PS Portalegre identifica prioridades para o Alto Alentejo e quer investimento a acontecer no terreno

A Federação Distrital de Portalegre do Partido Socialista definiu um conjunto de investimentos que considera prioritários para o Alto Alentejo e quer agora acompanhar, em cada caso, o que falta decidir, que financiamento é necessário e quais os próximos
passos para a sua concretização. A primeira prioridade está no horizonte de negociação do Orçamento de Estado para 2027, onde o PS pretende que sejam inscritos os investimentos prioritários para a região.

A posição foi definida pelo Secretariado da Federação na reunião de 7 de setembro e abrange investimentos com impacto em diferentes concelhos do distrito, nas áreas das acessibilidades, ferrovia, saúde, segurança, recursos hídricos e atividade económica.
Na ferrovia, para além da eletrificação e modernização da Linha do Leste, a Federação considera necessário avançar com a Plataforma Logística de Elvas e a estação internacional de passageiros, no quadro das ligações ferroviárias entre Portugal e Espanha.

O Empreendimento de Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Crato – Barragem do Pisão mantém-se entre as prioridades, incluindo a construção da nova aldeia e das infraestruturas hidráulicas para o fornecimento de água à ETA de Póvoa e Meadas. A Federação junta à conceção do Parque de Saúde da ULS Alto Alentejo a construção da nova Escola da GNR e do Comando Territorial, em Portalegre. Defende financiamento para a ampliação do Cluster Aeronáutico de Ponte de Sor. Considera necessária a avaliação dos impactos territoriais, ambientais e económicos do Campo de Tiro em Alter do Chão. Também as ligações rodoviárias e transfronteiriças fazem parte das prioridades identificadas. O PS Portalegre defende que seja garantida a execução da Ponte Internacional sobre o rio Sever, em Nisa, dentro dos prazos associados ao financiamento, e quer ver concluídos os projetos técnicos do IC13 e do IC9, incluindo a ligação do IC13 à A23, bem como da ligação por autoestrada entre a A6 e a A23.

“Muitos destes projetos são conhecidos e discutidos há vários anos. Não precisamos de voltar a explicar ao Alto Alentejo que são importantes. Precisamos de perceber o que falta fazer para que avancem e de exigir decisões onde elas ainda são necessárias. É esse
trabalho que queremos fazer, projeto a projeto”, afirmam os membros do Secretariado da Federação, presidido por Tiago Teotónio Pereira. A Federação Distrital irá desenvolver contactos políticos e institucionais sobre estas prioridades, procurando acompanhar o ponto de situação de cada investimento e defender, junto das entidades responsáveis, as decisões necessárias ao seu avanço.

Marvão Rock Fest: 20 anos depois, o rock regressa à Portagem com dois dias de música junto ao Rio Sever

A Portagem, no concelho de Marvão, prepara-se para receber, na sexta-feira e sábado, dias 11 e 12 de setembro, a primeira edição, organizada pela Associação Timbre d’Alvorada, do Marvão Rock Fest.

Frederico Borges, da Timbre d’Alvorada, explica que a realização do festival resulta de um sonho antigo e da convicção de que a Portagem reúne condições únicas para acolher um evento desta natureza. “Este é um sonho do miúdo que via festivais pela caixinha mágica há uns bons anos e sempre viu o potencial que a Portagem tinha para receber um festival com esta dinâmica. Neste momento as peças conjugaram-se todas e vamos lançar esta primeira edição”, afirma.

Apesar de esta ser a primeira edição organizada pela Associação Timbre d’Alvorada, Frederico Borges recorda que o nome Marvão Rock Fest já esteve associado a um festival realizado na Portagem em 2006. “Esta é a primeira edição, salvaguardando que já existiu há 20 anos, em 2006, um festival aqui com o mesmo nome, que, entretanto, deixou de existir e nós estamos a pegar no nome, sendo que nós estamos a organizá-lo pela primeira vez”, explica.

O responsável destaca ainda as características naturais da Portagem como um dos atrativos do festival, que terá lugar junto ao Rio Sever e à piscina fluvial. “Teremos aqui um campismo para acolher quem quer acampar. Isto fica junto à Portagem. Para quem não conhece, tem uma piscina fluvial espetacular, com uma água cristalina e uma vista espetacular também para o Castelo de Marvão”, refere.

Rock como aposta e ligação transfronteiriça

A organização assume uma aposta clara no rock, num momento em que o género tem perdido espaço em alguns festivais de música. “Nos festivais de hoje em dia, o rock está quase em desuso, mas não iremos por aí. Vamos apostar neste festival porque toda aqui a região está muito ligada ao rock”, sublinha o responsável.

Outra das apostas da organização passa pela dimensão transfronteiriça do evento, aproveitando a proximidade de Marvão com a Extremadura espanhola. “Isso foi sempre um ponto que deixámos assente em cima da mesa: que o festival fosse um festival transfronteiriço”, explica o responsável.

Nesse âmbito, o cartaz inclui a banda espanhola Bolsa de Moscas, de Badajoz, juntando-se a projetos provenientes de diferentes pontos de Portugal.

“Depois do panorama nacional temos bandas que já estão a rodar festivais, como Cortada, Sunflowers e temos a estreia de um novo projeto, Lovedust, com elementos veteranos de outros projetos, que vem do underground de Coimbra”, acrescenta.

Dois dias com 11 projetos musicais

O programa arranca na sexta-feira, dia 11 de setembro, com atuações de Lovedust, Ritmos Cholulteka, Birdzzie, Eustáquio Sound Máchine e Broken James. No sábado, dia 12, sobem ao palco Sunflowers, Bolsa de Moscas, Cortada, Klaus Und Hans, Carolina Zerbes e Abaltroz.

A organização espera recuperar também a memória associada à edição de 2006, que, segundo Frederico Borges, continua presente entre antigos participantes.

“É a primeira vez que nós organizamos o festival, sendo que pelo que nós temos recepcionado de informações, toda a gente está expectante da volta deste festival, porque na altura veio Wraygunn, veio Fonzi, vieram bandas que na altura estavam a começar e toda a gente adorou e acampou e há muitas memórias ligadas a este evento”, recorda.

Campismo gratuito e música junto à água

O festival pretende tirar partido da localização junto ao Rio Sever, permitindo aos visitantes acompanhar os concertos durante a tarde com acesso à zona balnear.

Segundo a organização, o campismo será selvagem e não necessita de reserva prévia, estando disponível desde as 9h00 de quarta-feira, dia 10 de setembro, até às 12h00 de domingo, dia 13.

Os detentores de pulseira terão ainda acesso aos balneários da Piscina Municipal de Portagem, à esplanada e a pontos de corrente elétrica gratuitos. A organização apela, contudo, ao civismo e ao respeito pelos espaços públicos.

Além da música, a entrada do festival contará durante os dois dias com artesanato, gastronomia e bebidas regionais.

A localização estratégica de Marvão, junto à fronteira com Espanha, é também apresentada pela organização como uma oportunidade para aproximar públicos e artistas dos dois lados da Península Ibérica.

Bilhetes a partir de oito euros

Os bilhetes podem ser adquiridos à porta do recinto. O passe para os dois dias tem um custo de 12 euros, enquanto o bilhete diário custa oito euros.

A organização disponibiliza também bilhetes através da See Tickets e informações atualizadas sobre horários e aquisição de entradas na página de Instagram do Marvão Rock Fest.

Joaquim Amante propõe atribuição do nome de José Manuel Rebolo Ferreira a sala da Casa António Sardinha

Joaquim Amante, em nome do anterior executivo da Junta de Freguesia de Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso, que liderou entre 2021 e 2025, apresentou ao presidente da Câmara Municipal de Elvas, José Rondão Almeida, uma proposta para a atribuição do nome de José Manuel Rebolo Ferreira a uma sala da recentemente requalificada Casa António Sardinha, na Quinta do Bispo.

A proposta pretende homenagear a memória de José Manuel Rebolo Ferreira, recentemente falecido, reconhecendo o seu percurso de várias décadas ao serviço da comunidade elvense, quer através da atividade autárquica, quer através da participação no movimento associativo local.

