Torre do Frade com quebra na venda de vinhos a 90 por cento

TorreFradeVindimaO encerramento de restaurantes, hotéis e bares, assim como o cancelamento de todo o tipo de eventos turísticos foram os principais responsáveis pela drástica diminuição das vendas de vinhos. Nos supermercados, nem sempre foram repostos, uma vez que a prioridade foram, desde cedo, os bens de primeira necessidade.

A verdade é que sem negócio não há dinheiro para continuar a trabalhar a vinha, quando a próxima vindima está já a menos de seis meses.

Diogo Albino, responsável de marketing da Herdade Torre do Frade, em Monforte, explica que o cenário atual tem afetado o setor vinícola de tal maneira que viram as suas vendas caírem em 90 por cento. “Nós não temos os nossos produtos na grande distribuição, as nossas vendas caíram por completo, porque os restaurantes fecharam por completo e nós vemo-nos aqui no meio desta encruzilhada”, revela.

Já as exportações, adianta Diogo Albino, registaram uma quebra de cem por cento. “Tínhamos encomendas a sair para a Bélgica, Holanda, Suíça, que foram todas canceladas, porque as fronteiras foram fechadas”, explica. Contudo, Albino revela que, entretanto, receberam uma encomenda de Macau. “Eles já estão com o mercado aberto, mas as encomendas para a China demoraram muito tempo”, acrescenta.

Para fazer face à situação, a Torre do Frade criou uma campanha a nível nacional, através das suas plataformas digitais, sendo essa agora a principal aposta da empresa de Monforte. Quanto a possíveis apoios do Estado para o setor, Diogo Albino garante que ainda não há qualquer notícia.

“Não temos notícia de qualquer apoio para o setor, mas temos de nos unir, porque a vindima está aí a chegar, a uva não para e, provavelmente, ou vai haver uma ajuda do Estado, em termos de ajuda à produção, ou vai ser o mercado a regular isso”, diz ainda. Se assim for, os consumidores vão poder ter acesso “a vinhos de grande qualidade” a preços mais reduzidos, o que será, contudo, uma “péssima notícia” para os produtores.