
Já começou a contagem decrescente para as Festas do Povo de Campo Maior. Passados 11 anos desde a última edição deste que é o evento maior do concelho, e reconhecido como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2021, o certame, que transforma, da noite para o dia, a vila num verdadeiro jardim, teve o seu lançamento oficial na tarde deste domingo, 11 de janeiro.
Num Centro Cultural completamente lotado, fizeram-se ouvir as saias, acompanhadas pelas pandeiretas e castanholas, e houve até quem, em cima do palco, mostrasse ao público como se produzem as famosas flores de papel.
De 8 a 16 de agosto todos os caminhos prometem ir dar a Campo Maior e, para João Manuel Nabeiro, presidente da Associação das Festas do Povo, os dias que se seguem até lá serão de “muito trabalho”. “Começou hoje a contagem descendente de um trabalho que já vai sendo feito há alguns meses e acredito que os que nos restam, até ao dia 8 de agosto, serão dias incríveis de trabalho, mas acima de tudo de muito coração e de muita união entre os campomaiorenses. É isso que eu espero e de certeza absoluta que no dia 8 de agosto teremos aqui o jardim florido mais belo do mundo: é isso que é a nossa determinação e o nosso compromisso”, começou por dizer aos jornalistas.
Lembrando que estas são festas “com muitas exigências”, a nível de investimento em papel, em arame, madeira e “tantas outras coisas necessárias”, João Manuel Nabeiro lembra que “aquilo que é gratuito é o trabalho de cada um e esse não é quantificado”. O investimento a ser feito no evento vai ficar, “de certeza absoluta, para cima dos 600 mil euros”.
Estando inscritas cerca de cem ruas, o evento contará desta feita com o apoio de vários municípios, quer portugueses, quer espanhóis, como Redondo, Vila Nova de Cerveira, San Vicente del Raspeig e Valdelacalzada, até porque um dos objetivos é alcançar a sua internacionalização.
Já o presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, Luís Rosinha, fala num dia “de muito orgulho e de muita responsabilidade”, tendo em conta as muitas ideias que há agora para concretizar, mas também num “dia histórico” para a vila e para os campomaiorenses. “Voltamos a ouvir as pandeiretas e a falar, já concretamente, sobre o evento das Festas do Povo de 2026. Com as pandeiretas, umas castanholas e umas vozes afinadas, juntamos também esta cultura das saias àquilo que é a nossa arte maior, que é produzir flores de papel, que só as mãos dos homens e das mulheres campomaiorenses conseguem”, assegura.
O autarca recorda ainda o que levou ao reconhecimento da UNESCO, sendo esta a primeira edição das Festas do Povo após a sua classificação enquanto Património da Humanidade: “só os campomaiorenses conseguem traduzir em papel aquilo que são as ideias que lhe vão na cabeça e, portanto, a UNESCO decidiu reconhecer uma questão cultural que é única e eu acho que, em todo o mundo, toda a gente conseguirá perceber que não haverá muitos fenómenos como estes a ocorrerem, quer seja no país, quer seja no mundo”.
O secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, marcou presença na sessão para anunciar que as Festas do Povo irão contar com o apoio do Turismo de Portugal: “podemos (Governo) ajudar, podemos somar aquilo que é a vontade expressa pelo município, pela população, pela comissão organizadora, pela Turismo do Alentejo e fica aqui o meu compromisso de que o Turismo de Portugal estará ao lado desta organização, porque é um evento que tem dimensão nacional e internacional, que tem a ambição de se internacionalizar”.
Este, diz ainda o governante, é “um evento que capta, seguramente, meio milhão de pessoas”. “Ora, isto é importantíssimo para a dinâmica do comércio, do alojamento, da restauração, dos serviços, daquilo que, no fundo, é a economia que está presente e que está latente. É um evento que tem externalidades para outros municípios, não se concentra apenas aqui em Campo Maior e, portanto, tem também impactos positivos para outros territórios e faz parte de uma estratégia que o Governo tem para captar os grandes eventos. Ora, se temos cá um grande evento, porque não aproveitá-lo e porque não ajudar a que ele possa crescer? É esse o compromisso que aqui ficou expresso”, remata.
Esta festa de lançamento das festas iniciou-se com uma atuação de dança da professora Maria Lama, no exterior do Centro Cultural, enquanto no interior coube à Banda 1º de Dezembro dar as boas-vindas a todos os convidados, através da sua música. A sessão, no auditório daquele espaço municipal, conduzida por Duarte Silvério, contou com os discursos de João Manuel Nabeiro, Luís Rosinha e Pedro Machado, de música e muita cultura e arte.
Presentes na plateia estiveram vários autarcas da região, incluindo o vice-presidente da Câmara Municipal de Elvas, Nuno Mocinha, o presidente da Câmara Municipal de Redondo, David Galego, o presidente da Câmara Municipal de Estremoz, Daniel Sádio, e o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Manuel Santos.























































































