Segundo Joaquim Amante, a atribuição do nome a uma das salas da Casa António Sardinha surge também no seguimento de uma das propostas apresentadas durante a campanha eleitoral para a Junta de Freguesia. “Na nossa campanha eleitoral, quando nos apresentámos como candidatos à Junta de Freguesia de Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso, tínhamos idealizado levar uma extensão da Junta de Freguesia para aquele espaço e o Espaço Cidadão ou a Loja do Cidadão, o que conseguíssemos implementar”, explica à Rádio ELVAS. A proposta agora apresentada ao Município, e tendo em conta a implementação de um Espaço Cidadão naquele edifício, passa por aproveitar esse espaço para perpetuar o nome de José Manuel Rebolo Ferreira, que, para Joaquim Amante, era “uma pessoa emblemática na cidade” e merece “ter um espaço físico com o seu nome”.

José Manuel Ferreira foi presidente da Junta de Freguesia de Assunção durante vários anos, entre 1997 e 2013, tendo desempenhado também outras funções: foi tesoureiro no mandato de 2013 a 2017 e secretário entre 2021 e 2025.

O seu percurso ficou ainda marcado por ter sido membro do Movimento Cívico por Elvas e pelo envolvimento no movimento associativo da cidade, nomeadamente nos órgãos sociais de várias coletividades, entre as quais o Clube de Futebol “Os Elvenses”.

No documento enviado ao presidente da Câmara, Joaquim Amante destaca, para além do percurso institucional, a dimensão humana de José Manuel Ferreira, sublinhando o seu “extraordinário humanismo”, a humildade e a disponibilidade permanente para ajudar os outros.

“Ele tinha um coração enorme, estava sempre disponível para ajudar tudo e todos. Acho que é uma pessoa que merece, que é digna desta homenagem”, afirma Joaquim Amante.

Joaquim Amante acredita que proposta será aceite

Questionado sobre a possibilidade de a Câmara Municipal aceitar a proposta, Joaquim Amante mostrou-se confiante. “Na primeira abordagem que tivemos, acho que sim, acho que não vai haver inconveniente algum. Tudo indica que sim, não recebi nenhuma informação em contrário”, assegura.

O mentor da proposta considera ainda que existe uma relação de proximidade entre o presidente da Câmara e José Manuel Ferreira que poderá favorecer a aceitação da homenagem. “O presidente tem muito conhecimento com o José Manuel, que ele sempre acompanhou as campanhas políticas, tanto pelo PS como pelo Movimento (Cívico por Elvas). É uma pessoa que tinha muito carinho pelo José Manuel Ferreira e acho que faz todo o sentido e que ele aceita, de certeza, de bom grado”, acrescenta.

Para Joaquim Amante, a iniciativa pretende sobretudo manter viva a memória de uma personalidade que marcou a vida da freguesia e do concelho. “É mesmo esse o intuito”, afirma, defendendo que a homenagem permitirá imortalizar o nome de alguém que fez muito pela população da freguesia de Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso.

Da investigação histórica à inteligência artificial: assim nasceu o projeto musical “Muralhas da Raia”

A história de Campo Maior e da Raia ganha uma nova forma de ser contada através da música. “Muralhas da Raia”, projeto musical criado por Francisco José Trindade, recorre às novas tecnologias e à inteligência artificial para transformar episódios históricos, memórias e lendas da região em canções.

O projeto nasceu, segundo o autor, de uma “singela homenagem” à música, à história e à cultura locais. Embora inicialmente tivesse sido pensado para a literatura, nomeadamente para a criação de um livro, a evolução das ferramentas digitais permitiu-lhe encontrar na música um veículo mais acessível para transmitir a mensagem.

“Partindo de uma ideia de assumir o papel do letrista, não o letrista profissional, mas apenas o iniciante”, explica Francisco José Trindade, o objetivo passou por utilizar as ferramentas atualmente disponíveis para concretizar uma ideia que tinha vindo a desenvolver ao longo do tempo.

O resultado é um conjunto de dez temas que percorrem diferentes momentos da história da região, com particular incidência em Campo Maior (incluindo Ouguela), mas também noutros pontos da Raia, como Elvas.

Da investigação histórica para a música

Por detrás das letras está um trabalho de investigação desenvolvido ao longo dos anos. Francisco José Trindade recorreu a fontes online, bibliografia especializada, textos históricos e informação disponibilizada por instituições, mas também a visitas aos próprios locais históricos. As muralhas, castelos e fortificações da região assumem, por isso, um papel central no processo criativo.

“Muito mais importante do que apenas ler em livros, é vivermos e experienciarmos no local”, afirma, defendendo que o contacto direto com as pedras, as construções e a paisagem ajuda a imaginar as vivências de quem habitou aqueles espaços em épocas passadas.

A partir dessas pesquisas e experiências, o autor foi reunindo apontamentos e trabalhando as palavras com o objetivo de condensar episódios históricos em canções de apenas alguns minutos.

“Por trás de cada canção há uma mensagem que se pretende passar, há uma história que se pretende contar”, sublinha.

História contada ao ritmo dos novos tempos

A opção pela música está também relacionada com a necessidade de encontrar novas formas de chegar ao público, sobretudo às gerações mais jovens.

Francisco José Trindade considera que a sociedade atual é marcada pela rapidez e pela enorme quantidade de conteúdos disponíveis, sobretudo nas plataformas digitais. Nesse contexto, defende que os projetos culturais precisam de encontrar formas diferentes de captar a atenção.

“Temos que arranjar forma de transmitir a mensagem que queremos, mas tendo em conta sempre que o público tem pouco tempo para nos dispensar”, explica.

É nesse cenário que surge a utilização da inteligência artificial como ferramenta de criação e como forma de democratizar o acesso à produção musical.

Para o autor, as novas tecnologias permitem que alguém sem formação profissional na área possa desenvolver um projeto, partindo de uma ideia e de conhecimentos básicos de composição e escrita.

“Franky da Raia”, uma personagem para contar a história

O projeto não é, contudo, apresentado em nome de Francisco José Trindade. O autor optou pelo pseudónimo “Franky da Raia”, criando uma espécie de personagem para assumir a vertente musical e histórica do projeto.

A escolha resulta, em parte, do nome “Frank”, pelo qual era conhecido em experiências anteriores no mundo digital, ao qual acrescentou “da Raia”, numa referência direta à região e à identidade que pretende valorizar.

“Não é o Francisco que tem os seus determinados gostos, que tem as suas determinadas convicções”, explica. “Uma terceira pessoa foi aqui criada neste mundo digital para que nesse próprio mundo consiga contar que existiu esta terra, existiram estas ações, para contar aqui essa história.”

Dez canções para contar uma história

O projeto começou por contemplar dez temas, mas a composição inicial acabou por sofrer alterações. Um dos temas (“Nasce o Povoado”) foi dividido em dois, levando a que a primeira fase do lançamento ficasse composta por nove canções.

A estratégia passou por disponibilizar os temas de forma faseada, um por dia, a partir de 1 de setembro, procurando criar continuidade e expectativa junto do público.

Entre as histórias abordadas encontra-se a de Ouguela e a queda do seu castelo perante as forças castelhanas. É precisamente este episódio que dá origem ao tema mais sombrio do projeto.

Para Francisco José Trindade, contar a história significa também abordar os momentos de derrota e sofrimento, e não apenas as vitórias. “Nem sempre de vitórias se fazem as guerras. Há muitas batalhas que ganhamos, mas também, infelizmente, há outras que perdemos”, afirma, dedicando a canção a todos aqueles que lutaram e contribuíram para a construção da nação.

“As muralhas não morrem”

Para evitar que o projeto terminasse com esse tom de tristeza, o autor decidiu acrescentar uma décima canção: “As Muralhas Não Morrem”. O tema funciona como um recap dos nove anteriores, recuperando elementos das diferentes histórias e concentrando a principal mensagem do projeto: a importância de preservar a memória e o património histórico.

Para Francisco José Trindade, as muralhas não devem ser vistas apenas como “umas pedras que estão ali empilhadas”. São parte da cultura, da história e da identidade coletiva.

O autor reconhece o trabalho desenvolvido na recuperação das fortificações e na criação de centros interpretativos, mas considera que também é necessário manter viva a memória através de iniciativas culturais que consigam chegar às novas gerações.

“É importante que na memória do povo haja quem também dê o seu pequeno contributo, levante a sua voz e, com a ajuda das ferramentas que tem ao seu dispor, consiga manter acesa a chama da cultura”, defende.

“Muralhas da Raia” assume-se, assim, como uma experiência que cruza história, música e tecnologia, procurando aproximar o passado do presente e levar episódios da história de Campo Maior e da região raiana a um público habituado a consumir cultura de formas cada vez mais rápidas e digitais.

Mais do que um álbum, que o autor prevê que venha a ter uma versão em inglês num futuro breve, o projeto pretende ser uma forma contemporânea de preservar e transmitir memória: lembrar de onde veio a região, o que viveu e como essas histórias continuam a fazer parte da identidade de quem hoje habita a Raia.

