Stand Up Fest regressa a Portalegre a 7 de novembro com estreia de António Machado e vertente solidária

O Stand Up Fest regressa a Portalegre no dia 7 de novembro, para a sua sexta edição, com um cartaz que junta o humorista António Machado a quatro nomes ligados à região.

O espetáculo, promovido pela associação Manobra Principal, está marcado para as 21h33, no Centro de Artes do Espetáculo de Portalegre (CAEP), e volta a associar o humor a uma causa solidária, com parte da receita da bilheteira a reverter a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

“Nós somos uma associação sem fins lucrativos, estamos nisto por amor à camisola, mas também temos muito gosto em ajudar”, afirma Bruno Azeitona, presidente da associação, sublinhando que o festival pretende proporcionar momentos de diversão, sem esquecer a componente solidária.

A edição deste ano representa, contudo, e nas palavras do responsável, um desafio acrescido para a organização. “Talvez seja a edição com mais responsabilidade que nós tivemos até agora”, admite, mostrando-se, ainda assim, confiante de que o evento vai corresponder às expectativas e contribuir para apoiar a instituição beneficiária.

António Machado estreia-se no stand-up

Uma das principais novidades do cartaz é a participação de António Machado, humorista conhecido do público, através da televisão, do teatro e da rádio, que se vai estrear no formato de stand-up comedy no festival organizado pela Manobra Principal.

Para Bruno Azeitona, a presença do humorista constitui motivo de orgulho para a associação e para a cidade. “É fantástico, para Portalegre, para o nosso festival e para a nossa associação, e deixa-nos muito orgulhosos termos um nome como António Machado”, salienta o responsável, destacando a importância de receber um nome reconhecido a nível nacional num evento promovido por uma associação local e sem fins lucrativos.

Segundo o presidente da Manobra Principal, a participação surgiu depois de a associação apresentar o projeto ao humorista, que acabou por “achar piada” e aceitar o convite. A atuação marcará assim a estreia de António Machado no stand-up comedy, num palco que a organização espera que seja de partilha, proximidade e muitas gargalhadas.

Aposta nos talentos da região

Além de António Machado, o espetáculo contará com as participações Adriano Bailadeira, Dinis Malanho, Bil Malanho e Bruno Bonacho, nomes que representam a aposta da organização nos humoristas de Portalegre e do distrito.

A valorização dos talentos locais é uma das marcas do festival desde a sua primeira edição. Bruno Azeitona explica que a iniciativa nasceu com o objetivo de dar palco a humoristas da região e que a associação pretende manter essa identidade, mesmo quando convida figuras de projeção nacional. “O nosso festival começou somente com humoristas de Portalegre e queremos continuar com essa vertente”, refere.

O responsável reconhece que, em algumas das edições anteriores do Stand Up Fest, o cartaz incluiu artistas de outras zonas do país, mas considera que a edição deste ano mantém uma forte ligação ao território, com a presença de António Machado a complementar o núcleo de humoristas regionais.

A organização convida, por isso, o público a marcar presença, numa noite que pretende aliar o entretenimento à promoção dos artistas locais e à solidariedade.

Bilhetes a cinco euros

Os bilhetes têm um custo de cinco euros e, segundo Bruno Azeitona, poderão ser adquiridos no CAEP, durante o horário de funcionamento daquele equipamento cultural. A aquisição será feita exclusivamente no local.

Parte da receita da bilheteira reverterá a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro, permitindo que o público contribua para a causa enquanto assiste ao espetáculo, que contará com apresentação de César Azeitona.

Ensino Superior: Município de Elvas aumenta bolsas de estudo para 175 euros mensais

A Câmara Municipal de Elvas aumentou em 25 euros o valor mensal das bolsas de estudo destinadas aos estudantes do Ensino Superior, que passam a ser de 175 euros por mês, durante dez meses, num apoio total de 1.750 euros por ano letivo.

As candidaturas às bolsas de estudo estão a decorrer até 31 de outubro, sendo o apoio destinado aos estudantes que cumpram os critérios definidos pelo Município.

Segundo o vice-presidente da Câmara Municipal de Elvas, Nuno Mocinha, embora o regulamento municipal preveja a atribuição de 50 bolsas de estudo por ano, na prática, o Município atribui mais de 200 bolsas anualmente.

“Todas as pessoas que cumpram os requisitos para a atribuição da bolsa não ficam sem apoio por limitação do número de bolsas por parte da Câmara”, explicou o autarca, sublinhando a importância de os estudantes elegíveis apresentarem candidatura.

Nuno Mocinha destaca ainda o reforço financeiro do apoio, com o aumento de 25 euros mensais, considerando que se trata de “uma ajuda substancial por parte da Câmara”. O objetivo é contribuir para o sucesso académico dos estudantes do concelho.

O vice-presidente aproveitou também para desejar um bom ano letivo a todos os alunos do Ensino Superior.

Para beneficiar das bolsas de estudo, os candidatos devem cumprir os seguintes requisitos: residir no concelho de Elvas; ter idade igual ou inferior a 25 anos; estar matriculado num estabelecimento de Ensino Superior; ter aproveitamento escolar no ano letivo anterior; e ter um rendimento anual do agregado familiar, per capita, que não ultrapasse os 12.353,99 euros.

Os interessados devem formalizar a candidatura no Balcão Único do Município de Elvas ou através do Balcão Virtual, até ao dia 31 de outubro.

A autarquia reforça, assim, o apoio aos jovens do concelho que prosseguem os seus estudos no Ensino Superior, procurando contribuir para a continuidade dos percursos académicos e para a igualdade de oportunidades no acesso à educação.

“É Tempo de Ajudar”: iniciativa solidária do Coração Delta alarga-se a Lisboa e reforça apoio aos idosos

A Associação de Solidariedade Social Coração Delta promove, este fim de semana, dias 24 e 25 de outubro, a 13ª edição da campanha “É Tempo de Ajudar”, que decorrerá em 130 lojas Intermarché dos distritos de Beja, Castelo Branco, Évora, Faro, Leiria, Lisboa, Portalegre, Setúbal e Santarém.

A iniciativa tem como propósito apoiar idosos em situação de vulnerabilidade social, contribuindo para a melhoria da sua qualidade de vida, através da recolha de produtos de higiene pessoal essenciais.

A campanha tem como parceiros as lojas Intermarché, o Corpo Nacional de Escutas e os municípios aderentes, responsáveis por sinalizar os beneficiários dos kits de higiene pessoal. Os escuteiros, por sua vez, apoiam a dinamização local da iniciativa, reforçando o espírito de entreajuda e proximidade.

A edição deste ano conta com a mobilização de 3000 voluntários — entre escuteiros do CNE, alunos das EIC das Corporações locais de Bombeiros, escoteiros da AEP e membros da comunidade local e do Grupo Nabeiro-Delta Cafés — que se juntam, uma vez mais, nas lojas Intermarché para dar continuidade a esta causa solidária.

Criada em 2015, a campanha “É Tempo de Ajudar” tem vindo a crescer e, desde a sua primeira edição, já permitiu a entrega de mais de 26 mil kits de higiene a idosos em situação de vulnerabilidade. O projeto, que começou com a participação de apenas 13 lojas nos distritos de Portalegre e Évora, está hoje presente em nove distritos do país e estreia-se agora no distrito de Lisboa.

Através da doação de produtos de higiene pessoal, como gel de banho, champô, pasta e escova de dentes, desodorizante ou creme hidratante, os clientes das lojas aderentes poderão contribuir para ajudar quem mais precisa. A campanha procura responder a necessidades básicas muitas vezes negligenciadas, promovendo a dignidade, o bem-estar e a qualidade de vida da população sénior.

Para a Associação Coração Delta, esta iniciativa reflete o compromisso contínuo do Grupo Nabeiro-Delta Cafés com a promoção da inclusão social e o desenvolvimento das comunidades, mobilizando parceiros, voluntários e cidadãos para ajudar quem mais precisa.

“Em Portugal, quase 20% da população idosa vive em situação de pobreza, e isso não pode ser tratado como inevitável. A campanha ‘É Tempo de Ajudar’ mobiliza voluntários, parceiros, municípios e comunidades locais para dar uma resposta concreta no dia a dia de quem mais precisa. Cada produto doado representa muito mais do que uma ajuda material: é um gesto de respeito, atenção e gratidão. Este compromisso com as comunidades foi um dos maiores legados do meu avô, Rui Nabeiro, e continua a orientar a ação da Associação Coração Delta. Com esta ação, mostramos que pequenos gestos podem fazer uma grande diferença, levando esperança, conforto e dignidade a quem mais precisa”, afirma Rita Nabeiro, presidente da direção da Associação Coração Delta.

A campanha “É tempo de Ajudar” tem o apoio da FINIECO, BARATA GARCIA, LIDERGRAF, STANDIGITAL, Ng5, BERMA, MR.PRINT E FIDELIDADE e pretende superar os resultados das edições anteriores, recolhendo mais produtos de higiene pessoal para apoiar a população sénior.

Câmara de Campo Maior já investiu mais de 1,4 milhões de euros na melhoria de estradas em 2026

A Câmara Municipal de Campo Maior investiu mais de 1,4 milhões de euros, em 2026, na melhoria da rede viária sob a sua responsabilidade, com intervenções na estrada de ligação a Albuquerque, em Espanha, e na estrada da Figueira.

O balanço é feito por Luís Rosinha, presidente do município, que sublinha a importância destas obras para a segurança dos automobilistas e para o reforço das ligações transfronteiriças.

Na estrada de ligação a Albuquerque, foram concluídos os trabalhos de repavimentação de cerca de dois quilómetros, num investimento municipal de aproximadamente 250 mil euros. Para Luís Rosinha, esta intervenção demonstra a importância que o município atribui à ligação entre os dois lados da fronteira. “Isto diz muito daquilo que é a importância que o município de Campo Maior dá às ligações transfronteiriças”, salienta.

Uma das intervenções de maior dimensão decorreu na estrada da Figueira, onde o investimento ultrapassou os 1,2 milhões de euros. Os trabalhos incluíram o alargamento da via e a melhoria das condições de drenagem, com o objetivo de aumentar o conforto e a segurança de quem utiliza esta estrada.

Segundo o autarca, as melhorias destinam-se tanto aos campomaiorenses como aos cidadãos espanhóis que circulam naquela ligação. A intervenção procurou corrigir o traçado e melhorar as características da via, reforçando as condições de circulação.

Município quer obras na ER 371 em 2027

Além das intervenções já realizadas, Luís Rosinha destaca a necessidade de requalificar a Estrada Regional 371, apesar de esta via não estar sob responsabilidade direta da Câmara Municipal de Campo Maior.

O município tem mantido contactos frequentes com a Infraestruturas de Portugal para que a entidade possa avançar, já em 2027, com trabalhos de repavimentação no troço compreendido entre a primeira rotunda da variante de Campo Maior e a fronteira do Retiro.

O presidente da Câmara considera esta intervenção igualmente necessária para melhorar as ligações transfronteiriças, que assumem particular importância para a população do concelho.

A expectativa é que os contactos estabelecidos com a Infraestruturas de Portugal permitam concretizar a intervenção, dando continuidade ao esforço de melhoria das acessibilidades entre Campo Maior e Espanha.

Luís Rosinha acompanha jovens campomaiorenses nas atividades do Dia da Defesa Nacional

O presidente do Município de Campo Maior, Luís Rosinha, esteve no Regimento de Cavalaria n.º 3 de Estremoz, esta terça-feira, dia 20 de outrubro, onde acompanhou um grupo de jovens campomaiorenses durante a sua participação nas atividades do Dia da Defesa Nacional.

Este é um dia de informação e formação sobre a defesa nacional, que pretende promover o sentido de responsabilidade cívica e dar a conhecer o papel das Forças Armadas e as opções de prestação do serviço militar.

Luís Rosinha foi acompanhado nesta visita pelo Comandante do Regimento, o Coronel Peralta Pimenta.

CICLAA põe nove concelhos do Alto Alentejo a pedalar com bicicletas elétricas partilhadas

O Sistema de Bicicletas Partilhadas do Alto Alentejo, denominado CICLAA, começou a ser implementado na região, com a distribuição de 18 bicicletas elétricas por nove dos 15 municípios do distrito de Portalegre. Alter do Chão, Arronches, Campo Maior, Castelo de Vide, Crato, Fronteira, Gavião, Ponte de Sor e Sousel são os concelhos que integram esta primeira fase da iniciativa.

Promovido pela Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA), no âmbito do Plano de Ação de Mobilidade Urbana Sustentável do Alto Alentejo (PAMUSAA), o projeto integra o programa europeu TRANSCOM_EUROACE e pretende contribuir para a promoção da mobilidade sustentável e para a transição energética na região EUROACE.

Cada um dos nove municípios conta, nesta fase inicial, com duas bicicletas elétricas, estando previsto o reforço da oferta com mais duas bicicletas por concelho, o que permitirá chegar a uma média de quatro bicicletas por município.

O presidente da CIMAA, Joaquim Diogo, acredita que o projeto poderá vir a conquistar a adesão dos restantes municípios do Alto Alentejo, que não integraram esta primeira fase por terem optado por modelos alternativos de mobilidade.

“Penso que é um projeto que vai contagiar os outros seis municípios, que, a princípio, não quiseram aderir porque tinham modelos alternativos”, afirma, admitindo a possibilidade de integrar essas soluções no CICLAA ou de alargar o próprio sistema a outros concelhos.

Para o responsável, trata-se de um modelo que “vem para ficar”, estando já nos planos da CIMAA procurar financiamento para instalar novas estações, tanto nas localidades abrangidas como em zonas próximas, de forma a reforçar as possibilidades de deslocação.

Joaquim Diogo sublinha que as bicicletas elétricas poderão ter uma utilização turística, mas também funcionar como alternativa para as deslocações quotidianas, nomeadamente no acesso a serviços.

“Vamos ver se nós conseguimos alargar um bocadinho esta dinâmica e aumentar também o número de oferta”, refere o presidente da CIMAA, defendendo que os habitantes do Alto Alentejo devem poder beneficiar de serviços de mobilidade semelhantes aos já existentes noutras cidades.

Com a implementação do CICLAA, a CIMAA pretende, assim, criar novas alternativas de transporte, incentivar a utilização de meios de deslocação mais sustentáveis e contribuir para uma mobilidade mais acessível na região.

“Espero que todos possam ciclar connosco”, conclui Joaquim Diogo.

ALERtejo regressa a Elvas com quatro dias de programação dedicados à literatura no feminino

O encontro literário ALERtejo regressa a Elvas, de 22 a 25 de outubro, para a sua terceira edição, com uma programação alargada a quatro dias, mais autores e novas atividades, incluindo iniciativas em diferentes escolas do concelho e uma Feira do Livro.

O encontro literário, coorganizado pelo Coletivo Artístico 7350 e pela Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo, dedica este ano a sua programação ao feminino, dando destaque à mulher enquanto autora e protagonista da criação literária.

Elizabete Agostinho, uma das responsáveis pela organização do ALERtejo, considera que o evento dá este ano um passo importante no seu crescimento, quer ao nível da duração, quer da diversidade da programação. “Acho que fizemos um salto na escala do evento este ano”, afirma a diretora artística, explicando que, depois das duas primeiras edições, existia a vontade de levar o projeto “ao nível seguinte”, reforçando a riqueza e a diversidade das propostas apresentadas ao público.

Nesse sentido, a colaboração com a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo permitiu alargar a iniciativa e consolidar a sua dimensão. “Estamos bastante orgulhosos da programação que conseguimos ter nesta terceira edição do ALERtejo”, sublinha.

ALERtejo vai às escolas para aproximar os mais novos da leitura

Uma das novidades desta edição é o alargamento da programação de três para quatro dias, com os dois primeiros dedicados também a atividades dirigidas à comunidade escolar. A organização pretende, assim, aproximar os mais jovens da literatura e incentivar hábitos de leitura numa fase da vida em que muitos leitores se afastam dos livros.

“Aquilo que motivou o ALERtejo na sua génese foi a nossa vontade de criar cultura e de valorizar a literatura local e não só, valorizar a literatura local e nacional para a população local e nacional”, explica Elizabete Agostinho.

A responsável destaca a importância de chegar aos públicos mais jovens, sobretudo na pré-adolescência e na adolescência, idades em que, considera, se verifica frequentemente um afastamento da leitura.

Para responder a esse desafio, o programa inclui a presença da escritora Maria Inês Almeida em várias escolas do concelho de Elvas. “Quisemos precisamente trazer a Elvas uma autora que fala, que escreve para essas faixas etárias”, refere, acrescentando que a iniciativa pretende “criar leitores que possam vir depois às próximas edições do ALERtejo”.

A diretora artística do evento deixa também o desejo de que a aproximação seja recíproca: “Desta vez, o ALERtejo vai à escola, mas também queremos muito que os alunos dessas escolas possam vir ao ALERtejo”.

Literatura nacional e identidade local lado a lado

A Casa da Cultura de Elvas acolhe a Feira do Livro, enquanto este e outros espaços da cidade, incluindo o Hotel Vila Galé Collection Elvas, recebem apresentações de livros, conversas e encontros com escritores.

A programação reúne nomes da literatura nacional e autores ligados à região, numa aposta que pretende valorizar a cultura local sem deixar de proporcionar ao público o contacto com escritores de projeção nacional.

“Queremos muito que seja um evento aglutinador, que valorize a literatura, sem nunca esquecer a sua identidade”, afirma Elizabete Agostinho.

A organização procura, por isso, promover o encontro entre diferentes escalas culturais, trazendo a Elvas autores reconhecidos nacionalmente e mantendo, em simultâneo, a presença de escritores locais e de figuras que contribuem para a dinâmica cultural do concelho.

“Também queremos que quem vem ao ALERtejo e eventualmente não seja de Elvas tenha a oportunidade de descobrir e conhecer melhor a cultura local, a história, a base histórica daquilo que se escreve no Alentejo”, acrescenta.

Poesia, percursos literários e encontros com autores

Entre os destaques do programa estão um recital de poesia com Pedro Lamares, uma rota literária dedicada a António Sardinha e um jantar poético dedicado às poetisas da Raia.

Para Elizabete Agostinho, estas propostas permitem explorar a literatura para além da leitura individual, aproximando-a de diferentes espaços, experiências e públicos. “A melhor forma de vivenciar a poesia é ouvindo”, considera, destacando a capacidade de Pedro Lamares para transmitir a emoção dos poemas.

O jantar poético inclui uma homenagem às poetisas da raia, com autores de Elvas a dizerem poesia, seguindo-se o recital de Pedro Lamares, numa iniciativa que pretende ultrapassar as fronteiras geográficas e culturais da região.

Já a rota literária, conduzida por Cíntia Romba, procura levar os participantes para o espaço público, mostrando como a palavra escrita pode ganhar vida em diferentes ambientes.

O programa inclui ainda conversas com Inês Meneses e Tozé Brito, apresentações de livros e tertúlias, proporcionando diferentes formas de contacto com a criação literária.

Uma edição dedicada à mulher enquanto autora

A terceira edição do ALERtejo tem como tema central o “mundo” feminino, uma escolha que nasceu, em parte, da reflexão sobre figuras femininas da literatura alentejana, como Florbela Espanca, e da vontade de dar maior visibilidade às mulheres enquanto criadoras literárias.

“Muitas vezes olhamos para cartazes literários e continuamos a ter mais homens do que mulheres”, observa Elizabete Agostinho, salientando que existem atualmente muitas escritoras a destacar-se na literatura contemporânea.

A organização decidiu, por isso, colocar a mulher no centro da programação, não apenas enquanto tema ou personagem literária, mas sobretudo enquanto autora, voz e protagonista da criação cultural.

“Este cartaz não é feminista, é feminino”, garante a responsável, defendendo que a valorização da mulher não tem de assentar numa oposição entre o feminino e o masculino. “A mulher pode ter o seu lugar e deve ter o seu lugar e merece ter o seu lugar sem haver necessariamente esta luta entre o feminino e o masculino”.

Esta perspetiva reflete-se em vários momentos do programa, desde as conversas com autoras até à presença de homens a interpretarem poesia escrita por mulheres, numa lógica de complementaridade e partilha.

Entre os momentos de maior significado está a apresentação do livro “Beatriz, Uma Melodia Interrompida”, de Paula Lebre, escritora elvense que presta homenagem à filha, vítima de violência de género. A programação inclui ainda as apresentações de “Sótão”, de Madalena Sá Fernandes, e “Sou uma Multidão Minúscula”, de Susana Amaro Velho.

O encerramento do encontro fica a cargo da escritora Dulce Maria Cardoso, uma das vozes de referência da literatura portuguesa contemporânea.

Depois de duas edições que reforçaram a ligação à comunidade local e transfronteiriça, o ALERtejo pretende afirmar-se como um dos encontros literários de referência do interior do país, consolidando Elvas e a raia alentejana como espaços de encontro entre autores, leitores e amantes da literatura, de ambos os lados do Guadiana.

Conheça o programa completo:

Junta de Freguesia da Expectação quer ser um apoio para quem enfrenta o cancro

A Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Expectação, em Campo Maior, pretende reforçar o apoio de proximidade às pessoas que enfrentam uma doença oncológica e aos seus familiares, através da escuta, do acompanhamento e da identificação de necessidades que possam ser colmatadas com o apoio da autarquia ou de outras entidades.

Sobre o trabalho já desenvolvido em articulação com a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), Hugo Milton, presidente da Junta de Freguesia, explica que esta é uma área à qual pretende dar especial atenção, procurando contribuir para que os doentes e as suas famílias não se sintam sozinhos durante um período particularmente delicado das suas vidas.

O autarca sublinha a importância da proximidade e do contacto humano, defendendo que “uma conversa, um diálogo ou um simples telefonema” podem fazer a diferença para quem atravessa uma fase difícil. Destaca ainda o valor da partilha de experiências com pessoas que já passaram pela doença e conseguiram superá-la.

Hugo Milton revela que já estabeleceu contacto com Cristina Bruno, a coordenadora do Grupo de Apoio de Portalegre da LPCC, para abordar esta questão e perceber de que forma poderá ser prestado apoio a quem dele necessita.

Apesar de admitir que algumas pessoas ainda se mostram retraídas na procura de ajuda, Hugo Milton deixa um apelo direto à população para que se dirija à Junta de Freguesia, partilhe as suas dificuldades e procure um espaço de diálogo.

“Quero que sintam que Campo Maior tem um espaço onde possam ir”, afirma, garantindo que a Junta está disponível para ouvir os cidadãos e procurar soluções para os problemas apresentados.

O apoio poderá passar pela identificação de necessidades materiais específicas, como suplementos alimentares, lenços, turbantes ou outros artigos de que os doentes possam necessitar durante os tratamentos. Segundo o responsável, a intenção é perceber cada situação e encontrar formas de ajudar, dentro das possibilidades existentes.

Quando as necessidades ultrapassarem a capacidade de resposta da junta, está também prevista a possibilidade de encaminhar os casos para a LPCC, nomeadamente para estruturas e grupos de apoio especializados, cujos técnicos poderão assegurar um acompanhamento mais adequado.

“Às vezes, as pessoas podem sentir-se sozinhas, mas não estão, nós estamos lá”, remata Hugo Milton, reforçando a mensagem de disponibilidade da Junta de Freguesia para apoiar quem atravessa uma doença oncológica.

GNR contabiliza 78 casos de bullying e ciberbullying em contexto escolar em 2026

A Guarda Nacional Republicana (GNR) registou, em 2026, 78 ocorrências criminais em contexto escolar associadas a práticas de bullying e ciberbullying, segundo dados divulgados esta terça-feira, 20 de outubro, no âmbito do Dia Mundial de Combate ao Bullying.

Do total de ocorrências identificadas, 72 estavam relacionadas com bullying e seis com ciberbullying. Os distritos de Setúbal, com dez registos, Porto, com nove, Castelo Branco e Lisboa, ambos com oito, e Santarém, com sete, concentraram o maior número de casos de bullying.

Relativamente ao ciberbullying, foram registadas duas ocorrências nos distritos de Braga e Setúbal e uma nos distritos do Porto e de Santarém.

A GNR esclarece que estes fenómenos não estão tipificados de forma autónoma na legislação penal portuguesa. Os números apresentados correspondem, por isso, a ocorrências criminais registadas em ambiente escolar que, pela análise do respetivo modo de atuação, foram associadas a dinâmicas de bullying ou ciberbullying.

No total, a Guarda contabilizou 1.657 crimes em ambiente escolar, em 2026, na sua área de responsabilidade.

Mais de 67 mil crianças e jovens abrangidos por ações de sensibilização

No âmbito da prevenção da violência em contexto escolar, a GNR realizou 1.845 ações de sensibilização durante o ano letivo de 2025/2026, dirigidas a 67.117 crianças e jovens, maioritariamente em estabelecimentos de ensino.

De acordo com a instituição, estes números representam um aumento superior a 23% face ao ano letivo anterior, abrangendo estabelecimentos de ensino públicos e privados situados na área de responsabilidade da Guarda.

As iniciativas integram ações de sensibilização e campanhas sobre violência, cidadania, inclusão, não discriminação, Direitos Humanos, direitos da criança e utilização segura da internet.

A GNR sublinha que o bullying consiste na prática intencional e repetida de violência física ou psicológica, exercida por uma ou mais pessoas numa relação desigual de poder, provocando sofrimento à vítima. Com a utilização das novas tecnologias e das redes sociais, estas condutas podem assumir também uma dimensão virtual, através do ciberbullying.

Embora o bullying não constitua, por si só, um tipo de crime autónomo, os comportamentos associados podem enquadrar-se em crimes como ofensas à integridade física, injúrias, ameaças e coação.

Alterações de comportamento podem ser sinais de alerta

A Guarda alerta para a importância de pais, professores e outros cuidadores estarem atentos a sinais que podem indicar que uma criança ou jovem está a ser vítima de bullying.

Entre os indicadores a considerar estão alterações de humor, abatimento físico ou psicológico, ansiedade, irritabilidade, queixas físicas recorrentes, dores de cabeça ou de estômago, perturbações do sono e aparecimento de nódoas negras, bem como outras mudanças de comportamento.

A instituição destaca ainda a importância da saúde mental, defendendo o desenvolvimento da empatia, da capacidade de gerir emoções e da resiliência perante dificuldades. A presença da família e dos amigos, o acompanhamento da comunidade escolar e o apoio de professores, psicólogos e profissionais de saúde são considerados fundamentais para o bem-estar dos jovens.

A GNR apela também à criação de ambientes em que as crianças e os jovens se sintam seguros para partilhar as suas experiências e procurar ajuda, sem receio de serem julgados.

GNR deixa recomendações a vítimas, testemunhas e pais

Perante situações de bullying, a Guarda aconselha as vítimas e testemunhas a denunciarem os comportamentos a um adulto de confiança, a promoverem o respeito e a inclusão e a evitarem situações de confronto com o agressor. Recomenda ainda que as vítimas procurem permanecer acompanhadas e em locais frequentados por outras pessoas.

Nos casos de ciberbullying, a GNR aconselha a guardar provas, nomeadamente mensagens e conteúdos ofensivos, a não responder diretamente ao agressor e a procurar ajuda junto dos pais, professores ou de outro adulto de confiança. As testemunhas são igualmente aconselhadas a não partilhar os conteúdos ofensivos e a apoiar a vítima na procura de ajuda.

Aos encarregados de educação, a Guarda recomenda um acompanhamento próximo da rotina escolar e digital dos filhos, com atenção a possíveis sinais de vitimização ou de comportamentos agressivos. Perante suspeitas de bullying, ciberbullying, ameaças ou outras situações de risco, aconselha a comunicação imediata às autoridades e a preservação das provas existentes.

A GNR reforça que a segurança em meio escolar continua a ser uma prioridade estratégica e garante que continuará a desenvolver ações de prevenção, deteção e combate à violência através das Secções de Prevenção Criminal e Policiamento Comunitário. A instituição dispõe ainda de militares com formação especializada para acompanhar vítimas e encaminhá-las para entidades competentes.

A mensagem deixada pela Guarda, neste Dia Mundial de Combate ao Bullying, é a de que a prevenção depende do envolvimento de toda a comunidade, apelando à denúncia de situações de violência e à construção de escolas mais seguras, inclusivas e respeitadoras.

Em caso de emergência, deve ser contactado o número europeu 112. A GNR recomenda que situações suspeitas de bullying ou ciberbullying sejam comunicadas às autoridades, com preservação de todas as provas disponíveis.

A biodiversidade invisível e a ameaça de extinção dos insetos desconhecidos no “Ambiente em FM”

No programa “Ambiente em FM” desta semana, o foco vai para o risco silencioso que ameaça os insetos ainda não catalogados pela ciência. José Janela, da Quercus, alerta que, embora se estime a existência de cerca de cinco milhões de espécies de insetos, apenas um milhão está formalmente identificado.

Com base num estudo publicado na revista Insect Conservation and Diversity, o especialista explica que muitas destas espécies desconhecidas são extremamente vulneráveis devido ao seu tamanho reduzido, populações pequenas e habitats altamente específicos.

A destruição de habitats e as alterações climáticas podem estar a exterminar uma biodiversidade invisível antes mesmo de ela ser descoberta.

O caso de uma amostragem numa floresta australiana — onde mais de metade dos escaravelhos recolhidos eram inéditos para a ciência — demonstra como a perda de biodiversidade pode ser muito mais severa do que os dados atuais indicam, reforçando a urgência de proteger os ecossistemas de forma integral.

Tudo para saber sobre o assunto com José Janela, da Quercus. O programa desta semana para ouvir, na íntegra, no podcast abaixo: