Exposição “BLASPHEMIA” patente em Arronches de 11 de abril a 3 de maio

A exposição “BLASPHEMIA: A Média-Arte Digital na Reinterpretação do Património”, do artista Pedro Henriques, é uma mostra artística que utiliza ferramentas digitais contemporâneas para reinterpretar elementos do património cultural e religioso.

Em Arronches, esta exposição vai estar patente, na Galeria do Convento de Nossa Senhora da Luz, um espaço central para a dinamização cultural do município, entre os dias 11 de abril e 3 de maio.

Elvas: eucaristia e procissão esta segunda-feira à tarde na Capela da Ajuda

Amanhã, em Segunda-feira de Páscoa, 6 de abril, pelas 16 horas, realiza-se a já habitual eucaristia, na Capela da Ajuda, em Elvas, seguida de procissão.

De acordo com o padre Ricardo Lameira, esta é uma tradição que ao século XVI. “Porém, já no século V se falava um pouco disto. Apesar de não estar nos Evangelhos, os santos e os grandes mestres da vida espiritual acreditavam que Jesus Cristo, depois de ter ressuscitado, antes de aparecer à Maria Madalena, apareceu à mãe”, adianta.

“Se Maria teve que sofrer tudo por amor da humanidade e manter-se firme e de pé, então a Igreja acredita, não sendo nenhum dogma, logicamente, tendo raízes na Bíblia, apenas na devoção popular, que Jesus apareceu, depois de ressuscitar, a Nossa Senhora. Foi a partir daí que apareceu aquela que é a antífona própria de Nossa Senhora do Tempo da Páscoa”, explica o pároco.

Esperando que muitos se juntem a esta celebração, o pároco lembra ainda que a Páscoa é celebrada durante os próximos oito dias da mesma forma que o é neste domingo.

A organização destas cerimónias religiosas é da responsabilidade da Junta de Freguesia de Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso.

Padre Ricardo Lameira apela ao fim da “guerra das palavras” em Domingo de Páscoa

Neste Domingo de Páscoa, em que se celebra a ressurreição de Jesus Cristo, o padre Ricardo Lameira defende que ninguém se pode ficar pelas celebrações e apela ao fim da “guerra das palavras”.

“A celebração tem que ter um sentido. Quando eu olho para Cristo e quando eu me ajoelho aos pés do Crucificado, eu tenho que pensar que me estou a pôr aos pés também de todo o povo que sofre. E são tantos povos a sofrer neste momento. Não há quase um país que não tenha uma guerra”, diz o pároco.

Se noutros países se vivem “guerras de armas”, em Portugal, diz Ricardo Lameira, enfrentam-se “guerras de palavras”. “Não há nada que ninguém faça que não seja descortinado: descortinado por todos e criticado por muitos. E este não é o sentido, nem humano nem cristão. Por isso o Papa Leão XIV, neste ano, sugeriu que o grande sacrifício da Páscoa, da Quaresma, fosse o jejum das palavras ferozes, que é muito difícil, mas é muito mais edificante do que não comer doces ou não beber café”.

“É este o sentido sempre novo, mas também sempre antigo da Páscoa e das celebrações da Semana Santa. É preciso meter as mãos no coração de Cristo, nas chagas de Cristo, nas chagas dos homens. E aí sim, celebraremos a nossa Páscoa com Cristo”, remata o padre.

Fanan Brás celebra 37 anos de tradição em acampamento de família na Ajuda durante a Páscoa

Entre as várias tendas que pontuam as margens da Ajuda, a presença de Fanan Brás é já uma visita habitual para a nossa reportagem. Este ano, o campista celebra uma marca impressionante: “Já são 37 anos que fiz este ano, graças a Deus. A minha filha tinha 20 dias quando ela veio para aqui pela primeira vez”, recorda com orgulho, sublinhando que o objetivo é chegar aos 40 anos de tradição antes de deixar o “testemunho aos mais novos”.

O acampamento, que reúne entre seis a sete famílias, totaliza cerca de 25 pessoas que ali permanecem até à próxima segunda-feira. A estrutura é composta por cinco tendas e duas barracas de grandes dimensões, equipadas com tudo o que é necessário para o conforto do grupo. “Temos geradores por causa da arca e do frigorífico, para ter umas luzes à noite e música com duas colunas de som”, explica Fanan Brás, que faz questão de levar a sua própria lenha, “não corto árvore nenhuma do campo, respeito sempre”, para garantir o aquecimento e as brasas para os cozinhados sem depender de terceiros.

A ementa segue tradições familiares rigorosas, começando com a clássica sardinhada de sexta-feira. “Amanhã (sexta) é sardinhada e pimentos, é a minha tradição, não pode comer carne. Para quem não gosta, temos um “arrozinho” de marisco”, revela o campista. Para o domingo de Páscoa, o prato principal é o borrego assado, acompanhado por espargos, enquanto nos restantes dias imperam os grelhados e os convívios pela noite dentro. “O ambiente aqui é impecável, somos uns para os outros e estamos sempre prontos a emprestar o que faz falta aos vizinhos”, conclui, reforçando o espírito de camaradagem que se vive neste retiro pascal.

Maria de Fátima Magalhães: “Deus trouxe ao mundo a lição do amor e da paz, que teimamos ainda em não entender”

Celebra-se hoje, 5 de abril, a Páscoa, uma das festas cristãs mais importantes do ano. Se no Natal é celebrada a vinda de Jesus ao mundo, para reconciliar as pessoas com Deus, na Páscoa celebra-se o milagre da sua ressurreição, depois de condenado à morte e crucificado.  

Lembrando a mensagem de amor e de paz de Jesus Cristo, a irmã Maria de Fátima Magalhães assegura que os cristãos adoram “um Deus vivo e não um Deus morto”; “um Deus que nos pede que impliquemos a nossa vida na mensagem que Ele nos deixou: uma mensagem de paz, de solidariedade, de amor a Deus e ao próximo e de implicação da vida por um mundo melhor”. Esta, garante, é a mensagem da Páscoa,

Defendendo que o mundo “pode ser melhor” de todos assim quiserem, Maria de Fátima Magalhães assegura que “Deus vem ao mundo para dar vida, e vida em abundância, para que sejamos felizes”.

“Desejo uma Santa Páscoa a todos, imbuída deste espírito da morte e ressurreição de Jesus: alguém que, antes que eu amasse, deu a vida por mim. Quando eu era pecadora, deu a vida por mim e jamais desistirá de mim e estará sempre comigo. Quaisquer que sejam os caminhos por onde eu passar, Ele está sempre comigo, está sempre disposto a perdoar. Deus só sabe amar e só trouxe uma lição ao mundo: a lição do amor, a lição de paz, que teimamos ainda em não entender”, remata a irmã.

Amigos de Elvas e Campo Maior cumprem tradição de Páscoa na Ajuda com petiscos e convívio

As margens do Rio Guadiana, na zona da Ajuda, voltaram a encher-se de vida e tendas para a celebração da Páscoa. Um grupo de cerca de 20 pessoas, que reúne residentes de Elvas e “vizinhos” de Campo Maior, escolheu este local emblemático para passar os dias festivos em acampamento, aproveitando a tolerância de ponto e o descanso prolongado até segunda-feira. “Somos à volta de 20 pessoas. Temos alguns colegas de Campo Maior que este ano fugiram de Altura e vieram aqui passar a Páscoa connosco”, explicou Célia Gago, uma das dinamizadoras do convívio, sublinhando que a logística foi montada logo na quinta-feira para garantir que, a partir de sexta, o único foco seja o lazer.

A organização do acampamento conta com uma tenda por casal e todo o apoio necessário para o conforto do grupo. “Hoje trabalhamos todos e a partir de amanhã já é para descansarmos. Temos um gerador para a luz e para manter a arca fresca, porque 20 pessoas a beber é fácil”, referiu Célia entre risos, destacando que trouxeram todo o material de uma só vez para evitar deslocações constantes. O local, já habitual para estes campistas, foi escolhido pela tranquilidade e pela proximidade à estrada, o que permite manter o contacto visual com quem circula na zona: “É um sítio calmo, temos aqui a estrada ao pé e vimos passar as pessoas”.

No que toca à gastronomia, o grupo não abdica das raízes alentejanas e preparou um menu recheado para os vários dias de estadia. “Para o domingo temos o tradicional “assadozinho” de borrego, ensopado e grelhados. Vamos fazer também umas “migazinhas” com entrecosto e umas “omeletazinhas” de espargos, que os homens ainda irão apanhá-los”, revelou a campista, acrescentando que alguns elementos do grupo ainda tentam a sua sorte com as “canazitas de pesca” no rio. A ementa farta é acompanhada por momentos de animação planeados para todas as idades, incluindo jogos de tabuleiro, cartas e até a presença de um DJ para animar as visitas de amigos que passam pelo acampamento para “beber uma cervejinha”.

Mesmo que as temperaturas baixem durante a noite, o grupo garante estar preparado para o frio. “Se estiver a noite um bocadinho mais fresca, temos aqui uma tenda boa para a gente se abrigar, muita lenha e uns chupitos para aquecer o pessoal”, afirmou Célia Gago, evidenciando o espírito de entreajuda e boa disposição que caracteriza este acampamento na Ajuda. O convívio deverá prolongar-se até segunda-feira, aproveitando o dia de feriado local em Campo Maior e a folga geral para carregar baterias antes do regresso à rotina. Este ano há t-shirts para comemorar a data, mas quando estivemos na Ajuda ainda não tinham chegado. Até segunda-feira, a animação dos elvenses e convidados faz-se na margens do Guadiana, na Ajuda.

Comer borrego no campo em Domingo de Páscoa: tradição ainda se cumpre entre algumas famílias de Campo Maior

A romaria em honra de Nossa Senhora da Enxara, que chega esta segunda-feira, 6 de abril ao fim, conta, neste Domingo de Páscoa, com momentos de muita animação: uma garraiada, durante a tarde, e um baile, à noite, com os Bellota Trompetera.

Para quem faz, por estes dias, do campo a sua segunda habitação, o importante é conviver e desfrutar do ar puro do campo.

Fátima Fonseca, que revela que o marido, sendo elvense, gosta tanto ou mais do que ela destes dias na Exanra, cumpre a tradição de se mudar de “armas e bagagens” para junto da ermida, por esta altura do ano, desde sempre. “Há 56 anos, que é a idade que eu tenho: toda a vida viemos para aqui nesta semana”, garante.

Quando questionada sobre aquilo que acabou por ter de levar para o campo, para poder, com a família, passar estes dias da melhor forma possível, Fátima garante levar basicamente tudo aquilo que tem em sua casa: “temos máquina de café, fogão, braseiras debaixo das mesas, para não termos frio à noite, temos camas, temos lençóis, temos casa de banho, temos tudo”.

Hoje, e como manda a tradição, o borrego não falta à mesa da família de Fátima, confeccionado até das mais diversas formas possíveis: caldeirada, ensopado e assado de borrego. “O borrego é o que sabe bem no domingo de Páscoa”, garante.