Elvense Eva Oliveira representa Portugal no Mrs. Europe na Estónia após conquistar título nacional

A elvense Eva Oliveira foi coroada, no passado dia 24 de julho, em Amarante, Mrs. Europe Portugal. A distinção vale-lhe agora a oportunidade de representar Portugal na edição europeia do concurso, que decorre na Estónia entre os dias 15 e 20 de setembro.

Aos 45 anos, prestes a completar 46, Eva Oliveira assume este desafio com entusiasmo, mas também com algum nervosismo, reconhecendo a responsabilidade acrescida de levar o nome de Portugal a uma competição internacional.

“É verdade que desta vez a responsabilidade é mais acrescida. É um desafio muito grande. Vou representar Portugal e todas as mulheres portuguesas, na Estónia, no Mrs. Europa”, afirma Eva, que admite estar a sair da sua zona de conforto, mas feliz por abraçar uma nova experiência.

A vitória alcançada em Amarante não estava, contudo, nos planos de Eva. Quando foi convidada pela organização CNB Portugal para participar, a primeira reação foi de surpresa. “Será que não se enganaram?”, recorda, explicando que não esperava conquistar a coroa perante a presença de várias mulheres preparadas para concursos internacionais.

Agora, a preparação para a viagem está a ser vivida com intensidade. O concurso europeu não se resume a um desfile, mas inclui vários dias de atividades, desafios e avaliações. Esta fase, habitualmente designada por “estágio”, antecede a final e permite às participantes demonstrar diferentes capacidades para além da imagem.

Para Eva Oliveira, num concurso desta natureza contam “muitas coisas”: a postura, a cultura, a forma de vestir, a comunicação e até a maneira de viver. “Não basta ter uma cara bonita e um corpo bem feito”, sublinha.

A participação assume ainda um significado especial pelo percurso da modelo elvense. Eva começou no mundo da moda aos 18 anos, mas acabou por interromper a atividade para se dedicar à família e aos filhos. Regressou ao universo da moda já aos 42 anos, quase por acaso, e desde então tem vindo a participar em concursos e trabalhos ligados à área.

A representação portuguesa na Estónia surge, assim, como a concretização de algo que, há alguns anos, parecia improvável. “Era impensável eu participar num concurso internacional”, confessa.

Mais do que conquistar uma coroa, Eva Oliveira pretende também deixar uma mensagem de confiança e inspiração a outras mulheres, defendendo que nunca é tarde para concretizar sonhos. “Quero ser exemplo para outras mulheres”, afirma, considerando que a evolução dos concursos e do próprio mundo da moda tem permitido quebrar barreiras relacionadas com a idade, o estado civil ou a maternidade.

A dimensão social é igualmente uma componente importante da participação. Eva Oliveira decidiu associar a sua presença no concurso à luta contra o cancro da mama, uma causa que considera particularmente relevante enquanto mulher. Através das redes sociais, pretende contribuir para a divulgação da causa e sensibilizar para uma doença que continua a afetar muitas famílias.

Na Estónia, a elvense irá encontrar concorrentes de vários países europeus e terá pela frente uma semana de grande intensidade, com atividades cujo programa ainda não conhece na totalidade. Entre os objetivos está também a possibilidade de conhecer uma nova cultura e, se a agenda permitir, descobrir um pouco da cidade que acolherá o concurso.

Apesar da expectativa natural em torno dos resultados, Eva Oliveira parte sem colocar a conquista da coroa como condição para considerar a experiência um sucesso. “Vou mais para conhecer, para participar no concurso, representar Portugal e para me divertir”, explica.

A família será, uma vez mais, o seu principal apoio. O marido, que já tinha sido determinante no seu regresso ao mundo da moda, e os filhos acompanham esta nova aventura e incentivam Eva a abraçar aquilo a que chama algumas das suas “loucuras”.

Além do título de Mrs. Europe, o concurso poderá atribuir outras distinções, como primeira e segunda dama, bem como prémios associados a categorias específicas, entre elas talento, fotogenia ou simpatia.

Independentemente da classificação final, a elvense considera que a conquista já começou. Representar Elvas, o Alentejo e Portugal  num palco europeu constitui, para si, uma vitória pessoal e a prova de que “nunca é tarde” para perseguir novos desafios.

A entrevista completa a Eva Oliveira para ouvir no podcast abaixo:

Orçamento Participativo: “Meet Elvas” quer transformar a visita à cidade numa experiência digital e interativa

O projeto “Meet Elvas” é uma das 14 propostas submetidas à votação na edição deste ano do Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Elvas. A iniciativa pretende criar uma plataforma digital interativa associada a um passaporte colecionável, com o objetivo de transformar a descoberta do património elvense numa experiência mais dinâmica, acessível e adaptada aos novos hábitos dos visitantes.

Um dos responsáveis pelo projeto é Cláudio Belo, informático de profissão, que integra uma equipa multidisciplinar composta por profissionais ligados a diferentes áreas.

Um guia turístico no telemóvel

Em traços gerais, o “Meet Elvas” pretende funcionar através de uma aplicação móvel e de um passaporte que os visitantes poderão adquirir em diferentes pontos da cidade. Ao longo do percurso, será possível visitar monumentos, recolher carimbos, responder a questionários e acumular pontos.

Através da aplicação, os utilizadores poderão “ver os monumentos em 3D, ter alguma informação visual e gráfica sobre os monumentos” e conhecer a sua história de uma forma mais interativa, explica Cláudio Belo.

A ideia passa também por responder a uma realidade cada vez mais comum no turismo: nem todos os visitantes têm disponibilidade ou vontade para ler grandes quantidades de informação durante uma visita. Com o “Meet Elvas”, “o guia seria o telemóvel”, resume o responsável.

História contada através de encenações

Uma das componentes diferenciadoras do projeto será a utilização de atores e conteúdos audiovisuais para recriar episódios e ambientes históricos associados aos monumentos. Os visitantes poderão assistir a “encenações históricas feitas por atores” e conhecer, através de personagens fictícias, “como era antigamente esse monumento”.

A componente de gamificação será igualmente importante. Cada monumento poderá representar uma etapa do percurso, com questionários associados e atribuição de pontos. A equipa pretende ainda criar prémios e estabelecer parcerias com entidades locais, permitindo eventualmente trocar pontos por descontos ou outras vantagens.

O objetivo é que o circuito não se limite aos locais mais conhecidos da cidade. “Queremos dinamizar todos os monumentos e não só o castelo ou só os fortes”, sublinha Cláudio Belo, defendendo uma maior divulgação do património existente nas diferentes freguesias do concelho.

Um projeto criado por elvenses que regressaram à cidade

A equipa responsável pelo “Meet Elvas” reúne profissionais de diferentes áreas, muitos deles com uma ligação pessoal à cidade. “Somos retornados a Elvas. Tivemos todos fora e voltámos para Elvas”, explica Cláudio Belo. Foi desse reencontro e da vontade de aplicar na cidade conhecimentos adquiridos noutras áreas que nasceu a ideia.

“Pensámos: por que não fazer algo que já existe fora de Elvas, mas cá em Elvas?”, conta. A intenção é juntar competências de informática, tecnologia, teatro, cinema, artes gráficas e 3D para criar um produto desenvolvido localmente e pensado especificamente para o património e a realidade elvense.

Uma experiência acessível e em vários idiomas

O projeto prevê que a aplicação possa ser disponibilizada em vários idiomas, entre os quais português, espanhol, inglês e francês, estando a equipa a considerar a inclusão de seis ou sete línguas.

A preocupação é tornar a experiência acessível ao maior número possível de visitantes, evitando que a barreira linguística prejudique a compreensão do património.

A aplicação deverá também adaptar-se a diferentes públicos. “O nosso objetivo é termos uma interface que seja adaptável para idosos, para mais novos, para todos conseguirem aproveitar a aplicação e desfrutar da experiência”, explica Cláudio Belo.

Atrair os mais jovens para o património

Outro dos objetivos passa por aproximar os públicos mais jovens da história e da cultura de Elvas, recorrendo a mecanismos de jogo e a uma componente social integrada na própria plataforma.

A equipa pretende criar uma experiência que incentive os utilizadores a explorar a cidade, completar desafios e partilhar os conteúdos nas redes sociais. “Vamos tentar atrair também o público mais jovem com esse joguito”, afirma o informático.

A estratégia poderá permitir que os próprios visitantes funcionem como promotores da cidade, através da partilha das experiências proporcionadas pela aplicação móvel nas redes sociais.

25 mil euros para desenvolver o projeto

A candidatura apresenta um orçamento de 25 mil euros, o valor máximo disponível no âmbito do Orçamento Participativo. A verba seria utilizada sobretudo no desenvolvimento da aplicação e da infraestrutura tecnológica, incluindo alojamento, servidores e outros recursos necessários.

Parte do investimento seria igualmente destinada à produção dos conteúdos, contratação de atores, figurinos, gravações e outros materiais. A equipa estima que o desenvolvimento envolva inicialmente cerca de quatro a cinco profissionais, entre programadores, designer, elementos ligados ao teatro e profissionais de cinema.

Cláudio Belo reconhece que a concretização do projeto exigirá vários meses de trabalho, incluindo uma fase de testes e aperfeiçoamento. A manutenção da plataforma deverá também ser contínua, permitindo corrigir erros e acrescentar novos conteúdos à medida que o património e a oferta cultural do concelho evoluem.

Apesar de considerar o financiamento essencial para concretizar a proposta na sua dimensão prevista, a equipa admite avançar com uma versão mais económica caso o projeto não seja o escolhido no Orçamento Participativo.

Para já, a decisão está nas mãos dos elvenses. Cláudio Belo apela à participação da população na votação do Orçamento Participativo, que decorre até 2 de outubro, esperando que o “Meet Elvas” consiga conquistar o apoio necessário para transformar a ideia numa nova forma de descobrir o património, a cultura e as histórias do concelho.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

Orçamento Participativo: Joaquim Santos quer aproximar crianças da poesia e preservar a tradição da ronca em Elvas

O escritor e professor Joaquim Santos tem a votação o projeto “Quadras com Tradição – Poesia Escrita ao Som da Ronca” à edição deste ano do Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Elvas. O objetivo da iniciativa é promover o gosto pela poesia e pela escrita junto das crianças, ao mesmo tempo que procura preservar e valorizar a cultura e as tradições locais.

Poesia para os mais novos

Inserido na área temática da Cultura, Ciência e Património, o projeto destina-se sobretudo a crianças do terceiro e quarto anos do primeiro ciclo e do quinto e sexto anos do segundo ciclo, com idades aproximadas entre os oito e os 12 anos.

Segundo Joaquim Santos, a ideia nasceu da necessidade de encontrar formas mais apelativas de trabalhar o texto poético junto dos mais novos. O professor considera que, apesar de a poesia poder ser uma das áreas mais exigentes para ensinar nas escolas, o seu ritmo e musicalidade podem também constituir uma oportunidade para captar a atenção das crianças.

A ronca como ponto de ligação

É neste contexto que surge a ligação à ronca, instrumento tradicional associado à identidade cultural de Elvas. O projeto pretende juntar a escrita poética à tradição musical e artesanal, criando uma abordagem multidisciplinar.

A iniciativa prevê uma primeira fase escolar, através de oficinas itinerantes nas escolas do concelho, incluindo as freguesias. As sessões deverão envolver professores, poetas populares e artesãos locais, conjugando a componente literária com o conhecimento da ronca e da sua construção.

