Feira do Chocalho reforça aposta na tradição e na experiência dos visitantes em Alcáçovas

A Feira do Chocalho regressa a Alcáçovas, no concelho de Viana do Alentejo, este fim de semana (de 24 a 26 de julho), com um programa diversificado que alia música, património, gastronomia, artesanato e atividades para todas as idades. O certame, que decorre no Largo da Gamita e reúne cerca de meia centena de expositores, volta a afirmar-se como um dos principais eventos de promoção da arte chocalheira, Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Uma das novidades desta edição é a assinatura de um memorando de valorização e promoção económica do fabrico do chocalho, envolvendo os municípios chocalheiros de Viana do Alentejo, Reguengos de Monsaraz, Estremoz e Cartaxo, bem como a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo. O documento simboliza o compromisso conjunto de preservar e promover esta arte tradicional.

O presidente da Câmara Municipal de Viana do Alentejo, Luís Metrogos, explica que este compromisso surge em sintonia com o espírito da própria feira. “Esse memorando consiste basicamente num compromisso que tem de ser assumido pelos municípios em como pretendemos preservar a arte chocalheira.”

Nesta edição, a organização apostou numa nova disposição do recinto, procurando criar uma maior ligação entre os diferentes espaços. “Aquilo que queremos este ano é reformular um bocadinho toda a organização da feira para tentarmos privilegiar a interação entre as pessoas”, assegura Luís Metrogos.

O autarca adianta que a nova organização aproxima os expositores, os artesãos, a promoção do concelho, a restauração e a zona de espetáculos, criando um ambiente mais acolhedor. “Parece-nos que isso fará ganhar escala à Feira do Chocalho e possamos ter um espaço mais agradável ao uso das pessoas”, acrescenta.

Música, tradição e atividades para toda a família

O cartaz musical volta a ser um dos grandes atrativos da feira. Fernando Daniel sobe ao palco esta sexta-feira, seguindo-se, no sábado, o Carrilhão LVSITANVS com a Banda da Sociedade União Alcaçovense, no âmbito da primeira edição do Festival Ressoar. O encerramento, no domingo, estará a cargo do espetáculo “Em Casa D’Amália”.

O programa integra ainda um tributo a António Variações, atuações de Cante Alentejano, espetáculos de dança, animação com DJs e várias iniciativas culturais.

No decorrer do evento realiza-se a 7.ª Mostra Agropecuária e o IX Concurso Regional de Alcáçovas do Rafeiro Alentejano, aos quais se juntam passeios de burro e de pónei para os mais novos, workshops gastronómicos, atividades equestres, caminhadas noturnas e o tradicional Passeio a Cavalo Miguel Grave.

Para o presidente da Câmara, a diversidade da programação pretende chegar a diferentes públicos: “Temos um programa muito vasto e esperamos naturalmente que possamos atrair muitas pessoas.”

A Feira do Chocalho é organizada pelo Município de Viana do Alentejo e pela Junta de Freguesia de Alcáçovas, em parceria com associações locais e com o apoio da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, mantendo como principal objetivo valorizar o património chocalheiro e afirmar Alcáçovas como a capital desta tradição secular.

Compras saudáveis são a opção acertada! A DECO aconselha-o nas escolhas equilibradas na hora de comprar

A rubrica semanal da DECO na sua rádio, que há duas décadas informa os portugueses, associa-se ao projeto “TUDO A QUE TEM DIREITO” para alertar que fazer escolhas alimentares equilibradas é essencial para a saúde, o ambiente e a economia local. Cofinanciada pela União Europeia, esta iniciativa destaca a importância do planeamento prévio, aconselhando os consumidores a definirem um orçamento, a planearem as refeições semanais e a levarem uma lista de compras. Durante a ida ao supermercado, o foco deve estar na leitura atenta dos rótulos e da declaração nutricional para controlar os níveis de gorduras, açúcares e sal, além de se saber distinguir o prazo de validade imperativo (“Consumir até”) da data de qualidade (“De preferência antes de”).

Para além das regras de seleção de produtos frescos — como verificar o brilho do peixe, a firmeza dos hortofrutícolas e a cor viva da carne —, a rubrica reforça os cuidados a ter em casa para evitar o desperdício alimentar e garantir a segurança. A DECO recorda as temperaturas ideais de conservação no frigorífico e no congelador, deixando a dica crucial de descongelar sempre os alimentos no frigorífico e nunca os voltar a congelar. Ao incentivar a compra de produtos locais, sazonais e a granel, esta parceria contínua visa aproximar o apoio ao consumidor de todo o território nacional, transformando a informação em ferramentas para uma cidadania mais ativa, sustentável e saudável.

Tudo para saber sobre o assunto na edição desta semana da rubrica da DECO, com Helena Guerra, do Gabinete de Inovação e Projetos da Associação para a Defesa do Consumidor. Para ouvir no podcast abaixo:

Richie Campbell, Os Quatro e Meia e Luís Trigacheiro em destaque na Feira Franca de Avis

O Município de Avis promove este fim de semana, de 24 a 26 de julho, mais uma edição da Feira Franca de Avis, um dos maiores certames do concelho.

O cartaz musical deste ano leva à vila grandes nomes da música nacional: esta sexta-feira, dia 24, atuam Richie Campbell, HMB, Bateu Matou, Joana Perez X MC Solange Dias e DJ Amado; amanhã, sábado, dia 25, sobem ao palco Os Quatro e Meia, Badoxa, Dupla Mete Cá Sets, Deejay Rifox e DJ Amado; e o encerramento, no domingo, dia 26, fica a cargo de Luís Trigacheiro e Zé Pedro Sousa.

Além do programa cultural, a feira conta com cerca de 70 expositores, cinco tasquinhas regionais e um espaço lúdico infantil gratuito com insufláveis e air bungee.

Para facilitar o acesso ao recinto e garantir um regresso seguro, o Município e a Rodoviária do Alentejo voltam a assegurar um serviço especial de autocarros com bilhetes entre 1,50 e 3,50 euros. O transporte estará disponível ao longo dos três dias do evento, com partidas das localidades de Estremoz, Sousel, Cano, Casa Branca, Monforte, Vaiamonte, Cabeço de Vide, Fronteira, Figueira e Barros, Ervedal, Mora, Pavia, Alcórrego, Portalegre, Crato, Alter do Chão, Seda, Benavila, Ponte de Sor, Galveias, Aldeia Velha e Valongo, contando com horários de regresso de madrugada adaptados aos concertos.

14 anos de Património Mundial marcam o percurso de Elvas: elvenses avaliam o impacto da distinção

Elvas assinalou, no final de junho, os 14 anos da classificação como Património Mundial da UNESCO. A distinção, atribuída em 2012, continua a projetar a cidade além-fronteiras e a atrair visitantes.

Mas será que os elvenses consideram que este reconhecimento tem sido bem aproveitado? A Rádio Campo Maior/Rádio ELVAS saiu à rua para ouvir a opinião dos ouvintes.

Um dos entrevistados reconhece que a classificação contribuiu para o aumento do turismo e para a requalificação de alguns espaços, mas considera que os benefícios económicos ainda ficam aquém do esperado. “Sinto que há muito mais movimento a nível do turismo”, afirma, embora considere que o dinheiro deixado pelos visitantes “fica aquém”. Por outro lado, refere que se “tem notado que há requalificação” do património.

Também houve quem destacasse o potencial ainda por aproveitar. Uma elvense descreve Elvas como “uma cidade extraordinária”, mas entende que continua “muito pouco explorada a nível cultural e mesmo ao nível do seu próprio património”, defendendo que “Elvas tem muito mais para dar”.

Outros ouvintes sublinham os efeitos positivos da distinção da UNESCO. Uma das entrevistadas considera que a classificação “trouxe muito turismo” e que a cidade está “mais viva”, com “mais pessoas na rua”, acrescentando que o património “está muito valorizado”.

