14 anos de Património Mundial marcam o percurso de Elvas: elvenses avaliam o impacto da distinção

Elvas assinalou, no final de junho, os 14 anos da classificação como Património Mundial da UNESCO. A distinção, atribuída em 2012, continua a projetar a cidade além-fronteiras e a atrair visitantes.

Mas será que os elvenses consideram que este reconhecimento tem sido bem aproveitado? A Rádio Campo Maior/Rádio ELVAS saiu à rua para ouvir a opinião dos ouvintes.

Um dos entrevistados reconhece que a classificação contribuiu para o aumento do turismo e para a requalificação de alguns espaços, mas considera que os benefícios económicos ainda ficam aquém do esperado. “Sinto que há muito mais movimento a nível do turismo”, afirma, embora considere que o dinheiro deixado pelos visitantes “fica aquém”. Por outro lado, refere que se “tem notado que há requalificação” do património.

Também houve quem destacasse o potencial ainda por aproveitar. Uma elvense descreve Elvas como “uma cidade extraordinária”, mas entende que continua “muito pouco explorada a nível cultural e mesmo ao nível do seu próprio património”, defendendo que “Elvas tem muito mais para dar”.

Outros ouvintes sublinham os efeitos positivos da distinção da UNESCO. Uma das entrevistadas considera que a classificação “trouxe muito turismo” e que a cidade está “mais viva”, com “mais pessoas na rua”, acrescentando que o património “está muito valorizado”.

Na mesma linha, outro elvense refere que a diferença é evidente quando comparada com o período anterior à classificação, apontando o crescimento da restauração, das dormidas e do número de visitantes que chegam em excursões. Apesar disso, considera que continua a existir património pouco valorizado, defendendo uma maior aposta na promoção do património religioso, através da criação de uma rota dedicada às igrejas da cidade.

As opiniões recolhidas revelam, assim, que a população reconhece a importância da classificação de Elvas como Património Mundial da UNESCO e o impacto positivo que esta teve na cidade. Ainda assim, muitos consideram que há áreas onde é possível reforçar a valorização e promoção do património local.

GNR detém em Borba cinco indivíduos por crimes contra a preservação da fauna em zona de caça

O Comando Territorial de Évora da Guarda Nacional Republicana (GNR), através do Posto Territorial de Borba, deteve, no dia 22 de julho, cinco homens com idades compreendidas entre os 22 e os 46 anos, por suspeitas de crimes contra a preservação da fauna e das espécies cinegéticas.

A ação foi desencadeada após uma denúncia a dar conta da presença não autorizada de indivíduos no interior de uma propriedade privada, identificada como Zona de Caça Turística, no concelho de Borba.

No local, os militares da GNR surpreenderam os cinco suspeitos em pleno ato de caça ilegal de ouriços, utilizando um canídeo para o efeito. Os detidos foram constituídos arguidos, sujeitos a Termo de Identidade e Residência e libertados, tendo os factos sido comunicados ao Tribunal Judicial de Vila Viçosa.

A GNR aproveita para relembrar que a proteção ambiental é uma prioridade estratégica, apelando à colaboração de todos através da Linha SOS Ambiente e Território (808 200 520).

Campo Maior: Rua de São João está pronta para fazer parte do “maior espetáculo em flor que há no mundo”

A Rua de São João, que integra o Bairro de Santa Cruz e a Caleja de São João, será uma das muitas artérias de Campo Maior engalanadas com flores de papel na edição deste ano das Festas do Povo. 

À frente da organização está José Almeida, cabeça de rua, que reside atualmente fora da vila, tendo confiado a coordenação dos trabalhos a Vanda Carrilho.

“Fizemos uma reunião com os moradores e quando os moradores disseram ‘sim’, avançámos. Foi quando eu e o Zé dissemos: ‘Então vamos dar o nome da Rua de São João’. A Rua de São João está composta por dois nomes de ruas. Vai do princípio ao fim e temos ainda a Caleja de São João. Quando se arranja a Rua de São João, arranja-se tudo”, começa por explicar Vanda Carrilho.

A Rua de São João “há de ser sempre a mais bonita”

A responsável destaca o empenho coletivo colocado no projeto, sublinhando que, independentemente das comparações, para quem nela trabalhou esta será sempre a rua mais bonita.

“Levamos este projeto muito a fundo. Empenhámo-nos para que tudo corresse bem e para que realmente ficasse a rua mais bonita. Se calhar, aos olhos de outras pessoas, haverá ruas mais bonitas, mas para nós, pelo esforço, pelo empenho, pela dedicação e pelas horas que tivemos aqui, há de ser sempre a mais bonita”, comenta.

A adesão da população é um dos pontos fortes desta edição para o grupo. Além dos moradores, muitas pessoas com ligações familiares à rua têm contribuído para os trabalhos. Vanda Carrilho é um desses exemplos. Apesar de viver na zona nova da vila, mantém uma forte ligação afetiva à Rua de São João, onde viveram os seus avós.

“Este ano posso dizer que houve muita adesão a nível de moradores e não só. Temos pessoas que não moram aqui, mas por conhecimentos e ligações familiares têm-nos ajudado imenso. Também não moro aqui, sou da parte nova da vila, mas tenho aqui as minhas raízes. Foi sempre para esta rua que trabalhei e onde aprendi o que eram as Festas do Povo. Foram os meus avós, a minha mãe, as minhas tias e as restantes pessoas da rua que me incutiram este gosto. E nós vamos trazendo sempre amigos e familiares que moram na parte nova da vila”, recorda.

Flores de papel de nove cores darão alegria à Rua de São João

Os trabalhos do grupo liderado por Vanda e José tiveram início em janeiro e envolveram centenas de horas de dedicação. Este ano, a Rua de São João apresenta nove cores de flores e uma decoração de grande dimensão, distribuída por três arruamentos.

“Nove cores de flores na rua significam muita flor, muito corte, colagem, muito arame. Foi uma batalha. Só colunas são quase 80 ou 90. Temos entradas, muitos candeeiros, todas as colunas levam candeeiros e a rua no meio também. É um trabalho muito demorado”, confessa.

Do trabalho em casa aos serões em convívio

Durante os meses de inverno, grande parte das flores foi produzida nas casas dos voluntários. “No inverno, o pessoal gostou de trabalhar mais em casa. Estava frio, estava a chover, levavam o material e faziam em casa. Depois eu ia recolhendo e trazia tudo para a casa das flores, como lhe chamamos”, revela a responsável.

Quando a chuva e o frio deram tréguas, deu-se início aos tradicionais serões: “É nos serões que a gente vai fazendo as flores, brincando, conversando, cantando, comendo e bebendo, porque isso também faz parte da festa”.

Festas do Povo são “o maior espetáculo em flor que há no mundo”

Vanda Carrilho deixa ainda o convite a todos para que, de 8 a 16 de agosto, visitem as Festas do Povo: “Venham ver porque é uma coisa linda de se ver. O trabalho dos campomaiorenses e não só, porque temos muita gente que não é campomaiorense e que nos ajuda, mas o povo de Campo Maior esmera-se para proporcionar esta semana e mostrar o maior espetáculo em flor que há no mundo”.