Ervas e Companhia na Orada onde o Valor do Mundo Rural chama pelo próximo Quadro Comunitário de Apoio

O evento, que decorre na freguesia de Orada, concelho de Borba, destaca-se como um exemplo de resistência cultural e de “auto-invenção” dos territórios rurais perante os desafios da coesão europeia.

A freguesia de Orada transformou-se, este fim de semana, na capital das ervas aromáticas, da gastronomia tradicional e das memórias do trabalho de campo. A “Feira das Ervas e Companhia”, organizada pela Casa da Cultura em parceria com a Câmara Municipal de Borba e a Junta de Freguesia, assumiu-se nesta edição como um palco de afirmação das tradições locais e uma plataforma de reflexão sobre o futuro dos apoios comunitários.

O Desafio da Coesão e os Fundos Europeus

Ricardo Pinheiro

Presente na iniciativa, o presidente da CCDR Alentejo, Ricardo Pinheiro, sublinhou o papel crucial de eventos desta natureza na estratégia de desenvolvimento regional. “A coesão tem sido um desafio enorme na utilização de fundos comunitários. O próximo quadro de apoio vai ter regras diferentes e é extraordinariamente importante que projetos que dinamizem os territórios continuem a incentivar as mulheres e os homens a fixar-se e a manter o seu modelo de vida em territórios rurais”, afirmou o responsável.

Ricardo Pinheiro destacou ainda a necessidade de a Comissão Europeia reconhecer a resiliência das populações locais: “É fundamental que a Europa perceba a forma como os territórios se auto-inventam. A questão das ervas aromáticas, a produção do mel e toda a dimensão da cozinha associada à produção local são formas de criação de valor que já apresentam resultados importantes em boas práticas a nível europeu”.

Orada: O “Ex-Libris” da Tradição de Borba

Pedro Esteves

Para o presidente da Câmara Municipal de Borba, Pedro Esteves, o evento é um tributo à identidade da freguesia. “O que se pretende é mostrar à Orada aquilo que na Orada se faz muito bem: manter as tradições. Não temos pretensões de ser uma grande festa, mas queremos ser uma belíssima festa onde todos se sintam bem a provar os comeres tradicionais feitos com todo o tipo de ervas”, explicou o autarca.

Pedro Esteves enalteceu o papel da Casa da Cultura da Orada, que assumiu este ano a liderança da organização: “A Casa da Cultura faz um trabalho de preservação das tradições e dos cantos de trabalho, que eram a forma como as pessoas se organizavam no campo. É um património que a Orada e o concelho de Borba não podem perder”.

Ervas e Companhia é um evento estruturante da freguesia

João Leitão

Para o autarca João Leitão, presidente da Junta da Orada reconhece que “a Feira já vai sendo um evento estruturante na freguesia. É importante para alguns dos produtores que precisa escoar os produtos. O uso das plantas aromática era feito sobretudo nas sopas. O sustento da alimentação dos trabalhadores rurais. Hoje em dia faz se muito a procura das plantas aromática sobretudo para substituir o sal”. João Leitão destaca ainda “a prova das sopas como o momento alto da Feira, cada pessoa faz a sua sopa e depois todos podemos provar”.

Ervas como Sobrevivência e Património

Ricardo Pinheiro e Paulo Laranjo

Paulo Laranjo, da Casa da Cultura, recordou a origem histórica deste evento, focado nas plantas alimentares e medicinais. “Antigamente, estas plantas serviram de sobrevivência para o dia a dia. As pessoas iam para o campo, apanhavam o que a natureza dava e confecionavam em casa. O nosso intuito é valorizar esse potencial e dar vida a essa grandeza”, referiu.

Apesar da ameaça de chuva, que obrigou à instalação de uma tenda no adro da igreja para aproximar o certame do centro da freguesia, o otimismo mantém-se para o ponto alto do programa. “Um dos momentos mais esperados é o passeio pedestre para a descoberta e identificação das plantas no seu habitat natural. Esperamos que o tempo permita, pois é fundamental para que as pessoas conheçam esta riqueza”, concluiu Paulo Laranjo.

A feira conta com momentos de degustação, música tradicional e a presença dos emblemáticos “Bonecos da Orada”, celebrando um modo de vida que procura agora novas oportunidades no próximo ciclo de financiamento europeu.

“Da eficiência operacional à governação inteligente” é tema de conferência em Campo Maior

O Município de Campo Maior reforça a sua aposta na inovação tecnológica através da Estratégia de Nível Tecnológico Integrada (ENTI), um roteiro que visa transformar a gestão pública e aproximar os cidadãos da administração local.

Campo Maior está a dar passos decisivos para se consolidar como uma “Smart City” (Cidade Inteligente). Sob o lema da Eficiência Operacional, o município tem vindo a implementar sistemas que otimizam os recursos públicos, desde a gestão inteligente da iluminação até à monitorização de redes de águas, garantindo uma resposta mais rápida e menos desperdício.

A transição para uma Governação Inteligente não se resume apenas à tecnologia, mas à forma como os dados são utilizados para servir a população. Através da plataforma ENTI, a autarquia consegue integrar fluxos de trabalho que anteriormente estavam dispersos, permitindo uma visão holística do concelho em tempo real.

Nesse sentido, realiza-se no dia 19 deste mês, no Centro Cultural de Campo Maior, uma conferência de apresentação do projeto. a sessão está marcada para as 9.30 horas.

Filme Super Mario Galaxy exibido em Campo Maior

O filme Super Mario Galaxy será exibido em Campo Maior amanhã, dia 10 de maio de 2026 (domingo), às 17h00. 

A sessão decorre no Centro Cultural de Campo Maior e os bilhetes podem ser adquiridos online através da Ticketline ou consultados no site oficial do Município de Campo Maior.

Raquel Tavares atua este sábado no Festival de Fado de Estremoz. Espetáculo tem entrada gratuita

Raquel Tavares sobe, na noite deste sábado, 9 de maio, ao palco da quinta edição do Festival de Fado de Estremoz.

O concerto, a ter lugar no Pavilhão B do Parque de Feiras e Exposições de Estremoz, está marcado para as 22 horas. Antes, pelas 21 horas, é Celia Romero, a voz da nova geração do flamenco, quem se apresentará ao público.

O Festival de Fado de Estremoz, considerado um dos mais importantes do género em Portugal e o maior do Alentejo, que decorre, uma vez mais, sob a direção artística do estremocense José Gonçalez, é promovido pela Câmara Municipal.

As entradas são gratuitas.

Elvas: 90 vozes femininas dão vida ao II Festival Internacional de Coros a 16 de maio

O Salão Vasco da Gama do Hotel São João de Deus, em Elvas, acolhe, a 16 de maio, a segunda edição do Festival Internacional de Coros de Elvas, iniciativa promovida pela Associação Cultural Públia Hortênsia de Castro, com o apoio da Câmara Municipal.

Desta feita, e contrariamente ao que aconteceu na edição de estreia do festival, no ano passado, o evento reunirá em palco apenas mulheres. Neste espetáculo, com início às 18 horas e entrada gratuita, juntam-se ao coral anfitrião – o Coral Públia Hortênsia de Castro – coros provenientes de Leiria, Madeira e Madrid, num total de 90 vozes femininas.

Depois do convite endereçado ao ensemble vocal feminino “Flores de Maio” da Madeira, Vasco Almeida, presidente da associação e maestro do coral elvense, deslocou-se a Leiria para “tentar convencer” o grupo “Ninfas do Lis” a participar no festival. “Já eram dois grupos femininos e, curiosamente, uma ex-aluna de uma professora de piano minha amiga publicou ao mesmo tempo, já quando eu tinha a confirmação dos outros dois grupos, que tinham acabado de criar um coro feminino (“Elysia”). Este já era do lado de lá da fronteira e aí já poderia dizer que o evento era internacional”, explica o responsável.

Não sendo o Coral Públia Hortênsia de Castro de Elvas só formado por vozes femininas, desta vez, os homens do grupo ficarão de fora, ainda que assumam outras tarefas. “Os homens vão ter outro papel, eles já estão avisados”, garante Vasco Almeida. A verdade é que os coros, não só em Portugal como em Espanha, enfrentam uma “pequena fragilidade” no que toca à participação do sexo masculino, lembra o maestro, que encontrou aqui a oportunidade ideal para dar uma nova versão ao Festival Internacional de Coros de Elvas.

O espetáculo, com a duração de cerca de hora e meia, para além das atuações individuais dos quatro grupos, irá contar com um momento especial, com as 90 vozes unidas para interpretar “Quando Fores ao Alentejo”. Para Vasco Almeida, não há dúvidas: este será “um grande concerto”.

A entrevista completa a Vasco Almeida, não só sobre esta segunda edição do Festival Internacional de Coros, mas também sobre vários outros eventos da Associação Cultural Públia Hortênsia de Castro de Elvas, para ouvir no podcast abaixo:

Campo Maior: “A Fantabulástica Família da Alice Barbuda” dá visibilidade ao trabalho da APPACDM na Feira do Livro

O livro “A Fantabulástica Família da Alice Barbuda”, da Equipa de Intervenção Precoce da APPACDM de Elvas, é um dos grandes destaques da Feira do Livro de Campo Maior, que chega este sábado, 9 de maio, ao fim.

Dizendo que não há melhor forma de dar a conhecer e comercializar a obra, que tem por base a temática do uso abusivo das tecnologias por parte dos mais novos, do que estar presente numa feira do livro, Manuela Polme, membro da equipa, começa por lembrar que foi a APPACDM – a “casa” da Equipa de Intervenção Precoce – que possibilitou a sua publicação. “Foi graças à APPACDM que nós conseguimos fazer a publicação do nosso livro e que agora nos acompanha nessa mesma divulgação”, assegura a docente de Educação Especial.

“Contamos com todos, porque efetivamente são eventos deste nível que fazem o nosso livro ter a maior visibilidade possível”, acrescenta. Para além da obra, a APPACDM de Elvas tem também disponíveis para venda, na Feira do Livro de Campo Maior, o porta-chaves da sua mascote, o MICAS. “É um dois em um: podem fazer a aquisição do pack (livro e MICAS), que nós ficaremos bastante agradecidas”, diz ainda Manuela Polme.

De recordar que foi precisamente com uma leitura encenada de “A Fantabulástica Família da Alice Barbuda”, numa sessão dirigida às crianças do ensino pré-escolar de Campo Maior que, na passada quarta-feira, dia 6, se deu início à Feira do Livro, no Centro Comunitário da vila.

O evento chega ao fim este sábado às 19 horas.

Elvas: recital de poesia e harpa com Paulo Pires e Emanuela Nicoli marcam segundo dia da Bookkey

O segundo dia da Bookkey, a Feira Literária de Elvas, apresenta um programa diversificado que junta passeios literários, apresentações de livros, debates e momentos de poesia.

As atividades começam este sábado, 9 de maio, às 10h00 com o passeio literário “Sombras da Raia”, conduzido pelo autor Nuno Franco Pires. Às 11h30, realiza-se a palestra “A importância da leitura em família”, pela autora Sara Rodi, na Biblioteca Municipal Dra. Elsa Grilo.

Durante a tarde, destaque para a apresentação da coleção “Ventriloquia”, às 15h00, por Cátia Terrinca e Ricardo Boléo, do UMcoletivo, e para a sessão de lançamento do livro “O Mosteiro”, de Nuno Nepomuceno, marcada para as 16h00.

Pelas 17h30 terá lugar a conversa “Saramago e o Alentejo”, promovida pela Associação 7350. O debate contará com a participação de vários convidados ligados à literatura e à promoção cultural da região.

A programação prossegue à noite, às 21h00, com um recital de poesia e harpa protagonizado por Paulo Pires e Emanuela Nicoli, encerrando o segundo dia da feira às 23h00.

Com a iniciativa, a Câmara Municipal de Elvas e a Biblioteca Municipal Dra. Elsa Grilo continuam a apostar na valorização da literatura portuguesa e no envolvimento da comunidade em torno da cultura e da leitura.

Pedro Chagas Freitas na abertura da Bookkey: “Elvas é um cenário maravilhoso para uma história”

O escritor foi a figura central do primeiro dia da Feira Literária de Elvas, onde apresentou o marcante “Hospital das Alfaces” e partilhou a sua ligação à cidade e aos leitores.

A Biblioteca Municipal Dra. Elsa Grilo abriu as portas esta sexta-feira, 8 de maio, para a edição de 2026 da Bookkey – Feira Literária de Elvas. O arranque do certame ficou marcado pela presença do mediático escritor Pedro Chagas Freitas, que protagonizou um encontro próximo com o público elvense.

Em entrevista exclusiva à Rádio ELVAS, o autor revelou que os seus encontros com os leitores são momentos de total liberdade. “Podem esperar uma conversa, vou falar do que me apetecer. É claro que vamos falar dos livros, mas também do que está por trás deles, do que é que cada livro pode trazer consigo”, afirmou, desvalorizando um guião rígido para as suas sessões.

“Ouvir os leitores muito mais do que falar”

Apesar de ter no currículo obras mais recentes, Chagas Freitas admite que o livro “Hospital das Alfaces” continua a ser o grande íman de público. “É o mais reconhecido (das obras recentes). Se calhar é o mais marcante, porque é o que as pessoas mais reconhecem. Mas vamos falar um bocadinho de tudo”, explicou o autor, que vê nestas iniciativas uma oportunidade de estudo sociológico sobre quem o lê.

“Recolho, acima de tudo, perceber o que é que faz com que uma pessoa leia um meu livro e não leia outro. Tenho percebido que são leitores de todas as idades, de todos os estilos de vida. Interessa-me ouvir os leitores muito mais do que se calhar ser eu a falar com eles”, confessou.

Elvas como inspiração

Esta é a “quarta ou quinta vez” que o escritor diz estar em visita à cidade raiana, um regresso que acontece três anos após a sua última estada. Para Pedro Chagas Freitas, a riqueza patrimonial e humana da cidade não passa despercebida ao seu olhar de ficcionista. “Elvas é um cenário maravilhoso porque tem muita história, tem muita beleza, tem muitas pessoas interessantes, personagens interessantes. Se calhar algumas das minhas personagens já vieram daqui, não posso é dizer muito”, lançou em tom enigmático.

Programação continua até domingo

A Bookkey arrancou com o espetáculo infantil “Histórias Cantadas”, seguindo-se a sessão oficial de abertura às 20h00. A noite de sexta-feira encerrou com o espetáculo “Era Uma Vez… Ou Duas ou Três!”, protagonizado por Marcantonio Del Carlo.

O certame literário continua a dinamizar a Biblioteca Municipal até amanhã domingo, 10 de maio, afirmando-se como um espaço de cruzamento entre as letras e as artes, promovendo o contacto direto entre autores de renome nacional e a comunidade local.