Na mesma linha, outro elvense refere que a diferença é evidente quando comparada com o período anterior à classificação, apontando o crescimento da restauração, das dormidas e do número de visitantes que chegam em excursões. Apesar disso, considera que continua a existir património pouco valorizado, defendendo uma maior aposta na promoção do património religioso, através da criação de uma rota dedicada às igrejas da cidade.

As opiniões recolhidas revelam, assim, que a população reconhece a importância da classificação de Elvas como Património Mundial da UNESCO e o impacto positivo que esta teve na cidade. Ainda assim, muitos consideram que há áreas onde é possível reforçar a valorização e promoção do património local.

GNR detém em Borba cinco indivíduos por crimes contra a preservação da fauna em zona de caça

O Comando Territorial de Évora da Guarda Nacional Republicana (GNR), através do Posto Territorial de Borba, deteve, no dia 22 de julho, cinco homens com idades compreendidas entre os 22 e os 46 anos, por suspeitas de crimes contra a preservação da fauna e das espécies cinegéticas.

A ação foi desencadeada após uma denúncia a dar conta da presença não autorizada de indivíduos no interior de uma propriedade privada, identificada como Zona de Caça Turística, no concelho de Borba.

No local, os militares da GNR surpreenderam os cinco suspeitos em pleno ato de caça ilegal de ouriços, utilizando um canídeo para o efeito. Os detidos foram constituídos arguidos, sujeitos a Termo de Identidade e Residência e libertados, tendo os factos sido comunicados ao Tribunal Judicial de Vila Viçosa.

A GNR aproveita para relembrar que a proteção ambiental é uma prioridade estratégica, apelando à colaboração de todos através da Linha SOS Ambiente e Território (808 200 520).

Campo Maior: Rua de São João está pronta para fazer parte do “maior espetáculo em flor que há no mundo”

A Rua de São João, que integra a Rua de Santa Cruz e a Caleja de São João, será uma das muitas artérias de Campo Maior engalanadas com flores de papel na edição deste ano das Festas do Povo. 

À frente da organização está José Almeida, cabeça de rua, que reside atualmente fora da vila, tendo confiado a coordenação dos trabalhos a Vanda Carrilho.

“Fizemos uma reunião com os moradores e quando os moradores disseram ‘sim’, avançámos. Foi quando eu e o Zé dissemos: ‘Então vamos dar o nome da Rua de São João’. A Rua de São João está composta por dois nomes de ruas. Vai do princípio ao fim e temos ainda a Caleja de São João. Quando se arranja a Rua de São João, arranja-se tudo”, começa por explicar Vanda Carrilho.

A Rua de São João “há de ser sempre a mais bonita”

A responsável destaca o empenho coletivo colocado no projeto, sublinhando que, independentemente das comparações, para quem nela trabalhou esta será sempre a rua mais bonita.

“Levamos este projeto muito a fundo. Empenhámo-nos para que tudo corresse bem e para que realmente ficasse a rua mais bonita. Se calhar, aos olhos de outras pessoas, haverá ruas mais bonitas, mas para nós, pelo esforço, pelo empenho, pela dedicação e pelas horas que tivemos aqui, há de ser sempre a mais bonita”, comenta.

A adesão da população é um dos pontos fortes desta edição para o grupo. Além dos moradores, muitas pessoas com ligações familiares à rua têm contribuído para os trabalhos. Vanda Carrilho é um desses exemplos. Apesar de viver na zona nova da vila, mantém uma forte ligação afetiva à Rua de São João, onde viveram os seus avós.

“Este ano posso dizer que houve muita adesão a nível de moradores e não só. Temos pessoas que não moram aqui, mas por conhecimentos e ligações familiares têm-nos ajudado imenso. Também não moro aqui, sou da parte nova da vila, mas tenho aqui as minhas raízes. Foi sempre para esta rua que trabalhei e onde aprendi o que eram as Festas do Povo. Foram os meus avós, a minha mãe, as minhas tias e as restantes pessoas da rua que me incutiram este gosto. E nós vamos trazendo sempre amigos e familiares que moram na parte nova da vila”, recorda.

Flores de papel de nove cores darão alegria à Rua de São João

Os trabalhos do grupo liderado por Vanda e José tiveram início em janeiro e envolveram centenas de horas de dedicação. Este ano, a Rua de São João apresenta nove cores de flores e uma decoração de grande dimensão, distribuída por três arruamentos.

“Nove cores de flores na rua significam muita flor, muito corte, colagem, muito arame. Foi uma batalha. Só colunas são quase 80 ou 90. Temos entradas, muitos candeeiros, todas as colunas levam candeeiros e a rua no meio também. É um trabalho muito demorado”, confessa.

Do trabalho em casa aos serões em convívio

Durante os meses de inverno, grande parte das flores foi produzida nas casas dos voluntários. “No inverno, o pessoal gostou de trabalhar mais em casa. Estava frio, estava a chover, levavam o material e faziam em casa. Depois eu ia recolhendo e trazia tudo para a casa das flores, como lhe chamamos”, revela a responsável.

Quando a chuva e o frio deram tréguas, deu-se início aos tradicionais serões: “É nos serões que a gente vai fazendo as flores, brincando, conversando, cantando, comendo e bebendo, porque isso também faz parte da festa”.

Festas do Povo são “o maior espetáculo em flor que há no mundo”

Vanda Carrilho deixa ainda o convite a todos para que, de 8 a 16 de agosto, visitem as Festas do Povo: “Venham ver porque é uma coisa linda de se ver. O trabalho dos campomaiorenses e não só, porque temos muita gente que não é campomaiorense e que nos ajuda, mas o povo de Campo Maior esmera-se para proporcionar esta semana e mostrar o maior espetáculo em flor que há no mundo”.

Estratégia TERRA+ reúne parceiros regionais na CCDR Alentejo

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, I.P., acolheu, no passado dia 21 de julho, uma reunião de trabalho dedicada à Estratégia TERRA+, presidida pelo Presidente da CCDR Alentejo, I.P., Ricardo Pinheiro, e pelo Secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves. A iniciativa reuniu representantes das Comunidades Intermunicipais (CIM) do Alentejo, entidades gestoras de resíduos e organismos da Administração Pública, contando ainda com a presença dos Vice-Presidentes da CCDR Alentejo, I.P., Sónia Ramos, Vice-Presidente com responsabilidade na área do Ambiente, e Aníbal Reis Costa.

A sessão, realizada nas instalações da CCDR Alentejo, I.P., teve como principal objetivo promover o alinhamento estratégico e a articulação institucional entre os diversos agentes com responsabilidades na área do ambiente e da gestão de resíduos, no contexto da implementação da Estratégia TERRA+.

Estiveram representadas as Comunidades Intermunicipais do Alentejo Central, do Alentejo Litoral, do Alto Alentejo e do Baixo Alentejo, bem como a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Associação de Municípios do Alentejo Central (AMCAL). Participaram ainda responsáveis da GESAMB, RESIALENTEJO, AMBILITAL e VALNOR, entidades com um papel determinante na gestão e valorização de resíduos na região.

Durante os trabalhos foram analisados os desafios e oportunidades associados à concretização da Estratégia TERRA+, com particular enfoque no reforço da cooperação intermunicipal, na valorização de recursos, na melhoria do desempenho dos sistemas de gestão de resíduos e na promoção de soluções inovadoras alinhadas com os objetivos da economia circular e da sustentabilidade ambiental.

Na abertura da sessão, o Presidente da CCDR Alentejo, I.P., e o Secretário de Estado do Ambiente destacaram a importância da concertação entre a Administração Central, as autarquias e os operadores do setor para assegurar respostas eficazes aos desafios ambientais da região, sublinhando a necessidade de uma ação integrada e colaborativa para alcançar as metas nacionais e europeias em matéria de ambiente e clima.

A realização desta reunião permitiu consolidar a cooperação entre os vários parceiros institucionais e reforçar o compromisso coletivo com uma gestão mais sustentável dos recursos, contribuindo para o desenvolvimento equilibrado e resiliente do território alentejano.

A Estratégia TERRA+ afirma-se, assim, como um instrumento de referência para a promoção de soluções integradas e inovadoras, capazes de responder aos desafios ambientais atuais e futuros, através de uma atuação concertada entre todos os intervenientes do setor.

A CCDR Alentejo, I.P., continuará a promover espaços de diálogo e cooperação entre os diversos atores do território, reforçando o compromisso da região com a sustentabilidade e a economia circular.

JABA tem candidaturas abertas entre 24 de agosto e 25 de setembro

Estão abertas as candidaturas para a XX edição dos Prémios JABA – Certame Transfronteiriço de Criações Jovens 2026, uma iniciativa promovida pelo Ayuntamiento de Badajoz, através da sua Concejalia da Juventude, que pretende incentivar a criatividade artística e valorizar o talento dos jovens da Extremadura e do Alentejo.

Sob o lema “Vinte anos de criatividade sem fronteiras”, o concurso destina-se a jovens com idades compreendidas entre os 13 e os 35 anos, naturais ou residentes nestas duas regiões transfronteiriças, contemplando as áreas de audiovisual, banda desenhada, design gráfico, escultura, fotografia, fotojornalismo e pintura.

O concurso atribui prémios monetários aos melhores trabalhos apresentados, incluindo oito prémios de mil euros para participantes entre os 18 e os 35 anos e cinco prémios júnior, no valor de 400 euros, destinados aos jovens dos 13 aos 17 anos.

As obras a concurso deverão ser originais e inéditas, sendo o período de candidaturas e submissão dos trabalhos fixado entre os dias 24 de agosto e 25 de setembro de 2026. As candidaturas serão efetuadas através da plataforma da Concejalia da Juventude de Badajoz, seguindo as normas definidas para cada modalidade artística.

Ao longo de duas décadas, os Prémios JABA têm-se afirmado como uma referência no apoio à criação artística jovem na Eurocidade, promovendo o intercâmbio cultural entre Portugal e Espanha e proporcionando oportunidades de divulgação e valorização dos novos talentos.

Para além dos prémios atribuídos, as obras selecionadas poderão integrar exposições promovidas pela organização durante os anos de 2026 e 2027, contribuindo para dar maior visibilidade ao trabalho desenvolvido pelos jovens artistas participantes.

Parceria inovadora garante ATL de Verão para alunos com necessidades especiais em Elvas

A APPACDM de Elvas e o Município de Elvas estabeleceram uma parceria inédita para assegurar um ATL de Verão destinado a alunos com necessidades educativas especiais, integrados nos Centros de Apoio à Aprendizagem (CAA) das escolas locais.

Este projeto, que decorre ao longo do mês de julho, responde a um problema recorrente de dezenas de famílias que, com a chegada das férias escolares, não tinham onde deixar os seus filhos enquanto trabalham. “Sempre foi uma grande preocupação nossa e dos pais. Conseguimos estruturar esta resposta para garantir que estes jovens continuam a ter uma rotina ativa, com atividades adaptadas e acompanhamento especializado”, refere Luís Mendes.

O presidente da instituição faz um balanço muito positivo desta fase de arranque, destacando que “o feedback dos encarregados de educação tem sido excelente, o que prova a extrema necessidade deste projeto pioneiro na nossa cidade”.

Falta de voluntários não trava a Mouraria de Cima: união mantém viva a tradição das Festas do Povo

A Rua da Mouraria de Cima, uma das cerca de uma centena de artérias de Campo Maior que, entre 8 e 16 de agosto, se transformará num autêntico jardim de flores de papel, vive o intenso trabalho de preparação para as Festas do Povo. Entre cortes, dobragens e montagens, o espírito de entreajuda mantém-se bem vivo, apesar das dificuldades em reunir voluntários suficientes.

À frente da organização dos trabalhos de ornamentação da rua estão Lucila Meira e Rute Pingo, que, curiosamente, não residem na Mouraria de Cima, mas que continuam profundamente ligadas ao local. Já em 2015 tinham sido também elas as cabeças de rua.

Lucila Meira explica que aceitou novamente o desafio de ser cabeça de rua para garantir que aquela artéria não ficava de fora da festa. “A minha rua não é esta, mas estou aqui a trabalhar e então juntei-me às vizinhas aqui da rua e demos o nome para ser cabeça de rua. Não havia mais quem quisesse ser cabeça de rua. Para a rua se arranjar alguém tinha que ser cabeça de rua e encarregar-se disso e nós tomámos essa decisão”, revela.

Já Rute Pingo recorda a ligação de décadas à rua, onde teve um comércio durante muitos anos: “Eu não moro aqui, mas tive aqui um comércio durante 30 anos e, por isso, considero a rua como minha.”

Moradores de outras ruas ajudam a colmatar a falta de voluntários na Mouraria de Cima

Uma das novidades deste ano é o reforço da equipa com pessoas de outras ruas da vila, uma situação pouco habitual, mas que surge como resposta à diminuição do número de participantes locais.

Segundo Rute Pingo, cerca de 20 pessoas estão envolvidas nos trabalhos, embora apenas uma parte pertença efetivamente à Rua da Mouraria de Cima. “Nos outros anos nunca vinha gente de fora da rua. Este ano é que está a acontecer isso, porque a rua cada vez vai tendo menos pessoas para fazerem as coisas. Então este ano houve um grupo de pessoas e um grupo de jovens que se prontificaram para nos vir ajudar”, adianta.

Trabalho em equipa e partilha de conhecimentos

Apesar da exigência do trabalho, o ambiente é marcado pelo consenso e pela colaboração. Depois de definido o projeto decorativo da rua, todos participaram na escolha das cores e aprenderam as técnicas necessárias para criar as tradicionais flores de papel.

Rute Pingo destaca o papel de uma moradora experiente, que transmitiu os conhecimentos ao restante grupo. “Aqui não se briga, chega-se a um acordo. Depois de termos o projeto da rua, combinámos as cores que queríamos, tudo num tom mais de rosa. Depois há uma pessoa aqui na rua, a vizinha Zica, que sabe fazer as flores e que nos ensinou. Foi ela que nos deu os moldes e ensinou a fazer a montagem das flores”, refere.

O futuro da tradição depende das novas gerações

Embora o entusiasmo continue presente, as responsáveis admitem alguma preocupação com o futuro das Festas do Povo, numa altura em que a população envelhece e se torna mais difícil encontrar quem assuma a responsabilidade de organizar as ruas.
Para Lucila Meira, a continuidade desta tradição centenária dependerá da disponibilidade dos mais jovens.

“É uma festa já muito antiga e nós queríamos que isto não acabasse, mas há pouca gente para trabalhar e não sei se conseguimos que se façam novamente as festas. Tudo depende da mocidade, porque os mais velhos vão partindo e os mais novos é que têm de apanhar essa responsabilidade. Desde que eles queiram, tudo se consegue”, garante.

O orgulho de ver a rua brilhar

Apesar do cansaço acumulado pelas longas horas de trabalho, a motivação mantém-se intacta. O objetivo é simples: fazer da Rua da Mouraria de Cima uma das mais bonitas das Festas do Povo.

Lucila Meira não esconde o orgulho pelo trabalho desenvolvido e a vontade de voltar a surpreender quem visitar Campo Maior.
“A nossa rua normalmente fica sempre mais bonita e este ano esperamos que o nosso trabalho seja também dos melhores. Para isso, nós temos de lutar para que isso aconteça. As nossas coisas são sempre melhores que as outras. Portanto, a rua, embora não seja nossa, temos orgulho que fique mais bonita. Esperamos aproveitar o trabalho que temos aqui, embora o cansaço nos esteja a querer vencer, mas nós não nos queremos deixar vencer pelo cansaço”, remata.