Durante as oficinas serão realizadas atividades de escrita criativa e leitura de poesia, com particular atenção a autores ligados ao concelho, como António Dinis da Cruz e Silva e António Sardinha. Os alunos terão ainda contacto com a componente acústica e artesanal da ronca, procurando perceber a relação entre o ritmo do instrumento e a métrica das quadras.

Um livro com as quadras das crianças

“Quadras com Tradição” prevê também a criação de um livro em formato papel, reunindo as quadras produzidas pelas crianças ao longo do projeto. O objetivo é que o trabalho desenvolvido nas escolas resulte num produto final que possa permanecer como registo da participação dos mais novos.

Numa segunda fase, de carácter comunitário, está prevista uma apresentação pública dos trabalhos realizados pelas crianças, integrada num dos eventos promovidos pelo Município de Elvas. A iniciativa pretende, assim, envolver também as famílias e proporcionar aos participantes uma experiência de apresentação em palco.

Transmissão de saberes entre gerações

Para Joaquim Santos, uma das principais metas passa por reforçar a transmissão entre gerações. A presença de poetas populares e artesãos locais nas atividades permitirá aproximar as crianças de pessoas que guardam conhecimentos e memórias ligados à cultura elvense.

O projeto pretende ainda combater o desinteresse pela leitura e pela escrita através de metodologias mais lúdicas, unir a criatividade literária à preservação do património local e promover uma maior transmissão geracional das tradições.

Candidatura com orçamento de 23.850 euros

A candidatura dispõe de um orçamento de 23.850 euros, destinado, entre outros aspetos, à construção de roncas com materiais reciclados para as crianças participantes e à produção do livro final.

Joaquim Santos deixou um apelo aos elvenses para que participem na votação do Orçamento Participativo e escolham o projeto caso considerem que deve ser concretizado.

“Defendemos a nossa cultura, a nossa tradição e achamos que deve ser passada às nossas crianças porque são elas o nosso futuro”, afirmou o escritor, sublinhando ainda a importância de mostrar aos mais novos que “com as palavras também se pode brincar e também se pode aprender a brincar”.

Com “Quadras com Tradição”, a proposta passa, assim, por aproximar as crianças da poesia através da criatividade, da música e da cultura local, procurando garantir que tradições como a ronca e a poesia popular continuam presentes nas gerações futuras.

A entrevista completa a Joaquim Santos para ouvir no podcast abaixo:

Aqueduto da Amoreira volta à televisão na corrida às Novas 7 Maravilhas de Portugal

O Aqueduto da Amoreira, em Elvas, continua na corrida para ser consagrado como uma das Novas 7 Maravilhas de Portugal e vai voltar a estar em destaque na televisão no próximo dia 29 de agosto, durante a final regional do Alentejo e Ribatejo do concurso.

A sessão, com transmissão em direto na TVI, será uma nova oportunidade para apresentar ao país a história e a importância de um dos maiores símbolos de Elvas. A representar o monumento estará José Manuel Martins, antigo guia do Forte de Santa Luzia e estudioso autodidata da história da cidade.

Três minutos para contar mais de 500 anos de história

Em entrevista à Rádio ELVAS, José Manuel Martins sublinha que o principal desafio será conseguir condensar séculos de história em apenas três minutos de televisão. “Lá só temos três minutos e não dá para quase nada”, explica, defendendo que, apesar do pouco tempo disponível, é fundamental dar a conhecer aos portugueses “o que é que se passou durante os 93 anos da construção” do Aqueduto da Amoreira.

Uma resposta à falta de água em Elvas

A história do monumento remonta ao século XVI, durante o reinado de D. Manuel I, numa altura em que Elvas enfrentava um grave problema de abastecimento de água. Segundo José Manuel Martins, a cidade possuía inúmeros palacetes equipados com poços e cisternas, mas a nascente subterrânea que abastecia a população acabou por secar. “Elvas ficou sem água. Então o rei D. Manuel teve que resolver o problema”, recorda.

A solução passou pela captação de água a cerca de 15 quilómetros da cidade, nomeadamente na zona da Serra do Bispo, perto de Vila Fernando, e por outras nascentes. A água era depois conduzida até Elvas através de uma gigantesca estrutura que viria a marcar para sempre a paisagem da cidade.

Um projeto que obrigou a elevar o aqueduto

O projeto não foi, contudo, simples. O aqueduto inicialmente construído tinha cerca de 25 metros de altura, mas a água não conseguia chegar aos pontos de abastecimento pretendidos.

“Tiveram que subir o aqueduto mais seis metros, que hoje é a altura que tem, 31 metros, para a água chegar à Fonte de São Lourenço e à Fonte das Viúvas”, explica o estudioso.

A construção obrigou também à criação de mecanismos extraordinários de financiamento. Entre eles esteve o chamado “real de água”, um imposto aplicado sobre determinados produtos de consumo.

93 anos de construção e uma chegada celebrada pela população

O processo foi longo e atravessou diferentes reinados e períodos políticos. Durante o período dos Filipes, a construção chegou a estar parada, mas acabaria por ser retomada, uma vez que o abastecimento de água era essencial para a cidade.

A obra foi finalmente concluída em 1622, momento que, segundo José Manuel Martins, foi vivido com grande entusiasmo pela população. “Foi a primeira vez que correu água dentro da cidade. Houve bailaricos e toque de charamelas”, conta, referindo-se às celebrações associadas à chegada da água à Fonte da Misericórdia.

O aqueduto que também transformou Elvas

O Aqueduto acabaria por ter também um papel importante na própria transformação urbanística de Elvas. A estrutura chegou a prolongar-se para dentro da cidade e ainda hoje existem vestígios dessa antiga construção.

José Manuel Martins recorda, por exemplo, que a atual Fonte da Misericórdia não corresponde ao local original onde a água chegou à cidade. “A fonte onde iniciou foi no Lar da Misericórdia, onde está hoje a estátua do rei D. Manuel I”, revela.

Uma obra ligada à defesa da cidade

O aqueduto está ainda ligado à construção de importantes estruturas defensivas da cidade. Com a evolução da artilharia, tornou-se necessário criar uma passagem que permitisse a entrada dos grandes canhões em Elvas sem destruir as muralhas.

“O viaduto foi feito para os canhões poderem entrar dentro da cidade”, explica José Manuel Martins, recordando que as dimensões dos canhões não permitiam que estes fizessem as curvas junto às portas da cidade.

A intervenção acabaria por alterar parte do próprio aqueduto e da rede de abastecimento, incluindo a construção de uma impressionante estrutura subterrânea. “É uma autêntica igreja debaixo do chão. É linda”, descreve o guia, referindo-se à grande estrutura subterrânea de canalização e proteção da água.

O aqueduto sobreviveu à Guerra da Restauração

A história do Aqueduto da Amoreira cruza-se ainda com os conflitos militares que marcaram Elvas. Durante a Guerra da Restauração, chegou a existir a possibilidade de o monumento ser destruído, mas a necessidade de garantir o abastecimento de água acabou por prevalecer.

“Na altura da Batalha das Linhas de Elvas, os espanhóis ainda pensaram em destruir o aqueduto, mas tiveram bom senso, pensaram duas vezes”, conta José Manuel Martins.

Apesar disso, houve danos provocados na parte superior do monumento, com os canais de água a serem deliberadamente destruídos. “A água, em vez de correr para a cidade, corria para o chão. Mas o monumento ficou erguido. Esta ganhámos nós”, afirma, associando a resistência do aqueduto à própria história militar de Elvas.

“A chave do reino” e o orgulho em ser elvense

Para José Manuel Martins, a história do monumento não pode ser dissociada da importância estratégica da cidade, conhecida como a “chave do reino”.

“Tenho muito orgulho em ser elvense e português”, afirma, sublinhando a importância de preservar e transmitir às novas gerações o conhecimento sobre o património local.

Essa ligação à história de Elvas acompanha José Manuel Martins desde jovem. O estudioso conta que nunca perdeu o interesse pelos livros de história e que a passagem pela Câmara Municipal acabou por aprofundar ainda mais essa paixão.

Uma vida dedicada à história e ao património

Mesmo depois de ter terminado a atividade profissional na Câmara Municipal, José Manuel Martins continua ligado à divulgação do património da cidade, através das visitas guiadas.

“Temos que gostar do que estamos a fazer, senão não vale a pena”, afirma.

Agora, o desafio é outro: levar essa paixão pelo património elvense à televisão e convencer os portugueses a votar no Aqueduto da Amoreira.

Aqueduto enfrenta forte concorrência

José Manuel Martins reconhece a importância da Barragem do Alqueva, o outro candidato na categoria “Grandes Obras” nesta fase do concurso, mas considera que a antiguidade e o reconhecimento internacional do monumento elvense são argumentos fortes. “O Alqueva é uma coisa recente. É uma grande obra, não há dúvida nenhuma. Mas o nosso aqueduto tem mais de 500 anos”, recorda.

O guia turístico recorda ainda que Elvas possui um reconhecimento internacional de enorme importância: a classificação como Património Mundial da UNESCO, atribuída em 2012. “Temos o selo da UNESCO”, destaca, lembrando o processo que levou à classificação da cidade e das suas fortificações.

A distinção, considera, teve também impacto direto no turismo e na notoriedade de Elvas. “As visitas aqui em Elvas triplicaram”, recorda José Manuel Martins, que durante os anos em que trabalhou na Câmara acompanhou de perto a evolução do número de visitantes aos monumentos da cidade.

Um apelo aos elvenses para votar

É com esse património, essa história e esse orgulho elvense que o Aqueduto da Amoreira vai agora enfrentar mais uma etapa na corrida às Sete Novas Maravilhas de Portugal.

José Manuel Martins deixa um apelo direto aos conterrâneos: “Espero que os nossos conterrâneos e amigos votem todos no Aqueduto da Amoreira”. E reforça: “É uma insignificância, não custa nada”.

O objetivo é conseguir mobilizar os elvenses dentro e fora do concelho e mostrar, uma vez mais, a força de um monumento que, há mais de cinco séculos, faz parte da identidade da cidade. “Nós nunca perdemos a esperança. Nós vamos e tentamos ver o que é que podemos fazer de melhor”, conclui José Manuel Martins.

Final regional realiza-se em Santarém

A final regional do Alentejo e Ribatejo realiza-se no dia 29 de agosto, no Jardim das Portas do Sol, em Santarém, com transmissão em direto na TVI, a partir das 15 horas. Elvas estará representada pelo Aqueduto da Amoreira e pela voz de quem há décadas se dedica a estudar, preservar e contar a história da cidade.

A entrevista completa para ouvir no podcast:

Bruno Belchior candidata requalificação do parque infantil e do polidesportivo de Varche ao Orçamento Participativo

Bruno Belchior é o proponente de um dos 14 projetos que estão este ano a votação no Orçamento Participativo promovido pela Câmara Municipal de Elvas. A proposta pretende intervir no parque infantil e no polidesportivo de Varche, equipamentos que, segundo o responsável, apresentam sinais de degradação e necessitam de obras de requalificação.

Em entrevista à Rádio Elvas, Bruno Belchior explicou que a candidatura surgiu da necessidade de proporcionar melhores condições às crianças da freguesia, incluindo as que frequentam o infantário local.

Parque infantil precisa de novos equipamentos

De acordo com o candidato, o pavimento do parque infantil encontra-se “completamente degradado” e os equipamentos existentes necessitam de ser substituídos.

A proposta prevê, assim, a instalação de um novo piso e de novos equipamentos, de forma a tornar o espaço mais seguro e adequado à utilização pelas crianças da freguesia e pelos alunos do infantário.

Bruno Belchior considera que, apesar do reduzido número de crianças atualmente existente em Varche, é fundamental garantir-lhes condições para brincar e desenvolver atividades ao ar livre.

Intervenção também no polidesportivo

A candidatura inclui ainda uma intervenção no polidesportivo, com cerca de duas décadas de existência e que, segundo o responsável, também apresenta sinais de degradação.

Entre as necessidades identificadas estão a reparação e substituição das redes que delimitam o espaço, que se encontram danificadas.

A maior parcela do orçamento previsto, no valor máximo de 25 mil euros, deverá ser destinada ao parque infantil, ficando uma parte menor reservada para as intervenções no polidesportivo e na envolvente.

Segurança, atividade física e bem-estar

Para Bruno Belchior, a requalificação destes espaços representa mais do que uma melhoria das infraestruturas. O projeto pretende também promover a atividade física ao ar livre e reforçar a segurança das crianças.

O proponente considera que a prática desportiva é essencial para o bem-estar de crianças e adultos e defende que melhores condições de segurança permitem também maior tranquilidade às famílias que utilizam os equipamentos.

A intervenção poderá beneficiar não apenas os residentes em Varche, mas também pessoas de outras localidades que utilizem os espaços.

Manter o infantário e criar melhores condições para as crianças

Um dos objetivos apontados por Bruno Belchior passa ainda por contribuir para a manutenção do infantário da freguesia, proporcionando melhores condições às crianças que o frequentam.

O proponente recorda que ele próprio frequentou aquela instituição e que os seus filhos também passaram pelo infantário. Atualmente, embora o número de crianças seja reduzido, defende que todas devem ter acesso a espaços adequados.

“Temos que dar condições a essas crianças”, sublinhou, apelando à participação da população na votação.

Projeto nasceu depois de uma primeira proposta

A candidatura ao Orçamento Participativo não foi, inicialmente, pensada para o parque infantil. Bruno Belchior revelou que a sua primeira intenção era apresentar uma proposta relacionada com as associações de Varche.

No entanto, após a recolha de orçamentos, verificou que a intervenção necessária ultrapassaria largamente os 25 mil euros disponíveis, com os valores apresentados a chegarem a ser três ou quatro vezes superiores.

Perante essa situação, e depois de conversar com a presidente da Junta de Freguesia de São Brás e São Lourenço, decidiu avançar com uma proposta centrada no parque infantil e no polidesportivo.

Apelo ao voto até 2 de outubro

O projeto foi entretanto aprovado para votação, depois de um processo que, segundo Bruno Belchior, envolveu algumas dificuldades e burocracias, tendo sido necessário recorrer ao apoio dos técnicos da Câmara Municipal para formalizar a candidatura.

Este ano estão a votação 14 projetos, o número mais elevado de sempre numa edição do Orçamento Participativo de Elvas, o que poderá tornar a escolha mais difícil.

Bruno Belchior deixa, por isso, um apelo à população de Varche e a todos aqueles que tenham crianças a frequentar o infantário para que participem na votação.

O objetivo, afirma, não é apenas concretizar uma proposta apresentada por si, mas criar melhores condições para as crianças e contribuir para o futuro da freguesia.

A votação decorre até 2 de outubro.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

Graça Amiguinho candidata coletânea de contos sobre a história de Elvas ao Orçamento Participativo

A escritora elvense Graça Amiguinho surge entre os 14 candidatos à edição deste ano do Orçamento Participativo de Elvas, com o projeto “Elvas nas Brumas do Tempo”, uma obra literária que pretende dar a conhecer a história, as figuras e o património do concelho através de contos inspirados em factos históricos e ficção.

Em entrevista, a autora explica que a ideia nasceu da vontade de valorizar a identidade local através da literatura: “Escrevo há muitos anos e senti que a história, as pessoas e o património de Elvas mereciam ser conhecidos através da literatura.”

Treze contos para contar a história de Elvas

O projeto reúne 13 contos, cada um dedicado a uma personagem ou a um tema ligado à história do concelho, permitindo ao leitor viajar por diferentes épocas, desde a Idade Média até períodos mais recentes. Inicialmente concebida como um único livro com cerca de 500 páginas, a obra acabou por ser dividida em vários volumes para facilitar a leitura e a publicação.

Entre as figuras retratadas encontram-se António Tomás Pires, António Sardinha, José da Silva Picão e Públia Hortênsia de Castro. As histórias incluem também referências ao património material e imaterial de Elvas, como o Aqueduto da Amoreira, o Castelo, o Forte da Graça, a Ponte de Ajuda, a romaria do Senhor Jesus da Piedade e tradições populares das freguesias do concelho.

Segundo Graça Amiguinho, a componente ficcional surge para tornar a leitura mais apelativa, sem perder o rigor histórico. “Procuro ter conhecimentos da realidade, mas depois floreio as histórias. A imaginação é a mãe de um escritor”, assegura.

Preservar a memória através da literatura

A autora sublinha que o principal objetivo do projeto não passa pela vitória no Orçamento Participativo, mas sim pela divulgação da história e das tradições de Elvas junto de diferentes públicos.

“O meu objetivo não é vencer este concurso. O meu objetivo é que estes contos cheguem aos leitores e os ajudem a valorizar a memória da nossa cidade”, garante.

Graça Amiguinho considera que a coleção poderá ser utilizada em escolas, centros de dia e outras instituições, aproximando crianças, jovens e idosos do património histórico e cultural do concelho. Ao longo das histórias são retratadas as aldeias do concelho, os seus habitantes, tradições, costumes e acontecimentos marcantes que fazem parte da identidade elvense.

História e ficção de mãos dadas

Ao longo da obra são abordados episódios marcantes da história local, como a construção do Aqueduto da Amoreira, as Guerras da Restauração, a Guerra das Laranjas, a perda de Olivença e a batalha das Linhas de Elvas, sempre acompanhados por narrativas ficcionadas que procuram despertar o interesse do leitor.

A escritora explica que realiza uma investigação histórica rigorosa antes de escrever cada conto, procurando garantir a fidelidade aos factos, embora recorra à imaginação para construir personagens, diálogos e enredos que tornem a leitura mais envolvente.

Um projeto de 25 mil euros

O projeto apresenta um orçamento de 25 mil euros, destinado à edição de mil exemplares da obra. Apesar de reconhecer as dificuldades do processo de votação online do Orçamento Participativo, Graça Amiguinho mostra-se satisfeita por poder apresentar a sua proposta aos elvenses.

Caso o projeto não seja o mais votado, garante que continuará a procurar alternativas para concretizar a publicação: “Acho que é uma obra que não se pode perder. É a história da nossa terra, das nossas gentes, das nossas tradições e do nosso futuro”

Uma mensagem para o futuro

Entre os contos encontra-se ainda uma narrativa dedicada à Eurocidade Elvas – Campo Maior – Badajoz, estabelecendo uma ligação entre o passado e a cooperação transfronteiriça, que a autora considera fundamental para o futuro da região.

No final da entrevista, Graça Amiguinho deixa uma mensagem aos elvenses, destacando a importância de preservar a memória coletiva: “Um povo que conhece a sua história caminha com mais segurança para o futuro. O meu convite é para que todos descubram em Elvas nas Brumas do Tempo uma janela aberta para a nossa história. Se, depois de lerem estas histórias, olharem para Elvas com um pouco mais de orgulho e curiosidade, então o meu trabalho terá valido a pena.”

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

Orçamento Participativo: “Conexão Futuro” promete facilitar a transição para a vida adulta

“Conexão Futuro”, de Lívia Rocha, é um dos 14 projetos que se encontra a votação à edição deste ano do Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Elvas: uma proposta direcionada aos alunos do 12.º ano que pretende facilitar a transição entre o ensino secundário, a universidade e o mercado de trabalho.

Em entrevista à Rádio Elvas, a promotora explica que o objetivo passa por preparar os jovens para os desafios que encontram após concluírem o ensino secundário, através de um conjunto de formações práticas ao longo do ano letivo. A implementação do projeto será feita em articulação com a Escola Secundária de Elvas, cuja direção já manifestou disponibilidade para colaborar na iniciativa.

Uma resposta às dificuldades da transição

Segundo Lívia Rocha, o projeto nasceu da sua experiência profissional e académica na área da educação e dos recursos humanos. Assistente social de formação, mestre em Gestão de Recursos Humanos e atualmente doutoranda em Economia Circular na Escola Superior de Biociências de Elvas, a responsável acredita que muitos jovens chegam à universidade ou ao mercado de trabalho sem estarem preparados para as novas exigências.

“Os alunos passam muitos anos num ambiente escolar protegido e, quando fazem essa transição, enfrentam uma realidade completamente diferente. A intenção é dar-lhes ferramentas para que esse processo seja mais seguro e consciente”, explica.

Formação prática e competências para o futuro

O “Conexão Futuro” prevê sessões dedicadas ao desenvolvimento de competências pessoais e profissionais, abordando temas como inteligência emocional, gestão de conflitos, diversidade, responsabilidade social, sustentabilidade, economia circular, economia social e inovação social. A proposta inclui ainda ações de sensibilização para a prevenção da violência escolar, do bullying e do ciberbullying.

Ao contrário de um modelo de ensino tradicional, as atividades serão desenvolvidas de forma prática e participativa, recorrendo a dinâmicas de grupo, trabalhos colaborativos, vídeos, debates e outras metodologias ativas. Os próprios alunos serão envolvidos na definição de algumas das atividades, de forma a adaptar os conteúdos às suas necessidades e interesses.

Benefícios para alunos e comunidade

Além dos estudantes, Lívia Rocha considera que o projeto poderá beneficiar toda a comunidade educativa, incluindo professores, encarregados de educação e empresas, ao contribuir para a formação de jovens mais preparados para os desafios académicos e profissionais.

A candidatura apresenta um investimento de 25 mil euros, valor destinado à implementação integral da iniciativa. O orçamento contempla materiais pedagógicos, equipamentos, apoio logístico, realização das atividades práticas, registo audiovisual das sessões — mediante autorização —, bem como os recursos humanos necessários à execução do projeto.

Objetivo passa por alargar a iniciativa

Caso seja aprovado, o projeto será inicialmente desenvolvido junto de turmas do 12.º ano selecionadas pela direção da Escola Secundária de Elvas. No entanto, a promotora espera que, após a avaliação dos resultados, a iniciativa possa ser alargada a outros anos de escolaridade e, futuramente, a outras escolas.

Durante a entrevista, Lívia Rocha apelou ainda à participação dos munícipes na votação do Orçamento Participativo, defendendo que o “Conexão Futuro” representa um investimento na preparação dos jovens e no futuro da comunidade.

A votação do Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Elvas decorre até 2 de outubro.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

São Vicente e Ventosa em festa: Doya, Deixa Rolá e Avô das Batidas são cabeças de cartaz

A freguesia de São Vicente e Ventosa, no concelho de Elvas, prepara-se para receber mais uma edição das tradicionais Festas de Verão em honra de Nossa Senhora do Rosário, que decorrem entre os dias 12 e 17 de agosto.

A organização está, este ano, a cargo da Associação de Festas e Animação de São Vicente e Ventosa, que promete um programa diversificado, pensado para todas as idades.

Em entrevista à Rádio ELVAS, o presidente da associação, Rúben Ameixa, revela que a preparação das festividades começou logo após a passagem do pendão da anterior comissão de festas, a 15 de agosto do ano passado. “Em outubro ou novembro o cartaz estava praticamente fechado”, assegura.

O objetivo, segundo o responsável, foi manter o modelo de sucesso das edições organizadas pela mesma equipa, entre 2015 e 2019, oferecendo animação para diferentes públicos. O cartaz inclui bailes, concertos, animação com DJs, atividades tauromáquicas e momentos religiosos, procurando agradar tanto aos mais jovens como aos visitantes habituais.

Doya, Deixa Rolá e DJ Avô das Batidas como principais apostas

Nas duas primeiras noites – quarta e quinta-feira, dias 12 e 13 de agosto – a festa é feita com largadas de touros, na Rua Nova do Poente. Rúben Ameixa sublinha que a componente tauromáquica continua a ter grande importância em São Vicente e Ventosa, uma “das imagens de marca” da freguesia, o que justifica a abertura do programa com estas iniciativas.

A partir de sexta-feira, dia 14, inicia-se a programação musical, com baile animado por David Melão, seguido do concerto da dupla Doya, já “muito solicitada”, que mistura flamenco com sonoridades mais atuais. A noite termina com atuações dos DJs Miguel Morais e Boss Dici.

O feriado de 15 de agosto, sábado, dia dedicado a Nossa Senhora do Rosário, será o ponto alto das festividades. O programa inclui, a partir das 9 horas, o tradicional Peditório da Colcha, acompanhado pela Banda 1.º de Dezembro de Campo Maior, missa solene e procissão. Após as celebrações religiosas realiza-se a cerimónia de entrega do pendão, momento simbólico que assinala a passagem da organização das festas para uma futura comissão – caso exista -, tendo em conta o regulamento em vigor.

Durante a tarde realiza-se uma garraiada popular e, à noite, sobem ao palco Helena Brita e Victor Noruegas, seguindo-se a atuação da “banda do momento”, que animou os bairros de Lisboa por ocasião da celebração dos Santos Populares: Deixa Rolá. Pela madrugada fora a animação estará a cargo do DJ Avô das Batidas, que passou por um dos palcos da última edição do Rock in Rio, e Genzi.

No domingo, dia 16, haverá, durante a tarde, na Praça de Touros, nova tourada à vara larga. À noite, o recinto dos espetáculos recebe uma demonstração de zumba pela Gota d’Arte e a atuação da banda Pack 7, que abrange um vasto leque de estilos musicais, terminando a noite ao som do DJ Cuba.

As festas encerram na segunda-feira, dia 17, com uma largada de touros ao final da tarde, baile com Jorge Gomes, concerto da banda Os Contramão e atuação do DJ Manja.

Street food, restaurante, artesanato e atividades para os mais novos

O recinto das festas volta a instalar-se no Bairro Engenheiro António Gonçalves, onde, além dos espetáculos, no polidesportivo, o público encontrará, junto ao jardim, uma zona de street food, restaurante, mostra de artesanato, quermesse, insufláveis e outras diversões para crianças.

As entradas no recinto dos espetáculos são pagas. Na sexta e no sábado o bilhete custa três euros, enquanto no domingo e na segunda-feira a entrada terá o valor de dois euros.

Investimento superior a 25 mil euros

Para concretizar um investimento que “ronda os 25 a 30 mil euros”, a associação promoveu ao longo do ano diversas iniciativas de angariação de fundos, como o tradicional Baile da Pinha, o jantar de celebração do Dia da Mulher, a Romaria de Nossa Senhora da Ventosa, um arraial de Santos Populares e rifas, contando igualmente com o apoio da Câmara Municipal de Elvas, da Junta de Freguesia de São Vicente e Ventosa e de patrocinadores.

Apesar do entusiasmo, Rúben Ameixa alerta para as crescentes dificuldades enfrentadas pelas comissões de festas, apontando o aumento da burocracia e dos custos com licenças, seguros e restantes exigências legais como um dos principais desafios à continuidade deste tipo de eventos.

Ainda assim, as expectativas da organização são positivas. A venda antecipada de pulseiras esgotou e o presidente da associação acredita que as festas poderão beneficiar da dinâmica criada por outros eventos, como as Festas do Povo de Campo Maior, que decorrem na região durante o mesmo período.

Questionado ainda sobre a hipótese de não surgir uma nova comissão que queira organizar as festas de verão de São Vicente em 2027, Rúben Ameixa garante: “Sem festas não ficamos”.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

Orçamento Participativo: “Proxim(Idades) Maiores” quer levar telereabilitação aos lares da Terrugem e Santa Eulália

O projeto “Proxim(Idades) Maiores”, um dos 14 candidatos ao Orçamento Participativo do Município de Elvas, pretende promover um envelhecimento mais ativo e saudável através da utilização de tecnologia ao serviço da reabilitação.

A iniciativa foi apresentada pela enfermeira Ana Abrantes, em representação de uma equipa de quatro enfermeiros especialistas em Enfermagem de Reabilitação da Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo.

Em entrevista à Rádio ELVAS, Ana Abrantes explica que o projeto nasceu da preocupação com o envelhecimento da população e com a necessidade de preservar a autonomia e a independência dos idosos durante o maior tempo possível. “Vivemos numa sociedade cada vez mais envelhecida e Elvas tem uma elevada taxa de população idosa. O nosso objetivo é mostrar que envelhecer não significa perder autonomia”, afirma.

Além de Ana Abrantes e do enfermeiro Rui Cambóias, ambos a exercer funções na Ortopedia do Hospital de Santa Luzia, em Elvas, a equipa integra ainda as enfermeiras Inês Galega e Marta Rodrigues, que trabalham na área da Medicina.

A proposta será implementada, caso obtenha financiamento, no Lar da Terrugem e no Lar de Santa Eulália, instituições que já manifestaram disponibilidade para acolher o projeto.

“Proxim(Idades) Maiores” assenta num sistema de telereabilitação, recorrendo a equipamentos simples, como tablets, para complementar os cuidados prestados aos idosos. Segundo Ana Abrantes, a tecnologia não substituirá a intervenção dos profissionais, mas permitirá criar programas personalizados de reabilitação física e cognitiva, sempre com o acompanhamento das animadoras socioculturais e dos colaboradores das instituições. “O objetivo é integrar também os idosos na evolução tecnológica da sociedade, utilizando ferramentas simples e acessíveis”, explica.

Entre as atividades previstas encontram-se sessões de estimulação cognitiva e experiências virtuais, como visitas a locais emblemáticos do mundo, permitindo aos residentes conhecer espaços que nunca tiveram oportunidade de visitar. A iniciativa pretende ainda estimular a socialização e combater o isolamento entre os idosos.

A equipa acredita que o projeto poderá contribuir para melhorar a mobilidade, o equilíbrio e reduzir o risco de quedas, uma das principais causas de internamento entre a população mais idosa.

Outra das vertentes passa pelo treino das atividades de vida diária, incentivando os idosos a realizarem, sempre que possível, as suas tarefas de forma autónoma. “Muitas vezes, por ser mais rápido, os profissionais acabam por substituir os idosos nessas atividades. Quanto mais tempo conseguirem manter essas capacidades, maior será a sua independência”, refere.

Embora o projeto dependa da votação no Orçamento Participativo para aquisição do equipamento necessário, num investimento de cerca de mil euros, os enfermeiros garantem que a intervenção será realizada de forma voluntária, fora do horário de trabalho. “O projeto não terá qualquer custo para as instituições. Nós iremos desenvolvê-lo no nosso tempo livre”, adianta Ana Abrantes, acrescentando que a equipa pretende avançar com a iniciativa mesmo que não venha a obter financiamento.

Além da intervenção junto dos idosos, “Proxim(Idades) Maiores” contempla também uma componente de investigação, em parceria com a Universidade de Évora. A equipa pretende desenvolver um estudo sobre a aplicação da telereabilitação em idosos institucionalizados, área que considera ainda pouco explorada em Portugal.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

Orçamento Participativo: Jorge Moita quer transformar Elvas num polo de design, arte e inovação social

O designer elvense Jorge Moita é um dos candidatos à edição deste ano do Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Elvas, com o projeto “KKIDS_CELL ELVAS – Centro de Arquivo Vivo, Design e Produção Cultural Contemporânea”, uma proposta que pretende afirmar a cidade como um polo de criação artística, inovação social e sustentabilidade.

Em entrevista à Rádio Elvas, Jorge Moita explicou que o objetivo passa por criar uma plataforma capaz de dinamizar projetos de design contemporâneo, promovendo a economia circular, a produção cultural e a participação da comunidade.

“O KKIDS_CELL quer responder a problemas reais das comunidades através do design, sempre com foco na economia circular e na inovação social”, afirma o designer, sublinhando a intenção de trazer para Elvas experiências que tem vindo a desenvolver em diferentes pontos do país, em parceria com universidades, instituições culturais e entidades públicas.

Entre as iniciativas previstas estão a criação de um núcleo expositivo permanente dedicado ao arquivo do seu trabalho enquanto designer (Krv Kurva Design), a realização de residências artísticas, workshops, ações de formação e programas educativos intergeracionais, envolvendo crianças, jovens e seniores.

Jorge Moita destaca ainda o potencial de Elvas para acolher este tipo de projetos, referindo o estatuto de Património Mundial da UNESCO, os equipamentos culturais existentes e a localização estratégica da cidade na fronteira. Na sua perspetiva, estes fatores criam condições para atrair artistas e criadores nacionais e internacionais.

O candidato acredita também que o projeto poderá estabelecer ligações com outras estruturas culturais do concelho, como o Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE), contribuindo para reforçar a programação artística do território, sobretudo num contexto em que o Alentejo se prepara para receber Évora Capital Europeia da Cultura 2027.

Durante a entrevista, Jorge Moita recorda igualmente o projeto SUSTENTAALE, desenvolvido em Elvas, que reuniu alunos da Academia de Dança de Elvas, a Universidade Sénior e o Hospital de Santa Luzia na criação de figurinos produzidos a partir de materiais reutilizados do bloco operatório. Apesar de não ter vencido a anterior edição do Orçamento Participativo, o projeto acabou por ser implementado, servindo de inspiração para a nova candidatura.

Segundo o designer, o KKIDS_CELL pretende funcionar como um espaço de colaboração entre associações, artistas e coletivos locais, promovendo a cocriação e o desenvolvimento de projetos com identidade própria para o concelho.

A candidatura apresenta um investimento de 25 mil euros, valor máximo previsto no regulamento do Orçamento Participativo, destinado à fase inicial de implementação da iniciativa. Jorge Moita considera que este financiamento representa “o pontapé de saída” para um projeto cuja continuidade dependerá do envolvimento do Município e de futuros parceiros.

No final da entrevista, o candidato apela à participação dos elvenses no processo de votação, incentivando a população a conhecer todas as propostas a concurso e a exercer o seu direito de voto, considerando o Orçamento Participativo uma importante ferramenta de cidadania ativa e de construção coletiva do futuro do concelho.

A entrevista completa a Jorge Moite para ouvir no podcast abaixo: