Estremoz prepara Festas da Exaltação da Santa Cruz com três dias de tradição e animação

Estremoz prepara-se para receber, entre os dias 4 e 6 de setembro, mais uma edição das Festas da Cidade e da Exaltação da Santa Cruz, um dos momentos mais aguardados do calendário festivo do concelho. O Rossio Marquês de Pombal volta a ser o palco de três dias de tradição, música, convívio e animação, com entrada livre.

Organizadas pela Câmara Municipal de Estremoz e pela Paróquia de Santo André, as festividades prometem reunir estremocenses e visitantes num programa que alia as tradicionais cerimónias religiosas a momentos de entretenimento para todas as idades.

Entre os principais destaques musicais estão os concertos de Os Vouguinhas, no dia 4 de setembro, José Cid, no dia 5, e ÁTOA, no dia 6. O programa inclui ainda animação de rua, quermesse, divertimentos para crianças e o tradicional espetáculo de fogo de artifício.

A vice-presidente da Câmara Municipal de Estremoz, Sónia Caldeira, sublinha o caráter comunitário das festividades, destacando a importância de proporcionar aos estremocenses um momento de encontro e confraternização. “É uma organização conjunta entre o município de Estremoz e a Paróquia de Santo André e contamos que seja mais um momento em que os estremocenses têm motivos para se juntarem, para confraternizarem e para juntos celebrarem as nossas festas da cidade, já tão tradicionais”, afirma.

Sónia Caldeira destaca também a presença das cerimónias religiosas, organizadas pela Paróquia de Santo André, e a chegada do novo pároco, o padre Ricardo Cardoso, que assumirá funções nas paróquias de Estremoz no início de dezembro.

Para além da componente religiosa e dos espetáculos, o recinto do Rossio volta a acolher alguns dos elementos mais tradicionais destas celebrações. “As pessoas podem ir ao recinto das festas, que é no nosso Rossio, um espaço muito amplo, em que está toda a gente”, refere a autarca, destacando a oferta gastronómica, com frangos assados, pão com chouriço e bifanas, bem como a quermesse e as tradicionais barraquinhas de bolos e rifas.

Os mais novos terão também à disposição diversos divertimentos, reforçando o caráter familiar das festas.

Com entrada livre e um programa que combina tradição, religião, música e convívio, Estremoz volta assim a celebrar a sua identidade e as suas tradições no coração da cidade, convidando a população e os visitantes a participar em mais uma edição das Festas da Exaltação da Santa Cruz.

Despista-se e destrói poste de eletricidade em Campo Maior

Um homem de 37 anos despistou-se esta manhã, pelas 09h15, na Estrada da Figueira, em Campo Maior, tendo embatido contra um poste de eletricidade.

Segundo informação apurada, o condutor foi submetido ao teste de alcoolemia, tendo alegadamente acusado uma taxa de 2,70 g/l de álcool no sangue. As circunstâncias do acidente estão a ser apuradas.

Festival do Crato arranca com dia extra gratuito e aposta num cartaz para todos os públicos

A edição deste ano do Festival do Crato arranca esta terça-feira, 25 de agosto, com um dia extra de entrada gratuita, dando início a cinco dias de música, animação e tradição que se prolongam até sábado, dia 29.

O cartaz reúne nomes como Calum Scott, Sara Correia, Calema, Delfins, Bispo, Slow J e Veigh, numa programação pensada para chegar a diferentes públicos. A par dos concertos, o evento mantém o espaço de campismo e decorre em simultâneo com a tradicional Feira de Artesanato, que este ano assinala a sua 40.ª edição.

O presidente da Câmara Municipal do Crato, Joaquim Diogo, admite que as expectativas são elevadas, mas sublinha que o principal objetivo é proporcionar bons momentos a quem visita o concelho. “A expectativa é muito alta sempre, mas acima de tudo aquilo que esperamos todos é que as pessoas venham ao Crato para se divertir, para passar momentos bons”, afirma.

O autarca destaca ainda a importância do festival enquanto afirmação de um território do interior, considerando que o evento demonstra a capacidade de uma pequena comunidade para organizar uma iniciativa de grande dimensão.

A Feira de Artesanato terá também um papel de destaque nesta edição, com artesanato ao vivo, uma zona de showcooking e um palco dedicado à tradição musical, além de “algumas surpresas” destinadas a assinalar quatro décadas de história.

Cartaz aposta na diversidade

Joaquim Diogo salienta também a aposta num cartaz que considera “muito equilibrado” e “muito forte”, destacando artistas como Calum Scott, Calema, Slow J e Veigh.

Uma das novidades desta edição é a Digital Box, espaço dedicado ao universo digital e às novas gerações, que terá como protagonistas “Os Primos”, dupla conhecida pela presença no YouTube e noutras plataformas digitais.

A programação procura, assim, cruzar diferentes estilos musicais e públicos, mantendo a tradição de um festival que se tornou uma das principais referências culturais e musicais do Alto Alentejo.

Mais de 30 mil passageiros transportados na última edição

A mobilidade e a segurança são também prioridades para a organização. Segundo Joaquim Diogo, na edição anterior, quase metade dos festivaleiros optou por deixar o automóvel em casa.

O município mantém acordos com a Rede Expressos e a CP, que permitem aos portadores de bilhete para o Festival do Crato beneficiar de descontos nas viagens. A estes meios junta-se a rede de transportes do Alto Alentejo, com mais de nove circuitos a assegurar ligações a grande parte do território.

O presidente da Câmara revela que, perante um volume de vendas situado entre os 65 mil e os 70 mil bilhetes na edição anterior, a Rodoviária do Alentejo transportou mais de 30 mil passageiros durante os quatro dias do festival.

Para Joaquim Diogo, os números mostram uma mudança de hábitos por parte dos festivaleiros, tanto por razões ambientais como de segurança.

“É esse apelo que quero deixar”, afirma o autarca, incentivando o público a privilegiar os transportes públicos nas deslocações para o festival.

Segurança reforçada

A organização preparou igualmente um dispositivo de segurança que envolve a Guarda Nacional Republicana, segurança privada, paramédicos e bombeiros.

Joaquim Diogo espera que o dispositivo esteja, uma vez mais, à altura da dimensão do evento, garantindo as condições necessárias para que o público possa aproveitar o festival em segurança.

“Que as pessoas venham ao Crato para ser felizes, que é isso que nós queremos”, remata o autarca.

Com música, artesanato, gastronomia, campismo e uma programação diversificada, o Festival do Crato decorre até sábado, numa edição que assinala também os 40 anos da Feira de Artesanato e reforça a aposta do município na afirmação do concelho enquanto destino cultural e de entretenimento.

PROGRAMAÇÃO

25 de agosto | Entrada gratuita
21h30 — A Batalha do K-Pop
22h50 — Elyas
23h40 — Gipsy King by Diego Baliardo
01h30 — Pears

26 de agosto
21h30 — Bispo
23h05 — Dub Inc
00h45 — Slow J
02h25 — Zanova

27 de agosto
21h30 — Soraia Ramos
23h05 — Papillon
00h45 — Veigh
02h25 — Breyth

28 de agosto
21h30 — Sara Correia
23h05 — Delfins
00h45 — Calema
02h25 — Kura
03h55 — Ana Isabel Arroja

29 de agosto
21h30 — Buba Espinho
23h05 — Calum Scott
01h00 — Karetus
02h50 — Projeto Remember Old Times

Condutor embriagado abalroa peões e militares da GNR na Rua da Oura em Albufeira

Um homem de 35 anos foi detido esta madrugada, 25 de agosto, na Rua Francisco Sá Carneiro (zona da Oura), em Albufeira, após atropelar várias pessoas durante uma tentativa de fuga à autoridade. Pelas 03h00, o suspeito desobedeceu à ordem de paragem da Guarda Nacional Republicana (GNR), inverteu a marcha e avançou deliberadamente contra os peões e o dispositivo policial presente no local. A viatura só imobilizou após embater noutro veículo, tendo o indivíduo tentado fugir a pé antes de ser intercetado pelo Grupo de Intervenção de Ordem Pública.

Do atropelamento resultaram 12 feridos — um grave e 11 ligeiros —, entre os quais dois militares da GNR, tendo todos recebido assistência médica imediata. Submetido ao teste de alcoolemia, o condutor acusou uma Taxa de Álcool no Sangue (TAS) de 1,29 g/l, além de ter sido sujeito a exames toxicológicos. O detido vai responder pelos crimes de ofensa à integridade física qualificada, condução sob efeito de álcool e condução perigosa, estando o caso entregue ao Tribunal Judicial competente para a aplicação das medidas de coação.

Da saúde à justiça: Elvas recebe primeiro Simpósio Internacional de Enfermagem Forense   

O Núcleo de Urgência de Elvas, com o apoio da Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo, promove, no dia 6 de novembro, o I Simpósio Internacional de Enfermagem Forense, no auditório da Escola Superior de Biociências de Elvas.

A iniciativa reúne especialistas nacionais e internacionais, profissionais de saúde, investigadores, docentes e estudantes para debater os desafios atuais da Enfermagem Forense e o papel cada vez mais relevante desta área na articulação entre a saúde, a justiça e a proteção das vítimas.

Segundo a enfermeira Ana Sofia Alves, membro da comissão científica do simpósio, a Enfermagem Forense assume uma função essencial no acompanhamento das vítimas de crime, trauma e abuso, conjugando a prestação de cuidados de saúde com procedimentos de natureza forense.

“A enfermagem forense trata-se de uma especialidade que une os cuidados de saúde às ciências forenses e ao sistema judicial, tornando as coisas muito mais fáceis para a vítima”, explica.

A profissional destaca ainda o papel do enfermeiro forense na recolha e preservação de vestígios, bem como na documentação rigorosa das lesões, através de registos e documentação fotográfica, elementos que podem vir a assumir relevância em contexto judicial.

O simpósio pretende, assim, contribuir para uma maior divulgação desta área junto da população e dos profissionais, promovendo a partilha de conhecimentos e experiências entre diferentes áreas de intervenção.

A adesão à iniciativa tem superado as expectativas da organização. De acordo com Ana Sofia Alves, as inscrições presenciais encontravam-se já esgotadas antes do final de julho, tendo sido posteriormente alargada a possibilidade de participação online, que continua a registar uma forte procura.

Ao longo do encontro serão realizadas conferências, mesas-redondas e momentos de discussão científica, com a abordagem de temáticas atuais e emergentes relacionadas com a Enfermagem Forense e a sua crescente importância nos sistemas de saúde contemporâneos.

A organização espera ainda que a participação de especialistas internacionais permita aprofundar o debate sobre as ciências forenses e os desafios de uma área em expansão e desenvolvimento, reforçando a necessidade de uma intervenção articulada entre profissionais de diferentes setores.

As inscrições para participação online estão disponíveis através do site oficial do I Simpósio Internacional de Enfermagem Forense.

Fernando Fitas: “Ainda que tente evitar, o Alentejo está sempre presente naquilo que escrevo”

Campomaiorense de nascimento, jornalista de profissão e poeta por paixão, Fernando Fitas mantém uma ligação profunda a Campo Maior, apesar de viver há mais de seis décadas na margem sul do Tejo.

Do jornalismo à poesia

Fernando Fitas, nascido há 69 anos em Campo Maior, iniciou o percurso profissional no jornalismo, em 1975, tendo passado por diferentes órgãos de comunicação social, pela imprensa regional e pelas rádios locais. Esteve também ligado à fundação do jornal 24 Horas e dirigiu um quinzenário da Península de Setúbal.

Depois de cerca de cinco décadas de profissão, afastou-se do jornalismo, encontrando na poesia uma nova forma de expressão. “A poesia é diferente. Não é tão limitativa, antes pelo contrário. Permite-nos uma capacidade criadora que o jornalismo, em alguns aspetos, não permite”, explica.

26 obras

A sua produção literária conta já com 26 obras, 18 das quais de poesia, e uma dúzia de prémios conquistados em concursos literários. Fitas faz questão de participar apenas em concursos em que as obras são avaliadas sob pseudónimo, defendendo que “é para não haver possibilidades de nenhum tipo de compadrio”.

Na sua poesia estão frequentemente presentes questões sociais e, inevitavelmente, o Alentejo. “O Alentejo, ainda que eu tente evitar, acaba por estar sempre presente naquilo que escrevo”, afirma, considerando-o uma espécie de “segunda pele”.

O poeta encontra, aliás, uma imagem particular para explicar a passagem do jornalismo para a poesia: “Há duas palavras na língua portuguesa que foneticamente têm alguma semelhança e que, neste caso, se aplicam inteiramente, que é poesia e pousio.” Para Fitas, a poesia tornou-se o “pousio da linguagem jornalística”.

Campo Maior presente na obra de Fernando Fitas

Embora apenas uma das suas obras de prosa seja diretamente centrada em Campo Maior — “Cantos de Baixo”, título inspirado num dos largos emblemáticos da vila —, o escritor considera que a terra natal está presente em praticamente tudo o que escreve.

Por isso, quando questionado sobre a possibilidade de dedicar uma obra às Festas do Povo, prefere não aceitar o desafio de forma imediata. “Campo Maior, ainda que eu não refira expressamente o nome de Campo Maior, está em praticamente todos os meus livros”, explica, considerando que limitar essa presença apenas às festas poderia ser “um pouco redutor”.

A ligação, contudo, permanece evidente. Dias antes de regressar à vila, por ocasião das Festas do Povo, Fitas escreveu um texto que, embora sem mencionar Campo Maior, termina com uma referência às “mãos que tecem flores e tecem claridades”. “Está dito, é Campo Maior, só pode ser”, comenta ainda.

Aos 69 anos, Fernando Fitas continua a escrever diariamente e prepara novas obras.

Ricardo Pinheiro vê Alentejo Central com potencial para ser “polo avançado” ligado a Sines

Os municípios de Alandroal, Borba, Estremoz, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Sousel e Vila Viçosa defendem que a futura Grande Área de Acolhimento Empresarial, anunciada pelo Governo para o Interior do Alentejo, seja instalada junto à Estação Técnica n.º 2 da nova linha ferroviária do Corredor Internacional do Sul.

A proposta foi apresentada recentemente numa reunião na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, onde os sete municípios deram a conhecer ao presidente da entidade, Ricardo Pinheiro, os argumentos que sustentam a localização.

“Há aqui uma vontade de potenciar aquilo que é o Corredor Internacional do Sul”, afirma o presidente da CCDR Alentejo, defendendo que esta estratégia poderá transformar a zona do Alentejo Central mais próxima da raia num “polo avançado” de armazenamento e apoio à atividade económica associada à região de Sines.

Ricardo Pinheiro acrescenta que também os municípios de Campo Maior e Elvas já realizaram reuniões formais com a CCDR Alentejo, tendo apresentado igualmente as suas perspetivas sobre a futura localização da área empresarial.

“De facto, numa altura em que o Governo pretende dinamizar seis localizações no PTRR, faz todo o sentido que existam bons estudos que justifiquem aquilo que serão os critérios do Governo, mas também a articulação com a CCDR”, sublinha.

Apesar de os critérios definitivos para a escolha das novas áreas empresariais ainda não serem conhecidos, Ricardo Pinheiro considera que a decisão deverá ter em conta um conjunto alargado de fatores. Entre eles está, desde logo, a proximidade à ferrovia e a grandes centros industriais, mas também às redes de telecomunicações de alta capacidade ligadas a Sines e aos cabos submarinos que asseguram as ligações entre a Europa e a América através do território alentejano.

Ricardo Pinheiro aponta ainda a proximidade às condutas de gás natural e às redes de abastecimento de água como fatores relevantes para a instalação de grandes empresas e plataformas industriais e logísticas.

“Hoje há um conceito de real estate que obriga que as grandes plataformas de logística ou de outras áreas industriais se movam em forma de critérios de regulação”, explica.

Outro dos critérios considerados determinantes prende-se com os instrumentos de gestão territorial. Para o presidente da CCDR Alentejo, a existência de Planos Diretores Municipais alinhados com o Plano Regional de Ordenamento do Território do Alentejo poderá facilitar ou dificultar a concretização de grandes projetos empresariais. “Está na altura do Alentejo assumir uma captação de um investimento externo potente à escala europeia, mas também mundial”, defende Ricardo Pinheiro.

A capacidade de ligação às redes de transporte e distribuição de energia elétrica deverá igualmente integrar a avaliação. O presidente da CCDR considera que este é um dos fatores essenciais para a atração de grandes investimentos, numa altura em que a região procura afirmar-se como território competitivo para a instalação de projetos de dimensão nacional e internacional.

A localização da futura Grande Área de Acolhimento Empresarial deverá, assim, resultar da conjugação de critérios definidos pelo Governo com a avaliação das características e potencialidades de cada território, num processo que deverá envolver também a CCDR Alentejo e os municípios interessados.

Projeto Floresta Comum com mais de 75 mil árvores autóctones disponíveis

O programa Ambiente em FM desta semana dá a conhecer a 16.ª edição do Projeto Floresta Comum, uma iniciativa que vai disponibilizar gratuitamente mais de 75 mil plantas nativas para reforçar a cobertura florestal do país. Saiba quem se pode candidatar e de que forma esta parceria nacional contribui para a criação de espaços verdes e ecossistemas mais resistentes.

O programa resulta de uma cooperação entre entidades públicas, académicas e ambientalistas para distribuir 39 espécies autóctones — entre as quais carvalhos, sobreiros, azinheiras, freixos e medronheiros. A convocatória destina-se a entidades públicas e comunitárias que façam a gestão de terrenos públicos ou terrenos baldios, promovendo projetos de conservação, parques urbanos e educação ambiental.

A aposta em espécies nativas é fundamental por estarem naturalmente adaptadas ao clima e aos solos locais. Estas árvores e arbustos oferecem maior resistência a períodos de seca, pragas e incêndios florestais, desempenhando um papel crucial no reforço da biodiversidade e na preparação do território contra o impacto das alterações climáticas.

Tudo para saber sobre o assunto com José Janela, da Quercus. O programa desta semana para ouvir, na íntegra, no podcast abaixo:

Orçamento Participativo: Joaquim Santos quer aproximar crianças da poesia e preservar a tradição da ronca em Elvas

O escritor e professor Joaquim Santos tem a votação o projeto “Quadras com Tradição – Poesia Escrita ao Som da Ronca” à edição deste ano do Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Elvas. O objetivo da iniciativa é promover o gosto pela poesia e pela escrita junto das crianças, ao mesmo tempo que procura preservar e valorizar a cultura e as tradições locais.

Poesia para os mais novos

Inserido na área temática da Cultura, Ciência e Património, o projeto destina-se sobretudo a crianças do terceiro e quarto anos do primeiro ciclo e do quinto e sexto anos do segundo ciclo, com idades aproximadas entre os oito e os 12 anos.

Segundo Joaquim Santos, a ideia nasceu da necessidade de encontrar formas mais apelativas de trabalhar o texto poético junto dos mais novos. O professor considera que, apesar de a poesia poder ser uma das áreas mais exigentes para ensinar nas escolas, o seu ritmo e musicalidade podem também constituir uma oportunidade para captar a atenção das crianças.

A ronca como ponto de ligação

É neste contexto que surge a ligação à ronca, instrumento tradicional associado à identidade cultural de Elvas. O projeto pretende juntar a escrita poética à tradição musical e artesanal, criando uma abordagem multidisciplinar.

A iniciativa prevê uma primeira fase escolar, através de oficinas itinerantes nas escolas do concelho, incluindo as freguesias. As sessões deverão envolver professores, poetas populares e artesãos locais, conjugando a componente literária com o conhecimento da ronca e da sua construção.

Durante as oficinas serão realizadas atividades de escrita criativa e leitura de poesia, com particular atenção a autores ligados ao concelho, como António Dinis da Cruz e Silva e António Sardinha. Os alunos terão ainda contacto com a componente acústica e artesanal da ronca, procurando perceber a relação entre o ritmo do instrumento e a métrica das quadras.

Um livro com as quadras das crianças

“Quadras com Tradição” prevê também a criação de um livro em formato papel, reunindo as quadras produzidas pelas crianças ao longo do projeto. O objetivo é que o trabalho desenvolvido nas escolas resulte num produto final que possa permanecer como registo da participação dos mais novos.

Numa segunda fase, de carácter comunitário, está prevista uma apresentação pública dos trabalhos realizados pelas crianças, integrada num dos eventos promovidos pelo Município de Elvas. A iniciativa pretende, assim, envolver também as famílias e proporcionar aos participantes uma experiência de apresentação em palco.

Transmissão de saberes entre gerações

Para Joaquim Santos, uma das principais metas passa por reforçar a transmissão entre gerações. A presença de poetas populares e artesãos locais nas atividades permitirá aproximar as crianças de pessoas que guardam conhecimentos e memórias ligados à cultura elvense.

O projeto pretende ainda combater o desinteresse pela leitura e pela escrita através de metodologias mais lúdicas, unir a criatividade literária à preservação do património local e promover uma maior transmissão geracional das tradições.

Candidatura com orçamento de 23.850 euros

A candidatura dispõe de um orçamento de 23.850 euros, destinado, entre outros aspetos, à construção de roncas com materiais reciclados para as crianças participantes e à produção do livro final.

Joaquim Santos deixou um apelo aos elvenses para que participem na votação do Orçamento Participativo e escolham o projeto caso considerem que deve ser concretizado.

“Defendemos a nossa cultura, a nossa tradição e achamos que deve ser passada às nossas crianças porque são elas o nosso futuro”, afirmou o escritor, sublinhando ainda a importância de mostrar aos mais novos que “com as palavras também se pode brincar e também se pode aprender a brincar”.

Com “Quadras com Tradição”, a proposta passa, assim, por aproximar as crianças da poesia através da criatividade, da música e da cultura local, procurando garantir que tradições como a ronca e a poesia popular continuam presentes nas gerações futuras.

A entrevista completa a Joaquim Santos para ouvir no podcast abaixo:

Santa Casa de Campo Maior quer reforçar apoio domiciliário e enfrenta dificuldades na contratação

A Santa Casa da Misericórdia de Campo Maior quer reforçar a resposta às necessidades da população e aposta no crescimento do apoio domiciliário.

A instituição acompanha atualmente mais de 300 utentes, entre o apoio domiciliário, centro de dia, lar de idosos e infantários. Segundo o provedor, José Jorge Pereira, o apoio domiciliário é uma área em expansão e a intenção passa por aprofundar o trabalho desenvolvido junto da população.

“Temos o apoio domiciliar a mais de 30 pessoas, mas nós queremos fazer aqui um trabalho um bocadinho mais profundo”, afirma o responsável.

A par do crescimento das respostas sociais, a Santa Casa enfrenta dificuldades na contratação de profissionais, sobretudo na área da gerontologia. José Jorge Pereira explica que é difícil encontrar trabalhadores com formação e perfil adequado para este tipo de funções. “Não é fácil, principalmente na área da gerontologia, encontrar pessoas quer com capacidades, quer adequadas e com perfil para este tipo de situação”, sublinha.

O provedor reconhece que o trabalho com idosos é exigente e desgastante, mas defende que deve ser mais valorizado, destacando também a componente gratificante da profissão. “É um trabalho bastante árduo e duro, desgastante, e muitas das vezes vê-se como o fim de linha. Mas quem trabalha na gerontologia acaba por ganhar o gosto”, garante.

José Jorge Pereira considera ainda importante mostrar que trabalhar com idosos pode ser uma experiência enriquecedora, nomeadamente pela relação criada com os utentes e pelo reconhecimento que recebem. “É importante cativar as pessoas, dizer que não é um trabalho desprestigiante, é um trabalho cativante e que se aprende”, conclui.