Festas do Povo de Campo Maior chegaram ao fim com cerimónia de encerramento

As Festas do Povo de Campo Maior chegaram ao fim este domingo, 16 de agosto, com a Cerimónia de Encerramento, realizada no Jardim Municipal.

O momento marcou o encerramento de mais uma edição desta tradição única, que voltou a encher as ruas de Campo Maior com milhares de flores de papel, envolvendo a comunidade na preparação e decoração de 93 artérias da vila.

Durante a cerimónia decorreu ainda, de forma simbólica, a queima de uma flor de cada rua, assinalando o fim das Festas do Povo de 2026.

A iniciativa contou com a participação dos cabeças de rua, que desta forma representaram todos aqueles que, ao longo dos últimos meses, contribuíram para manter viva uma tradição que atravessa gerações e que constitui uma das principais marcas culturais de Campo Maior.

As Festas do Povo voltam a afirmar-se, assim, como um momento de união da comunidade e de valorização do património cultural local, depois de vários dias em que Campo Maior recebeu visitantes de diferentes pontos do país e do estrangeiro.

João Manuel Nabeiro deixa mensagem de gratidão no encerramento das Festas do Povo

Gratidão foi a palavra escolhida por João Manuel Nabeiro para fazer o balanço das Festas do Povo de Campo Maior 2026, destacando o trabalho da população, dos cabeças-de-rua e o envolvimento dos visitantes ao longo da edição.

«Gratidão será a palavra que vou expressar. Gratidão ao povo de Campo Maior, aos cabeças-de-rua, que fizeram trabalhos excecionais, e aos nossos visitantes», afirmou o presidente da Associação das Festas do Povo.

João Manuel Nabeiro referiu-se ainda aos visitantes como «forasteiros», expressão tradicionalmente utilizada em Campo Maior, sublinhando que cada passagem pela vila fica na memória da população.

O responsável considerou que as Festas do Povo decorreram «com uma enorme normalidade», salientando o trabalho conjunto desenvolvido pela Associação das Festas do Povo, Câmara Municipal e pelas várias entidades envolvidas na organização.

Restauro da Natureza em Portugal quer ouvir os cidadãos, no programa “Ambiente em FM”

O programa Ambiente em FM desta semana destaca a consulta pública do Plano Nacional de Restauro da Natureza, o documento que vai orientar a recuperação dos ecossistemas degradados no país nos próximos anos. Descubra a importância da participação de todos neste processo que visa cumprir o novo Regulamento Europeu e tornar o território mais resiliente aos desafios climáticos.

Este plano estratégico estabelece as diretrizes para recuperar rios, florestas, zonas húmidas, estuários e áreas agrícolas em Portugal. Entre as prioridades propostas pelo Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS) destacam-se a definição de metas claras, financiamento adequado, acompanhamento científico e o foco prioritário em soluções baseadas na própria natureza.

A aposta no restauro ecossistémico — através da proteção de turfeiras, da plantação de espécies autóctones e do aumento da cobertura arbórea nas cidades — traz benefícios diretos para toda a sociedade. A recuperação destes habitats permite reter carbono, mitigar os efeitos de cheias e secas, arrefecer os centros urbanos durante ondas de calor e assegurar a preservação da biodiversidade nacional.

Tudo para saber sobre o assunto com José Janela, da Quercus. O programa desta semana para ouvir, na íntegra, no podcast abaixo:

Guérin vence Volta a Portugal e Rui Oliveira triunfa nos Aliados

Alexis Guérin é o vencedor da 87.ª edição da Volta a Portugal Jogos Santa Casa, que terminou este domingo, no Porto.

O corredor francês, de 34 anos, confirmou a Camisola Amarela após 11 dias de competição, terminando com um minuto e dois segundos de vantagem sobre o colega de equipa Artem Nych. Pedro Silva, da Feira dos Sofás-Boavista, fechou o pódio.

A vitória de Guérin faz história: é a primeira vez, em 87 edições, que um ciclista francês conquista a Volta a Portugal. O corredor da Anicolor/Campicarn levou ainda a Camisola Azul Continente, da classificação da montanha.

A equipa soma, assim, a terceira vitória consecutiva na Grandíssima, depois dos triunfos de Artem Nych nas duas edições anteriores.

Rui Oliveira vence em casa

Na última etapa, entre a Maia e o Porto, Rui Oliveira foi o grande vencedor. O ciclista português da UAE Team Emirates XRG triunfou na Avenida dos Aliados, perante o público da sua cidade, conquistando a primeira vitória como profissional no ciclismo de estrada.

