Auditoria aos bombeiros de Elvas revela “duas contabilidades distintas”

João-Pedro-Bugio-e1591111697703Já é conhecido o resultado da auditoria efetuada às contas e procedimentos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Elvas.

No terceiro ponto deste documento, agora divulgado, pode ler-se que “existem na associação dois tipos de registos de clientes, um deles denominado “Módulo de Gestão” e o próprio registo contabilístico. Entre os dois, verificam-se divergências superiores a 75 mil euros”.

João Pedro Bugio, presidente da Comissão Administrativa desta Associação Humanitária, questiona “como é que é possível alguém ter duas contabilidades?” e garante que “há aqui qualquer coisa que está mal”.

No caso dos donativos, Bugio refere que “não há documentos que comprovem os mesmos”. João Pedro Bugio apela ainda “aos sócios que compareçam nas eleições marcadas para o dia 29 deste mês”.

O Relatório de Procedimentos Acordados à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Elvas encontra-se disponível para qualquer Sócio e elementos do Corpo de Bombeiros, em suporte papel, na central telefónica e secretaria da Associação.

Pode ler, de seguida, o resultado da auditoria:

  1. Aquisição, em fevereiro de 2019, de uma viatura com 333 mil km e do ano de 2009, pelo valor de 16.653 euros, operação que não foi deliberada numa reunião de Direção e não foi devidamente transposta para uma ata;
  2. Para além da existência de diferenças entre a relação da Autoridade Tributária e o mapa depreciações, verificou-se ainda diferenças entre a relação de ambulâncias obtida pela AHBVE e o cadastro da Autoridade Tributária;
  3. Existem na AHBVE dois tipos de registos de clientes, um deles denominado “Modulo de Gestão” e o próprio registo contabilístico. Entre os dois verificam-se divergências superiores a 75 mil euros;
  4. As amortizações são efetuadas por períodos de vida útil diferentes, apesar da característica do bem ser idêntica;
  5. O Prazo Médio de Recebimentos aumentou de 75 e 70 dias em 2017 e 2018, respetivamente, para cinco meses em junho de 2019;
  6. A retenção de imposto sobre o rendimento apresenta discrepâncias entre o valor contabilizado e as guias de retenções;
  7. Existem sócios efetivos com quotas em atraso por período superior ao estipulado nos estatutos, verificando-se ainda, mais uma vez, a existência de duas contabilidades, a “oficial” e o “Módulo de Gestão”, que apresentam novamente divergências nos saldos;
  8. As Folhas de Caixa apresentam valores divergentes dos valores da contabilidade;
  9. A AHBVE apresenta nas suas contas da contabilidade, um depósito a prazo, constituído a 30 de junho de 2019, no Novo Banco no valor de 38 mil euros. No entanto, foi apresentado um comprovativo de constituição do depósito, no referido banco, que apresenta um valor de 16 mil euros;
  10. Provisões com um saldo de 3134 euros que se mantém inalterado desde 1 de janeiro de 2018, sem que para a tal exista documento de suporte;
  11. O Prazo Médio de Pagamentos (PMP) no final de 2018 era de aproximadamente cinco meses. Em junho de 2019 o prazo médio de pagamentos aumentou para cerca de oito meses;
  12. As contas de locação financeira não apresentam variação desde, pelo menos, 1 de janeiro de 2018 e o Mapa de responsabilidades de crédito do Banco de Portugal não apresentar qualquer saldo relacionado com os valores contabilizados.
  13. Foram emitidos donativos de abastecimento de água a entidades privadas e classificados como donativos a entidades públicas, não tendo sido facultado nenhum comprovativo dos recebimentos dos donativos;
  14. A Associação “BOMBAMIGOELVAS – Associação de Solidariedade Social”, constituída por escritura pública no dia 16 de março de 2016, não apresenta qualquer registo ou divulgação nas contas da AHBVE.
  15. A Associação “BOMBAMIGOELVAS – Associação de Solidariedade Social” tem uma colaboradora pertencente aos quadros de pessoal da AHBVE, que desempenha funções de assistência social na esfera da BOMBAMIGOELVAS – Associação de Solidariedade Social”, sem contrapartidas para a AHBVE. O custo com a prestação dos serviços de apoio social é suportado pela AHBVE e depois debitado à “BOMBAMIGOELVAS – Associação de Solidariedade Social”. Desde 2016 que estes valores estão em mora.