A APPACDM de Elvas e o Município de Elvas estabeleceram uma parceria inédita para assegurar um ATL de Verão destinado a alunos com necessidades educativas especiais, integrados nos Centros de Apoio à Aprendizagem (CAA) das escolas locais.
Este projeto, que decorre ao longo do mês de julho, responde a um problema recorrente de dezenas de famílias que, com a chegada das férias escolares, não tinham onde deixar os seus filhos enquanto trabalham. “Sempre foi uma grande preocupação nossa e dos pais. Conseguimos estruturar esta resposta para garantir que estes jovens continuam a ter uma rotina ativa, com atividades adaptadas e acompanhamento especializado”, refere Luís Mendes.
O presidente da instituição faz um balanço muito positivo desta fase de arranque, destacando que “o feedback dos encarregados de educação tem sido excelente, o que prova a extrema necessidade deste projeto pioneiro na nossa cidade”.
A Rua da Mouraria de Cima, uma das cerca de uma centena de artérias de Campo Maior que, entre 8 e 16 de agosto, se transformará num autêntico jardim de flores de papel, vive o intenso trabalho de preparação para as Festas do Povo. Entre cortes, dobragens e montagens, o espírito de entreajuda mantém-se bem vivo, apesar das dificuldades em reunir voluntários suficientes.
À frente da organização dos trabalhos de ornamentação da rua estão Lucila Meira e Rute Pingo, que, curiosamente, não residem na Mouraria de Cima, mas que continuam profundamente ligadas ao local. Já em 2015 tinham sido também elas as cabeças de rua.
Lucila Meira explica que aceitou novamente o desafio de ser cabeça de rua para garantir que aquela artéria não ficava de fora da festa. “A minha rua não é esta, mas estou aqui a trabalhar e então juntei-me às vizinhas aqui da rua e demos o nome para ser cabeça de rua. Não havia mais quem quisesse ser cabeça de rua. Para a rua se arranjar alguém tinha que ser cabeça de rua e encarregar-se disso e nós tomámos essa decisão”, revela.
Já Rute Pingo recorda a ligação de décadas à rua, onde teve um comércio durante muitos anos: “Eu não moro aqui, mas tive aqui um comércio durante 30 anos e, por isso, considero a rua como minha.”
Moradores de outras ruas ajudam a colmatar a falta de voluntários na Mouraria de Cima
Uma das novidades deste ano é o reforço da equipa com pessoas de outras ruas da vila, uma situação pouco habitual, mas que surge como resposta à diminuição do número de participantes locais.
Segundo Rute Pingo, cerca de 20 pessoas estão envolvidas nos trabalhos, embora apenas uma parte pertença efetivamente à Rua da Mouraria de Cima. “Nos outros anos nunca vinha gente de fora da rua. Este ano é que está a acontecer isso, porque a rua cada vez vai tendo menos pessoas para fazerem as coisas. Então este ano houve um grupo de pessoas e um grupo de jovens que se prontificaram para nos vir ajudar”, adianta.
Trabalho em equipa e partilha de conhecimentos
Apesar da exigência do trabalho, o ambiente é marcado pelo consenso e pela colaboração. Depois de definido o projeto decorativo da rua, todos participaram na escolha das cores e aprenderam as técnicas necessárias para criar as tradicionais flores de papel.
Rute Pingo destaca o papel de uma moradora experiente, que transmitiu os conhecimentos ao restante grupo. “Aqui não se briga, chega-se a um acordo. Depois de termos o projeto da rua, combinámos as cores que queríamos, tudo num tom mais de rosa. Depois há uma pessoa aqui na rua, a vizinha Zica, que sabe fazer as flores e que nos ensinou. Foi ela que nos deu os moldes e ensinou a fazer a montagem das flores”, refere.
O futuro da tradição depende das novas gerações
Embora o entusiasmo continue presente, as responsáveis admitem alguma preocupação com o futuro das Festas do Povo, numa altura em que a população envelhece e se torna mais difícil encontrar quem assuma a responsabilidade de organizar as ruas. Para Lucila Meira, a continuidade desta tradição centenária dependerá da disponibilidade dos mais jovens.
“É uma festa já muito antiga e nós queríamos que isto não acabasse, mas há pouca gente para trabalhar e não sei se conseguimos que se façam novamente as festas. Tudo depende da mocidade, porque os mais velhos vão partindo e os mais novos é que têm de apanhar essa responsabilidade. Desde que eles queiram, tudo se consegue”, garante.
O orgulho de ver a rua brilhar
Apesar do cansaço acumulado pelas longas horas de trabalho, a motivação mantém-se intacta. O objetivo é simples: fazer da Rua da Mouraria de Cima uma das mais bonitas das Festas do Povo.
Lucila Meira não esconde o orgulho pelo trabalho desenvolvido e a vontade de voltar a surpreender quem visitar Campo Maior. “A nossa rua normalmente fica sempre mais bonita e este ano esperamos que o nosso trabalho seja também dos melhores. Para isso, nós temos de lutar para que isso aconteça. As nossas coisas são sempre melhores que as outras. Portanto, a rua, embora não seja nossa, temos orgulho que fique mais bonita. Esperamos aproveitar o trabalho que temos aqui, embora o cansaço nos esteja a querer vencer, mas nós não nos queremos deixar vencer pelo cansaço”, remata.
O Aqueduto da Amoreira, um dos mais emblemáticos monumentos de Elvas e Património Mundial da UNESCO, está a ser alvo de uma importante intervenção de conservação e valorização, promovida pela Câmara Municipal de Elvas, com o objetivo de garantir a preservação deste ex-líbris da cidade para as gerações futuras.
A empreitada contempla trabalhos de limpeza, consolidação e recuperação de diferentes zonas da estrutura, incidindo na reparação de elementos degradados, tratamento de patologias existentes e melhoria das condições de conservação do monumento. A intervenção está a ser desenvolvida com o devido acompanhamento técnico, respeitando as características históricas e patrimoniais do Aqueduto da Amoreira, construído no século XVI e considerado uma das maiores obras de engenharia hidráulica da época.
Com esta obra, o Município de Elvas reforça o seu compromisso com a preservação do património classificado, assegurando a valorização de um dos principais símbolos da cidade e um dos monumentos mais visitados do concelho. A intervenção permitirá prolongar a vida útil desta estrutura monumental, contribuindo igualmente para a promoção turística de Elvas e para a salvaguarda de um bem de excecional valor histórico, arquitetónico e cultural.
O arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, anunciou esta quarta-feira, 22 de julho, em comunicado, as nomeações de párocos, diáconos e responsáveis por estruturas pastorais e casas de formação para o Ano Pastoral 2026/2027.
No caso do concelho de Campo Maior, há apenas a registar a chegada do diácono Manuel Rubio Godinho, “enviado a exercer o seu ministério diaconal” nas paróquias confiadas aos cuidados do padre Rodrigo de Sousa Oliveira e do cónego Francisco Pimenta Alves Bento.
O deputado do Partido Socialista eleito por Portalegre, Luís Moreira Testa, questionou a Ministra da Saúde sobre o fracasso do concurso nacional de colocação de médicos na Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo (ULSAALE), onde a esmagadora maioria das 41 vagas ficou por preencher. O cenário é particularmente grave nos Cuidados de Saúde Primários, onde apenas duas das 16 vagas de Medicina Geral e Familiar foram ocupadas, ficando totalmente desertas as vagas para concelhos como Alter do Chão, Avis, Castelo de Vide e Ponte de Sor/Montargil. A falha no recrutamento também se estendeu ao nível hospitalar, obrigando à abertura de procedimentos de urgência para especialidades fundamentais.
A situação evidencia a ineficácia dos atuais incentivos à fixação de médicos no interior, insuficientes mesmo com os apoios adicionais à habitação e de atratividade promovidos pelos municípios locais. Perante este panorama, Luís Moreira Testa exige saber que soluções imediatas e novas medidas pretende o Ministério da Saúde implementar para tornar a região atrativa e assegurar o funcionamento dos serviços essenciais e o direito à saúde de milhares de utentes. “Os habitantes do Alto Alentejo têm de ter uma resposta do Estado, que tem a obrigação de fixar profissionais de saúde numa região que enfrenta desafios acrescidos de interioridade”, defende o parlamentar, apelando a medidas céleres e eficazes.
A associação juvenil Arkus pretende ver a Ronca homenageada em Elvas, numa iniciativa que visa reforçar a divulgação daquele instrumento tradicional e valorizar um dos símbolos da identidade cultural do concelho.
A proposta foi apresentada por Carlos Beirão, presidente da direção da Arkus, durante as comemorações do último aniversário da associação. Segundo o responsável, a ideia passa por aproveitar uma das rotundas da cidade para promover um instrumento que considera “sui generis” a nível nacional e uma mais-valia para Elvas.
A localização sugerida é a rotunda junto ao Coliseu Comendador Rondão Almeida, por se tratar de uma das principais entradas da cidade. Carlos Beirão defende a instalação de várias roncas, em vez de uma peça de grandes dimensões, por questões de visibilidade rodoviária, criando uma homenagem ao instrumento e ao trabalho desenvolvido pelo Grupo Roncas d’Elvas da Arkus na sua promoção. “O Grupo de Roncas tem divulgado muitíssimo esse instrumento e acaba por ser também uma forma de reconhecer esse mérito e esse instrumento que identifica a nossa cidade”, afirma.
Além da valorização patrimonial, o dirigente acredita que a iniciativa poderá contribuir para um objetivo mais ambicioso: a candidatura do Natal de Elvas a Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO. “A ideia é candidatar o Natal de Elvas com a Ronca incluída”, explica Carlos Beirão, acrescentando que estão a ser avaliadas diferentes formas de estruturar a candidatura.
A associação tem mantido contactos com a Câmara Municipal de Elvas para desenvolver este processo, sendo que o presidente da Arkus reconhece que se trata de um objetivo a longo prazo. “Vai demorar, mas com o tempo vai lá, lá chegaremos”, assegura.
O presidente da Arkus destaca ainda o trabalho contínuo de divulgação da Ronca junto de visitantes. A associação integra frequentemente demonstrações do instrumento em visitas teatralizadas e eventos para grupos organizados, chegando mesmo a oferecer roncas aos participantes como forma de promover esta tradição.
O tradicional membranofone de fricção, de acordo com Carlos Beirão, desperta a curiosidade de quem o conhece pelo som característico e pela forma como é tocado. Para o presidente da Arkus, esta divulgação contribui para reforçar o reconhecimento de um instrumento que considera inseparável da identidade cultural de Elvas e das celebrações natalícias da cidade.
Onze anos depois da última edição das Festas do Povo, Diana Rabaça voltou a assumir, juntamente com as amigas e vizinhas Eunice Vieira e Margarida Orelhas, a responsabilidade de liderar o grupo que está a dar vida ao primeiro troço da Rua de Badajoz, em Campo Maior. Entre flores de papel, serões de trabalho e uma promessa feita às filhas há mais de uma década, o trio prepara uma decoração que promete surpreender os visitantes.
Às três cabeças de rua juntam-se familiares e amigos, que ajudam no delicado trabalho de transformar papel em milhares de flores, mantendo viva uma tradição que continua a ser feita sobretudo durante os serões ou, quando o tempo escasseia, em casa.
De acordo com Diana Rabaça, esta é já a terceira vez que as três assumem a liderança do troço, depois de terem recebido o testemunho de uma antiga vizinha. “A cabeça de rua era a nossa vizinha Ana, em edições mais antigas. Depois, nas últimas duas edições, passou-nos o testemunho. Como éramos novas aqui na rua, casámo-nos e viemos para aqui viver, passou-nos essa responsabilidade. Teve de ser, ou sim ou sim. Aqui não há hipótese”, refere, entre sorrisos.
Falta de material atrasou o arranque dos trabalhos
Os trabalhos arrancaram apenas em abril, apesar da intenção inicial de começarem em janeiro. A falta de material acabou por atrasar o processo, obrigando o grupo a interromper, por diversas vezes, a produção das flores.
“Supostamente era para começarmos em janeiro, mas não havia material suficiente. Acabámos por começar em abril. Depois voltou a faltar material e tivemos de parar outra vez”, refere Diana, que lembra ainda a dificuldade em conciliar a vida pessoal e profissional com este trabalho de dedicação às flores de papel. “As três trabalhamos, temos horários complicados e nem sempre é fácil acompanhar o ritmo. Muitas vezes só conseguimos trabalhar à noite, depois de chegarmos a casa”, assegura.
Uma promessa feita às filhas há 11 anos
O tema escolhido para a decoração continua em absoluto segredo, como manda a tradição. No entanto, as três responsáveis revelam que a inspiração nasceu há precisamente 11 anos, por iniciativa das filhas de duas das cabeças de rua.
“A escolha do tema foi culpa das nossas filhas, a Leonor e a Catarina. Na última edição perguntaram-nos por que nunca tinha existido uma rua dedicada a este tema. Prometemos-lhes que, quando houvesse novas festas, seria esse o tema escolhido. E estamos agora a cumprir essa promessa.”
Um sonho adiado pela pandemia
Na verdade, o projeto estava praticamente concluído desde a última edição. Com o cancelamento das festas durante a pandemia de Covid-19, o plano acabou por ficar guardado durante mais de uma década. “Quando terminaram as últimas festas, nós já tínhamos o projeto desta edição pensado. Já estava feito, com desenhos e tudo. Era para avançar na edição que acabou por não acontecer por causa da pandemia. Fizemos apenas algumas alterações, mas o tema manteve-se. Na altura elas eram muito pequeninas, mas foram elas que escolheram”, relatam.
Além da dedicação de meses de trabalho, há um significado especial associado à decoração deste ano: proporcionar às filhas a oportunidade de viverem plenamente as Festas do Povo, agora já adolescentes e capazes de compreender toda a essência da tradição.
“A nossa rua é sempre a mais bonita porque é nossa”
Convictas de que a Rua de Badajoz será uma das grandes atrações desta edição, as três responsáveis não escondem o orgulho no trabalho realizado. “A nossa rua é sempre a mais bonita porque é nossa. É onde está o nosso suor, o nosso trabalho, a nossa dedicação.” E acrescentam, entre risos: “Este ano esmerámo-nos ainda mais. Talvez por termos menos tempo, acabámos por nos dedicar ainda mais. Tem um sabor especial porque é a concretização de um desejo das nossas filhas. Elas mal se lembram da última edição e este ano vão viver verdadeiramente as festas. É também uma passagem de testemunho”, rematam.
Morreu Luís Represas aos 69 anos, vítima de doença prolongada. A informação foi avançada na manhã desta quarta-feira, 22 de julho, pela agência Sons em Trânsito.
O cantor e compositor, a par do seu trajeto a solo, era conhecido pela sua carreira com os Trovante, que tinham voltado aos palcos recentemente e que tinham em “125 azul”, “Perdidamente” e “Timor” alguns dos seus temas mais conhecidos.
Luís Represas tinha espetáculos de celebração de 50 anos de carreira agendados para abril de 2027 nos coliseus de Lisboa e Porto.
Em 2005, o artista foi distinguido com a Ordem de Mérito – Grau de Comendador pelo Estado Português. Atualmente, Represas apresentava, na CMTV, o programa “Língua Mãe”, de divulgação da música portuguesa.
No ano passado, Luís Represas esteve em Elvas, juntamente com Marisa Liz, integrando o espetáculo comemorativo do 13º aniversário da classificação da cidade como Património Mundial da Humanidade (ver aqui).
Um sismo de magnitude 3,6 na escala de Richter foi registado na madrugada desta quarta-feira, 22 de julho, em Évora, tendo sido sentido, em vários pontos da região Alentejo, incluindo nos distritos de Portalegre e Beja.
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o abalo teve epicentro cerca de 10 quilómetros a sul-sudeste de Évora e foi registado às 01h22 pelas estações da Rede Sísmica do Continente.
O sismo, que não provocou danos pessoais ou materiais, “foi sentido com intensidade máxima III (escala de Mercalli modificada) no concelho de Évora”.
Uma intensidade III significa que o sismo é percetível sobretudo no interior dos edifícios, podendo fazer oscilar objetos suspensos e provocar uma vibração semelhante à causada pela passagem de veículos pesados.
Na escala de Richter, um sismo de magnitude 3,6 é classificado como pequeno.
A Rede de Rega do Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora, em Campo Maior, foi inaugurada esta terça-feira, 21 de julho, numa cerimónia que contou com a presença do ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, do presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, Luís Rosinha, de vários autarcas da região e de diversas entidades ligadas ao setor agrícola.
O programa teve início no Centro Cultural de Campo Maior. Seguiu-se uma visita ao perímetro de rega do Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora, culminando com as intervenções protocolares e o descerramento da placa evocativa da inauguração.
Considerado um projeto estruturante para o concelho de Campo Maior e para o Alto Alentejo, o Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora abrange atualmente uma área beneficiada de 1.560 hectares, alimentada pela Barragem do Abrilongo. A infraestrutura inclui cerca de 44 quilómetros de condutas, 70 hidrantes, 106 bocas de rega e um sistema de distribuição de água sob pressão, energeticamente eficiente e com forte aproveitamento da gravidade.
Ministro destaca investimento na gestão da água
Na cerimónia, o ministro da Agricultura e Pescas sublinhou o caráter estratégico do investimento, enquadrando-o na política nacional para os recursos hídricos. “É estruturante, é estratégico. Não é por acaso que uma das dez prioridades do Governo é o programa ‘Água que Une’. O objetivo é investir até 2030 cerca de 5.400 milhões de euros e, posteriormente, mais 4 mil milhões. É um investimento que traz retorno económico e permite tirar partido das potencialidades dos territórios”, afirmou José Manuel Fernandes.
O governante destacou ainda que estes projetos reforçam a competitividade da agricultura, promovem a coesão territorial e contribuem para a fixação da população no interior.
“A agricultura é segurança alimentar, mas é também economia, competitividade e coesão territorial. Estes investimentos ajudam a proteger o território através da presença das pessoas e incentivam igualmente a renovação geracional”, referiu.
José Manuel Fernandes salientou ainda que estão atualmente em curso investimentos na ordem dos 600 milhões de euros em infraestruturas de água para a agricultura, considerando-os essenciais para o desenvolvimento do setor.
Projeto aguardado há um quarto de século
Também o presidente da Câmara de Campo Maior destacou a importância da conclusão de uma obra há muito aguardada pelos agricultores.
“É um investimento que fazia falta há cerca de 25 anos. No concelho já existem cerca de seis mil hectares de regadio na zona do Caia e agora iniciamos aqui mais 1.500 hectares, com a expectativa de podermos chegar aos 2.200. Para um concelho com cerca de 250 quilómetros quadrados, esta capacidade de rega é verdadeiramente importante e permitirá novos investimentos e novas formas de fazer agricultura”, afirmou Luís Rosinha.
Apesar da satisfação pela concretização da infraestrutura, o autarca recordou o longo período de espera.
“Hoje é dia de festa, mas fica a marca de um quarto de século de espera por uma infraestrutura crucial para a vida e para os investimentos destes agricultores”, acrescentou.
Emprego e competitividade no horizonte
Por sua vez, o diretor da Associação de Beneficiários do Abrilongo, Nelson Barreto, considerou que o novo perímetro de rega já está a produzir efeitos na atividade agrícola.
“Estamos a falar de um projeto que vai seguramente trazer mais emprego. Já há agricultores e empresas agrícolas a adaptar as suas explorações e a preparar novas culturas em função desta infraestrutura”, afirmou.
Nelson Barreto mostrou-se igualmente confiante na possibilidade de o perímetro de rega ser alargado para os cerca de 2.200 hectares inicialmente previstos, explicando que existem áreas confinantes que poderão vir a ser integradas futuramente.
Terceira fase do projeto já está em preparação
O responsável aproveitou ainda para defender o rápido avanço da terceira fase do projeto, nomeadamente da construção da estação elevatória.
“Há agricultores que, devido à diferença de cotas, ainda não conseguem receber água. Foi-nos transmitido que o caderno de encargos para essa estação elevatória está a ser preparado e esperamos que, dentro de cerca de dois anos, essas explorações também possam ser servidas”, disse.
A construção da rede de rega representou um investimento de cerca de 19 milhões de euros, financiado pelo PDR2020, inserindo-se num investimento global de aproximadamente 25 milhões de euros destinado à conclusão de todo o Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora.
Com a entrada em funcionamento da nova infraestrutura, passa a ser possível aproveitar plenamente a água armazenada na barragem do Abrilongo, construída em 2000, garantindo um abastecimento mais fiável aos agricultores, aumentando a competitividade das explorações agrícolas e promovendo uma utilização mais sustentável dos recursos hídricos.