“Beatriz, Uma Melodia Interrompida”: da memória de uma filha nasce um alerta contra a violência de género

No seu primeiro livro, a mãe de Beatriz Lebre transforma a dor da perda da filha num testemunho pessoal e num alerta para a violência de género. A obra dá a conhecer a jovem mulher alegre, apaixonada pela música, pela literatura e pelas artes, cuja vida foi tragicamente interrompida.

Beatriz, Uma Melodia Interrompida é o título do primeiro livro de Paula Lebre, já disponível nas livrarias de todo o país. A obra nasce da necessidade de contar a história da filha, vítima de homicídio a 22 de maio de 2020, mas assume também uma dimensão de denúncia social, procurando sensibilizar os leitores para a violência contra as mulheres e para a urgência de combater este flagelo.

Em entrevista à Rádio ELVAS, Paula Lebre faz questão de afastar, desde logo, a ideia de que se considera escritora. “Eu não sou escritora. Escrevi um livro, que nem é nada de criativo, é só um relato de uma vida, de um acontecimento e de um sofrimento”, afirma, descrevendo a obra como um testemunho pessoal sobre a filha e as circunstâncias trágicas que marcaram a sua morte.

Mais do que uma homenagem, expressão com a qual não se identifica, a autora considera que o livro pretende chamar a atenção para uma realidade que continua a exigir respostas da sociedade. “Aqui o que está em causa é uma fragilidade da condição humana que é preciso perceber e conter, que é a violência”, sublinha.

Paula Lebre alerta para a dimensão da violência contra as mulheres e para a necessidade de ir além dos números, procurando dar-lhes um rosto e uma história. Através da experiência de Beatriz, espera que os leitores compreendam melhor a gravidade deste problema. “Pelo menos que com a história, as pessoas, pela afetividade que possam sentir, liguem e sintam mais os números, o significado daqueles números grotescos e atrozes”, explica, lembrando que, “são duas mulheres mortas, por mês”, em média, em Portugal.

A mãe de Beatriz critica também a tendência para responsabilizar as vítimas pela violência de que são alvo, questionando os comportamentos e as escolhas das mulheres como se estes pudessem justificar a agressão. “Nada justifica um assassinato, seja mulher, seja homem”, afirma, defendendo que esta forma de pensar tem de ser desconstruída. Para Paula Lebre, a educação é uma das dimensões fundamentais para uma resposta estrutural e coletiva ao problema.

Apesar da dureza dos acontecimentos que relata, “Beatriz, Uma Melodia Interrompida” não pretende ser um livro sombrio. A autora procurou preservar a personalidade da filha e dar a conhecer os seus interesses, a sua alegria e a paixão pelas artes. “Não é um livro sombrio. Não deixa de ser belo, porque tem lá tudo o quanto ela mais amava, que era arte, cinema, música, poesia, literatura”, revela.

A música ocupa um lugar especial na narrativa, funcionando como uma banda sonora que acompanha a leitura. Paula Lebre explica que escolheu canções que faziam parte da vida familiar e da relação com a filha, integrando-as no texto como forma de criar pausas e tornar a experiência de leitura mais envolvente.

“Eu pretendia que fosse uma perolazinha. Não é nenhum diamante literário, nem nada disso, mas que seja uma pérola bonita e que dê prazer às pessoas e que emocione”, afirma, acrescentando que deseja que o livro contribua para que os leitores não se resignem perante a violência.

Um livro nascido da necessidade de compreender

A escrita surgiu de forma inesperada. Inicialmente, Paula Lebre preparava um testemunho para integrar uma compilação de textos sobre a vida de Beatriz, reunidos por amigos. Foi o músico, realizador e escritor Filipe Melo, amigo da filha, quem a incentivou a transformar esse material numa obra autónoma. “Ele é que me disse: ‘Paula, isto não é um testemunho, isto é um livro que tens de fazer à parte’”, recorda. A sugestão foi decisiva para que avançasse com um projeto no qual, inicialmente, não acreditava.

O processo de escrita foi também acompanhado por uma procura de respostas para a tragédia. Durante o luto, a autora dedicou-se à leitura de filosofia, teologia, psicologia e sociologia, procurando compreender o que tinha acontecido e os fenómenos sociais associados ao feminicídio, ao machismo e ao patriarcado.

O texto foi depois trabalhado em conjunto com a editora (Penguin Livros), num processo de organização e revisão que permitiu estruturar os capítulos e definir os momentos de pausa. Paula Lebre descreve o manuscrito inicial como um trabalho em bruto, que foi sendo aperfeiçoado com a colaboração editorial.

A narrativa é assumidamente pessoal, construída a partir da perspetiva de uma mãe que procura compreender a perda e preservar a memória da filha. Tudo o que é relatado, garante, corresponde à verdade, incluindo as dúvidas e as interrogações que continuam sem resposta.

Preservar a memória de Beatriz

Ao longo da entrevista, Paula Lebre recorda a ligação de Beatriz à música e ao teatro, evocando a imagem da filha sentada ao piano, uma das memórias que permanece viva entre aqueles que a conheceram.

Entre as recordações partilhadas está também a canção “Into My Arms”, de Nick Cave, que Beatriz cantava com amigos do grupo de teatro da universidade e que a mãe também cantava com ela. A descoberta desta coincidência, já depois da morte da filha, foi um dos momentos que Paula Lebre descreve como especialmente marcantes.

São estas memórias que ajudam a manter presente a personalidade de Beatriz e que dão sentido à publicação do livro. “A Beatriz tem o nome num livro para não morrer outra vez”, afirma, estabelecendo um paralelo com a atribuição de nomes de pessoas falecidas a ruas, como forma de perpetuar a sua memória.