Os temas de Franky Da Raya estão disponíveis no YouTube e no Spotify.

Nuno Mocinha assume presidência da EuroBEC

Elvas assumiu esta segunda-feira, 7 de setembro, a presidência da Eurocidade Badajoz-Elvas-Campo Maior (EuroBEC), num ato que reuniu os representantes dos três municípios que integram esta estrutura de cooperação transfronteiriça.

A transferência da presidência decorre do Protocolo de Cooperação da EuroBEC, que estabelece uma presidência rotativa, por períodos de um ano, entre os municípios de Badajoz, Elvas e Campo Maior. Com esta mudança, a presidência passa a ser assumida pelo presidente da Câmara Municipal de Elvas.

No âmbito das competências delegadas e do acompanhamento dos assuntos relacionados com a EuroBEC, José Rondão Almeida delegou no vice-presidente da Câmara Municipal de Elvas, Nuno Mocinha, a representação do Município nesta estrutura, assumindo este as funções de presidente da Eurocidade.

A nova composição mantém a representação dos três municípios, com o alcalde de Badajoz, Ignacio Gragera, e o presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, Luís Rosinha, a assumirem as respetivas vice-presidências.

A ocasião serviu igualmente para abordar diversos assuntos de interesse comum para Elvas, Badajoz e Campo Maior, bem como para analisar linhas de trabalho conjunto e iniciativas que permitam continuar a reforçar a cooperação entre os três territórios.

A presidência agora assumida por Elvas pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido no âmbito da EuroBEC, aprofundando a cooperação transfronteiriça e promovendo uma atuação concertada em áreas estratégicas para os três municípios e para as populações dos dois lados da fronteira.

A EuroBEC constitui uma plataforma privilegiada para o desenvolvimento de projetos conjuntos e para o reforço das relações históricas, económicas, sociais, culturais e institucionais entre Elvas, Badajoz e Campo Maior, contribuindo para afirmar este território transfronteiriço como um espaço comum de oportunidades e desenvolvimento.

Vila Viçosa volta a vestir-se de festa: Capuchos trazem seis dias de tradição e música

Prometendo seis dias de animação, tradição e reencontros, as emblemáticas Festas dos Capuchos estão de regresso a Vila Viçosa, entre quinta e terça-feira, de 10 a 15 de setembro.

O programa arranca na quinta-feira, com as tradicionais caminhada e abertura do barril, e prolonga-se ao longo de seis dias, com uma programação que cruza música, cerimónias religiosas, atividades tauromáquicas e fogo de artifício.

Em declarações à Rádio ELVAS, o vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa, Tiago Salgueiro, destaca a importância das festas para a identidade local e para o reencontro da comunidade calipolense, considerando o evento uma referência não só no concelho, mas em toda a região.

“As Festas dos Capuchos são uma referência já a nível do Alentejo e, portanto, são sempre um momento em que os calipolenses regressam a casa. Para além desse momento de partilha, temos vindo a desenvolver um conjunto de iniciativas do ponto de vista cultural e de animação que considero relevantes e que acabam por deixar a sua marca no calendário anual de atividades”, afirma o autarca.

A tradição continua, assim, a ocupar um lugar central na programação, com destaque para as emblemáticas largadas de touros na Praça da República e os espetáculos musicais.

“Vamos manter aquilo que é a tradição das nossas festas, com as largadas de touros, com o vasto programa cultural que também acaba por envolver a nossa comunidade e as associações da terra e do concelho. O que se pretende é gerar esse convívio e celebrar também aquilo que é a nossa tradição”, sublinha Tiago Salgueiro.

Com origens que remontam ao século XIX, as Festas dos Capuchos são uma das mais antigas e emblemáticas celebrações do concelho. Para o vice-presidente da autarquia, preservar este património imaterial é essencial para reforçar a identidade calipolense e manter viva uma tradição que atravessa gerações.

“As festas são seculares, tiveram o seu início em meados do século XIX e são também uma referência. Aquilo que queremos é realmente manter essa tradição, que remete para a nossa identidade local. Não basta termos apenas os monumentos; somos também conhecidos pela hospitalidade dos calipolenses. A altura dos Capuchos é a altura de receber as pessoas que aqui se deslocam”, refere.

