da Rua Direita, onde vive há 70 anos, Maria José não esconde o orgulho pelo lugar onde nasceu e cresceu. “É a minha rua preferida. Nunca saí daqui. Tem muita coisa bonita e este ano vai ter muitas surpresas. Nunca vi a rua ficar como vai ficar agora.”

A reta final antes da inauguração

Na véspera da inauguração, o trabalho continuará pela noite dentro. Como é tradição, os moradores permanecerão juntos até de madrugada para concluir a montagem e celebrar com o habitual convívio, reforçando o espírito de união que marcou toda a preparação.

Os responsáveis esperam agora que o público reconheça o esforço coletivo e se deixe surpreender pela transformação da Rua Direita.

“Esperamos que toda a gente venha visitar a Rua Direita e que goste do nosso trabalho. Achamos que vai ficar mais bonita do que nunca”, concluem.