Feira das Cebolas 2026 arrancou em Portalegre com foco no desenvolvimento económico e na coesão territorial

Foi oficialmente inaugurada esta quinta-feira, 10 de setembro, a edição de 2026 da Feira das Cebolas de Portalegre. O evento secular, organizado pela Câmara Municipal em parceria com o NERPOR e a Associação dos Agricultores do Distrito de Portalegre, decorre até domingo no Parque de Feiras e Exposições, reunindo 230 expositores de diversos setores da economia local e regional.

O certame secular reúne 230 expositores no Parque de Feiras e Exposições. Na abertura oficial, Fermelinda Carvalho e João Moura reafirmaram a importância estratégica do interior e da produção agrícola nacional.

Na cerimónia de abertura oficial, a Presidente da Câmara Municipal de Portalegre, Fermelinda Carvalho, sublinhou o peso histórico e a relevância económica da feira que remonta a 1753, destacando que “a economia de regiões como a nossa depende profundamente da terra”.

Em declarações à Rádio ELVAS, na inauguração, a Presidente da Câmara Municipal reforçou o caráter abrangente do modelo atual da feira e convidou a população a visitar o recinto: “Esta feira, a Feira das Cebolas, em formato Feira das Atividades Económicas, temos aqui representadas uma grande maioria das atividades económicas do concelho de Portalegre. Obviamente, a componente agrícola está muito presente. É um evento ao qual trouxemos outras componentes também: a agroindústria, a indústria em si, o mercado automóvel, enfim, divertimentos… Portanto, tudo cabe aqui naquilo que é a Feira das Cebolas. Queria deixar um convite a todos os portalegrenses e também a todas as pessoas para que venham à Feira das Cebolas, é de entrada gratuita, teremos bons momentos, é uma feira muito dinâmica.” sublinhou Fermelinda Carvalho.

Também em entrevista à Rádio ELVAS, o Secretário de Estado da Agricultura, João Moura, enalteceu a qualidade da produção agroalimentar portuguesa e o peso crescente da ‘Marca Portugal’: “Podemos ver que há aqui uma grande diversidade de produtos daquilo que eu há pouco consegui testemunhar ali na cerimónia de abertura: a potencialidade do nosso mundo rural. O mel, o vinho, o azeite… agora estou aqui atrás da ginginha, mas temos tantos outros produtos como o pão, o pão português! Este é um estímulo, deve ser um incentivo para que os agricultores se sintam premiados de que aquilo que eles fazem é de altíssima qualidade e é muito apreciado. A marca Portugal é uma marca com cada vez mais notoriedade nos consumidores nacionais, mas principalmente internacionais.” disse o governante João Moura.

A Feira das Cebolas 2026 continua no Parque de Feiras e Exposições de Portalegre até domingo, com entrada livre, programa cultural, artesanato, mostras agrícolas e grandes concertos.

Badajoz: FECIEX reforça dimensão ibérica na 35.ª edição com mais de uma centena de atividades

A FECIEX, Feira da Caça, Pesca e Natureza Ibérica, celebrará a sua 35.ª edição de 17 a 20 de setembro na IFEBA, em Badajoz, com mais de uma centena de atividades e uma ampla presença empresarial e profissional.

A vereadora responsável pela IFEBA, Elena Salgado, acompanhada pela diretora da FECIEX, Pepa Dueñas, apresentou na manhã desta quinta-feira, 10 de setembro, esta 35.ª edição do certame, que voltará a contar com um vasto programa de atividades.

Esta é uma nova edição que “continua a consolidar a FECIEX como um dos principais pontos de encontro de profissionais, empresas e aficionados ligados à caça, à pesca desportiva e à natureza” da Extremadura, de Espanha, do Alentejo e de Portugal.

A feira voltará a ocupar a totalidade das instalações da IFEBA e terá, mais uma vez, o rio Guadiana como cenário das suas principais competições de pesca.

Durante a apresentação, Salgado destacou especialmente o caráter transfronteiriço da feira e a sua ligação à Extremadura e ao Alentejo: “A nossa posição fronteiriça e a relação que mantemos com Portugal permitem-nos reforçar esse caráter ibérico que faz parte da própria identidade da FECIEX e também da IFEBA”.

As exposições cinegéticas, um dos elementos diferenciadores da FECIEX desde as suas primeiras edições, terão este ano como protagonista a “Coleção Duques de Cardona de Ciências Naturais”, cedida temporariamente pela Fundação Casa Ducal de Cardona. A mostra reunirá uma seleção de peças pertencentes à histórica coleção do Duque de Medinaceli, uma das coleções privadas mais relevantes de Espanha pelo seu valor histórico, artístico e patrimonial. “Estamos perante uma exposição excecional e dificilmente repetível”, destacou a vereadora.

A outra grande novidade da FECIEX 2026 será o III Fórum Hispano-Luso “A Peste Suína Africana e os desafios para o mundo rural”, organizado pela FEDEXCAZA e pela FECIEX. O encontro abordará a Peste Suína Africana a partir de uma perspetiva multidisciplinar e reunirá representantes dos setores cinegético, pecuário, veterinário e científico, juntamente com responsáveis da Administração Pública.

A programação cinegética será completada com o XV Encontro de Sociedades e Caçadores, juntamente com cursos, atividades de formação, competições e numerosas exibições. Entre as propostas encontram-se o Tiro Livre Compak Sporting, o Percurso de Caça, a iniciação ao Field Target e o tiro com arco, além de provas e exibições, entre outros, de galgos e Santo Huberto.

A feira contará também com uma exibição de caça menor com cão protagonizada por mulheres caçadoras, além de diferentes iniciativas promovidas pela JUVENEX, JOCAEX e outras entidades ligadas ao setor.

Por sua vez, o rio Guadiana voltará a ser um dos grandes cenários da FECIEX com a realização do XXIX Concurso Internacional de Pesca Desportiva FECIEX, na zona de Las Baldocas, e do XV Troféu Ibérico Bass-FECIEX, no lago do Açude.

No interior da IFEBA, a programação dedicada à pesca continuará no aquário gigante, com numerosas demonstrações técnicas e apresentações de empresas e distribuidores especializados.

A natureza terá também um papel de destaque, com safaris ornitológicos pela ZPE do rio Guadiana, organizados em colaboração com a Escola de Natureza Geo2, e diferentes propostas de educação ambiental dirigidas especialmente aos mais jovens.

A gastronomia cinegética voltará a ocupar um espaço de destaque com “Los Fogones de la Caza com Cárnicas DIBE”, que oferecerá showcookings ao vivo com carne de caça, e com a apresentação de um “Menu Gastronómico de Caça” da Rede de Hospedarias da Extremadura.

A FECIEX reforçará também o seu caráter participativo e familiar, com uma ampla programação de lazer para todos os públicos, que incluirá workshops, jogos, atividades de realidade virtual e diferentes propostas dirigidas especialmente a crianças e jovens.

A oferta será completada com a realização do II Hunter Festival no terraço noturno exterior da IFEBA.

O caráter transfronteiriço da feira terá também expressão no Prémio Ibérico FECIEX 2026, que este ano será atribuído à FENCAÇA, Federação Portuguesa de Caça. O galardão distingue pessoas, instituições e organizações de Espanha e Portugal que contribuíram para promover os valores ibéricos da caça e favorecer o encontro entre os dois países.

A inauguração oficial da FECIEX 2026 terá lugar na quinta-feira, 17 de setembro, às 12h30 (11h30 em Portugal). Nesse dia, a feira estará aberta das 12h00 às 21h00; na sexta-feira, dia 18, e no sábado, dia 19, das 10h00 às 21h00; e no domingo, dia 20, das 10h00 às 16h00.

O bilhete geral mantém o preço de quatro euros, com uma tarifa reduzida de dois euros para pessoas desempregadas e famílias numerosas de categoria geral.

A entrada será gratuita para crianças até aos 12 anos, inclusive, maiores de 65 anos, agentes comerciais abrangidos pelo acordo AFE e famílias numerosas de categoria especial. Os bilhetes poderão ser adquiridos tanto nas bilheteiras como através do site da IFEBA.

Música, cavalos, toiros e agricultura: tudo acontece na Feira das Cebolas

Portalegre recebe, entre hoje e domingo, de 10 a 13 de setembro, mais uma edição da Feira das Cebolas, com música, tradição, agricultura, gastronomia, atividades equestres, conferências e animação para toda a família. O evento decorre no Parque de Feiras e Exposições de Portalegre, no recinto da Associação dos Agricultores do Distrito de Portalegre (AADP) e nos pavilhões da NERPOR – Associação Empresarial da Região de Portalegre.

A abertura oficial está marcada para quinta-feira, 10 de setembro, às 18h00, com a atuação da FARRA FANFARRA – PARTY BRASS BAND, momento que assinala também a abertura dos pavilhões expositivos, dos espaços de diversões, criança, restauração e street food.

A programação musical começa às 20h30, no Palco do Espaço Agrícola, com Ana Trindade. No Palco Principal, a noite prossegue às 22h00 com Doya, seguindo-se, à meia-noite, Los Romeros. O recinto encerra às 3h00.

Sexta-feira dedicada à agricultura, tradição equestre e música

Amanhã, sexta-feira, 11 de setembro, a programação arranca às 9h30 com o colóquio “A Sanidade Animal no Alentejo – Desafios Atuais e Perspetivas Futuras”, no Auditório da AADP.

O setor pecuário estará também em destaque, com o 1.º Leilão de Fêmeas Reprodutoras de Gado Bovino, às 11h30, e o 13.º Leilão de Machos Reprodutores de Gado Bovino, às 14h30, ambos no Parque de Leilões da AADP e organizados pela Natur-Al-Carnes.

Durante a tarde haverá ainda atividades para crianças promovidas pelo Centro de Ciência Viva na Floresta, entre as 14h30 e as 19h00, a iniciativa “Reviver a Feira das Cebolas”, às 16h00, e uma demonstração de corte de presunto, também às 16h00.

A animação musical começa às 17h00 com o Grupo Tira Sortes. Às 18h30 há uma aula de Pilates Clínico, promovida pela Fitness in Town, seguindo-se, às 19h30, Fado ao Piano com Raquel Guerra e Ricardo Ventura.

O cavalo assume o protagonismo às 21h00, com uma Gala Equestre com Clémence Faivre, que contará com a participação do grupo Flamencura.

No Palco Principal, a noite continua às 22h30 com Nininho Vaz Maia e, à meia-noite, com a Dupla Mete Cá Sets. O recinto encerra às 3h00.

Sábado com conferências, corrida de toiros e grandes concertos

No sábado, 12 de setembro, a Feira das Cebolas abre às 12h00, mas a programação começa mais cedo, às 10h00, com a 2.ª Conferência Técnica Portuguesa da Cabra de Raça Murciano-Granadina, no Auditório da AADP.

Às 15h30 realiza-se a atividade “Cuidar da Natureza não tem idade – A Abelha e o Mel”, destinada à terceira idade e organizada pela Associação dos Agricultores do Distrito de Portalegre e pela Mel Monte Novo.

Às 16h00, o destaque vai para a conferência sobre indicações geográficas “A Cebola não é só tempero”, acompanhada de uma prova comentada sob o tema “Cebola: Combinação camada a camada”, numa iniciativa da Associação dos Agricultores do Distrito de Portalegre e da Qualifica.

No Espaço Empresas, às 17h00, realiza-se o colóquio “Cultivar Negócios — Risco, Apoios e Internacionalização de empresas”, com Tiago Braga, Ricardo Cruz e Diogo Santos como oradores.

A tarde fica ainda marcada pela Corrida de Toiros, às 17h30, na Praça de Toiros José Elias Martins, e pelo espetáculo de dança da EsPasso Dança Catarina Miranda, no Pavilhão A da NERPOR.

Às 20h00, o Palco do Espaço Agrícola recebe os Raio dos Cachopos.

A noite no Palco Principal começa às 22h30 com Pikika, seguindo-se, à meia-noite, Van Zee. Às 2h00, a música fica a cargo do DJ Diogo Borrego, prolongando-se a animação até às 4h00.

Domingo encerra a Feira com tradição, atividades equestres e música

O último dia, domingo, 13 de setembro, começa às 7h30 com o 2.º Passeio de Bicicletas Clássicas, organizado pela Associação Desportiva Ultras São Mamede. O percurso terá passagem pelo recinto da Feira das Cebolas às 11h30.

Às 10h00 realiza-se o Batismo a Cavalo, no Espaço Equestre, promovido pelo Centro Hípico de Portalegre.

Os pavilhões expositivos e o Espaço Criança abrem às 12h00, hora a partir da qual também decorre o colóquio “Fertilização de Pastagens e Suplementação Animal”, organizado pela Associação dos Agricultores do Distrito de Portalegre e pela Agromarvão.

Durante a tarde regressa a atividade “Cuidar da Natureza não tem idade – A Abelha e o Mel”, às 15h30, enquanto, à mesma hora, as crianças poderão participar numa Simulação de um Leilão de Animais, no Parque de Leilões, mediante inscrição na Associação dos Agricultores do Distrito de Portalegre.

Às 17h30 realiza-se o XII Concurso Regional do Rafeiro do Alentejo de Portalegre, no recinto exterior do Espaço Agrícola.

A programação musical encerra com um Sunset DJ Pedro D’Orey, às 19h00, e com o espetáculo dos Bandidos do Cante, às 21h30, no Palco Principal.

O recinto encerra à meia-noite.

Cerca de 1.700 ciclistas vão pedalar pela Serra d’Ossa: João Grilo destaca impacto do Granfondo no território

A 4.ª edição do Granfondo Serra D’Ossa realiza-se no próximo dia 4 de outubro, voltando a afirmar-se como um dos principais eventos de ciclismo do Alentejo, unindo, em bicicleta, cinco concelhos: Alandroal, Vila Viçosa, Borba, Estremoz e Redondo.

Devendo reunir cerca de 1.700 participantes, oriundos de vários pontos do país e do estrangeiro, a prova conta com três percursos e distâncias distintas: o Granfondo de 143,9 quilómetros; o Mediofondo de 108,3 quilómetros; e o Minifondo, de 60,8 quilómetros.

A prova, que nesta edição apresenta percursos renovados que atravessam os cinco concelhos, volta, uma vez mais, a possibilitar aos ciclistas desfrutarem da diversidade paisagística e patrimonial da região, ao mesmo tempo que enfrentam os desafios próprios da Serra d’Ossa.

O impacto do Granfondo Serra D’Ossa na economia local

Para o presidente da Câmara Municipal de Alandroal, João Grilo, o evento demonstra a importância da cooperação entre os municípios envolvidos. “É um excelente exemplo de como uma parceria entre cinco municípios acaba por nos permitir realizar um evento com uma dimensão assinalável”, afirma.

O autarca destaca sobretudo o impacto que a iniciativa tem na economia e na dinâmica do território. “Estamos a falar de 1.700 participantes de todo o país, o que envolve uma grande logística, mas também uma grande presença de pessoas no território que, de outra forma, não estariam cá”, sublinha.

João Grilo realça ainda que uma parte significativa dos participantes permanece na região durante o evento, contribuindo para a atividade económica local. “Destes 1.700 atletas, a maior parte deles vem de outros pontos do país, fica a pernoitar, consome naturalmente na região e, pela oportunidade de realizar aqui uma prova, deixa também alguma coisa no território”, assegura.

Alandroal é palco de partida e chegada da prova

A organização do Granfondo assenta numa parceria entre os cinco municípios da Serra d’Ossa, com uma estrutura rotativa que permite que, em cada edição, um dos concelhos assuma um papel de maior destaque na organização, nomeadamente através da partida e chegada da prova. Em 2026, essa responsabilidade cabe ao Alandroal.

Segundo o presidente da autarquia, este modelo permite repartir os encargos entre os cinco municípios envolvidos. “Isto permite-nos distribuir o investimento e realizar um evento que, de outra forma, seria impossível se ficasse a cargo, por exemplo, de um único município”, afirma.

João Grilo defende, por isso, a continuidade desta estratégia de cooperação. “Estamos empenhados em continuar com este tipo de eventos de colaboração, que nos permite ter outra escala”, remata.

Para além da componente competitiva e de cicloturismo, o Granfondo Serra D’Ossa pretende continuar a promover o território, convidando participantes e acompanhantes a conhecerem a gastronomia, os vinhos, o património histórico e megalítico, e as paisagens do Alentejo.

Com o Alandroal como centro nevrálgico da iniciativa, a edição deste ano pretende voltar a juntar desporto, turismo e promoção territorial, reforçando a importância da cooperação intermunicipal na criação de eventos capazes de atrair visitantes e gerar impacto económico na região.

Orçamento Participativo: “Elvas com Patas” quer melhorar o bem-estar animal e a saúde pública na cidade

“Elvas com Patas”, da autoria de Luísa Raimundo, professora da Escola Superior de Biociências de Elvas, é um dos 14 projetos submetidos à votação na edição deste ano do Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Elvas. A proposta pode ser votada até 2 de outubro e tem um orçamento previsto de dez mil euros.

A iniciativa pretende conjugar bem-estar animal, saúde animal e saúde pública, tendo como ponto de partida um problema identificado ao longo de vários anos pela comunidade académica: a presença de formas parasitárias potencialmente zoonóticas nas fezes de animais deixadas nas ruas da cidade.

“Anualmente nós recolhemos fezes dos animais nas ruas de Elvas e temos a noção de que muitas ruas estão contaminadas”, explica Luísa Raimundo. Segundo a docente, algumas destas formas parasitárias podem transmitir-se aos seres humanos, representando um risco particularmente relevante para crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas.

Fosso e Jardim das Laranjeiras como projeto-piloto

O Fosso e o Jardim das Laranjeiras são as áreas escolhidas para a implementação inicial do projeto. De acordo com Luísa Raimundo, estes espaços são frequentemente utilizados pelos tutores para passear os seus cães, concentrando uma quantidade significativa de dejetos animais.

A proposta passa pela criação de um parque para cães, permitindo que os animais possam circular e brincar em segurança, afastados do trânsito automóvel. A medida pretende também reduzir situações de risco já observadas na zona, incluindo atropelamentos de animais.

O espaço deverá ainda funcionar como ponto de informação e sensibilização dos tutores, nomeadamente para a importância da recolha dos dejetos e da desparasitação dos animais.

A professora destaca também a necessidade de reforçar a informação relativa à leishmaniose, uma doença para a qual a região apresenta condições endémicas e cuja prevenção passa, entre outras medidas, pela vacinação e proteção adequada dos animais.

Projeto prevê intervenção junto de colónias de gatos

A segunda vertente do projeto “Elvas Com Patas” está relacionada com os gatos que vivem em colónias, sobretudo nas imediações da Escola Superior de Biociências de Elvas.

A proposta prevê a criação de abrigos e estruturas de apoio, bem como a monitorização da colónia, procurando envolver voluntários e alunos da escola na alimentação e acompanhamento dos animais.

“Temos muitos alunos que estão muito sensibilizados”, asseguta Luísa Raimundo, salientando que os estudantes já desenvolvem iniciativas relacionadas com a saúde animal e procuram ajudar animais feridos encontrados nas proximidades da escola.

A intenção não é aumentar a população de gatos, mas monitorizar e controlar a colónia, em articulação com a Câmara Municipal e outras entidades.

Sensibilização como uma das principais apostas

Além das infraestruturas, o projeto aposta na formação e sensibilização. Os alunos da escola já desenvolvem, por exemplo, ações de sensibilização junto dos proprietários de animais durante o chamado “mês da desparasitação”.

Luísa Raimundo considera, contudo, que é possível tornar esse trabalho mais eficaz através de uma intervenção permanente no espaço.

A docente revela ainda que, ao longo dos anos, tem sido registada uma diminuição da percentagem de amostras contaminadas, sobretudo no Fosso e no Jardim das Laranjeiras, facto que associa também ao trabalho desenvolvido junto dos tutores.

