Hortas Solidárias: a ocupação diária de muitos reformados em Campo Maior

_DSC0093Há quatro anos que Campo Maior conta com um projeto de hortas solidárias, desenvolvido pela Câmara Municipal.

Trata-se de um espaço com cerca de 60 talhões, junto às instalações da Santa Casa da Misericórdia, a ser usado por famílias desfavorecidas, associações, IPSS e comunidade em geral, contando ainda com uma vertente pedagógica, assente na promoção de hábitos alimentares saudáveis.

Por esta altura, não há talhões livres, adianta o presidente da Câmara, João Muacho, o que, no seu entender, quer dizer que este é um projeto que “teve muito boa procura” e que tem sido “um sucesso”, resultando de “um trabalho de cooperação entre a autarquia e os campomaiorenses”.

“Aquilo que os campomaiorenses podem fazer é inscrever-se, ficando numa lista de espera e, quem sabe, num futuro próximo, no caso de haver uma desistência, possam vir a ter aqui o seu espaço”, acrescenta o autarca, lembrando que, nas hortas solidárias há sempre a possibilidade de conviver com os vizinhos e trocar conhecimentos.

Para a maioria dos campomaiorenses que planta os seus alimentos nas hortas solidárias, esta é uma forma, sobretudo, de ocupar o tempo. Já reformados, encontram naquele espaço um modo de não passar os seus dias confinados às quatro paredes das suas casas, podendo ainda levar os alimentos para as suas refeições. É o caso de Manuel Galvão, que revela que planta, entre outros, couves, alfaces, alho francês e salsa, “para a família e para alguns amigos”. “Isto é uma sociedade que temos aqui”, refere ainda.

Já António Roque revela que se prepara agora para começar a plantar no seu talhão, servindo os produtos que colhe da terra para comer em casa, com a família. Nas hortas comunitárias tem já um “sócio”, com quem partilha e troca conhecimentos e experiência. “Venho aqui todos os dias, porque estou reformado e não tenho mais nada para fazer”, conta ainda.

Com 86 anos, Manuel Favita explica que planta de tudo um pouco na sua pequena horta, considerando que este projeto é uma mais-valia, uma vez que não tem espaço para cultivar em sua casa. O seu talhão, adianta, foi-lhe atribuído no ano passado, contado com a ajuda de um outro senhor, por vezes, quando se tratam de trabalhos mais pesados.

As hortas solidárias de Campo Maior resultam da oportunidade criada pela Fundação EDP, que na edição 2014 da iniciativa “EDP Solidária”, permitiu ao Município campomaiorense ver a sua candidatura aprovada. O Grupo Nabeiro e a Gráfica Calipolense são os parceiros executores deste projeto.