A autora reconhece que a perda de um filho é uma ferida para toda a vida e que a morte violenta de Beatriz constitui uma rutura que não pode ser comparada a um acontecimento natural. É precisamente por considerar que esta morte não pode ficar sem significado que decidiu transformar a sua experiência num testemunho público.

“Eu não me conforme com a inutilidade desta morte. Esta morte tem que ter um significado. Por isso também o livro”, explica.

Apresentação na terceira edição do ALERtejo em Elvas

A publicação de Beatriz, Uma Melodia Interrompida coincide com a terceira edição do ALERtejo, encontro literário que decorre em Elvas e que, este ano, tem como tema central a escrita no feminino.

Paula Lebre considera a coincidência particularmente feliz, sobretudo porque o livro passou por várias vicissitudes relacionadas com questões jurídicas antes de chegar às livrarias. A apresentação em Elvas, agendada para sábado, 24 de outubro, representa, por isso, mais um momento significativo no percurso da obra.

A autora admite que não está a planear escrever outros livros e insiste que não se vê como escritora. “Desde a morte da minha filha, não consigo prever nada na minha vida, nem consigo planear nada, e todo o meu comportamento tem sido conforme as circunstâncias”, confessa.

Para já, a expectativa é que Beatriz, Uma Melodia Interrompida chegue aos leitores, emocione e contribua para uma reflexão mais profunda sobre a violência contra as mulheres. Um livro que procura preservar a memória de Beatriz e dar visibilidade a uma realidade que não pode ser ignorada.

Beatriz Lebre, uma vida interrompida pelo femicídio

Beatriz Lebre foi uma das 19 mulheres que morreram vítimas de femicídio, em 2020, em Portugal. Na noite de 22 de maio, um colega do curso de mestrado dirigiu-se à casa de Beatriz e, quando ela lhe abriu a porta, agrediu-a brutalmente com um bastão. Depois, transportou o corpo na bagageira do carro e deitou-o ao rio Tejo.

O alegado autor do crime, que não chegou a ser julgado, suicidou-se cerca de um mês e meio depois na cadeia.

A entrevista completa a Paula Lebre para ouvir no podcast abaixo:

“Nem Tanto ao Mar, Nem Tanto à Terra”: Budafé está de volta com novas sonoridades e um EP para descobrir

Budafé, nome artístico do elvense Fábio Brás, lançou muito recentemente o EP “Nem Tanto ao Mar, Nem Tanto à Terra”, um projeto composto por quatro temas que assinala o regresso à música original, três anos depois do seu último trabalho.

Com uma sonoridade renovada, que cruza o hip-hop com influências de Jersey Club e Pop, o músico procura chegar a novos públicos sem perder a identidade que tem marcado o seu percurso.

Em entrevista à Rádio Elvas, Budafé explicou que este novo trabalho representa uma evolução musical e pessoal, fruto de um processo criativo desenvolvido ao longo dos últimos três anos. O artista admite que procurou experimentar novas sonoridades e explorar outras abordagens musicais, apostando num registo “mais fresco e atual”.

O conceito do EP assenta na ideia de equilíbrio, sintetizada na expressão “Nem Tanto ao Mar, Nem Tanto à Terra”. Segundo o músico, o objetivo é transmitir uma mensagem de moderação numa sociedade onde considera existir uma tendência para posições extremadas ou, pelo contrário, para a indiferença perante determinados assuntos.

Os quatro temas apresentam mensagens distintas, mas complementares. “Sede” aborda a essência do projeto e a procura do equilíbrio. “Gravity”, apesar do título em inglês, é cantado em português e centra-se no amor, que Budafé considera fundamental valorizar nos dias de hoje.

Já “Sucesso” transmite uma mensagem de independência e positividade, defendendo que o sucesso pessoal não depende do insucesso dos outros. O artista sublinha que deseja alcançar os seus objetivos sem prejudicar ninguém, desejando igualmente o sucesso de todos. Por fim, “Graça” assume um caráter de agradecimento a Deus, encerrando o conjunto de temas com uma dimensão espiritual.

O processo de criação do EP envolveu também parcerias com profissionais com quem o músico desejava trabalhar. Entre eles está o produtor Filipe Survival, associado ao tema “Preço Certo”, de Pedro Mafama, com quem Budafé começou a desenvolver as novas músicas entre 2023 e 2024. Em 2025, avançou ainda com a produção dos videoclipes, contando com o realizador Francisco Ramalho, que trabalha atualmente com Plutónio.

O videoclipe de “Sede” já se encontra disponível no YouTube, estando igualmente previsto o lançamento de um segundo vídeo, dedicado ao tema “Sucesso”.

A capa do EP foi concebida pelo próprio artista, que procurou representar visualmente os contrastes sugeridos pelo título, através de elementos como “o luxo e o lixo, o escuro e o branco”.

Apesar da ambição de fazer da música a sua atividade principal, Budafé reconhece que a conciliação com a vida profissional e os custos associados à produção musical continuam a representar desafios para um artista independente. Por isso, defende um percurso assente na consistência e na qualidade, em vez da publicação constante de novos conteúdos. “Prefiro fazer as coisas ao meu ritmo e tentar sempre entregar o melhor, em vez de entregar quantidade sem qualidade”, assegura.

O músico considera ainda que o crescimento pessoal foi determinante durante o período de pausa, permitindo-lhe perceber melhor aquilo que pretende construir artisticamente. Quanto à possibilidade de conquistar novos públicos com esta mudança de sonoridade, admite que o resultado depende de vários fatores, entre os quais o trabalho de promoção, a resposta do público, o talento e também “alguma sorte”.

O feedback recebido após o lançamento tem sido positivo, tanto por parte da família e dos amigos como de outros músicos e artistas de Elvas. Budafé mostra-se satisfeito com a receção ao novo projeto e espera que o público desfrute das músicas tanto quanto ele gostou de as criar.

O EP “Nem Tanto ao Mar, Nem Tanto à Terra” está disponível nas plataformas digitais, incluindo Spotify e YouTube. O artista pode também ser acompanhado através das redes sociais, nomeadamente no Instagram.

Com este lançamento, Budafé inicia uma nova etapa do seu percurso musical, apostando numa identidade sonora diferente e numa mensagem centrada no equilíbrio, no amor, na valorização pessoal e na gratidão.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

Cante Alentejano vai “ecoar” no Forte da Graça com a estreia de três obras inéditas

O Forte da Graça, em Elvas, recebe no próximo sábado, dia 17 de outubro, às 11h00, a iniciativa “O Cante Alentejano Ecoa no Forte da Graça”, promovida pela Associação Cultural Pública de Hortênsia de Castro de Elvas. O evento assinala a estreia pública das três obras vencedoras do primeiro Concurso Internacional de Composição Musical de Elvas.

Segundo o presidente da associação e maestro do Coral, Vasco Almeida, esta primeira edição do concurso musical, lançada há cerca de um ano, procurou estimular a criação musical contemporânea a partir da tradição alentejana. As obras foram avaliadas de forma anónima por um júri, sem conhecimento da identidade ou proveniência dos compositores.

O primeiro prémio foi atribuído a João Pedro Pinto Oliveira, pela obra “Hino ao Forte de Nossa Senhora da Graça”. O segundo prémio distinguiu Rodrigo Manuel Vieira Cardoso, com “Munimen”, enquanto o terceiro prémio foi entregue a Afonso Fontão da Costa, pela composição “Nossa Senhora da Graça”.

As três obras apresentam características distintas. A primeira é escrita para coro tradicional a quatro vozes, a segunda inclui vibrafone e a terceira prevê a participação de um quarteto. Por se tratarem de obras inéditas e de composição contemporânea, a preparação da apresentação das obras exigiu um trabalho específico por parte do Coral.

“O Cante Alentejano Ecoa no Forte da Graça” pretende, contudo, ser mais do que um concerto convencional. A organização preparou um percurso musical pelo interior do monumento, durante o qual serão interpretadas também quatro modas alentejanas conhecidas do público: “Se Fores ao Alentejo”, “Ó Rama, Ó que Linda Rama”, “Gotinha de Água” e “Fui Colher uma Romã”.

A iniciativa começa na entrada principal do Forte da Graça, com uma contextualização do concurso e do próprio Canto Alentejano, seguindo depois por diferentes espaços do monumento até à Casa do Governador.

O programa contará ainda com a participação do escritor Rodrigo Fialho, do cantautor António Brinquedo e do Grupo Coral Infantil de Elvas, procurando juntar diferentes gerações e expressões artísticas em torno do património musical alentejano.

No final do percurso haverá ainda uma degustação de produtos da região, pensada como forma de complementar uma manhã dedicada à música, à tradição e ao património.

O Forte da Graça assume, assim, um papel central na iniciativa, não apenas como cenário, mas como parte integrante da experiência musical. A organização pretende explorar as características acústicas e arquitetónicas do monumento, proporcionando ao público uma forma diferente de o visitar.

A entrada é gratuita e o convite é dirigido a toda a população.

A entrevista a Vasco Almeida para ouvir no podcast abaixo:

II Festival de Sopas de São Vicente a 21 de novembro: inscrições arrancam esta segunda-feira

A Associação Recreativa e Cultural Cantadores da Planície promove, a 21 de novembro (sábado), a segunda edição do Festival de Sopas de São Vicente e Ventosa, no concelho de Elvas. Depois de uma primeira edição que superou as expectativas, a iniciativa está de regresso para voltar a juntar a comunidade à mesa, num encontro que combina gastronomia, música e convívio.

O balanço positivo do ano passado e os pedidos de quem participou levaram a associação a avançar com uma nova edição. “Correu muito bem no ano passado e este ano houve várias pessoas a pedirem-nos para voltarmos a fazer. Então, não podíamos deixar de fazer a vontade às pessoas e preparar o segundo Festival de Sopas”, revela Vanessa Garcia, presidente da Associação Recreativa e Cultural Cantadores da Planície.

A organização pretende manter a fórmula que conquistou os participantes em 2025, garantindo, ao mesmo tempo, as condições necessárias para que todos possam desfrutar do evento com conforto. O festival volta, por isso, a funcionar mediante inscrição prévia, tendo em conta a lotação do pavilhão multiusos de São Vicente, que deverá receber entre 300 e 320 pessoas.

“Não conseguimos ter ali muito mais do que 300 pessoas, senão torna-se muito apertado e a logística mais complicada”, explica a reponsável, sublinhando que as inscrições antecipadas permitem também à organização preparar o evento com maior rigor e assegurar que não falte comida aos participantes.

As inscrições abrem esta segunda-feira, 12 de outubro, e podem ser feitas na Junta de Freguesia de São Vicente e Ventosa, junto de qualquer membro da associação ou através do contacto telefónico 935 451 527. A participação fica confirmada mediante inscrição e pagamento.

Por 8,50 euros, os participantes terão direito a degustar todas as sopas disponíveis – desde a canja de galinha, ao caldo verde e à sopa de cação, entre outras propostas -, além de uma bebida e da oferta de uma taça de barro e de um copo reutilizável. As crianças até aos seis anos têm entrada gratuita.

A garantia é de que não faltarão sabores tradicionais à mesa, sendo que as sopas são confecionadas pelos próprios elementos dos Cantadores da Planície, com destaque para as mulheres do grupo, que, como sublinha Vanessa garcia, são cozinheiras de “mão cheia”.

No dia do evento, aos cerca de 15 membros do grupo juntam-se ainda familiares e amigos, cujo contributo é fundamental para o sucesso da iniciativa. Vanessa Garcia deixa também uma palavra de agradecimento aos vários patrocinadores que se quiseram associar ao evento, assim como à Junta de Freguesia e à Associação Desportiva, Recreativa e Cultural da Juventude de São Vicente e Ventosa pelo apoio prestado aos Cantadores da Planície em todas as atividades que, ao longo do ano, vão desenvolvendo.

A componente musical do Festival das Sopas fica, desta vez, a cargo do duo C&R.

Os Cantadores da Planície deixam o convite à população de São Vicente e Ventosa e a todos os que queiram juntar-se à iniciativa, apelando à participação de famílias e grupos de amigos.

Depois de uma estreia bem-sucedida e de vários pedidos para repetir a experiência, a associação quer fazer do dia 21 de novembro mais uma ocasião de encontro e partilha, com as sopas tradicionais como ponto de partida para celebrar a comunidade.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

Regulamento dos Serviços Digitais reforça proteção e responsabilidade no ambiente online

O Regulamento dos Serviços Digitais (DSA) estabeleceu um conjunto de novas responsabilidades para prestadores de serviços intermediários em linha, abrangendo desde redes sociais e motores de busca até mercados digitais e plataformas de download. A nova legislação obriga estas entidades a criar mecanismos eficazes para prevenir a disseminação de conteúdos ilegais — como discursos de ódio, terrorismo e pornografia infantil —, travar a venda de produtos perigosos ou contrafeitos e proibir a manipulação de algoritmos que limite a liberdade de expressão ou promova a desinformação.

As regras aplicam-se com especial rigor às plataformas e motores de pesquisa de grande dimensão, que registem em média pelo menos 45 milhões de utilizadores na União Europeia, devido aos elevados riscos associados à difusão massiva de conteúdos digitais. Embora o regulamento aumente a responsabilização das empresas e reforce a segurança dos utilizadores, as autoridades relembram que a proteção efetiva exige também uma postura preventiva por parte do consumidor, recomendando a consulta das condições de venda, a verificação da autenticidade dos produtos e o recurso aos mecanismos formais de reclamação em caso de litígio.

Tudo para saber sobre o assunto na edição desta semana da rubrica da DECO, com Helena Guerra, do Gabinete de Inovação e Projetos da Associação para a Defesa do Consumidor. Para ouvir no podcast abaixo:

Espetáculo de drones: uma das principais novidade da edição deste ano da Feira de São Mateus em Elvas

A Feira de São Mateus e as Festas em Honra do Senhor Jesus da Piedade regressam a Elvas entre 18 e 27 de setembro, numa edição que mantém o número de expositores e feirantes do ano passado e que traz algumas novidades, nomeadamente um espetáculo de drones e uma sessão de fogo piromusical.

As festividades são organizadas pela Confraria do Senhor Jesus da Piedade, com o complemento da Expo São Mateus, promovida pela Câmara Municipal de Elvas. Embora a animação tenha início a 18 de setembro, a abertura oficial das festas acontece no dia 20, com a tradicional Procissão dos Pendões.

Segundo Carlos Damião, juiz da Confraria do Senhor Jesus da Piedade, os trabalhos preparatórios estão praticamente concluídos. “Neste momento, aquilo que a Confraria tem aos seus ombros está tudo praticamente feito”, explicou, adiantando que o recinto manterá uma configuração semelhante à do ano passado e contará com o mesmo número de expositores e feirantes.

A abertura antecipada, nos dias 18 e 19, pretende aproveitar o fim de semana e permitir que os feirantes comecem desde logo a trabalhar. A Expo São Mateus abre nesses dias às 18 horas, enquanto a feira funcionará também a partir dessa hora, ainda sem a iluminação tradicional. A abertura oficial acontece no dia 20, com a Procissão dos Pendões, a iluminação do recinto e o fogo de artifício.

Procissão dos Pendões é o ponto alto

A Procissão dos Pendões, marcada para as 18 horas de 20 de setembro, continua a ser o grande momento das Festas do Senhor Jesus da Piedade e deverá voltar a atrair milhares de pessoas a Elvas.

Este ano, o cortejo contará com três bandas: a Banda 14 de Janeiro de Elvas, a Banda de Barrancos e, pela primeira vez, a Banda de Alcácer do Sal. Durante a manhã, as bandas irão também realizar as tradicionais arruadas pelas ruas da cidade.

Carlos Damião destaca a dimensão da procissão, sublinhando que muitas pessoas se deslocam especificamente a Elvas para participar neste momento religioso, incluindo fiéis que cumprem promessas.

A componente religiosa estará presente ao longo de toda a semana, com várias celebrações eucarísticas. O dia 23 será um dos momentos altos, com a participação do arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho. Estão igualmente previstas a tradicional Missa dos Doentes e a Missa dos Estudantes.

Fogo de artifício todos os dias e estreia de espetáculo com drones

Entre 20 e 27 de setembro haverá espetáculos pirotécnicos diariamente, uma aposta que representa um investimento significativo para a Confraria.

A principal novidade está reservada para sábado, 26 de setembro, com um espetáculo piromusical acompanhado, pela primeira vez, por um espetáculo de drones.

“Temos que ir inovando”, afirmou Carlos Damião, reconhecendo, contudo, que se trata de “uma inovação cara”, mas que a Confraria acredita que irá proporcionar um momento especial aos visitantes.

Regresso dos Pendões poderá voltar se houver participação popular

Uma das questões abordadas na entrevista foi a decisão de não realizar este ano a Procissão de Regresso dos Pendões.

Carlos Damião explicou que a decisão partiu do reitor do Santuário do Senhor Jesus da Piedade, responsável pela componente religiosa, embora a Confraria tenha sido consultada e tenha concordado com a alteração.

O juiz considera que a tradição só faz sentido se existir participação popular. Segundo revelou, no ano passado participaram apenas cerca de 30 pessoas no regresso dos Pendões, contrastando com as milhares que acompanham a procissão no dia 20.

“Não pode continuar assim”, defendeu, acrescentando que, caso os habitantes voltem a manifestar vontade de participar, a procissão poderá ser retomada no futuro. O reitor do Santuário estará disponível para voltar a realizar o cortejo caso se consiga reunir uma participação significativa.

Santuário aberto e tradição do campismo mantém-se

Durante todo o período das festas, entre 18 e 27 de setembro, o Santuário do Senhor Jesus da Piedade estará aberto, permitindo a visita dos fiéis e daqueles que se deslocam a Elvas para cumprir promessas.

Também o Museu dos Ex-Votos deverá voltar a ser um dos espaços procurados pelos visitantes.

Outra tradição que continua a crescer é a do campismo junto ao recinto das festas. Carlos Damião destaca que muitas famílias mantêm lugares ocupados ano após ano, numa prática que passa de geração em geração.

“Se mais lugares houvesse, mais gente iria acampar”, afirmou, considerando que é precisamente nesta tradição que se mantém uma forte participação popular.

Expo São Mateus continua a complementar as festas

A Expo São Mateus, da responsabilidade da Câmara Municipal de Elvas, volta a assumir um papel importante na dinamização do evento, sobretudo através dos espetáculos musicais.

A programação procura atrair diferentes públicos, incluindo os mais jovens, enquanto a zona dos bares e das diversões mantém, segundo Carlos Damião, uma configuração semelhante à dos anos anteriores.

A par das atividades religiosas e da programação de animação, estão ainda previstas iniciativas como uma mostra de artesanato na Fonte da Fé e uma dádiva de sangue, promovida no âmbito das festas.

Confraria prevê receitas entre 50 e 60 mil euros

Do ponto de vista financeiro, a Confraria espera alcançar resultados semelhantes aos dos anos anteriores. Carlos Damião explica que as receitas obtidas durante o São Mateus são fundamentais para assegurar o funcionamento e a manutenção do Santuário e dos cerca de dez hectares de terrenos sob responsabilidade da instituição.

“É do São Mateus que a Confraria paga todas aquelas despesas”, explicou, referindo os custos com funcionários, limpeza e manutenção dos espaços.

Nos últimos anos, a Confraria tem realizado diversas intervenções, incluindo a construção de uma nova casa de banho, obras de saneamento, intervenções em redes de água e esgotos e a recuperação de janelas do Santuário.

Está também identificada a necessidade de uma intervenção de maior dimensão no telhado do Santuário, uma obra que, segundo o juiz, terá um custo elevado.

Dia com menos ruído para pessoas com autismo

Uma das medidas anunciadas para esta edição das festas passa pela criação de um período com redução do som no recinto, pensado para pessoas com perturbações do espetro do autismo.

A iniciativa está prevista para 22 de setembro, entre as 18h30 e as 20h30, permitindo que estas pessoas possam visitar o espaço das festas num ambiente com menor estímulo sonoro.

Carlos Damião considera que esta é uma forma de tornar as festas mais inclusivas e garantir que todos possam usufruir do São Mateus.

Com a preparação do recinto praticamente concluída, a Confraria espera agora que a edição de 2026 volte a trazer milhares de visitantes a Elvas, mantendo a componente religiosa e as tradições que marcam o evento, mas também introduzindo novas iniciativas para acompanhar a evolução das festas.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

APPACDM de Elvas volta a candidatar-se ao Orçamento Participativo para adquirir gerador elétrico

A APPACDM de Elvas volta a candidatar ao Orçamento Participativo do Município de Elvas um projeto destinado à aquisição de um gerador elétrico.

A iniciativa, avaliada em 25 mil euros, integra os 14 projetos submetidos à votação na edição de 2026 e pretende garantir energia segura e contínua aos cerca de 250 utentes apoiados pela instituição.

Apagão de 2024 evidenciou necessidade do equipamento

Em declarações à Rádio Elvas, o presidente da direção da APPACDM de Elvas, Luís Mendes, explica que esta é a segunda vez que a instituição apresenta o projeto (já o tinha feito em 2025), dada a importância do equipamento para assegurar o normal funcionamento das várias respostas sociais.

A necessidade tornou-se particularmente evidente durante o apagão de 2024, que deixou a instituição sem eletricidade durante cerca de 12 horas. Segundo Luís Mendes, a interrupção comprometeu gravemente o funcionamento dos serviços e criou dificuldades acrescidas no acompanhamento das pessoas com deficiência intelectual e multideficiência.

“Vários utentes manifestaram ansiedade, medo e instabilidade”, refere o responsável, acrescentando que as refeições tiveram de ser servidas com iluminação insuficiente, enquanto equipamentos essenciais ficaram inoperacionais. Houve ainda preocupação com a conservação de alimentos e medicamentos.

Perante uma situação para a qual, segundo Luís Mendes, não existem respostas previamente treinadas, a equipa da instituição teve de improvisar soluções para garantir a segurança e o bem-estar dos utentes.

“Instituições que acolhem pessoas com deficiência, dependentes de rotinas estruturadas e ambientes estáveis, não podem de maneira nenhuma ficar expostas a falhas energéticas prolongadas”, sublinha o presidente da direção.

Gerador garante continuidade dos serviços

O equipamento permitirá assegurar a continuidade das principais atividades e serviços da instituição, nomeadamente a alimentação, conservação de medicamentos, funcionamento de equipamentos essenciais e atividades terapêuticas, garantindo também maior estabilidade emocional aos utentes.

A preocupação é reforçada pelo atual contexto internacional, marcado por conflitos armados, instabilidade geopolítica e eventuais perturbações no setor energético. Embora Portugal disponha de uma rede elétrica estável, a instituição considera importante estar preparada para novas interrupções ou situações de emergência.

Equipamento terá capacidade de 160 kVA

O gerador previsto terá uma potência de cerca de 160 kVA, superior à potência atualmente instalada na instituição, que ronda os 100 kVA. A escolha resulta de um estudo técnico realizado para garantir que o equipamento consegue suportar integralmente o consumo energético das instalações e, simultaneamente, responder às necessidades futuras.

Os 25 mil euros previstos no Orçamento Participativo destinam-se essencialmente à aquisição do equipamento. Aos custos do gerador terão ainda de ser acrescentadas despesas relacionadas com a instalação, projeto e legalização, estimando-se que o investimento global possa ultrapassar os 30 mil euros.

Luís Mendes reconhece que a concretização deste investimento representa um esforço significativo para a APPACDM, que enfrenta diariamente despesas relacionadas com a manutenção das instalações, equipamentos, viaturas e restantes estruturas de apoio.

Instituição apela ao voto dos elvenses

Por isso, o presidente da direção deixa um apelo aos elvenses para que participem na votação do Orçamento Participativo, que decorre até 2 de outubro, e considerem a relevância deste projeto.

“É uma questão de proteção humana, é uma questão de segurança operacional para a instituição, é uma questão de resiliência institucional e é também uma responsabilidade social”, afirma.

O responsável lembra ainda que outras instituições e equipamentos sociais de Elvas já dispõem de sistemas de emergência deste tipo, considerando fundamental que a APPACDM possa também garantir esta resposta.

APPACDM garante que não vai desistir

Caso o projeto não seja escolhido nesta edição, Luís Mendes garante que a instituição não irá desistir e procurará outras soluções para concretizar a aquisição do gerador.

“Desistir é sempre a última coisa”, assegura, defendendo que o equipamento é uma necessidade que terá de ser resolvida a médio prazo.

A entrevista completa a Luís Mendes para ouvir no podcast abaixo:

Orçamento Participativo: “Elvas com Patas” quer melhorar o bem-estar animal e a saúde pública na cidade

“Elvas com Patas”, da autoria de Luísa Raimundo, professora da Escola Superior de Biociências de Elvas, é um dos 14 projetos submetidos à votação na edição deste ano do Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Elvas. A proposta pode ser votada até 2 de outubro e tem um orçamento previsto de dez mil euros.

A iniciativa pretende conjugar bem-estar animal, saúde animal e saúde pública, tendo como ponto de partida um problema identificado ao longo de vários anos pela comunidade académica: a presença de formas parasitárias potencialmente zoonóticas nas fezes de animais deixadas nas ruas da cidade.

“Anualmente nós recolhemos fezes dos animais nas ruas de Elvas e temos a noção de que muitas ruas estão contaminadas”, explica Luísa Raimundo. Segundo a docente, algumas destas formas parasitárias podem transmitir-se aos seres humanos, representando um risco particularmente relevante para crianças, idosos e pessoas imunodeprimidas.

Fosso e Jardim das Laranjeiras como projeto-piloto

O Fosso e o Jardim das Laranjeiras são as áreas escolhidas para a implementação inicial do projeto. De acordo com Luísa Raimundo, estes espaços são frequentemente utilizados pelos tutores para passear os seus cães, concentrando uma quantidade significativa de dejetos animais.

A proposta passa pela criação de um parque para cães, permitindo que os animais possam circular e brincar em segurança, afastados do trânsito automóvel. A medida pretende também reduzir situações de risco já observadas na zona, incluindo atropelamentos de animais.

O espaço deverá ainda funcionar como ponto de informação e sensibilização dos tutores, nomeadamente para a importância da recolha dos dejetos e da desparasitação dos animais.

A professora destaca também a necessidade de reforçar a informação relativa à leishmaniose, uma doença para a qual a região apresenta condições endémicas e cuja prevenção passa, entre outras medidas, pela vacinação e proteção adequada dos animais.

Projeto prevê intervenção junto de colónias de gatos

A segunda vertente do projeto “Elvas Com Patas” está relacionada com os gatos que vivem em colónias, sobretudo nas imediações da Escola Superior de Biociências de Elvas.

A proposta prevê a criação de abrigos e estruturas de apoio, bem como a monitorização da colónia, procurando envolver voluntários e alunos da escola na alimentação e acompanhamento dos animais.

“Temos muitos alunos que estão muito sensibilizados”, asseguta Luísa Raimundo, salientando que os estudantes já desenvolvem iniciativas relacionadas com a saúde animal e procuram ajudar animais feridos encontrados nas proximidades da escola.

A intenção não é aumentar a população de gatos, mas monitorizar e controlar a colónia, em articulação com a Câmara Municipal e outras entidades.

Sensibilização como uma das principais apostas

Além das infraestruturas, o projeto aposta na formação e sensibilização. Os alunos da escola já desenvolvem, por exemplo, ações de sensibilização junto dos proprietários de animais durante o chamado “mês da desparasitação”.

Luísa Raimundo considera, contudo, que é possível tornar esse trabalho mais eficaz através de uma intervenção permanente no espaço.

A docente revela ainda que, ao longo dos anos, tem sido registada uma diminuição da percentagem de amostras contaminadas, sobretudo no Fosso e no Jardim das Laranjeiras, facto que associa também ao trabalho desenvolvido junto dos tutores.

Dez mil euros para arrancar

O projeto apresenta um orçamento de dez mil euros, verba que Luísa Raimundo considera suficiente para iniciar a iniciativa enquanto projeto-piloto, embora reconheça que poderá ser insuficiente para concretizar todas as infraestruturas idealizadas.

A proposta passa, por isso, por procurar apoios complementares junto do município, juntas de freguesia, empresas e outras entidades. A autora admite que alguns parceiros ligados à indústria farmacêutica e à alimentação animal poderão apoiar as ações de formação e sensibilização.

O objetivo é que, depois de testado no Fosso e avaliados os resultados, o projeto possa vir a ser implementado noutros locais. “Eu gostava muito que depois, se funcionasse e que tivéssemos resultados, de replicar, não só para diferentes pontos da cidade de Elvas, mas também para as freguesias”, explica.

Sem o financiamento do Orçamento Participativo, porém, a concretização do projeto ficará bastante condicionada. “Sem estes dez mil euros para avançar”, reconhece a responsável, “vai ser difícil”.

A autora aponta algumas dificuldades sentidas durante o processo de candidatura, nomeadamente relacionadas com a plataforma de votação e com a necessidade de os participantes terem residência oficial em Elvas, situação que impede a participação de estudantes da ESBE que vivem noutros concelhos.

Com “Elvas com Patas”, Luísa Raimundo pretende transformar uma preocupação identificada através do trabalho académico numa intervenção concreta no território, procurando que a proteção dos animais contribua também para uma cidade mais segura e saudável para a população.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo:

Elvense Eva Oliveira representa Portugal no Mrs. Europe na Estónia após conquistar título nacional

A elvense Eva Oliveira foi coroada, no passado dia 24 de julho, em Amarante, Mrs. Europe Portugal. A distinção vale-lhe agora a oportunidade de representar Portugal na edição europeia do concurso, que decorre na Estónia entre os dias 15 e 20 de setembro.

Aos 45 anos, prestes a completar 46, Eva Oliveira assume este desafio com entusiasmo, mas também com algum nervosismo, reconhecendo a responsabilidade acrescida de levar o nome de Portugal a uma competição internacional.

“É verdade que desta vez a responsabilidade é mais acrescida. É um desafio muito grande. Vou representar Portugal e todas as mulheres portuguesas, na Estónia, no Mrs. Europa”, afirma Eva, que admite estar a sair da sua zona de conforto, mas feliz por abraçar uma nova experiência.

A vitória alcançada em Amarante não estava, contudo, nos planos de Eva. Quando foi convidada pela organização CNB Portugal para participar, a primeira reação foi de surpresa. “Será que não se enganaram?”, recorda, explicando que não esperava conquistar a coroa perante a presença de várias mulheres preparadas para concursos internacionais.

Agora, a preparação para a viagem está a ser vivida com intensidade. O concurso europeu não se resume a um desfile, mas inclui vários dias de atividades, desafios e avaliações. Esta fase, habitualmente designada por “estágio”, antecede a final e permite às participantes demonstrar diferentes capacidades para além da imagem.

Para Eva Oliveira, num concurso desta natureza contam “muitas coisas”: a postura, a cultura, a forma de vestir, a comunicação e até a maneira de viver. “Não basta ter uma cara bonita e um corpo bem feito”, sublinha.

A participação assume ainda um significado especial pelo percurso da modelo elvense. Eva começou no mundo da moda aos 18 anos, mas acabou por interromper a atividade para se dedicar à família e aos filhos. Regressou ao universo da moda já aos 42 anos, quase por acaso, e desde então tem vindo a participar em concursos e trabalhos ligados à área.

A representação portuguesa na Estónia surge, assim, como a concretização de algo que, há alguns anos, parecia improvável. “Era impensável eu participar num concurso internacional”, confessa.

Mais do que conquistar uma coroa, Eva Oliveira pretende também deixar uma mensagem de confiança e inspiração a outras mulheres, defendendo que nunca é tarde para concretizar sonhos. “Quero ser exemplo para outras mulheres”, afirma, considerando que a evolução dos concursos e do próprio mundo da moda tem permitido quebrar barreiras relacionadas com a idade, o estado civil ou a maternidade.

A dimensão social é igualmente uma componente importante da participação. Eva Oliveira decidiu associar a sua presença no concurso à luta contra o cancro da mama, uma causa que considera particularmente relevante enquanto mulher. Através das redes sociais, pretende contribuir para a divulgação da causa e sensibilizar para uma doença que continua a afetar muitas famílias.

Na Estónia, a elvense irá encontrar concorrentes de vários países europeus e terá pela frente uma semana de grande intensidade, com atividades cujo programa ainda não conhece na totalidade. Entre os objetivos está também a possibilidade de conhecer uma nova cultura e, se a agenda permitir, descobrir um pouco da cidade que acolherá o concurso.

Apesar da expectativa natural em torno dos resultados, Eva Oliveira parte sem colocar a conquista da coroa como condição para considerar a experiência um sucesso. “Vou mais para conhecer, para participar no concurso, representar Portugal e para me divertir”, explica.

A família será, uma vez mais, o seu principal apoio. O marido, que já tinha sido determinante no seu regresso ao mundo da moda, e os filhos acompanham esta nova aventura e incentivam Eva a abraçar aquilo a que chama algumas das suas “loucuras”.

Além do título de Mrs. Europe, o concurso poderá atribuir outras distinções, como primeira e segunda dama, bem como prémios associados a categorias específicas, entre elas talento, fotogenia ou simpatia.

Independentemente da classificação final, a elvense considera que a conquista já começou. Representar Elvas, o Alentejo e Portugal  num palco europeu constitui, para si, uma vitória pessoal e a prova de que “nunca é tarde” para perseguir novos desafios.

A entrevista completa a Eva Oliveira para ouvir no podcast abaixo:

Orçamento Participativo: “Meet Elvas” quer transformar a visita à cidade numa experiência digital e interativa

O projeto “Meet Elvas” é uma das 14 propostas submetidas à votação na edição deste ano do Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Elvas. A iniciativa pretende criar uma plataforma digital interativa associada a um passaporte colecionável, com o objetivo de transformar a descoberta do património elvense numa experiência mais dinâmica, acessível e adaptada aos novos hábitos dos visitantes.

Um dos responsáveis pelo projeto é Cláudio Belo, informático de profissão, que integra uma equipa multidisciplinar composta por profissionais ligados a diferentes áreas.

Um guia turístico no telemóvel

Em traços gerais, o “Meet Elvas” pretende funcionar através de uma aplicação móvel e de um passaporte que os visitantes poderão adquirir em diferentes pontos da cidade. Ao longo do percurso, será possível visitar monumentos, recolher carimbos, responder a questionários e acumular pontos.

Através da aplicação, os utilizadores poderão “ver os monumentos em 3D, ter alguma informação visual e gráfica sobre os monumentos” e conhecer a sua história de uma forma mais interativa, explica Cláudio Belo.

A ideia passa também por responder a uma realidade cada vez mais comum no turismo: nem todos os visitantes têm disponibilidade ou vontade para ler grandes quantidades de informação durante uma visita. Com o “Meet Elvas”, “o guia seria o telemóvel”, resume o responsável.

História contada através de encenações

Uma das componentes diferenciadoras do projeto será a utilização de atores e conteúdos audiovisuais para recriar episódios e ambientes históricos associados aos monumentos. Os visitantes poderão assistir a “encenações históricas feitas por atores” e conhecer, através de personagens fictícias, “como era antigamente esse monumento”.

A componente de gamificação será igualmente importante. Cada monumento poderá representar uma etapa do percurso, com questionários associados e atribuição de pontos. A equipa pretende ainda criar prémios e estabelecer parcerias com entidades locais, permitindo eventualmente trocar pontos por descontos ou outras vantagens.

O objetivo é que o circuito não se limite aos locais mais conhecidos da cidade. “Queremos dinamizar todos os monumentos e não só o castelo ou só os fortes”, sublinha Cláudio Belo, defendendo uma maior divulgação do património existente nas diferentes freguesias do concelho.

Um projeto criado por elvenses que regressaram à cidade

A equipa responsável pelo “Meet Elvas” reúne profissionais de diferentes áreas, muitos deles com uma ligação pessoal à cidade. “Somos retornados a Elvas. Tivemos todos fora e voltámos para Elvas”, explica Cláudio Belo. Foi desse reencontro e da vontade de aplicar na cidade conhecimentos adquiridos noutras áreas que nasceu a ideia.

“Pensámos: por que não fazer algo que já existe fora de Elvas, mas cá em Elvas?”, conta. A intenção é juntar competências de informática, tecnologia, teatro, cinema, artes gráficas e 3D para criar um produto desenvolvido localmente e pensado especificamente para o património e a realidade elvense.

Uma experiência acessível e em vários idiomas

O projeto prevê que a aplicação possa ser disponibilizada em vários idiomas, entre os quais português, espanhol, inglês e francês, estando a equipa a considerar a inclusão de seis ou sete línguas.

A preocupação é tornar a experiência acessível ao maior número possível de visitantes, evitando que a barreira linguística prejudique a compreensão do património.

A aplicação deverá também adaptar-se a diferentes públicos. “O nosso objetivo é termos uma interface que seja adaptável para idosos, para mais novos, para todos conseguirem aproveitar a aplicação e desfrutar da experiência”, explica Cláudio Belo.

Atrair os mais jovens para o património

Outro dos objetivos passa por aproximar os públicos mais jovens da história e da cultura de Elvas, recorrendo a mecanismos de jogo e a uma componente social integrada na própria plataforma.

A equipa pretende criar uma experiência que incentive os utilizadores a explorar a cidade, completar desafios e partilhar os conteúdos nas redes sociais. “Vamos tentar atrair também o público mais jovem com esse joguito”, afirma o informático.

A estratégia poderá permitir que os próprios visitantes funcionem como promotores da cidade, através da partilha das experiências proporcionadas pela aplicação móvel nas redes sociais.

25 mil euros para desenvolver o projeto

A candidatura apresenta um orçamento de 25 mil euros, o valor máximo disponível no âmbito do Orçamento Participativo. A verba seria utilizada sobretudo no desenvolvimento da aplicação e da infraestrutura tecnológica, incluindo alojamento, servidores e outros recursos necessários.

Parte do investimento seria igualmente destinada à produção dos conteúdos, contratação de atores, figurinos, gravações e outros materiais. A equipa estima que o desenvolvimento envolva inicialmente cerca de quatro a cinco profissionais, entre programadores, designer, elementos ligados ao teatro e profissionais de cinema.

Cláudio Belo reconhece que a concretização do projeto exigirá vários meses de trabalho, incluindo uma fase de testes e aperfeiçoamento. A manutenção da plataforma deverá também ser contínua, permitindo corrigir erros e acrescentar novos conteúdos à medida que o património e a oferta cultural do concelho evoluem.

Apesar de considerar o financiamento essencial para concretizar a proposta na sua dimensão prevista, a equipa admite avançar com uma versão mais económica caso o projeto não seja o escolhido no Orçamento Participativo.

Para já, a decisão está nas mãos dos elvenses. Cláudio Belo apela à participação da população na votação do Orçamento Participativo, que decorre até 2 de outubro, esperando que o “Meet Elvas” consiga conquistar o apoio necessário para transformar a ideia numa nova forma de descobrir o património, a cultura e as histórias do concelho.

A entrevista completa para ouvir no podcast abaixo: