Estremoz vai assinalar o centenário da sua elevação a cidade com uma cerimónia comemorativa marcada para o próximo dia 30 de agosto, domingo, véspera da data oficial do aniversário. A iniciativa pretende reunir a população numa noite de celebração e homenagem à história e às instituições do concelho.
Segundo a vice-presidente da Câmara Municipal de Estremoz, Sónia Caldeira, a escolha do dia 30 pretende permitir uma maior participação dos estremocenses.
As comemorações terão início pelas 21 horas, com a deposição de uma coroa de flores junto ao busto de José Lourenço Marques Crespo. O momento contará com a participação da Banda da Sociedade Filarmónica Artística Estremocense, que interpretará o hino de Estremoz.
Seguir-se-á uma arruada até aos Paços do Concelho, onde será descerrada uma placa comemorativa dos 100 anos da elevação de Estremoz a cidade e terá lugar a assinatura do livro de honra.
A cerimónia contará ainda com um momento musical protagonizado pelo Orfeão Tomás Alcaide, bem como com discursos institucionais e a homenagem às entidades centenárias do concelho.
De acordo com Sónia Caldeira, o município realizou um levantamento das instituições desportivas, culturais e de solidariedade social que contam já com um século de existência ou mais. Todas as entidades identificadas serão distinguidas com uma placa comemorativa.
O programa inclui também a apresentação de um vídeo alusivo ao centenário da cidade. No encerramento, a Banda da Sociedade Filarmónica Artística Estremocense interpretará o Hino Nacional, seguindo-se um espetáculo de fogo de artifício.
Presidente da República ainda sem presença confirmada
A Câmara Municipal de Estremoz convidou o Presidente da República para participar nas comemorações. Sónia Caldeira revelou, contudo, que a presença de António José Seguro ainda não está confirmada.
“Gostávamos muito que pudesse estar presente nesta cerimónia”, afirmou a vice-presidente, explicando que o Presidente da República estará a tentar conciliar a sua agenda para poder juntar-se às celebrações.
A autarquia mantém, assim, a expectativa de contar com a presença do chefe de Estado, embora aguarde ainda uma confirmação oficial.
As comemorações pretendem marcar simbolicamente os 100 anos da elevação de Estremoz a cidade e, ao mesmo tempo, homenagear a comunidade e as instituições que contribuíram para a história e identidade do concelho.
Sónia Caldeira deixou o convite aos estremocenses e a todos os que se queiram associar à iniciativa, sublinhando a importância de celebrar “esta marca, que é a marca dos 100 anos”, e de honrar o nome da cidade.
As obras de requalificação do Castelo de Barbacena, no concelho de Elvas, arrancaram muito recentemente, concretizando o projeto anunciado em fevereiro de 2025 pela empresa Chaves do Areeiro, que prevê transformar o imóvel histórico num hotel de charme, com 12 quartos, num investimento estimado em cerca de quatro milhões de euros.
O arranque da empreitada marca o início de um processo de recuperação há muito aguardado para este monumento de elevado valor patrimonial, depois de o projeto ter sido aprovado pelo Ministério da Cultura e pela Câmara Municipal de Elvas.
A intervenção prevê a requalificação integral do imóvel, respeitando as condicionantes impostas pela tutela do património. No exterior, está prevista a recuperação da imagem arquitetónica do castelo, através da reprodução dos elementos que caracterizavam o edifício no passado. No interior, serão realizadas as alterações necessárias à adaptação do espaço às funções de uma unidade hoteleira, sem desvirtuar as características patrimoniais do imóvel.
De acordo com o anunciado pela empresa, a nova unidade deverá criar, pelo menos, seis postos de trabalho, com a expectativa de que estes sejam preenchidos, sobretudo, por pessoas do concelho de Elvas.
Quando o investimento foi apresentado, em fevereiro do ano passado, o CEO da Chaves do Areeiro, Paulo Luz, explicou que a entrada no setor hoteleiro surgia no âmbito de uma estratégia de investimento da empresa, que tem apostado na aquisição e recuperação de património e instalações, procurando devolver-lhes atividade e capacidade de gerar emprego.
O projeto para Barbacena prevê uma intervenção numa área de cerca de nove mil metros quadrados e inclui ainda a construção de uma piscina. A empresa admitiu também, numa fase posterior, a possibilidade de adaptar a zona dos antigos balneários para a criação de um espaço de spa.
A componente arqueológica constitui uma das condicionantes da intervenção, devido à dimensão e ao valor histórico do conjunto. A empreitada tem uma duração inicialmente estimada em cerca de dois anos, apontando o calendário previsto para a conclusão dos trabalhos para 2027, caso a obra decorra de acordo com o planeamento.
O arranque dos trabalhos representa, assim, um passo concreto na recuperação de um dos mais importantes elementos patrimoniais de Barbacena e responde à expectativa manifestada pelo presidente da Câmara Municipal de Elvas, Rondão Almeida, aquando do anúncio do investimento, de que fosse finalmente possível assistir à recuperação daquele património histórico.
Com a intervenção agora no terreno, o Castelo de Barbacena prepara-se para ganhar uma nova função, conciliando a preservação do património com a criação de uma nova oferta turística no concelho de Elvas.
A primitiva edificação do Castelo de Barbacena remonta ao reinado de D. Afonso III, entre 1248 e 1279, tendo o imóvel sido reconstruído durante o reinado de D. Manuel I, entre 1495 e 1521. O castelo foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 24 de janeiro de 1967 e, apesar do seu relevante valor histórico e arquitetónico, encontra-se em propriedade privada.
Com o início das obras, o projeto anunciado há cerca de um ano e meio deixa de estar apenas no papel e entra agora numa nova fase: a da recuperação efetiva do Castelo de Barbacena e da sua transformação numa unidade hoteleira.
A Associação Cultural e Recreio Musical 1º. de Dezembro de Campo Maior conta atualmente com cerca de 22 elementos e continua a apostar na formação de novos músicos, apesar das dificuldades que afetam muitas bandas filarmónicas do país.
O presidente da associação, José Romudas, considera que, tendo em conta a realidade atual, a banda campomaiorense apresenta uma situação positiva. Para garantir a presença de músicos suficiente nos serviços, a coletividade mantém parcerias com outras bandas, permitindo uma colaboração mútua entre os diferentes agrupamentos.
“Hoje não é fácil”, reconhece José Romudas, explicando que a banda ajuda outras formações e também recebe elementos de outras bandas quando necessário. Ainda assim, sublinha, conseguir reunir entre 20 e 22 músicos “já não é mau”.
Escola de música gratuita procura captar novos talentos
A formação é uma das principais apostas da Banda 1.º de Dezembro. A escola de música conta atualmente com “oito ou nove alunos” e funciona através do trabalho dos próprios músicos da banda, sobretudo dos mais experientes, que assumem o papel de formadores.
“Passam o testemunho” e procuram transmitir aos mais jovens “a dinâmica e a vontade de ser músicos”, explica o dirigente.
Uma das características que distingue a escola é a gratuitidade. Em Campo Maior, os alunos não pagam pela aprendizagem e, quando terminam a formação e ingressam na banda, têm também acesso a um instrumento disponibilizado pela própria associação.
Para José Romudas, trata-se de uma mais-valia significativa, sobretudo quando comparada com os custos associados a outras formas de ensino musical. “Um miúdo hoje vai à escola de música, não paga nada, e quando sair músico tem um instrumento à sua espera também por conta da banda”, salienta.
O responsável lamenta, contudo, que seja cada vez mais difícil captar crianças e jovens para a música. A associação tem procurado estabelecer contactos e desenvolver atividades junto das escolas, numa tentativa de despertar nos mais novos o interesse pela aprendizagem musical.
“Da nossa banda já saíram bons profissionais”
A formação proporcionada pela banda tem também dado frutos ao longo dos anos. José Romudas destaca que vários músicos que passaram pela 1.º de Dezembro acabaram por seguir profissionalmente a carreira musical.
“Da nossa banda já saíram bons profissionais e alguns ainda estão no ativo como profissionais músicos”, refere, defendendo que aprender música continua a ser uma oportunidade importante para os jovens.
O dirigente reconhece, porém, que atualmente as crianças têm cada vez mais atividades e interesses para conciliar. Entre o desporto e outras ocupações, o tempo disponível é reduzido, tornando essencial que exista uma verdadeira paixão pela música para que um jovem permaneça ligado à banda.
“A música é uma arte muito bonita”, afirma José Romudas, que, apesar de não ser músico, mantém uma forte ligação à associação. Depois de ter estado ligado à banda durante cerca de quatro décadas, regressou há alguns anos à direção, onde procura continuar a apoiar os músicos e a coletividade.
Um setor em declínio
O futuro das bandas filarmónicas é uma das preocupações do presidente da Associação 1.º de Dezembro. José Romudas considera que “hoje a música e as bandas estão em declínio”, apontando para a existência de vilas e cidades onde já não existem formações musicais deste género.
Mesmo entre as bandas que continuam ativas, a falta de elementos é uma realidade. Há agrupamentos que, segundo o responsável, não conseguem reunir 22 músicos para assegurar um serviço.
“Dentro do mal, nós não estamos mal”, admite, destacando a capacidade da banda de Campo Maior para continuar a funcionar e assegurar as suas atuações.
A associação já foi, inclusive, contactada por outras localidades interessadas em criar ou recuperar bandas, mas José Romudas reconhece que formar e manter uma filarmónica “não é fácil”.
Escola está de férias, mas a banda continua ativa
Durante o mês de agosto, a escola de música encontra-se parada, acompanhando o período de férias. A atividade musical da associação, contudo, não está suspensa.
Com as festas e os serviços a decorrerem durante este período, a banda continua a assegurar atuações. José Romudas confirma que, a 15 de agosto, o agrupamento já tinha realizado o terceiro serviço do mês.
Assim, enquanto os alunos aguardam pelo regresso das aulas de música em setembro, os músicos da Associação Cultural e Recreio Musical 1º. de Dezembro continuam a levar o nome de Campo Maior às diferentes atuações, mantendo viva uma tradição que enfrenta, em todo o país, desafios cada vez maiores.
O Secretário-Geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, visita o distrito de Portalegre nos dias 26 e 27 de agosto, no âmbito da iniciativa “Rota pelo Interior e Cooperação Transfronteiriça”.
A deslocação inclui passagens pelo Festival/Feira de Artesanato e Gastronomia do Crato, uma reunião na Câmara Municipal de Nisa para acompanhar o projeto da Ponte Internacional sobre o Rio Sever, uma visita à fábrica Queijos Santiago e uma viagem de comboio na Linha do Leste, entre Portalegre e Elvas.
A iniciativa pretende reforçar a proximidade do PS aos territórios do Interior, através do contacto direto com autarquias, empresas, instituições e populações, bem como acompanhar projetos considerados relevantes para a coesão territorial e para a cooperação transfronteiriça.
Programa arranca no Crato
A visita começa no dia 26 de agosto, no Crato. Pelas 20h00, José Luís Carneiro participa num jantar com militantes e simpatizantes do Partido Socialista, integrado no Festival/Feira de Artesanato e Gastronomia do Crato.
No dia seguinte, 27 de agosto, a agenda prossegue em Nisa, Portalegre e Elvas.
Às 09h00, o dirigente socialista desloca-se à Câmara Municipal de Nisa para acompanhar os desenvolvimentos do projeto da Ponte Internacional sobre o Rio Sever, em Montalvão. A infraestrutura está prevista como uma ligação estratégica entre Portugal e a Extremadura espanhola, através de Cedillo.
Contacto com o setor agroalimentar
Pelas 11h30, José Luís Carneiro visita a fábrica da Queijos Santiago, localizada na Zona Industrial de Portalegre. O encontro terá como objetivo o contacto com o setor produtivo e agroalimentar e a auscultação dos desafios enfrentados pelas empresas do distrito.
A visita termina com uma viagem de comboio na Linha do Leste. Às 15h15, o Secretário-Geral do PS embarca numa composição entre as estações de Portalegre e Elvas, numa ação destinada a sublinhar a importância da mobilidade ferroviária e do transporte público no Interior.
Aproximar decisões políticas dos territórios
A “Rota pelo Interior e Cooperação Transfronteiriça” pretende percorrer diferentes territórios do Interior, promovendo o diálogo com autarquias, empresas, associações, instituições de ensino superior, centros de investigação, organizações da sociedade civil, decisores públicos e cidadãos.
Segundo o PS, o objetivo passa por conhecer diretamente os principais desafios e oportunidades de cada território e, a partir dessa realidade, contribuir para a definição de políticas públicas mais eficazes e ajustadas às especificidades locais.
No distrito de Portalegre, a agenda coloca em destaque três áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento regional: a cooperação transfronteiriça, a atividade económica e agroalimentar e a mobilidade ferroviária.
O Aqueduto da Amoreira, em Elvas, continua na corrida para ser consagrado como uma das Novas 7 Maravilhas de Portugal e vai voltar a estar em destaque na televisão no próximo dia 29 de agosto, durante a final regional do Alentejo e Ribatejo do concurso.
A sessão, com transmissão em direto na TVI, será uma nova oportunidade para apresentar ao país a história e a importância de um dos maiores símbolos de Elvas. A representar o monumento estará José Manuel Martins, antigo guia do Forte de Santa Luzia e estudioso autodidata da história da cidade.
Três minutos para contar mais de 500 anos de história
Em entrevista à Rádio ELVAS, José Manuel Martins sublinha que o principal desafio será conseguir condensar séculos de história em apenas três minutos de televisão. “Lá só temos três minutos e não dá para quase nada”, explica, defendendo que, apesar do pouco tempo disponível, é fundamental dar a conhecer aos portugueses “o que é que se passou durante os 93 anos da construção” do Aqueduto da Amoreira.
Uma resposta à falta de água em Elvas
A história do monumento remonta ao século XVI, durante o reinado de D. Manuel I, numa altura em que Elvas enfrentava um grave problema de abastecimento de água. Segundo José Manuel Martins, a cidade possuía inúmeros palacetes equipados com poços e cisternas, mas a nascente subterrânea que abastecia a população acabou por secar. “Elvas ficou sem água. Então o rei D. Manuel teve que resolver o problema”, recorda.
A solução passou pela captação de água a cerca de 15 quilómetros da cidade, nomeadamente na zona da Serra do Bispo, perto de Vila Fernando, e por outras nascentes. A água era depois conduzida até Elvas através de uma gigantesca estrutura que viria a marcar para sempre a paisagem da cidade.
Um projeto que obrigou a elevar o aqueduto
O projeto não foi, contudo, simples. O aqueduto inicialmente construído tinha cerca de 25 metros de altura, mas a água não conseguia chegar aos pontos de abastecimento pretendidos.
“Tiveram que subir o aqueduto mais seis metros, que hoje é a altura que tem, 31 metros, para a água chegar à Fonte de São Lourenço e à Fonte das Viúvas”, explica o estudioso.
A construção obrigou também à criação de mecanismos extraordinários de financiamento. Entre eles esteve o chamado “real de água”, um imposto aplicado sobre determinados produtos de consumo.
93 anos de construção e uma chegada celebrada pela população
O processo foi longo e atravessou diferentes reinados e períodos políticos. Durante o período dos Filipes, a construção chegou a estar parada, mas acabaria por ser retomada, uma vez que o abastecimento de água era essencial para a cidade.
A obra foi finalmente concluída em 1622, momento que, segundo José Manuel Martins, foi vivido com grande entusiasmo pela população. “Foi a primeira vez que correu água dentro da cidade. Houve bailaricos e toque de charamelas”, conta, referindo-se às celebrações associadas à chegada da água à Fonte da Misericórdia.
O aqueduto que também transformou Elvas
O Aqueduto acabaria por ter também um papel importante na própria transformação urbanística de Elvas. A estrutura chegou a prolongar-se para dentro da cidade e ainda hoje existem vestígios dessa antiga construção.
José Manuel Martins recorda, por exemplo, que a atual Fonte da Misericórdia não corresponde ao local original onde a água chegou à cidade. “A fonte onde iniciou foi no Lar da Misericórdia, onde está hoje a estátua do rei D. Manuel I”, revela.
Uma obra ligada à defesa da cidade
O aqueduto está ainda ligado à construção de importantes estruturas defensivas da cidade. Com a evolução da artilharia, tornou-se necessário criar uma passagem que permitisse a entrada dos grandes canhões em Elvas sem destruir as muralhas.
“O viaduto foi feito para os canhões poderem entrar dentro da cidade”, explica José Manuel Martins, recordando que as dimensões dos canhões não permitiam que estes fizessem as curvas junto às portas da cidade.
A intervenção acabaria por alterar parte do próprio aqueduto e da rede de abastecimento, incluindo a construção de uma impressionante estrutura subterrânea. “É uma autêntica igreja debaixo do chão. É linda”, descreve o guia, referindo-se à grande estrutura subterrânea de canalização e proteção da água.
O aqueduto sobreviveu à Guerra da Restauração
A história do Aqueduto da Amoreira cruza-se ainda com os conflitos militares que marcaram Elvas. Durante a Guerra da Restauração, chegou a existir a possibilidade de o monumento ser destruído, mas a necessidade de garantir o abastecimento de água acabou por prevalecer.
“Na altura da Batalha das Linhas de Elvas, os espanhóis ainda pensaram em destruir o aqueduto, mas tiveram bom senso, pensaram duas vezes”, conta José Manuel Martins.
Apesar disso, houve danos provocados na parte superior do monumento, com os canais de água a serem deliberadamente destruídos. “A água, em vez de correr para a cidade, corria para o chão. Mas o monumento ficou erguido. Esta ganhámos nós”, afirma, associando a resistência do aqueduto à própria história militar de Elvas.
“A chave do reino” e o orgulho em ser elvense
Para José Manuel Martins, a história do monumento não pode ser dissociada da importância estratégica da cidade, conhecida como a “chave do reino”.
“Tenho muito orgulho em ser elvense e português”, afirma, sublinhando a importância de preservar e transmitir às novas gerações o conhecimento sobre o património local.
Essa ligação à história de Elvas acompanha José Manuel Martins desde jovem. O estudioso conta que nunca perdeu o interesse pelos livros de história e que a passagem pela Câmara Municipal acabou por aprofundar ainda mais essa paixão.
Uma vida dedicada à história e ao património
Mesmo depois de ter terminado a atividade profissional na Câmara Municipal, José Manuel Martins continua ligado à divulgação do património da cidade, através das visitas guiadas.
“Temos que gostar do que estamos a fazer, senão não vale a pena”, afirma.
Agora, o desafio é outro: levar essa paixão pelo património elvense à televisão e convencer os portugueses a votar no Aqueduto da Amoreira.
Aqueduto enfrenta forte concorrência
José Manuel Martins reconhece a importância da Barragem do Alqueva, o outro candidato na categoria “Grandes Obras” nesta fase do concurso, mas considera que a antiguidade e o reconhecimento internacional do monumento elvense são argumentos fortes. “O Alqueva é uma coisa recente. É uma grande obra, não há dúvida nenhuma. Mas o nosso aqueduto tem mais de 500 anos”, recorda.
O guia turístico recorda ainda que Elvas possui um reconhecimento internacional de enorme importância: a classificação como Património Mundial da UNESCO, atribuída em 2012. “Temos o selo da UNESCO”, destaca, lembrando o processo que levou à classificação da cidade e das suas fortificações.
A distinção, considera, teve também impacto direto no turismo e na notoriedade de Elvas. “As visitas aqui em Elvas triplicaram”, recorda José Manuel Martins, que durante os anos em que trabalhou na Câmara acompanhou de perto a evolução do número de visitantes aos monumentos da cidade.
Um apelo aos elvenses para votar
É com esse património, essa história e esse orgulho elvense que o Aqueduto da Amoreira vai agora enfrentar mais uma etapa na corrida às Sete Novas Maravilhas de Portugal.
José Manuel Martins deixa um apelo direto aos conterrâneos: “Espero que os nossos conterrâneos e amigos votem todos no Aqueduto da Amoreira”. E reforça: “É uma insignificância, não custa nada”.
O objetivo é conseguir mobilizar os elvenses dentro e fora do concelho e mostrar, uma vez mais, a força de um monumento que, há mais de cinco séculos, faz parte da identidade da cidade. “Nós nunca perdemos a esperança. Nós vamos e tentamos ver o que é que podemos fazer de melhor”, conclui José Manuel Martins.
Final regional realiza-se em Santarém
A final regional do Alentejo e Ribatejo realiza-se no dia 29 de agosto, no Jardim das Portas do Sol, em Santarém, com transmissão em direto na TVI, a partir das 15 horas. Elvas estará representada pelo Aqueduto da Amoreira e pela voz de quem há décadas se dedica a estudar, preservar e contar a história da cidade.
A banda Cat, Phill and The Blues Dogs, liderada pela voz da campomaiorense Catarina Pereira, depois da estreia em Campo Maior, em julho, voltou à vila para um concerto muito especial, no decorrer das Festas do Povo.
O concerto no evento maior de Campo Maior levou público ao Jardim Municipal e, apesar de alguma “estranheza inicial” perante um projeto ainda recente e pouco conhecido entre os campomaiorenses, a reação foi crescendo ao longo da atuação. Para Catarina Pereira, conquistar quem estava a assistir era uma parte essencial do desafio.
“O papel do músico não é só fazer boa música, mas também tentar conquistar e captar o público que está a ver”, explica a vocalista, que confessa ter ficado satisfeita com a receção. No dia seguinte ao concerto, chegou mesmo a ouvir de algumas senhoras mais velhas que tinham “adorado” a atuação.
A presença em Campo Maior marcou a segunda atuação da banda na terra natal de Catarina durante este verão, depois da participação no Festival Raya. O projeto, que nasceu há cerca de um ano, junta músicos brasileiros e a jovem cantora e compositora campomaiorense, numa mistura que Catarina considera especial.
Um projeto para continuar a crescer
Com apenas 21 anos, Catarina Pereira assume este projeto como uma aposta séria no blues, género musical que diz adorar. Apesar de não saber ainda onde a banda a poderá levar, a cantora tem uma ambição clara: continuar a fazer música, cantar, compor e mostrar aquilo que sabe fazer melhor.
“Espero que isto me leve longe, que mostre aquilo que consigo fazer e aquilo que faço de melhor, que é cantar e compor”, afirma.
Os restantes elementos da banda encontram-se atualmente radicados em Coimbra, cidade onde Catarina estuda e onde também decorrem os ensaios. A distância entre Coimbra e Campo Maior não impediu, contudo, que o projeto tivesse já duas passagens pelo concelho neste verão.
Questionada sobre os grandes palcos onde gostaria de atuar, Catarina não hesita: “São todos.” Seja um grande festival ou um palco mais pequeno, a prioridade é continuar a levar a música ao público. “Desde que nos queiram ouvir, qualquer palco serve”, resume.
Entre o blues, a composição e a vontade de chegar cada vez mais longe, Cat, Phill and The Blues Dogs começa a afirmar-se como um projeto a acompanhar. E, depois de duas passagens por Campo Maior neste verão, Catarina deixa a porta aberta para novos palcos — em Portugal ou além-fronteiras — com a mesma disponibilidade: tocar onde houver quem queira ouvir.
O regime dos espetáculos, em vigor desde 2024, obriga o promotor de um espetáculo a devolver o preço do bilhete sempre que o evento não se realize na data, hora ou local marcados, haja substituição do programa ou de artistas principais, ou o espetáculo seja interrompido.
Este direito aplica-se independentemente do motivo do cancelamento, sendo o promotor do evento obrigado a restituir o valor pago no prazo máximo de 30 dias após a decisão de reembolso.
Para reaver o seu dinheiro, o consumidor deve enviar uma reclamação escrita ao promotor — por e-mail ou carta registada — detalhando o nome do evento, local, data e anexando uma cópia dos bilhetes.
Caso a empresa recuse o reembolso ou não responda, deve apresentar uma queixa no Livro de Reclamações e junto da IGAC (Inspeção-Geral das Atividades Culturais), anexando a prova de recusa do promotor.
Tudo para saber sobre o assunto na edição desta semana da rubrica da DECO, com Helena Guerra, do Gabinete de Inovação e Projetos da Associação para a Defesa do Consumidor. Para ouvir no podcast abaixo:
O Museu Militar de Elvas recebe, na tarde de 5 de setembro, a apresentação do livro “Contos, Com Sonho”, da autoria de Victor Ferreira, escritor e artista plástico natural de Almada, mas com uma ligação muito especial à cidade de Elvas.
A relação do autor com Elvas começou em 1975, quando cumpriu 16 meses de serviço militar no antigo Centro de Instrução de Condução Auto (CICA). Durante esse período, Victor também vestiu a camisola do Clube de Futebol “Os Elvenses”, que então disputava a terceira divisão nacional.
“Guardo no coração a cidade de Elvas”, afirma o autor, recordando os amigos que fez durante esse período e a ligação que mantém à cidade. Todos os anos, em setembro, Victor regressa a Elvas para participar num almoço de confraternização com antigos atletas de “Os Elvenses”. Este ano, a visita ganha um significado especial com o lançamento do seu novo livro.
“Contos, Com Sonho” reúne 30 histórias baseadas em episódios reais da vida do autor, organizadas numa perspetiva cronológica, desde a infância até aos dias de hoje. Entre os contos, seis são diretamente relacionados com o período em que o escritor viveu em Elvas, incluindo experiências do serviço militar e do futebol.
A paixão pela escrita não é recente. Em 2007, o autor publicou um livro de poesia e, ao longo dos anos, foi reunindo histórias e episódios que acabou por transformar em contos. A obra nasce, assim, de memórias pessoais e de experiências vividas, algumas das quais têm Elvas como cenário.
A apresentação do livro será também uma oportunidade para conhecer outra faceta artística de Victor. Além da experiência como militar, futebolista e escritor, o autor dedica-se à pintura a óleo, estando prevista a exposição de alguns dos seus trabalhos na sala onde decorrerá o lançamento da obra.
Com esta iniciativa, Victor pretende reencontrar amigos e antigos companheiros, mas também partilhar com o público elvense uma obra que guarda várias memórias de uma época marcante da sua vida.
A apresentação de “Contos, Com Sonho” realiza-se no dia 5 de setembro, pelas 16 horas, no Museu Militar de Elvas, contando com a presença de amigos, antigos colegas e público interessado em conhecer a obra e o percurso do autor.
A Santa Casa da Misericórdia de Campo Maior quer dar uma nova dinâmica à instituição, com vários projetos em preparação e uma aposta particular na aproximação entre diferentes gerações.
O provedor, José Jorge Pereira, revela que existe “o sonho” de juntar as várias valências da instituição no espaço da quinta da Misericórdia, criando condições para que idosos e crianças possam partilhar experiências e atividades.
A ideia está já a ser desenvolvida através de um projeto que envolve a área de gerontologia e os infantários. O objetivo passa por criar uma espécie de encontro entre “avós” e “netos” que não têm essa ligação familiar, promovendo momentos de convívio e aprendizagem entre as diferentes gerações.
Considerando que as experiências realizadas até agora têm sido “muito bonitas”, o provedor defende que a distância entre os infantários e o restante núcleo da instituição não deve impedir a concretização do projeto. “Nada é impossível se nós não quisermos. Temos que trabalhar e, de facto, temos muito espaço lá em cima”, assegura.
José Jorge Pereira destaca ainda as condições existentes na quinta da Misericórdia, que considera um espaço com grande potencial para acolher este projeto.
Paralelamente, a Santa Casa tem vindo a investir na modernização das suas infraestruturas e na eficiência energética. Recentemente, foram instalados painéis solares e foi melhorada a estrutura de aquecimento de águas, com o objetivo de permitir uma gestão mais eficiente dos consumos de gás e eletricidade.
José Jorge Pereira garante que a instituição está agora preparada para avançar para uma nova fase e revela que existem outros projetos em carteira.
Entre as novidades está o centro de cuidados continuados, uma resposta sobre a qual o provedor promete prestar esclarecimentos à população: “Temos projetos agora em carteira, há de haver novidades, vamos esclarecer a população também com a questão do centro de cuidados continuados, que muito se fala.”
A Misericórdia de Campo Maior pretende, assim, continuar a adaptar a sua estrutura às necessidades atuais, conjugando o investimento nas instalações com novas respostas sociais e projetos que promovam uma maior ligação entre a comunidade e as diferentes gerações.
As Festas de Santo Aleixo, no concelho de Monforte, arrancam esta quinta-feira, 20 de agosto, e prolongam-se até segunda-feira, dia 24, com cinco dias de programação que juntam tradição tauromáquica, música, animação e convívio. A organização está, desta vez, a cargo da Associação de Festas Santo Aleixo Sénior.
De acordo com o presidente da associação, Paulo Paulos, foi feita uma aposta num programa diversificado, com destaque para duas bandas e para Rebeca.
“Vamos trazer duas bandas, uma no sábado (Bandajovimusic), outra no domingo (Bandacesso), e a Rebeca na segunda-feira”, noite tradicionalmente reservada às “variedades”, explica o presidente da associação, que espera que o programa corresponda às expectativas da população e das muitas pessoas que regressam à terra por ocasião das festas.
A tradição tauromáquica volta a assumir um papel central no programa. Ao longo dos cinco dias estão previstas largadas de touros e garraiadas, culminando no domingo, dia 23, com uma corrida de touros. Na segunda-feira mantém-se também uma das tradições gastronómicas das festas, com a habitual vaca assada.
Ao longo dos vários dias de festa, depois dos espetáculos, a animação continua pela noite dentro com as habituais festas ao ar livre e atuação de DJs.
As festas arrancam esta quinta-feira, dia 20, com o repicar dos sinos, largada de touros e Summer Party com DJ Dinga. Amanhã, sexta-feira, dia 21, o programa inclui nova largada, garraiada, o arraial abrilhantado por Jorge Gomes e música pela noite dentro com DJ S-Silva e DJ Dinga.
No sábado, dia 22, além da garraiada e da atuação da Bandajovimusic, a noite termina com Summer Party com DJ Dinga, DJ Peela e DJ Cuba.
O domingo, dia 23, fica marcado pela missa solene, seguida de procissão, acompanhada pela Banda Filarmónica Veirense, corrida de touros, recolha dos pendões e atuação da Bandacesso.
A segunda-feira, dia 24, encerra as festividades com nova largada de touros, arraial com João Tocha, sorteio das rifas, espetáculo com Rebeca e a última Summer Party, com o DJ Boss Dici.
Para Paulo Paulos, a expectativa é de uma forte adesão. As festas são, todos os anos, um momento de reencontro para muitos naturais de Santo Aleixo que vivem fora da localidade e regressam especialmente nesta altura. “Há pessoas que são da terra e que só vêm a Santo Aleixo uma vez ou duas por ano e uma delas é mesmo nesta altura para virem às nossas festas”, conta.
O presidente da Associação de Festas Santo Aleixo Sénior revela ainda que a organização tem sentido uma adesão crescente. “O pessoal está a aderir, marcaram férias para vir para as festas”, afirma, mostrando-se satisfeito com a mobilização.
Organizar cinco dias de festividades, contudo, exige um esforço significativo. Paulo Paulos reconhece que o trabalho começa muito antes do início das festas e destaca a importância do apoio da população, dos familiares e dos amigos da associação. “Nós pedimos sempre colaboração da população”, explica. Segundo o responsável, há sempre pessoas disponíveis para ajudar na preparação e concretização do evento.
Este ano haverá também algumas alterações no recinto, nomeadamente um novo palco, numa tentativa de renovar a experiência sem deixar de preservar a identidade das festas.
“Está tudo ansioso pelo início das festas”, diz ainda Paulo Paulos, que espera que Santo Aleixo volte, durante estes cinco dias, a encher-se de gente, música e tradição.