Campanha “Autarquias sem Glifosato” no “Ambiente em FM”

De modo a alterar a prática generalizada em Portugal do uso de glifosato, herbicida usado para o controlo de plantas e ervas daninhas, nomeadamente por parte das autarquias locais, a Quercus lançou, em março de 2014, uma campanha com a colaboração da Plataforma Transgénicos Fora.

Esta é uma campanha a que a associação ambientalista procura dar um novo impulso, agora que os novos órgãos autárquicos foram eleitos e tomaram posse.

O glifosato, explica José Janela, da Quercus, na edição desta semana do “Ambiente em FM”, é o herbicida mais vendido em Portugal e “a aplicação em meio urbano contribui para esta estatística”.

Os riscos do glifosato vêm sendo conhecidos por estudos independentes e publicados nas revistas científicas mundiais, que têm vindo a revelar consequências gravosas para a saúde e para o ambiente, de vários herbicidas e em particular daqueles cuja substância ativa é o glifosato. Entre esses riscos, enumera José Janela, destacam-se a “sua lenta degradação, que permite que os resíduos tóxicos sejam arrastados quer para rios, ribeiros, albufeiras e lagos, quer para lençóis subterrâneos; e atua nos animais como desregulador hormonal e cancerígeno, mesmo em doses muito baixas”.

O glifosato, revela ainda o ambientalista, é o herbicida mais usado em todo o mundo e “o seu uso tem aumentado muito nos últimos anos devido à proliferação das culturas geneticamente modificadas, que passaram a resistir ao herbicida”.

José Janela lembra que existem outros meios para o controlo das ervas espontâneas, como os mecânicos, com a monda manual, arrancando as ervas, ou com roçadoras. Existem ainda mondadores térmicos, que, através do calor, eliminam as ervas. “Por vezes nem se justifica uma tão grande eliminação, pois em períodos chuvosos, as ervas têm diversas vantagens: ajudam à infiltração da água no solo, evitando escorrimentos superficiais que provocam erosão e cheias; fixam carbono e produzem oxigénio; e aumentam a biodiversidade vegetal e animal”.