Vivências e histórias da Raia no 25 de abril recordadas em Campo Maior

“Conversa à volta da Raia” foi o mote para a iniciativa que decorreu esta manhã de segunda-feira, 15 de abril, no Centro Cultural de Campo Maior, no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de abril.

A sessão, destinada ao público escolar, foi moderada pelo professor Fernando Antunes, tendo como oradores Luís Cunha, Francisco Moita Flores e Moisés Cayetano Rosado.

Considerando-se uma “testemunha do 25 de abril”, Francisco Moita Flores, afirma que esse foi dos dias mais importantes da sua vida, “não só pelo fim da guerra, mas também pela necessidade que a sua geração tinha de cultura, nomeadamente, através dos livros que, na época eram proibidos”. O escritor recorda que o seu pai tinha esses livros proibidos, forrados com “um papel específico”, para que não fossem descobertos.

Na sua intervenção o escritor destacou que, atualmente há uma “degradação do ensino, de forma assustadora, devido a um processo de facilitismo”, porque ninguém pode chumbar, por exemplo, considerando que “assistimos hoje a um processo que facilita a massificação da ignorância”, que segundo diz “está a assassinar o país, está a fazer mal aos jovens”.

Francisco Moita Flores foi responsável pela série “Raia dos Medos”, gravada em Campo Maior, na década de 90, revelando que retrata a “solidariedade e crueldade do povo da raia”, durante a Guerra Civil de Espanha.

Já Luís Cunha, autor de “Memória Social em Campo Maior: Usos e Percursos de Fronteira”, revela que essa obra, elaborada nos anos 90, pretendia “perceber quais as memórias das pessoas, na zona da fronteira relativas à Guerra Civil e ao contrabando, para perceber de que forma essas memórias eram construídas e reconstruídas, no presente”.

Luís Cunha diz ainda que a conversa desta manhã foi bastante “interessante e estimulante”, lamentando a falta de “concentração dos jovens”. Para o escritor, “o 25 de abril é um pretexto para se falar de questões de cidadania e o espaço de fronteira é sempre interessante para pensar as questões da liberdade da opressão”.

Já o historiador Moisés Cayetano Rosado afirma que Salgueiro Maia foi uma pessoa que estudou “com muito carinho” considerando que “é uma das figuras mais importantes do país”. Para o historiador, é necessário ter presente “a vontade de liberdade que os militares e o povo português tinham, para conquistar a sua liberdade”.

 

Já o presidente da Câmara de Campo Maior, Luís Rosinha, enaltece a presença e experiência dos oradores, garantindo que o objetivo da autarquia passou também por “mostrar aos jovens presentes o que se conquistou no 25 de abril de 1974”.

Esta sessão ficou ainda marcada por uma interrupção pacífica, por parte de um grupo da Associação de Pais de Campo Maior, que subindo ao palco, mostraram o seu desagrado com a situação de insegurança que se vive nos estebelecimentos de ensino, depois da manifestação desta manhã. O presidente da Associação citou mesmo uma frase de Francisco Moita Flores.

Rui Veloso, Jorge Fernando, Jüra e Kura no 25 de Abril em Alandroal

Rui Veloso, Jorge Fernando, Jüra e Kura

Em parceria com as juntas de freguesia, várias associações do concelho e o Agrupamento de Escolas, o Município de Alandroal está a ultimar a programação de comemoração dos 50 anos do 25 de Abril.

Lembrando que esta é uma “data marcante”, o presidente da Câmara, João Grilo, revela que as ações previstas “não se esgotam no dia 25”, sendo que se prolongam, pelo menos, até maio. O programa comemorativo, diz ainda, é “mais alargado e diferente daquilo que se tem feito em outros anos”, celebrando-se a data, no concelho, de uma “forma especial”.

Através de momentos culturais, educativos e de evocação, o objetivo da autarquia é levar todos a “refletir sobre a importância das conquistas destes 50 anos”.

A par da tradicional sessão solene da Assembleia Municipal e do périplo por todas as freguesias, em que será hasteada a Bandeira Nacional, ao som da Banda Filarmónica do Centro Cultural de Alandroal, haverá concertos de Rui Veloso, Jorge Fernando, Kura e Jüra. Jorge Fernando atua no Fórum Cultural Transfronteiriço de Alandroal, na noite do dia 24, enquanto Rui Veloso irá animar um lanche convívio aberto a toda a população na tarde de dia 25, no castelo da vila. Também no castelo, mas no dia 27, atuam Jüra e Kura, numa noite mais dedicada aos jovens.

No dia 25, será também inaugurada a obra de requalificação da quarta fase de Melhoria da Mobilidade Urbana. “É uma obra emblemática numa zona que estava muito degradada e onde era difícil circular, que faz a ligação entre as duas partes da vila separadas pela Nacional”, explica o autarca.

O programa de comemorações contempla ainda várias ações dedicadas ao público escolar, provas desportivas, apresentações de livros e eventos descentralizados por todo o concelho.

Agrupamento de Campo Maior sem “solução mágica” para violência nas escolas

Dizendo não ter uma “solução mágica” para resolver o problema da insegurança e os episódios de violência nas duas escolas do agrupamento de Campo Maior, o diretor Jaime Carmona garante que a ligeireza de que a direção é acusada de ter no tratamento deste tipo de situações, por parte do presidente da Associação de Pais, é apenas proveniente de “diferentes pontos de vista” (ver aqui).

“Se amanhã conseguir encontrar um diretor que tenha soluções mágicas, este diretor entrega as chaves que tem desta escola, volta para a sua sala de aula, porque não está minimamente agarrado a este lugar”, garante.

Considerando que este não é um problema que se resolve do dia para a noite, o professor garante que o “diagnóstico” dos problemas do agrupamento está feito e registado, sendo que é preciso encontrar soluções. “Sempre manifestámos preocupação e procurámos desencadear formas de estar diferentes até dos próprios parceiros para esta situação”, assegura.

Assegurando que a atual direção “tudo tem feito” por “melhorar o agrupamento”, Jaime Carmona, que espera que todos em torno da escola possam colaborar, garante que ninguém o pode acusar de dizer que não existem problemas na escola. “Mas não o fazemos com espalhafato, com um grande alarido, é sim registando, alertando, notificando e  queixando-nos às entidades certas”, acrescenta.

O diretor diz ainda “não caber na cabeça de ninguém” que poderá ter algum tipo de satisfação em que, dentro da escola, qualquer problema aconteça com os alunos, sendo que, do seu ponto de vista, é necessário, com os “especialistas na matéria”, como a GNR e a Câmara Municipal, rever estas situações.

Lembrando ainda que a Associação de Pais representa os pais de todos os alunos do agrupamento sem exceção, Jaime Carmona reconhece que a manifestação desta manhã tem a “sua razão” de acontecer. Contudo, a procura por um só culpado nesta situação não faz sentido e só acaba por “menorizar o problema”.

Exposição de fotografia sobre “Ser Criança Atrás das Grades” patente no Espaço.arte

No âmbito das Comemorações do 50.º Aniversário do 25 de abril, o espaço.arte recebeu no sábado, dia 13 de abril a inauguração da exposição “Punctum – Ser Criança Atrás das Grades”, de Catarina Araújo Ribeiro.

A expressão “Punctum” é um conceito de Roland Barthes que permite identificar numa fotografia os detalhes que tocam e ferem emocionalmente o espetador, fazendo com que a fotografia passe a viver dentro de quem a observou.

Durante três meses a autora captou o dia-a-dia das reclusas e dos seus filhos dentro de um estabelecimento prisional português onde, para não perderem o colo ou por falta de suporte familiar alternativo, as crianças vivem numa ala com as mães até aos três anos de idade.

O presidente do Município, Luís Rosinha, o presidente da Assembleia Municipal, Jorge Grifo, as vereadoras São Silveirinha e Fátima Vitorino, e o presidente da Junta de Freguesia da Expectação, Hugo Rodrigo, estiveram presentes nesta abertura.

Novo episódio de violência leva pais de Campo Maior a fechar Secundária a cadeado

Imagem ilustrativa

Dezenas de pais e encarregados de educação de alunos de Campo Maior manifestaram-se na manhã desta segunda-feira, 15 de abril, em frente à Escola Secundária da vila, que chegou mesmo a ser fechada a cadeado pela Associação de Pais.

Esta manifestação, segundo explica o presidente da associação, José Gama, prende-se com mais um episódio de violência, que envolveu um aluno, na passada sexta-feira, dia 12, que acabou por entrar na escola quando se encontrava suspenso das atividades letivas.

“Uma escola que reiteradamente não é segura, não pode estar aberta aos alunos. Quando digo aos alunos, digo aos professores e aos auxiliares, que se juntarem a nós e que foram muito abertos a esta situação, porque eles próprios têm apresentado algumas queixas à direção da escola, em termos de insegurança, sobretudo os professores”, garante.

Esta manifestação de hoje, que já não é a primeira, terá terminado quando a GNR abriu os cadeados e a escola foi aberta, sendo que a direção do agrupamento “não deu a cara e não foi falar com o grupo”. José Gama garante até que muitos professores têm manifestado o seu “desagrado” no que toca à forma como a direção tem lidado com estas situações: “são sempre levados, não digo de forma incompetente, mas de uma forma muito leve”.

Recordando o episódio da passada sexta-feira, na Escola Secundária, no decorrer do encerramento da “Semana da Interculturalidade”, em que estavam presentes turmas de 6º ano do Centro Escolar Comendador Rui Nabeiro, José Gama revela que o “cabecilha de um dos grupos de terror” da escola começou a causar distúrbios no auditório, tendo depois começado aos “pontapés e aos murros” a um “miúdo que passou por ele”. “E isto é o que acontece diariamente”, confirma.

O aluno em causa, que terá causado os alegados desacatos e agressões, revela ainda o responsável, entrou na escola, quando se encontrava suspenso. “Este aluno tem processos, porque bate em professores, bate em alunos, ameaça de morte e persegue até casa”, revela. “A nossa questão é como é que um aluno, que está expulso, está dentro da escola e como é que a primeira coisa que se faz não é chamar a GNR”, interroga-se José Gama, dando conta que, para além dos “pontapés e murros” que deu a alunos, este jovem terá dito a vários professores que “os matava”, bem como às suas famílias.

Os dedos de uma mão, garante ainda José Gama, já não chegam para contar os casos “gravíssimos” de agressão nas duas escolas do agrupamento de Campo Maior.

Depois de terminada a manifestação em frente à escola, e enquanto decorria no Centro Cultural uma conferência dedicada ao 25 de Abril, este grupo de pais acabou por interromper a sessão, subindo ao palco, mostrando o seu desagrado com a situação.

Projeto “Ouguela Viva!” quer recriar antepassados e homenagear os feitos da época

A sessão de apresentação do Projeto “Ouguela Viva!” decorreu no Centro Comunitário de Ouguela, na passada quinta-feira, dia 11 de abril.

Esta iniciativa, que contou a presença da vereadora São Silveirinha, está inserida no programa “Castelos e Fortalezas de Fronteira do Alentejo – Raia Viva!” do Turismo de Portugal, promovido pela Historicalia CRL com o apoio do Município de Campo Maior.

O evento vai realizar-se nos dias 11 e 12 de maio, tendo como propósito fazer do património, material e imaterial, um instrumento de desenvolvimento do interior, recriando os antepassados, de forma a homenagear os feitos dos Homens e Mulheres da época.

O contexto histórico do evento serão as duas épocas em que a zona da Raia foi mais importante para a História da Península Ibérica, tendo atividades em que o viajante pode ver, sentir, tocar e participar nas iniciativas como as oficinas históricas ao vivo, animação lúdica, lendas do Castelo, jogos infantis, entre muitas outras.

Participação Política e Cidadania é mote para iniciativa terça-feira no Centro Cultural

Uma ação de capacitação, que aborda o tema da participação política e cidadania, de forma ficcionada, tem lugar amanhã, terça-feira, 16 de abril, no Centro Cultural de Campo Maior.

“Fazes Parte! Faz a tua Parte” é o mote desta ação, direcionada ao público escolar, do 3º ciclo do ensino básico e público em geral.

A vereadora na Câmara de Campo Maior, São Silveirinha, revela que o objetivo desta atividade passa por, “através de vários momentos como uma peça teatro, que aborda o tema da participação política e cidadania, de forma fictícia, reportando a história coletiva do nosso país e um momento musical, para esclarecer os mais jovens para que todos podemos ser agentes políticos e participar ativamente na construção de uma sociedade mais justa e equitativa”.

Esta ação, inserida nas comemorações dos 50 anos do 25 de abril, do município de Campo Maior, tem início amanhã, às 10.45 horas, no Centro Cultural.

Campo Maior acolheu Torneio Inter-Regional de Velocidade de natação

O Complexo de Piscinas Cobertas da Fonte Nova recebeu, no sábado, dia 13 de abril, cerca de 150 atletas de 13 clubes para o Torneio Inter-Regional de Velocidade, uma organização do Município de Campo Maior, da Associação de Natação do Interior Centro (ANICENTRO) e da Associação de Natação do Distrito de Santarém (ANDS).

O presidente do Município, Luís Rosinha, o presidente da Assembleia Municipal, Jorge Grifo, os vereadores Paulo Pinheiro, São Silveirinha, Paulo Almeida e Fátima Vitorino, o presidente da Junta de Freguesia de São João Baptista, Miguel Tavares, e Vanda Portela em representação da mesma, e os presidentes das Juntas de Freguesia de Degolados e da Expectação, João Cirilo e Hugo Rodrigo, respetivamente, participaram nas cerimónias de entrega de medalhas aos participantes.

Conferência “Conversas à Volta da Raia” na segunda-feira em Campo Maior

Luís Cunha, Francisco Moita Flores e Moisés Cayetano Rosado são os autores convidados para, amanhã, segunda-feira, 15 de abril, participarem na iniciativa “Conversas à Volta da Raia”, que tem lugar na Biblioteca Municipal João Dubraz, em Campo Maior

Esta palestra conta com três pessoas “muito conhecedoras do 25 de abril, nomeadamente, “Luís Cunha, autor da obra ‘Memória Social em Campo Maior: Usos e Percursos de Fronteira’; Francisco Moita Flores, responsável pela série ”Raia dos Medos”, gravada em Campo Maior, na década de 90; e Moisés Cayetano Rosado, historiador interventivo, apaixonado por Portugal, e autor das obras ‘Salgueiro Maia: das guerras em África à revolução dos cravos’ e ‘Sempre Abril’”, revela a vereadora na Câmara de Campo Maior, São Silveirinha.

O moderador é o professor Fernando Antunes.

A vereadora diz ainda que esta conversa, que “incide na temática do 25 de abril, mas especificamente, na raia”, é direcionada ao “público escolar, do ensino secundário, e também para o público em geral que se queira juntar à iniciativa”.

A iniciativa “Conversas à Volta da Raia” tem início marcado, para amanhã, às 10.45 horas, na Biblioteca Municipal João Dubraz, em Campo Maior.

Exposição sobre “como é ser criança atrás das grades” inaugurada este sábado no Espaço.arte

Foto: Catarina Araújo Ribeiro

“Punctum – Ser Criança atrás das grades” é o nome da exposição de fotografia, que é inaugurada na tarde deste sábado, 13 de abril, no espaço.arte, em Casmpo Maior.

Esta mostra “conta com 24 fotografias da fotógrafa Catarina Araújo Ribeiro, que passou três meses no Estabelecimento Prisional de Tires, a captar o dia-a-dia das 17 crianças que vivem com as mães que estão presas, neste estabelecimento prisional”, revela a vereadora São Silveirinha. Esta exposição assume-se como “uma reflexão sobre a liberdade ou a falta dela”, considerando que as fotografias são “bastante interessantes”.

A inauguração desta exposição de fotografia está marcada para hoje, às 15 horas, no Espaço.arte, em Campo Maior, onde fica patente até dia 7 de julho.

Esta iniciativa insere-se nas comemorações dos 50 anos do 25 de abril, desenvolvidas pelo município de Campo Maior.