Dez mil euros para arrancar

O projeto apresenta um orçamento de dez mil euros, verba que Luísa Raimundo considera suficiente para iniciar a iniciativa enquanto projeto-piloto, embora reconheça que poderá ser insuficiente para concretizar todas as infraestruturas idealizadas.

A proposta passa, por isso, por procurar apoios complementares junto do município, juntas de freguesia, empresas e outras entidades. A autora admite que alguns parceiros ligados à indústria farmacêutica e à alimentação animal poderão apoiar as ações de formação e sensibilização.

O objetivo é que, depois de testado no Fosso e avaliados os resultados, o projeto possa vir a ser implementado noutros locais. “Eu gostava muito que depois, se funcionasse e que tivéssemos resultados, de replicar, não só para diferentes pontos da cidade de Elvas, mas também para as freguesias”, explica.

Sem o financiamento do Orçamento Participativo, porém, a concretização do projeto ficará bastante condicionada. “Sem estes dez mil euros para avançar”, reconhece a responsável, “vai ser difícil”.

A autora aponta algumas dificuldades sentidas durante o processo de candidatura, nomeadamente relacionadas com a plataforma de votação e com a necessidade de os participantes terem residência oficial em Elvas, situação que impede a participação de estudantes da ESBE que vivem noutros concelhos.

Com “Elvas com Patas”, Luísa Raimundo pretende transformar uma preocupação identificada através do trabalho académico numa intervenção concreta no território, procurando que a proteção dos animais contribua também para uma cidade mais segura e saudável para a população.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

Pequenos pacotes, grandes coleções: Campo Maior recebe o PORTSUGAR 2026

Campo Maior vai acolher, este fim de semana, dias 12 e 13 de setembro, o PORTSUGAR® 2026, o conceituado Encontro Internacional de Colecionadores de Pacotes de Açúcar.

Organizado pelo Clube Português de Coleccionadores de Pacotes de Açúcar (CLUPAC), o evento marca o ponto alto das comemorações do 25.º aniversário do clube, transformando Campo Maior na capital do colecionismo ibérico.

O quartel-general da iniciativa ficará sediado no Pavilhão Rui Nabeiro, espaço que abrirá as portas oficialmente no sábado, dia 12, às 10h30, dando início à maratona de trocas, partilha e exposição de séries raras entre centenas de entusiastas vindos de vários pontos de Portugal e da Europa.

O programa oficial arrancará esta sexta-feira, dia 11 de setembro, proporcionando aos participantes inscritos visitas exclusivas às instalações fabris da Delta Cafés, ao Centro de Ciência do Café e à Adega Mayor.

O evento conta com uma forte componente social, incluindo um jantar comemorativo dos 25 anos do CLUPAC. Historicamente apoiado por marcas de referência e parceiros locais, este encontro serve também para dinamizar a economia, a hotelaria e o turismo da região através da fixação de colecionadores nacionais e estrangeiros durante todo o fim de semana.

PS Portalegre identifica prioridades para o Alto Alentejo e quer investimento a acontecer no terreno

A Federação Distrital de Portalegre do Partido Socialista definiu um conjunto de investimentos que considera prioritários para o Alto Alentejo e quer agora acompanhar, em cada caso, o que falta decidir, que financiamento é necessário e quais os próximos
passos para a sua concretização. A primeira prioridade está no horizonte de negociação do Orçamento de Estado para 2027, onde o PS pretende que sejam inscritos os investimentos prioritários para a região.

A posição foi definida pelo Secretariado da Federação na reunião de 7 de setembro e abrange investimentos com impacto em diferentes concelhos do distrito, nas áreas das acessibilidades, ferrovia, saúde, segurança, recursos hídricos e atividade económica.
Na ferrovia, para além da eletrificação e modernização da Linha do Leste, a Federação considera necessário avançar com a Plataforma Logística de Elvas e a estação internacional de passageiros, no quadro das ligações ferroviárias entre Portugal e Espanha.

O Empreendimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato – Barragem do Pisão mantém-se entre as prioridades, incluindo a construção da nova aldeia e das infraestruturas hidráulicas para o fornecimento de água à ETA de Póvoa e Meadas. A Federação junta à conceção do Parque de Saúde da ULS Alto Alentejo a construção da nova Escola da GNR e do Comando Territorial, em Portalegre. Defende financiamento para a ampliação do Cluster Aeronáutico de Ponte de Sor. Considera necessária a avaliação dos impactos territoriais, ambientais e económicos do Campo de Tiro em Alter do Chão. Também as ligações rodoviárias e transfronteiriças fazem parte das prioridades identificadas. O PS Portalegre defende que seja garantida a execução da Ponte Internacional sobre o rio Sever, em Nisa, dentro dos prazos associados ao financiamento, e quer ver concluídos os projetos técnicos do IC13 e do IC9, incluindo a ligação do IC13 à A23, bem como da ligação por autoestrada entre a A6 e a A23.

“Muitos destes projetos são conhecidos e discutidos há vários anos. Não precisamos de voltar a explicar ao Alto Alentejo que são importantes. Precisamos de perceber o que falta fazer para que avancem e de exigir decisões onde elas ainda são necessárias. É esse
trabalho que queremos fazer, projeto a projeto”, afirmam os membros do Secretariado da Federação, presidido por Tiago Teotónio Pereira. A Federação Distrital irá desenvolver contactos políticos e institucionais sobre estas prioridades, procurando acompanhar o ponto de situação de cada investimento e defender, junto das entidades responsáveis, as decisões necessárias ao seu avanço.

Marvão Rock Fest: 20 anos depois, o rock regressa à Portagem com dois dias de música junto ao Rio Sever

A Portagem, no concelho de Marvão, prepara-se para receber, na sexta-feira e sábado, dias 11 e 12 de setembro, a primeira edição, organizada pela Associação Timbre d’Alvorada, do Marvão Rock Fest.

Frederico Borges, da Timbre d’Alvorada, explica que a realização do festival resulta de um sonho antigo e da convicção de que a Portagem reúne condições únicas para acolher um evento desta natureza. “Este é um sonho do miúdo que via festivais pela caixinha mágica há uns bons anos e sempre viu o potencial que a Portagem tinha para receber um festival com esta dinâmica. Neste momento as peças conjugaram-se todas e vamos lançar esta primeira edição”, afirma.

Apesar de esta ser a primeira edição organizada pela Associação Timbre d’Alvorada, Frederico Borges recorda que o nome Marvão Rock Fest já esteve associado a um festival realizado na Portagem em 2006. “Esta é a primeira edição, salvaguardando que já existiu há 20 anos, em 2006, um festival aqui com o mesmo nome, que, entretanto, deixou de existir e nós estamos a pegar no nome, sendo que nós estamos a organizá-lo pela primeira vez”, explica.

O responsável destaca ainda as características naturais da Portagem como um dos atrativos do festival, que terá lugar junto ao Rio Sever e à piscina fluvial. “Teremos aqui um campismo para acolher quem quer acampar. Isto fica junto à Portagem. Para quem não conhece, tem uma piscina fluvial espetacular, com uma água cristalina e uma vista espetacular também para o Castelo de Marvão”, refere.

Rock como aposta e ligação transfronteiriça

A organização assume uma aposta clara no rock, num momento em que o género tem perdido espaço em alguns festivais de música. “Nos festivais de hoje em dia, o rock está quase em desuso, mas não iremos por aí. Vamos apostar neste festival porque toda aqui a região está muito ligada ao rock”, sublinha o responsável.

Outra das apostas da organização passa pela dimensão transfronteiriça do evento, aproveitando a proximidade de Marvão com a Extremadura espanhola. “Isso foi sempre um ponto que deixámos assente em cima da mesa: que o festival fosse um festival transfronteiriço”, explica o responsável.

Nesse âmbito, o cartaz inclui a banda espanhola Bolsa de Moscas, de Badajoz, juntando-se a projetos provenientes de diferentes pontos de Portugal.

“Depois do panorama nacional temos bandas que já estão a rodar festivais, como Cortada, Sunflowers e temos a estreia de um novo projeto, Lovedust, com elementos veteranos de outros projetos, que vem do underground de Coimbra”, acrescenta.

Dois dias com 11 projetos musicais

O programa arranca na sexta-feira, dia 11 de setembro, com atuações de Lovedust, Ritmos Cholulteka, Birdzzie, Eustáquio Sound Máchine e Broken James. No sábado, dia 12, sobem ao palco Sunflowers, Bolsa de Moscas, Cortada, Klaus Und Hans, Carolina Zerbes e Abaltroz.

A organização espera recuperar também a memória associada à edição de 2006, que, segundo Frederico Borges, continua presente entre antigos participantes.

“É a primeira vez que nós organizamos o festival, sendo que pelo que nós temos recepcionado de informações, toda a gente está expectante da volta deste festival, porque na altura veio Wraygunn, veio Fonzi, vieram bandas que na altura estavam a começar e toda a gente adorou e acampou e há muitas memórias ligadas a este evento”, recorda.

Campismo gratuito e música junto à água

O festival pretende tirar partido da localização junto ao Rio Sever, permitindo aos visitantes acompanhar os concertos durante a tarde com acesso à zona balnear.

Segundo a organização, o campismo será selvagem e não necessita de reserva prévia, estando disponível desde as 9h00 de quarta-feira, dia 10 de setembro, até às 12h00 de domingo, dia 13.

Os detentores de pulseira terão ainda acesso aos balneários da Piscina Municipal de Portagem, à esplanada e a pontos de corrente elétrica gratuitos. A organização apela, contudo, ao civismo e ao respeito pelos espaços públicos.

Além da música, a entrada do festival contará durante os dois dias com artesanato, gastronomia e bebidas regionais.

A localização estratégica de Marvão, junto à fronteira com Espanha, é também apresentada pela organização como uma oportunidade para aproximar públicos e artistas dos dois lados da Península Ibérica.

Bilhetes a partir de oito euros

Os bilhetes podem ser adquiridos à porta do recinto. O passe para os dois dias tem um custo de 12 euros, enquanto o bilhete diário custa oito euros.

A organização disponibiliza também bilhetes através da See Tickets e informações atualizadas sobre horários e aquisição de entradas na página de Instagram do Marvão Rock Fest.

Joaquim Amante propõe atribuição do nome de José Manuel Rebolo Ferreira a sala da Casa António Sardinha

Joaquim Amante, em nome do anterior executivo da Junta de Freguesia de Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso, que liderou entre 2021 e 2025, apresentou ao presidente da Câmara Municipal de Elvas, José Rondão Almeida, uma proposta para a atribuição do nome de José Manuel Rebolo Ferreira a uma sala da recentemente requalificada Casa António Sardinha, na Quinta do Bispo.

A proposta pretende homenagear a memória de José Manuel Rebolo Ferreira, recentemente falecido, reconhecendo o seu percurso de várias décadas ao serviço da comunidade elvense, quer através da atividade autárquica, quer através da participação no movimento associativo local.

Segundo Joaquim Amante, a atribuição do nome a uma das salas da Casa António Sardinha surge também no seguimento de uma das propostas apresentadas durante a campanha eleitoral para a Junta de Freguesia. “Na nossa campanha eleitoral, quando nos apresentámos como candidatos à Junta de Freguesia de Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso, tínhamos idealizado levar uma extensão da Junta de Freguesia para aquele espaço e o Espaço Cidadão ou a Loja do Cidadão, o que conseguíssemos implementar”, explica à Rádio ELVAS. A proposta agora apresentada ao Município, e tendo em conta a implementação de um Espaço Cidadão naquele edifício, passa por aproveitar esse espaço para perpetuar o nome de José Manuel Rebolo Ferreira, que, para Joaquim Amante, era “uma pessoa emblemática na cidade” e merece “ter um espaço físico com o seu nome”.

José Manuel Ferreira foi presidente da Junta de Freguesia de Assunção durante vários anos, entre 1997 e 2013, tendo desempenhado também outras funções: foi tesoureiro no mandato de 2013 a 2017 e secretário entre 2021 e 2025.

O seu percurso ficou ainda marcado por ter sido membro do Movimento Cívico por Elvas e pelo envolvimento no movimento associativo da cidade, nomeadamente nos órgãos sociais de várias coletividades, entre as quais o Clube de Futebol “Os Elvenses”.

No documento enviado ao presidente da Câmara, Joaquim Amante destaca, para além do percurso institucional, a dimensão humana de José Manuel Ferreira, sublinhando o seu “extraordinário humanismo”, a humildade e a disponibilidade permanente para ajudar os outros.

“Ele tinha um coração enorme, estava sempre disponível para ajudar tudo e todos. Acho que é uma pessoa que merece, que é digna desta homenagem”, afirma Joaquim Amante.

Joaquim Amante acredita que proposta será aceite

Questionado sobre a possibilidade de a Câmara Municipal aceitar a proposta, Joaquim Amante mostrou-se confiante. “Na primeira abordagem que tivemos, acho que sim, acho que não vai haver inconveniente algum. Tudo indica que sim, não recebi nenhuma informação em contrário”, assegura.

O mentor da proposta considera ainda que existe uma relação de proximidade entre o presidente da Câmara e José Manuel Ferreira que poderá favorecer a aceitação da homenagem. “O presidente tem muito conhecimento com o José Manuel, que ele sempre acompanhou as campanhas políticas, tanto pelo PS como pelo Movimento (Cívico por Elvas). É uma pessoa que tinha muito carinho pelo José Manuel Ferreira e acho que faz todo o sentido e que ele aceita, de certeza, de bom grado”, acrescenta.

Para Joaquim Amante, a iniciativa pretende sobretudo manter viva a memória de uma personalidade que marcou a vida da freguesia e do concelho. “É mesmo esse o intuito”, afirma, defendendo que a homenagem permitirá imortalizar o nome de alguém que fez muito pela população da freguesia de Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso.

Da investigação histórica à inteligência artificial: assim nasceu o projeto musical “Muralhas da Raia”

A história de Campo Maior e da Raia ganha uma nova forma de ser contada através da música. “Muralhas da Raia”, projeto musical criado por Francisco José Trindade, recorre às novas tecnologias e à inteligência artificial para transformar episódios históricos, memórias e lendas da região em canções.

O projeto nasceu, segundo o autor, de uma “singela homenagem” à música, à história e à cultura locais. Embora inicialmente tivesse sido pensado para a literatura, nomeadamente para a criação de um livro, a evolução das ferramentas digitais permitiu-lhe encontrar na música um veículo mais acessível para transmitir a mensagem.

“Partindo de uma ideia de assumir o papel do letrista, não o letrista profissional, mas apenas o iniciante”, explica Francisco José Trindade, o objetivo passou por utilizar as ferramentas atualmente disponíveis para concretizar uma ideia que tinha vindo a desenvolver ao longo do tempo.

O resultado é um conjunto de dez temas que percorrem diferentes momentos da história da região, com particular incidência em Campo Maior (incluindo Ouguela), mas também noutros pontos da Raia, como Elvas.