Rui Oliveira foi um dos corredores mais ativos ao longo da Volta e, depois de ter estado perto do triunfo em várias ocasiões, conseguiu finalmente levantar os braços em casa. A vitória permitiu-lhe também confirmar a Camisola Laranja Galp, da classificação por pontos.

O corredor dedicou o triunfo à família de Finlay Tarling, o jovem ciclista britânico que morreu na sequência de um acidente durante esta edição da Volta.

A última etapa, com 136,9 quilómetros, ligou a Maia ao Porto e incluiu um circuito entre o Porto e Vila Nova de Gaia. A Avenida dos Aliados recebeu a consagração final da prova, sendo esta a décima vez que a cidade do Porto acolheu a etapa decisiva e a primeira desde 2019.

Uma fuga de cinco corredores animou a primeira parte da tirada, mas acabou alcançada pelo pelotão já na aproximação ao circuito final. Diogo Narciso ainda tentou uma nova fuga, sem sucesso, e o triunfo acabou por ser decidido ao sprint, com Rui Oliveira a superiorizar-se à concorrência.

Nas restantes classificações, Adrià Pericas confirmou o potencial demonstrado ao longo da prova e conquistou a Camisola Branca Paredes Rota dos Móveis, da Juventude.

A 87.ª Volta a Portugal fica marcada pelos feitos desportivos, pela histórica vitória de Alexis Guérin e pelo primeiro triunfo profissional de Rui Oliveira, mas também pela morte de Finlay Tarling e pelas questões de segurança que marcaram esta edição.

O Porto foi ainda o primeiro município a anunciar oficialmente a intenção de integrar o percurso da Volta a Portugal em 2027, ano em que a prova celebra o seu centenário. O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, afirmou que quer que a cidade faça parte desse momento histórico.

Graça Amiguinho candidata coletânea de contos sobre a história de Elvas ao Orçamento Participativo

A escritora elvense Graça Amiguinho surge entre os 14 candidatos à edição deste ano do Orçamento Participativo de Elvas, com o projeto “Elvas nas Brumas do Tempo”, uma obra literária que pretende dar a conhecer a história, as figuras e o património do concelho através de contos inspirados em factos históricos e ficção.

Em entrevista, a autora explica que a ideia nasceu da vontade de valorizar a identidade local através da literatura: “Escrevo há muitos anos e senti que a história, as pessoas e o património de Elvas mereciam ser conhecidos através da literatura.”

Treze contos para contar a história de Elvas

O projeto reúne 13 contos, cada um dedicado a uma personagem ou a um tema ligado à história do concelho, permitindo ao leitor viajar por diferentes épocas, desde a Idade Média até períodos mais recentes. Inicialmente concebida como um único livro com cerca de 500 páginas, a obra acabou por ser dividida em vários volumes para facilitar a leitura e a publicação.

Entre as figuras retratadas encontram-se António Tomás Pires, António Sardinha, José da Silva Picão e Públia Hortênsia de Castro. As histórias incluem também referências ao património material e imaterial de Elvas, como o Aqueduto da Amoreira, o Castelo, o Forte da Graça, a Ponte de Ajuda, a romaria do Senhor Jesus da Piedade e tradições populares das freguesias do concelho.

Segundo Graça Amiguinho, a componente ficcional surge para tornar a leitura mais apelativa, sem perder o rigor histórico. “Procuro ter conhecimentos da realidade, mas depois floreio as histórias. A imaginação é a mãe de um escritor”, assegura.

Preservar a memória através da literatura

A autora sublinha que o principal objetivo do projeto não passa pela vitória no Orçamento Participativo, mas sim pela divulgação da história e das tradições de Elvas junto de diferentes públicos.

“O meu objetivo não é vencer este concurso. O meu objetivo é que estes contos cheguem aos leitores e os ajudem a valorizar a memória da nossa cidade”, garante.

Graça Amiguinho considera que a coleção poderá ser utilizada em escolas, centros de dia e outras instituições, aproximando crianças, jovens e idosos do património histórico e cultural do concelho. Ao longo das histórias são retratadas as aldeias do concelho, os seus habitantes, tradições, costumes e acontecimentos marcantes que fazem parte da identidade elvense.

História e ficção de mãos dadas

Ao longo da obra são abordados episódios marcantes da história local, como a construção do Aqueduto da Amoreira, as Guerras da Restauração, a Guerra das Laranjas, a perda de Olivença e a batalha das Linhas de Elvas, sempre acompanhados por narrativas ficcionadas que procuram despertar o interesse do leitor.

A escritora explica que realiza uma investigação histórica rigorosa antes de escrever cada conto, procurando garantir a fidelidade aos factos, embora recorra à imaginação para construir personagens, diálogos e enredos que tornem a leitura mais envolvente.

Um projeto de 25 mil euros

O projeto apresenta um orçamento de 25 mil euros, destinado à edição de mil exemplares da obra. Apesar de reconhecer as dificuldades do processo de votação online do Orçamento Participativo, Graça Amiguinho mostra-se satisfeita por poder apresentar a sua proposta aos elvenses.

Caso o projeto não seja o mais votado, garante que continuará a procurar alternativas para concretizar a publicação: “Acho que é uma obra que não se pode perder. É a história da nossa terra, das nossas gentes, das nossas tradições e do nosso futuro”

Uma mensagem para o futuro

Entre os contos encontra-se ainda uma narrativa dedicada à Eurocidade Elvas – Campo Maior – Badajoz, estabelecendo uma ligação entre o passado e a cooperação transfronteiriça, que a autora considera fundamental para o futuro da região.

No final da entrevista, Graça Amiguinho deixa uma mensagem aos elvenses, destacando a importância de preservar a memória coletiva: “Um povo que conhece a sua história caminha com mais segurança para o futuro. O meu convite é para que todos descubram em Elvas nas Brumas do Tempo uma janela aberta para a nossa história. Se, depois de lerem estas histórias, olharem para Elvas com um pouco mais de orgulho e curiosidade, então o meu trabalho terá valido a pena.”

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

Urgência de Obstetrícia do Hospital de Portalegre volta a encerrar: MDM exige respostas imediatas

O Núcleo de Portalegre do Movimento Democrático de Mulheres (MDM) manifesta a sua profunda preocupação face ao novo encerramento da Urgência de Obstetrícia do Hospital de Portalegre, previsto até ao próximo dia 18 de agosto, denunciando uma situação que compromete gravemente os direitos das mulheres no distrito.

A maternidade não pode fechar quando mais precisamos dela. A interrupção recorrente deste serviço essencial coloca em risco a saúde e a vida de grávidas e bebés, obrigando a deslocações longas, inseguras e muitas vezes realizadas em momentos críticos.

 Os encerramentos intermitentes das urgências obstétricas geram incerteza e angústia no momento do parto, aumentam o risco para grávidas e recém-nascidos, reforçam as desigualdades territoriais no acesso à saúde e configuram situações de violência obstétrica estrutural.  

Para o MDM, a saúde das mulheres não pode depender do código postal. O acesso a cuidados de saúde materna de qualidade deve ser garantido em todo o território nacional, em condições de proximidade, segurança e dignidade.

Perante esta situação, o Núcleo de Portalegre do MDM exige:

  • Um Serviço Nacional de Saúde público, universal e gratuito, devidamente reforçado
  • A abertura permanente (24h/dia, todos os dias) das urgências obstétricas
  • A contratação urgente de profissionais de saúde
  • O fim dos encerramentos rotativos de serviços
  • A valorização do planeamento familiar e da saúde materna como prioridade política

O MDM reafirma o seu compromisso na defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e apela à mobilização da população e das entidades responsáveis para pôr fim a esta situação inaceitável.

Nem um direito a menos. Todos os direitos para todas!

Prorrogação de Almaraz sossega e garante milhões aos municípios do entorno, para desespero dos ambientalistas

A Central Nuclear de Almaraz vai continuar a funcionar até 8 de junho de 2030, depois de o Governo espanhol ter aprovado a renovação da autorização de exploração das duas unidades da central. A decisão prolonga em cerca de três anos a atividade da instalação, cuja primeira unidade tinha o encerramento previsto para novembro de 2027 e a segunda para outubro de 2028. A autorização foi concedida depois de um parecer favorável do Conselho de Segurança Nuclear (CSN) e na sequência do pedido apresentado pelas empresas proprietárias — Iberdrola, Endesa e Naturgy.

O Governo espanhol justifica a decisão com a necessidade de reforçar a segurança do abastecimento elétrico num contexto internacional marcado pela volatilidade dos preços da energia, nomeadamente devido à guerra no Médio Oriente e à situação na Ucrânia. O Executivo garante que a prorrogação não representa custos adicionais para os consumidores nem benefícios fiscais para as empresas proprietárias e assegura que, por enquanto, não altera o calendário nacional de encerramento das restantes centrais nucleares, previsto para ficar concluído em 2035. Almaraz representa cerca de 7% do consumo de eletricidade espanhol e assegura aproximadamente 4.000 empregos diretos e indiretos na região.

A continuidade da central representa também uma importante garantia financeira para os municípios da sua área de influência. As 12 localidades situadas num raio de dez quilómetros da instalação recebem receitas através do Imposto sobre Bens Imóveis de Características Especiais (BICE), do Imposto sobre Atividades Económicas (IAE) e de verbas da Enresa, entidade responsável pela gestão dos resíduos radioativos e pelo futuro desmantelamento das instalações. No conjunto, estas receitas rondam os 15 milhões de euros anuais, sendo cerca de 12 milhões associados diretamente a impostos e contribuições locais.

Estes recursos assumem particular importância para municípios do Campo Arañuelo, onde a atividade da central tem um peso significativo na economia e no emprego. Estudos sobre o impacto socioeconómico do encerramento de Almaraz apontam para uma quebra muito expressiva das receitas municipais e para consequências no emprego e na população da zona envolvente caso a central fosse encerrada.

A prorrogação surge, contudo, num momento em que está em causa outra importante fonte de receita para a Extremadura: a chamada ecotaxa sobre as instalações elétricas, que incide sobre a atividade da central e que representa dezenas de milhões de euros anuais para os cofres da Junta da Extremadura. O acordo de Governo entre o Partido Popular e o Vox prevê a redução progressiva deste imposto em 30% por ano, com o objetivo de o eliminar durante a atual legislatura. A receita anual associada à ecotaxa de Almaraz é estimada em valores que podem atingir cerca de 82 a 90 milhões de euros, dependendo dos cálculos e dos exercícios considerados.

A situação cria, assim, um contraste para a região: a central continuará a gerar atividade económica, emprego e receitas municipais pelo menos até 2030, mas uma parte significativa da receita fiscal regional poderá desaparecer progressivamente. O acordo entre PP e Vox prevê ainda a criação de mecanismos destinados a canalizar recursos para o desenvolvimento socioeconómico, infraestruturas, emprego e habitação na área de influência da central.

A decisão de prolongar o funcionamento de Almaraz foi recebida com satisfação pela população local. Uma reportagem publicada este domingo pelo El País mostra o ambiente de alívio vivido no município de Almaraz, onde a central é considerada fundamental para a economia local. Moradores e trabalhadores defendem que os três anos adicionais são importantes para preservar emprego e atividade económica e alguns já admitem que a luta pela continuidade poderá prosseguir depois de 2030.

Mas a decisão também está a gerar contestação. A associação ambientalista Adenex anunciou que vai avançar com um recurso contencioso-administrativo contra a prorrogação, considerando a decisão grave e criticando a política energética seguida pelo Governo. Os ambientalistas defendem que a extensão da vida da central poderá travar o desenvolvimento das energias renováveis e questionam ainda a transparência relativamente a incidentes registados na instalação.

Também dentro do Governo espanhol surgiram críticas. O Sumar rejeitou a prorrogação e considera que a decisão contraria o acordo de coligação celebrado com o PSOE em 2023, defendendo que Espanha deve manter o calendário de encerramento das centrais nucleares e acelerar a aposta nas energias renováveis.

A Central Nuclear de Almaraz, situada na província de Cáceres, a pouco mais de 100 quilómetros da fronteira portuguesa, continuará assim a desempenhar um papel relevante no sistema elétrico espanhol e na economia do Campo Arañuelo durante pelo menos mais quatro anos. Para os municípios diretamente dependentes das receitas da central, a prorrogação representa uma garantia financeira imediata; para a Junta da Extremadura, permanece a incógnita sobre quanto tempo conseguirá manter uma receita fiscal que poderá chegar aos 82 milhões de euros anuais.

Campo Maior despede-se hoje das Festas do Povo 2026

As Festas do Povo de Campo Maior chegam este domingo, 16 de agosto, ao último dia de programação, encerrando uma edição que assinalou o regresso da iniciativa após 11 anos.

O programa começa às 12h00, com a atuação do Rancho Folclórico da Bela Vista de Gáfete, no Palco do Jardim Municipal.

O encerramento oficial das Festas do Povo está marcado para as 17h00, também no Palco do Jardim Municipal, colocando um ponto final numa edição particularmente aguardada, que marcou o regresso da festa às ruas floridas de Campo Maior, onze anos depois da última realização.

Ricardo Pinheiro, presidente da CCDR Alentejo: “A paixão, a união e a criatividade do povo de Campo Maior dão uma lição de dinamismo e orgulho ao mundo”

Em entrevista em direto a partir das Festas do Povo, o Presidente da CCDR Alentejo destacou o regresso do património comunitário, a memória de Rui Nabeiro e revelou projetos industriais e tecnológicos para a região.

Rádio Campo Maior (Entrevistador: António Ferreira Góis)

O regresso das emblemáticas Festas do Povo de Campo Maior, ao fim de 11 anos de interregno, foi o cenário escolhido para uma reflexão aprofundada sobre a identidade comunitária e o futuro económico da região do Alentejo. Em declarações prestadas em direto a partir do coreto do Jardim Municipal, em entrevista conduzida por António Góis para a Rádio Campo Maior, o Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, Ricardo Pinheiro, enalteceu a capacidade de mobilização popular e delineou as grandes prioridades para a atração de investimento e coesão territorial.

Homenagem ao legado comunitário e a Rui Nabeiro

Visivelmente emocionado com o regresso da celebração que junta milhares de pessoas nas ruas floridas de papel, o líder da CCDR Alentejo, Ricardo Pinheiro, fez questão de sublinhar o caráter único da população local e de prestar homenagem às figuras marcantes que ergueram a tradição. “Há mais de 100 anos que o povo de Campo Maior demonstra ao mundo que a interioridade não é um fator de limitação. A paixão, a união e a criatividade desta gente dão uma lição de dinamismo ao mundo e são a prova máxima do orgulho e da capacidade de união alentejana.

Na sua intervenção, Ricardo Pinheiro recordou com carinho a visão e o legado do Comendador Rui Nabeiro, ressaltando que “quando se investe com o coração nas pessoas e na comunidade, o retorno social e a criação de valor acontecem de forma natural”. O responsável fez ainda referência a pioneiros das festividades, enaltecendo a memória do Sr. Simão, conhecido como o “contrabandista da Rua da Costanilha” por introduzir historicamente o papel nas decorações, bem como o contributo do antigo presidente da Associação das Festas do Povo, Sr. José Celestino.

Para o responsável regional, a distinção concedida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade reflete precisamente essa espontaneidade e coesão social que atravessa gerações e afirma a vila no panorama internacional.

Critérios estratégicos para o acolhimento industrial e inovação

Para além da vertente cultural e emotiva, Ricardo Pinheiro abordou os grandes dossiês económicos e de infraestruturas que marcarão o futuro do Alentejo. No âmbito da criação de novas Áreas de Acolhimento Empresarial de grande dimensão, articuladas no Plano de Transformação e Resiliência Regional (PTRR) com o Governo, o Presidente da CCDR defendeu uma seleção rigorosa e transparente dos locais a beneficiar. “A decisão sobre a localização dos novos polos industriais deve assentar em critérios técnicos e estratégicos claros: a proximidade às redes ferroviárias, a capacidade de ligação aos cabos de dados de alto débito que ligam Sines às Américas e à Europa, bem como a garantia de abastecimento de gás natural, energia elétrica e água.”

O responsável revelou também avanços em setores emergentes de alta tecnologia e defesa, confirmando reuniões de trabalho com entidades do setor militar e empresas como a UAVision, no sentido de fixar no Alentejo a linha de produção do primeiro drone marítimo nacional, além de centros de testes e validação para sistemas não tripulados aéreos, terrestres e aquáticos.

Coesão regional e a montra de Évora 2027

Ao analisar a situação socioeconómica da região, Ricardo Pinheiro chamou a atenção para as assimetrias internas existentes na NUT II Alentejo. Enquanto a sub-região do Alentejo Litoral, impulsionada pelo complexo de Sines, apresenta índices de Produto Interno Bruto (PIB) superiores à média europeia, o Alto Alentejo e o Alentejo Central mantêm-se em patamares mais modestos, rondando os 59% e 60% do PIB europeu, respetivamente.

O Presidente da CCDR reiterou o compromisso de utilizar estrategicamente os programas de fundos comunitários, como o Alentejo 2030, para promover a coesão territorial, combater o despovoamento e fixar jovens qualificados na região interior.

A terminar, Ricardo Pinheiro assegurou que as grandes manifestações identitárias e culturais do Alentejo — com destaque para as Festas do Povo de Campo Maior e as Festas do Redondo — terão um papel de relevo na programação e na projeção internacional de Évora Capital Europeia da Cultura 2027, afirmando a identidade e o dinamismo da região perante o mundo.

Festas do Povo entram na reta final com tradição, música e uma despedida em grande

As Festas do Povo de Campo Maior continuam a encher as ruas de flores e visitantes, numa celebração única onde a tradição se cruza com a música e o espírito de comunidade.

A programação começa às 18h00, no Palco Jardim Municipal, com o Rancho Folclórico de Macieira da Lixa, seguindo-se, às 19h00, a atuação da Filarmónica do Crato. À noite, às 21h30, será a vez da Tertúlia de Saias.

Um dos momentos mais aguardados acontece às 22h45, com o Show de Drones by Delta Cafés, iluminando o céu sobre Campo Maior.

A partir das 23h00, a animação divide-se entre o Tranquiliza, no Jardim Municipal, e o Baile João Lérias, no Largo do Barata. Já depois da meia-noite, chega um dos momentos mais simbólicos da festa: a Queima de Hoguera, à meia-noite, seguida, às 00h15, pela atuação do DJ Forbes, em espaços diversos.

Das fachadas aos pequenos detalhes, cada rua conta uma história. Veja a nossa galeria e descubra a beleza das ruas floridas das Festas do Povo.

Just a Change regressa ao Alentejo para reabilitar casas em Santiago do Cacém, Odemira, Sines e Arraiolos

A associação Just a Change volta a marcar presença no Alentejo no âmbito do Camp In 2026, um programa de voluntariado intensivo que, durante o verão, mobiliza voluntários de todo o país para a reabilitação de casas de famílias em situação de pobreza habitacional.

Depois de intervenções realizadas anteriormente na região, o projeto regressa este ano ao Alentejo, com ações previstas em Santiago do Cacém, Odemira, Sines e Arraiolos, reforçando a missão da associação de devolver melhores condições de habitação a quem mais precisa. No Alentejo, já estivemos em Santiago do Cacém, vamos voltar a Santiago do Cacém, vamos estar em Odemira, vamos estar em Sines e vamos estar em Arraiolos também”, destaca Mariana Borges, da Just a Change.

O Camp In 2026 decorre entre julho e setembro, em mais de 23 municípios de norte a sul do país, envolvendo voluntários na recuperação de mais de 100 casas. A campanha está a decorrer desde o início de julho até setembro, em mais de 23 municípios do país, desde Viana do Castelo até Faro, e vamos reabilitar mais de 100 casas e vamos ter o apoio de muitos voluntários”, explica Mariana Borges.

Criada em 2010 por um grupo de amigos universitários, a Just a Change nasceu de uma iniciativa solidária que começou com uma angariação de fundos nas ruas de Lisboa e que rapidamente cresceu até se transformar numa associação dedicada ao combate à pobreza habitacional. “Passados 16 anos, somos uma associação que se dedica à reabilitação de casas para famílias que vivem em situação de pobreza habitacional. O projeto foi crescendo, foi ganhando escala e já reabilitámos mais de 600 casas particulares, apoiámos mais de 280 instituições sociais e contamos com a ajuda de mais de 30 mil voluntários”, afirma Mariana Borges.

A associação alerta para uma realidade que continua a afetar muitas famílias em Portugal, vivendo em casas sem condições adequadas de segurança, conforto e salubridade. “Uma pessoa que vive em situação de pobreza habitacional vive muitas vezes em casas que têm problemas estruturais, falta de infraestruturas, más condições de higiene ou falta de conforto. São casas onde faltam necessidades básicas e onde a dignidade de quem lá vive fica comprometida”, sublinha.

A participação no Camp In está aberta a todos os maiores de 18 anos, não sendo necessária experiência na área da construção, uma vez que os voluntários têm acompanhamento durante todo o processo. “Não precisamos de experiência prévia, porque os voluntários são sempre acompanhados por um coordenador que organiza a reabilitação e por um técnico de obra que ensina tudo o que precisam de saber”, explica.

Além do voluntariado, a Just a Change disponibiliza outras formas de apoio, através de donativos, parcerias e atividades com empresas. “Podem juntar-se a nós como voluntários, apoiar-nos com um donativo, seguir-nos nas nossas redes sociais ou, caso pertençam a uma empresa, desenvolver uma experiência de impacto connosco”, conclui Mariana Borges.