Na vertente musical, o palco das Festas dos Capuchos recebe, este ano, Zé Pedro Sousa, na quinta-feira, na noite da abertura do barril; Chaíto y Palosanto, na sexta-feira; Badoxa, no sábado; Vitor Kley, no domingo; e Emanuel, na segunda-feira.

As festividades terminam na terça-feira, com uma garraiada durante a tarde, na Praça da República, encerrando mais uma edição de uma das celebrações mais marcantes do calendário festivo de Vila Viçosa.

A programação completa das Festas dos Capuchos pode ser consultada aqui.

O verão termina, as memórias ficam: o balanço de mais de dois meses de ATL da Arkus

Com as férias de verão a chegarem ao fim, o ATL da Arkus prepara-se para encerrar mais uma edição marcada pela animação, pela descoberta e pela forte adesão das famílias de Elvas.

A iniciativa, que arrancou em julho, termina na próxima sexta-feira, dia 11 de setembro, e contou este ano com mais de meia centena de crianças, um número superior ao registado em edições anteriores. Devido à elevada procura, a Arkus viu-se mesmo obrigada a limitar o número de inscrições.

Melanie Carona, uma das responsáveis pelo ATL, destaca a forte adesão à iniciativa e a satisfação manifestada pelas famílias. “Eu acho que é um balanço muito positivo, como é todos os anos. Este ano tivemos muita procura, foi muito complicado. Nós queríamos aceitar mais crianças, mas não conseguíamos”, afirma.

Para além da resposta dada às famílias, a responsável salienta o ambiente vivido ao longo do verão entre crianças e monitoras. “Tem sido muito divertido, tanto para eles como para nós. Lá está, nós acabamos por ser também um bocadinho crianças e acho que é isso que marca a diferença e eles sentem-se bem”, refere, acrescentando que o feedback recebido por parte dos pais tem sido “muito positivo”.

O crescimento do número de participantes levou também ao reforço da equipa. “Tivemos entre 50 a 60 crianças, ou seja, foi um ano que subiu muito o número de participantes, daí também termos mais colaboradoras connosco”, explica Melanie Carona.

Uma das particularidades deste período de férias prende-se ainda com a necessidade de dar resposta às famílias durante o mês de agosto, altura em que muitos infantários encerram. Segundo a responsável, isso levou à participação de crianças mais pequenas, sobretudo durante a primeira quinzena.

Ao longo do verão, o ATL procurou proporcionar um programa diversificado, conciliando momentos de lazer com atividades de caráter educativo e cultural. Entre as propostas estiveram idas à piscina, visitas aos monumentos de Elvas, deslocações à biblioteca, jogos aquáticos, jogos dramáticos e as mais diversas atividades realizadas nas instalações da Arkus.

As tardes de sexta-feira ficaram sempre reservadas para as sessões de cinema, enquanto outras iniciativas procuraram introduzir as crianças a experiências diferentes. Foi o caso de uma “manhã tecnológica” e de uma tarde dedicada às consolas dos anos 90.

“Ir à piscina é sempre o momento preferido deles”, reconhece Melanie Carona, mas a responsável sublinha a importância de oferecer “um leque grande de ofertas” para manter as crianças envolvidas e proporcionar-lhes novas experiências.

A Arkus prepara agora os últimos momentos desta edição do ATL. Para o encerramento, está prevista a tradicional noite do pijama, que este ano terá será “um bocadinho diferente”. “Vamos fazer um acampamento, portanto está tudo ansioso, tanto monitoras como crianças”, revela Melanie Carona.

Com a aproximação do final da iniciativa, a responsável faz um balanço marcado pela satisfação e pelo orgulho no trabalho desenvolvido. O objetivo, garante, passa por proporcionar às crianças momentos de diversão, mas também oportunidades de aprendizagem e descoberta durante as férias escolares.

“Temos tentado dar o nosso melhor. Portanto, momentos divertidos, mas também de alguma forma de aprendizagem”, conclui.

Academia Sénior da CURPI de Campo Maior prepara novo ano letivo com “força” e “vontade”

A Academia Sénior da CURPI de Campo Maior prepara o arranque de mais um ano letivo, com o regresso das aulas e das diversas atividades previstas para a partir de outubro.

O projeto, que reúne sobretudo senhoras com mais de 60 anos, volta a apostar num conjunto diversificado de iniciativas destinadas a promover o convívio, a aprendizagem e a participação ativa da população sénior.

Anselmina Caldeirão, presidente da direção da CURPI, explica que setembro é ainda um mês de preparação, estando o início oficial do novo ano letivo previsto para outubro. “Temos ainda setembro, que nós começamos o ano letivo, normalmente, em outubro e, nessa altura, vamos iniciar outra vez com força, com vontade e ter outras iniciativas”, afirma.

Ao longo do ano, a Academia Sénior participa também em diversas atividades e iniciativas, respondendo aos convites e solicitações que lhe são dirigidos. Segundo a responsável, as alunas têm demonstrado uma forte disponibilidade para participar e representar a instituição. “A Academia participa em diversas atividades, em tudo aquilo que é solicitada. As alunas estão sempre dispostas a dar uma resposta e sempre com boa disposição”, sublinha Anselmina Caldeirão.

A presidente da direção da CURPI deixa ainda uma palavra de reconhecimento às participantes, destacando a sua energia e vontade de continuar envolvidas nas atividades da Academia Sénior. “Eu agradeço do fundo do coração que elas continuem sempre com esta grande força de vontade”, conclui.

Com o novo ano letivo a aproximar-se, a CURPI espera, assim, dar continuidade a um projeto que tem nas suas participantes o principal motor, mantendo uma agenda de atividades e aulas que contribuem para o envelhecimento ativo e para o reforço dos laços de convívio entre as alunas.

Cágados de Portugal: como os podemos proteger? No “Ambiente em FM” a Quercus explica

O programa Ambiente em FM desta semana dá a conhecer o primeiro Guia de Campo dos Cágados de Portugal, uma nova ferramenta destinada a ajudar a população a identificar estes répteis de água doce. Descubra a importância de proteger as espécies nativas e saiba quais são as principais ameaças que estes animais enfrentam no nosso território.

Portugal acolhe onze espécies de tartarugas de água doce, mas apenas duas são autóctones: o cágado-de-carapaça-estriada e o cágado-mediterrânico. A introdução de espécies exóticas por ação humana representa um dos maiores perigos para estes animais, uma vez que o surgimento de populações invasoras gera uma competição direta por alimento e abrigo, empurrando os cágados nativos para o declínio. Somam-se a este cenário adverso outros riscos graves como a poluição, o atropelamento e a destruição contínua das zonas húmidas. O agravamento das alterações climáticas, acompanhado por períodos prolongados de seca e temperaturas elevadas, ameaça reduzir ainda mais os ecossistemas aquáticos fundamentais para a sobrevivência e reprodução destas espécies

Tudo para saber sobre o assunto com José Janela, da Quercus. O programa desta semana para ouvir, na íntegra, no podcast abaixo:

19,4 valores de média no acesso ao Ensino Superior. E agora? Afonso Pires conta como escolheu o futuro

Afonso Pires, de Elvas, concluiu o ensino secundário com uma média de 19,4 valores, um resultado que lhe abriu as portas para qualquer opção no ensino superior.

Antigo aluno da Escola Secundária de D. Sancho II, o jovem elvense vai agora prosseguir os estudos na capital, onde ingressou na licenciatura em Matemática Aplicada à Economia e à Gestão, no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) da Universidade de Lisboa. A escolha surge depois de ponderar várias áreas, entre elas Engenharia Aeroespacial e Medicina, num processo de decisão que, confessa, não foi fácil.

Em entrevista à Rádio ELVAS, Afonso admite que, quando entrou no ensino secundário, nunca imaginou alcançar uma classificação final tão elevada. “Nunca pensei de início, quando cheguei ao secundário, que iria acabar com esta média”, confessa. O resultado foi fruto, segundo explica, de muito trabalho e de uma estratégia de estudo organizada, mas também da capacidade de encontrar um equilíbrio entre a escola e a vida pessoal.

“Procurei sempre trabalhar bastante, estudar, embora sempre tentando estudar de maneira minuciosa, estudar aquilo que é preciso e saber também gerir o tempo livre”, afirma.

Para Afonso, estudar muitas horas não é, por si só, garantia de bons resultados. O jovem considera fundamental manter uma vida equilibrada, com espaço para convívio e outras atividades. “Não podemos limitar-nos a estudar porque isso prejudica-nos. É preciso que mantenhamos uma vida social e outras atividades para conseguirmos ter mais energia para estudar e conseguir melhores resultados”, defende.