Da investigação histórica para a música

Por detrás das letras está um trabalho de investigação desenvolvido ao longo dos anos. Francisco José Trindade recorreu a fontes online, bibliografia especializada, textos históricos e informação disponibilizada por instituições, mas também a visitas aos próprios locais históricos. As muralhas, castelos e fortificações da região assumem, por isso, um papel central no processo criativo.

“Muito mais importante do que apenas ler em livros, é vivermos e experienciarmos no local”, afirma, defendendo que o contacto direto com as pedras, as construções e a paisagem ajuda a imaginar as vivências de quem habitou aqueles espaços em épocas passadas.

A partir dessas pesquisas e experiências, o autor foi reunindo apontamentos e trabalhando as palavras com o objetivo de condensar episódios históricos em canções de apenas alguns minutos.

“Por trás de cada canção há uma mensagem que se pretende passar, há uma história que se pretende contar”, sublinha.

História contada ao ritmo dos novos tempos

A opção pela música está também relacionada com a necessidade de encontrar novas formas de chegar ao público, sobretudo às gerações mais jovens.

Francisco José Trindade considera que a sociedade atual é marcada pela rapidez e pela enorme quantidade de conteúdos disponíveis, sobretudo nas plataformas digitais. Nesse contexto, defende que os projetos culturais precisam de encontrar formas diferentes de captar a atenção.

“Temos que arranjar forma de transmitir a mensagem que queremos, mas tendo em conta sempre que o público tem pouco tempo para nos dispensar”, explica.

É nesse cenário que surge a utilização da inteligência artificial como ferramenta de criação e como forma de democratizar o acesso à produção musical.

Para o autor, as novas tecnologias permitem que alguém sem formação profissional na área possa desenvolver um projeto, partindo de uma ideia e de conhecimentos básicos de composição e escrita.

“Franky da Raia”, uma personagem para contar a história

O projeto não é, contudo, apresentado em nome de Francisco José Trindade. O autor optou pelo pseudónimo “Franky da Raia”, criando uma espécie de personagem para assumir a vertente musical e histórica do projeto.

A escolha resulta, em parte, do nome “Frank”, pelo qual era conhecido em experiências anteriores no mundo digital, ao qual acrescentou “da Raia”, numa referência direta à região e à identidade que pretende valorizar.

“Não é o Francisco que tem os seus determinados gostos, que tem as suas determinadas convicções”, explica. “Uma terceira pessoa foi aqui criada neste mundo digital para que nesse próprio mundo consiga contar que existiu esta terra, existiram estas ações, para contar aqui essa história.”

Dez canções para contar uma história

O projeto começou por contemplar dez temas, mas a composição inicial acabou por sofrer alterações. Um dos temas (“Nasce o Povoado”) foi dividido em dois, levando a que a primeira fase do lançamento ficasse composta por nove canções.

A estratégia passou por disponibilizar os temas de forma faseada, um por dia, a partir de 1 de setembro, procurando criar continuidade e expectativa junto do público.

Entre as histórias abordadas encontra-se a de Ouguela e a queda do seu castelo perante as forças castelhanas. É precisamente este episódio que dá origem ao tema mais sombrio do projeto.

Para Francisco José Trindade, contar a história significa também abordar os momentos de derrota e sofrimento, e não apenas as vitórias. “Nem sempre de vitórias se fazem as guerras. Há muitas batalhas que ganhamos, mas também, infelizmente, há outras que perdemos”, afirma, dedicando a canção a todos aqueles que lutaram e contribuíram para a construção da nação.

“As muralhas não morrem”

Para evitar que o projeto terminasse com esse tom de tristeza, o autor decidiu acrescentar uma décima canção: “As Muralhas Não Morrem”. O tema funciona como um recap dos nove anteriores, recuperando elementos das diferentes histórias e concentrando a principal mensagem do projeto: a importância de preservar a memória e o património histórico.

Para Francisco José Trindade, as muralhas não devem ser vistas apenas como “umas pedras que estão ali empilhadas”. São parte da cultura, da história e da identidade coletiva.

O autor reconhece o trabalho desenvolvido na recuperação das fortificações e na criação de centros interpretativos, mas considera que também é necessário manter viva a memória através de iniciativas culturais que consigam chegar às novas gerações.

“É importante que na memória do povo haja quem também dê o seu pequeno contributo, levante a sua voz e, com a ajuda das ferramentas que tem ao seu dispor, consiga manter acesa a chama da cultura”, defende.

“Muralhas da Raia” assume-se, assim, como uma experiência que cruza história, música e tecnologia, procurando aproximar o passado do presente e levar episódios da história de Campo Maior e da região raiana a um público habituado a consumir cultura de formas cada vez mais rápidas e digitais.

Mais do que um álbum, que o autor prevê que venha a ter uma versão em inglês num futuro breve, o projeto pretende ser uma forma contemporânea de preservar e transmitir memória: lembrar de onde veio a região, o que viveu e como essas histórias continuam a fazer parte da identidade de quem hoje habita a Raia.

Os temas de Franky Da Raya estão disponíveis no YouTube e no Spotify.