Uma evolução ao longo do secundário

Embora já fosse um bom aluno no terceiro ciclo, Afonso reconhece que a entrada no secundário representou uma mudança significativa. O novo ritmo de trabalho e a importância das classificações na construção da média trouxeram inicialmente algumas dúvidas.

Ainda assim, o percurso foi de crescimento contínuo. As notas foram melhorando do 10.º para o 11.º ano e, posteriormente, para o 12.º ano, até atingir os 19,4 valores finais. O jovem rejeita, por isso, a existência de uma “fórmula mágica” para alcançar bons resultados.

“Cada um de nós tem que se adaptar àquilo que melhor resulta para cada um. Não há um método universal que resulte para toda a gente”, considera.

A pressão para manter as classificações, essa sim, acabou por fazer parte do percurso. Mas Afonso garante que nunca sentiu uma exigência especial por parte dos pais. “A pressão que depois eventualmente senti é a pressão de manter as notas”, explica.

Entre Matemática, Letras e muitas dúvidas

Com uma média de 19,4 valores, Afonso tinha praticamente todas as portas abertas. A escolha do curso acabou, porém, por não ser fácil.

O jovem elvense sempre revelou interesse por áreas distintas, tanto pelos números como pelas letras, o que tornou a decisão ainda mais complexa.

Entre as possibilidades esteve a Engenharia Aeroespacial, área pela qual sente interesse, e até Medicina, uma opção frequentemente associada aos alunos com médias muito elevadas.

No entanto, acabou por concluir que a área da Saúde não correspondia tanto à sua vocação e teve também algumas reservas quanto à possibilidade de seguir Engenharia Aeroespacial.

A escolha recaiu no curso de Matemática Aplicada à Economia e à Gestão, sobretudo pela sua versatilidade. “Escolhi este curso pelo facto de ter uma grande versatilidade de saídas e ter realmente várias hipóteses que posso vir a seguir no futuro”, explica.

Consultoria, análise de risco, economia, gestão e até áreas relacionadas com a matemática e investigação estão entre as possibilidades profissionais que o curso poderá proporcionar.

“O importante é seguirmos o nosso sonho”

Afonso deixa também uma mensagem para outros jovens que, perante uma média elevada, possam sentir-se pressionados a escolher um determinado curso superior. Na sua perspetiva, ter boas notas não deve significar seguir obrigatoriamente Medicina, Engenharia ou outra área tradicionalmente associada ao sucesso escolar.

“O que é importante é seguirmos o nosso sonho, a nossa vocação, aquilo que achamos que é melhor para nós”, sublinha.

O próprio é exemplo dessa indecisão. Apesar do excelente desempenho escolar, admite que chegou ao final do secundário sem ter uma profissão ou área perfeitamente definida. Quando era criança chegou a imaginar-se ator, mas nunca teve uma ideia concreta sobre aquilo que queria fazer no futuro.

Afonso considera que esta dificuldade é natural, tendo em conta a idade dos jovens quando são chamados a tomar uma das primeiras grandes decisões sobre o seu futuro.

Uma nova etapa em Lisboa

A entrada no ensino superior representa agora uma mudança significativa. Afonso já esteve em Lisboa, onde teve os primeiros contactos com a nova realidade académica durante a semana de receção.

A primeira impressão foi positiva e o jovem mostra-se confiante para enfrentar a nova etapa, embora reconheça o inevitável nervosismo perante uma mudança tão importante. “É uma mudança muito grande nas nossas vidas”, afirma.

Quanto ao futuro depois da licenciatura, todas as hipóteses continuam em aberto. Ficar em Portugal, procurar uma oportunidade no estrangeiro, permanecer em Lisboa ou regressar ao Alentejo são possibilidades que Afonso ainda não exclui.

Por enquanto, prefere seguir uma etapa de cada vez. A licenciatura será apenas o primeiro passo, podendo depois optar por diferentes mestrados e áreas de especialização.

Sem fórmulas mágicas, sem uma profissão previamente definida e sem medo de admitir dúvidas, Afonso Pires inicia assim uma nova etapa com uma certeza: há muitas portas abertas e tempo para descobrir qual delas quer atravessar.